Quando a música cantada por Benjamin Clementine começou a tocar, entendemos logo do que se tratava esse desfile. A estreia de João Maraschin no SPFW foi um daqueles momentos que a gente agradece por estar presente em uma semana de moda.
João é brasileiro, mas mora há anos em Londres, onde sua marca conquistou reconhecimento internacional. Foi a primeira marca brasileira a ser indicada para o prêmio LVMH, além de ter sido indicado a outros prêmios globais. A gente acompanha Maraschin desde o início, mas acredito que este desfile seja um divisor de águas em sua carreira, pois ocupa um novo lugar de maturidade profissional e de entendimento do que é sua marca, qual seu propósito e que lugar no mundo ela pode ocupar.
A coleção chama-se Home. Obviamente, faz uma alusão a uma volta para casa, mas também pode refletir um novo lugar, um novo ponto de partida. A coleção é muito madura e mostra com beleza e eficiência seu trabalho dentro do âmbito da moda consciente. O feito á mão faz parte da identidade da marca desde seu início – ela foi concebida assim – e isso fica bem claro ao longo de cada look que passa na nossa frente: o desfile é uma experiência de texturas e cada roupa enche nossos olhos.
Fios reciclados, fios de garrafa pet, algodão orgânico e certificado, crochês e tricôs elaborados com cordas e linhas de pesca, bordados de linho desenvolvidos por comunidades parceiras e biomateriais, como o Beleaf são apenas alguns exemplos da fusão entre artesanal e inovação que acompanha seus processos.
O ótimo resultado do desfile também se deve a sinergia entre todos os pontos: design, styling, casting, direção, beleza, trilha e ritmo. Home pode ser um tributo às suas raízes, porém é ainda mais um tributo a moda de hoje e um lugar perene para se estar dentro de toda sua complexidade.