Anthony Vaccarello tem uma fórmula muito bem estabelecida, que repete temporada após temporada, mas com motivo: os números parecem aprovar. Não à toa, em meio à crise da Kering, a Saint Laurent segue brilhando, sendo um dos únicos nomes saudáveis e que ainda garantem orgulho ao conglomerado.
Observo que Anthony trabalha essa imagem luxuosa com um leve toque de linha de produção: os oito primeiros looks são variações de um mesmo modelo, com pequenos ajustes. O sentido é claro: ele quer que a imagem da Saint Laurent se impregne no nosso imaginário, altamente identificável, quase automática.
Se na temporada passada os longos vestidos de nylon repletos de babados (que custam módicos R$ 143 mil, como o próprio site brasileiro da marca indica) dominavam a narrativa, agora ele dá continuidade a esse efeito tecnológico. Mas com um acabamento mais sofisticado: as rendas de guipure recebem uma finalização em silicone, tornando-se mais brilhantes e ganhando uma aparência mais contemporânea.
O longa Max et les Ferrailleurs (1971), estrelado por Romy Schneider, também integra o mood proposto por Vaccarello. Você entende quando pesquisa e vê os vestidos acetinados que parecem derreter no corpo da protagonista. Falei que estamos atravessando um momento meio fúnebre nesta temporada, os longos pretos em renda guipure e os ternos inteiramente negros vistos hoje indicam que não é apenas em Milão; em Paris, essa atmosfera deve ganhar ainda mais força.