Pierpaolo Piccioli estreou hoje (08.07), na alta-costura à frente da Balenciaga e a sensação, para o bem e para o mal, é a de que ele já estivesse ali antes mesmo de chegar.
Durante sua longa passagem pela Valentino, Piccioli sempre foi um verdadeiro devoto dos códigos de Cristóbal Balenciaga. As formas arquitetônicas que desafiam a gravidade, a precisão da construção, o domínio dos volumes e das silhuetas monumentais sempre fizeram parte do seu vocabulário. Por isso, o desfile de hoje transmitiu uma forte impressão de continuidade. É bonito. Muito bonito. Mas também bastante seguro.
Antes do terremoto (criativo, midiático e cultural) chamado Demna, a Balenciaga viveu outro momento decisivo nas mãos de Nicolas Ghesquière, responsável por recolocar a maison no centro da influência da moda nos anos 2000. Depois vieram anos menos inspirados, uma passagem discreta de Alexander Wang e, enfim, a chegada de Demna, que transformou a marca em um dos maiores fenômenos da moda contemporânea.
Piccioli herda uma Balenciaga profundamente diferente daquela fundada por Cristóbal: uma maison altamente midiática, de forte presença digital e acostumada a provocar tanto quanto a vestir. Alguns códigos dessa era permanecem: os óculos-máscara, uma certa atitude esportiva, o rigor quase clínico do styling. Mas a impressão é de que ele os preserva sem lhes dar protagonismo, como quem aguarda o terreno em que realmente se sente em casa.
E esse terreno é a alta-costura. Aqui, Pierpaolo trabalha sem hesitação. Plumas, volumes, caimentos impecáveis, bordados e um senso de drama absolutamente natural voltam a ocupar o centro da narrativa. É um criador que domina a couture com rara intimidade, sem nunca deixar que a técnica se sobreponha à emoção.
Talvez seja justamente por isso que a coleção desperte uma expectativa ainda maior. Estamos falando de um dos grandes coloristas da moda contemporânea, de um designer que, ao longo da carreira, construiu uma linguagem própria e demonstrou compreender como poucos o legado de Cristóbal Balenciaga, “o mesmo mestre de todos nós”, reverenciado por Christian Dior e Gabrielle Chanel.
Por isso, talvez fosse possível ir um pouco além. Faltou aquele gesto inesperado, aquele momento em que a beleza deixa de ser apenas admirada para se tornar inesquecível. O desfile emociona, mas raramente surpreende. E, diante de um criador da estatura de Pierpaolo, a expectativa inevitavelmente é essa: ser levado a um lugar que ainda não conhecemos.
Ainda assim, é um começo extremamente elegante. Bonito, sem dúvida. Como quase tudo o que Pierpaolo toca. E talvez exista um consolo nessa sensação de que ainda faltou um passo: daqui a seis meses haverá uma nova coleção.
Pierpaolo Piccioli estreou hoje (08.07), na alta-costura à frente da Balenciaga e a sensação, para o bem e para o mal, é a de que ele já estivesse ali antes mesmo de chegar.
Durante sua longa passagem pela Valentino, Piccioli sempre foi um verdadeiro devoto dos códigos de Cristóbal Balenciaga. As formas arquitetônicas que desafiam a gravidade, a precisão da construção, o domínio dos volumes e das silhuetas monumentais sempre fizeram parte do seu vocabulário. Por isso, o desfile de hoje transmitiu uma forte impressão de continuidade. É bonito. Muito bonito. Mas também bastante seguro.
Antes do terremoto (criativo, midiático e cultural) chamado Demna, a Balenciaga viveu outro momento decisivo nas mãos de Nicolas Ghesquière, responsável por recolocar a maison no centro da influência da moda nos anos 2000. Depois vieram anos menos inspirados, uma passagem discreta de Alexander Wang e, enfim, a chegada de Demna, que transformou a marca em um dos maiores fenômenos da moda contemporânea.
Piccioli herda uma Balenciaga profundamente diferente daquela fundada por Cristóbal: uma maison altamente midiática, de forte presença digital e acostumada a provocar tanto quanto a vestir. Alguns códigos dessa era permanecem: os óculos-máscara, uma certa atitude esportiva, o rigor quase clínico do styling. Mas a impressão é de que ele os preserva sem lhes dar protagonismo, como quem aguarda o terreno em que realmente se sente em casa.
E esse terreno é a alta-costura. Aqui, Pierpaolo trabalha sem hesitação. Plumas, volumes, caimentos impecáveis, bordados e um senso de drama absolutamente natural voltam a ocupar o centro da narrativa. É um criador que domina a couture com rara intimidade, sem nunca deixar que a técnica se sobreponha à emoção.
Talvez seja justamente por isso que a coleção desperte uma expectativa ainda maior. Estamos falando de um dos grandes coloristas da moda contemporânea, de um designer que, ao longo da carreira, construiu uma linguagem própria e demonstrou compreender como poucos o legado de Cristóbal Balenciaga, “o mesmo mestre de todos nós”, reverenciado por Christian Dior e Gabrielle Chanel.
Por isso, talvez fosse possível ir um pouco além. Faltou aquele gesto inesperado, aquele momento em que a beleza deixa de ser apenas admirada para se tornar inesquecível. O desfile emociona, mas raramente surpreende. E, diante de um criador da estatura de Pierpaolo, a expectativa inevitavelmente é essa: ser levado a um lugar que ainda não conhecemos.
Ainda assim, é um começo extremamente elegante. Bonito, sem dúvida. Como quase tudo o que Pierpaolo toca. E talvez exista um consolo nessa sensação de que ainda faltou um passo: daqui a seis meses haverá uma nova coleção.