Algo sobre a cultura americana que parece fascinar o estilista Christopher Kane. Algo sobre ao mau gosto e elementos que beiram o limite do cafona. Essa paixão aliada a sua perversão britânica resulta sempre em roupas poderosas onde leituras nunca são tão óbvias quanto parecem, escondendo uma boa dose de subversão nas entrelinhas.
Dessa vez foi com bordados florais aplicados de maneira dominante sobre vestidos de couro, saias de plásticos e blusas de tricô – tudo sempre em preto – que Kane falou de um romantismo sombrio. De uma garota que esconde por trás da doçura das flores de seda em tons suaves, uma sensualidade potente e algo obscuro em sua personalidade.
Essa garota, no caso, sendo a jovem Priscilla Presley, bem antes de conhecer seu marido Elvis, que lhe deu esse sobrenome de sucesso e uma vida tumultuada. Assim, de sua vida pré-fama vem as roupas de modelagem tradicional, corte simples, sem muito volumes ou firulas, bem como pede a moda do momento. Só que como num prenúncio de tudo que estava por vir, os materiais – couro, plástico e renda – trazem uma sensualidade e atitude “bad girl” pronta a explodir.
Some-se a isso uma alfaiataria poderosa, compondo silhueta mais alongada meio em camadas, em boas coordenações de tonalidades e opacidades de tons de preto. Texturas diferentes também são trabalhadas ao lado de cortes e modelagens das mais desejáveis. Para noite os bordados, que muitas vezes parecem trabalhados demais de conta (por mais essa tenha sido a intenção), dão lugares a boas aplicações de jóias mais bem dosadas, numa imagem extremamente sofisticada.
Só que para o inverno 2010 as idéias e seu desenvolvimento não parecem tão fortemente trabalhados e apresentados na coleção passada. Aqui o foco no produto – onde técnica apurado, precisão de corte e dominância no manuseio de diferentes materiais – tem mais força do que o pensamento e visão que Kane já mostrou ter como armas poderosas para posicionar sua marca entre os gigantes dessa indústria. E no fim das contas, por mais que menos criativo, a moda vive mesmo um momento que pede por roupas de verdade, não é mesmo?































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