Ainda nas primeiras semanas de janeiro, Glenn Martens confirma que deve ser um dos principais nomes do ano na moda. À frente do reposicionamento da Diesel, o designer também apresenta uma impressionante coleção para o Inverno 23 da Y/Project. A coleção é moderna e em perfeita sintonia com o Zeitgeist, é fácil de imaginá-la rapidamente se tornando item de desejo entre as novas gerações e não faltam peças marcantes para isso. Os tops e vestidos com impressão realista que simulam o corpo humano - abdomens trincados, seios e pernas - são estampados sobre as peças como leituras de uma câmera térmica, uma técnica que tem sido utilizada por designers emergentes para causar a ilusão de ótica de uma quase nudez, uma releitura das icônicas estampas de corpos de estátuas de Jean Paul Gaultier. As peças justas e sensuais são contrastadas com outras de modelagens largas como calças cargos e vestidos em formato casulo com silhuetas que nos lembram a Alta Costura da Balenciaga - tanto a de Demna quanto a de Cristóbal.
O jeans, tecido com o qual Glenn Martens deve ter se tornado extremamente acostumado devido a seu trabalho na Diesel, aparece reimaginado, com o tradicional vanguardismo japonês que pede uma coleção da Y/Project, em diferentes cores e lavagens. Já os casacos são drapeados de forma que parecem retorcidos sobre o corpo dos modelos e recebem recortes e sobreposições em um jogo de mostra-e-esconde. O grande destaque fica para a estamparia e cores escolhidas para a coleção, os tons tecnológicos de verde e azul constrastam com o lilás e laranja, nas estampas e trabalhos têxteis que gradiente que causam uma degradação natural das cores ao longo da coleção, finalizando nos looks para a noite, últimos da coleção, em tons de preto e dourado.