O primeiro dia do DFB Festival, que começou na terça-feira (09.06), foi encerrado por David Lee. O estilista já pode ser considerado um veterano da cena nacional, tendo participado também da São Paulo Fashion Week, onde se tornou um dos nomes mais aguardados pelos insiders da indústria. Mas o que faz de David um criador especial? Sua sensibilidade em mostrar (e costurar, literal e metaforicamente) o próprio universo ao restante do Brasil e do mundo.
Em “Ofertório”, ele marca um novo momento em diversos sentidos. Isso aparece, por exemplo, nos bordados tridimensionais que dialogam com as estampas de poá. Há elementos infantis que surgem ao longo da coleção sem jamais parecerem ingênuos. Pelo contrário: propõem uma leitura lúdica, convidando o público a acessar memórias vividas pelo estilista e, por vezes, compartilhadas por muitos de nós.
Nesta coleção, o couro surge como uma das grandes surpresas. Recortes, cores, formas e referências sertanejas aparecem em peças que dialogam também com os aventais presentes em sua já conhecida camisaria. Há um jogo interessante entre tradição e experimentação, questionando limites e convenções de funcionalidade, gênero e repertório.
Senti apenas que, em alguns momentos, o styling poderia ter sido mais instigante, acompanhando as próprias roupas. Mas entender David Lee passa necessariamente pelo toque. E aqui me repito de propósito: tocar, literal e metaforicamente, talvez seja a melhor forma de compreender a riqueza do seu trabalho.