Para sua coleção de Inverno 22, Junya Watanabe presta uma homenagem ao grupo Jamiroquai, dono de hits como Space Cowboy e Virtual Insanity, que dominavam as rádios no final dos anos 90. A apresentação digital, por si só, reproduz a estética do videoclipe de Virtual Insanity e também se inspira no estilo do vocalista e líder do grupo, Jay Kay. Os adereços e chapéus, bastante usados por Kay, são destaque na coleção de Watanabe, complementando looks de longos sobretudos e casacos.
O nome da banda, Jamiroquai, é a junção de Jam Session e Iroquois, uma etnia dos povos originários norte-americanos, algo que, mesmo sendo utilizada por jovens britânicos, não levantava muitas discussões nos anos 90. Atualmente no entanto, a coleção de Junya Watanabe levantou questionamentos sobre a questão de apropriação cultural, utilizando estampas e peças de vestuário tipicamente mexicanas, bem como estéticas Navajo - outra etnia dos povos originários norte-americanos. A estamparia com estética mexicana e Navajo aparece em grande parte dos looks da coleção, que há 10 anos atrás ainda seriam chamados de estampas étnicas.
Para a coleção, Watanabe afirma que teve apoio da Secretaria de Cultura do Governo Mexicana, que proveu alguns dos tecidos e padronagens típicas utilizadas na coleção. Enquanto isso pode servir como alguma espécie de álibi, a questão ainda permanece: deveriam estéticas típicas dos povos originários serem apropriadas por marcas de moda, ainda que com autorização? A coleção é saudosista de um outro tempo e se inspira em estéticas retrô, mas parece falhar em adaptar essas mesmas estéticas aos valores do mundo de hoje.