MILÃO, 25 de fevereiro de 2010
Por Luigi Torre
Miuccia Prada sempre gostou de explorar os conceitos de feminilidade e beleza em suas coleções. De uma modo ou de outro, seu trabalho constantemente acaba orbitando por temas ou abordagens relacionadas as mulheres, sua sexualidade e o modo com se relacionam com os padrões e paradigmas sociais do que é belo ou não. Então não deveria ser surpresa as roupas que apresentou em seu inverno 2010, ontem na semana de moda de Milão.
Sim, elas foram bem menos inventivas que coleções anteriores. Ao mesmo tempo seguiram aquela idéia de uma roupa real e possível, ainda que transitando por aquela fina linha entre o bom e mau gosto sempre tão peculiar nas coleções da Prada. A novidade dessa vez é que a mensagem sobre feminilidade veio de maneira muito mais direta e evidente do que nas últimas coleções – e numa linguagem estética bem mais anti-moda.
Afinal, os babados na região do busto, a cintura bem marcado no seu local natural e os quadris ressaltados por pregas ou saias volumosas que Miuccia apresentou nessa última quinta-feira, não são bem o tipo de roupa que mulheres convencionais escolheriam para irem trabalhar ou atender a sofisticados eventos.
Muito menos é o tipo de roupa que celebridades escolheriam para marcar presença nos principais tapetes vermelhos e eventos sociais. São roupas que carregam um certo “demodismo”, uma imagem de mulher voluptuosa, ou melhor, de imagens de várias mulheres. Mulheres reais, diferentes, únicas, jovens, velhas, de meia idade, sensuais, castas...
Mulheres que se vestem todas em tricôs bem confortáveis, ou em combinações estampadas (as vezes quase improváveis), ou ainda em peças de couro resinado que parecem vinil. Mulheres que gostam de formas amplas, meias 7/8, e óculos (não de sol) esquisitinhos, de armação coloridinha. Enfim, uma variedade imensa, assim como o universo feminino. Sempre com algo projetando as roupas para
uma realidade passada, com coques imensos à la Hitchock, mas ao mesmo tempo tão modernas ao ponto de negar boa parte das obsessões atuais da moda e da sociedade.
Um inverno de roupas possíveis e, por que não, normais – dentro de toda estranheza típica da Prada. Quase que uma síntese de uma séries de idéias essenciais à grife, que coloca Miuccia de volta em seu estado mais contestador e em perfeita sintonia com desejos (por roupas reais) de mulheres de todos os tipos, e não só as fashionistas.
Miuccia Prada sempre gostou de explorar os conceitos de feminilidade e beleza em suas coleções. De um jeito ou de outro, seu trabalho constantemente acaba orbitando ao redor da mulher, sua sexualidade e o modo com que ela se relaciona com os paradigmas sociais do que é belo ou não. A novidade desta vez é que a mensagem sobre feminilidade veio de maneira muito mais direta e evidente do que nas coleções anteriores – e numa estética bem mais antimoda.
Afinal, os babados na região do busto, a cintura bem marcada e os quadris ressaltados por pregas ou saias volumosas não são exatamente o tipo de roupa que mulheres comuns escolheriam. Muito menos é o tipo de roupa que celebridades elegeriam para marcar presença nos principais tapetes vermelhos e eventos sociais. São roupas que carregam certo demodismo, uma imagem de mulher voluptuosa. Mulheres reais, diferentes, únicas, jovens, velhas, de meia idade, sensuais, castas.
Mulheres que se vestem em tricôs bem confortáveis ou em combinações estampadas ou ainda em peças de couro resinado que parecem vinil. Mulheres que gostam de formas amplas, meias 7/8, e óculos esquisitinhos, de armação colorida que imitam o formato de uma sobrancelha arqueada. Enfim, uma variedade imensa, assim como o universo feminino. Sempre projetando uma realidade passada, com cabelos armados no beehive (estilo colmeia de abelhas), mas ao mesmo tempo vanguardista o bastante para ser independente dos atuais ditâmes da moda.
O desfile também marca o reposicionamento de imagem da Prada, que em face da polêmica sobre modelos exageradamente magras (uma fagulha que a própria grife incendiou temporada após temporada, sempre apostando em castings überjovens e magérrimos) busca um inverno de roupas possíveis e, por que não, normais – isso dentro da estranheza típica da Prada. Quase que uma síntese de uma série de ideias essenciais para a grife, que coloca Miuccia de volta em seu estado mais contestador e em perfeita sintonia com desejos (por roupas reais) de mulheres de todos os tipos, e não só as fashionistas.
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