Estilistas também precisam de um tempo de maturação, Glenn Martens é um daqueles que utilizou esse processo de amadurecimento a seu favor como poucos. A sua última coleção para a Diesel, desfilada hoje (26.02), foi o mais belo exemplo disso. Limitada a jeanswear, a marca cresceu, Glenn que entrou como um provocador, já a levou para raves, after hours e festas sem fim, mas para muitos outros lugares também.
O pied poule no denim (piedenim?) resume bem esse exercício de sofisticar a marca e mostrar que ela não precisa ficar presa ao streetwear. É a forma de Martens brincar com os elementos clássicos da moda como casacos evasês, casaquetos que imitam tweed, corsets, estruturas que remetem a ancas e dar a eles um novo respiro. No outro extremo, a cintura baixíssima, a skinny que assombra, os mini comprimentos… ele gosta de instigar.
Os vestidos acetinados, os casacos doudoune, os tomara que caia bem estruturados, Glenn mostra que sabe – e quer – ir muito além. O tricô que imita a pele humana, os tops colagens nos looks finais que flertam com a ilusão de ótica já são ótimas pistas do que ele deve aprontar na Margiela. Um dos maiores criadores da nossa geração, no processo e, obviamente, na imagem.