RIO DE JANEIRO, 01 de junho de 2010.
Por André Rodrigues (@randreh) Mesmo com o inverno ensaiando sua chegada ao Rio de Janeiro surpreendentemente frio e nublado, a Triya conseguiu esquentar o último dia de Fashion Rio.Com um pé na África e de olho nos tigres asiáticos, a estilista Isabela Frugiuele dá um show de estamparia. Abusa um pouco de algumas formas conceituais do beachwear, tipo os maiôs rasgados, furados, vazados, meio esqueléticos no sentido de que se assemelham às costelas do corpo humano. Tomar sol com eles, nem pensar! Mas podem funcionar num cruzeiro, à beira da piscina, desde que fiquem longe do sol. Ao mesmo tempo, neste abuso ela encontra saídas criativas, como o modelo estampado de oncinha com alguns círculos vazados que criam uma ilusão de ótica super interessante: parte da peça é estamparia, parte é modelagem, mas é tudo uma coisa só. Sacada genial. O maiô costela-de-Adão de Laís Ribeiro também é delicioso.
Os modelos tomara-que-caia, marca registrada da grife, pontuam a coleção, dividindo a cena com biquínis assimétricos e maiôs reconstruídos. Mas isso tudo é pano de fundo para o espetáculo das estampas, elas sim as protagonistas de uma apresentação mais que competente. Só faltou mesmo uma edição melhor da coleção que, depois de um atraso de quase uma hora pra começar, foi muito loooonga. Mas não longa o bastante para entediar: o bonde do tigrão é uma coisa do outro mundo, kitsch que te quero mais, superfofa, dá um gás no desfile e chega ao clímax com o animal print amarelo-gema-de-ovo, que só não ganha mesmo da estampa de tigre/pantera negra rosnando, uma das imagens mais ferozes da temporada até agora. E quando o triunvirato da Triya aciona seu DNA, a passarela pega fogo: a sequência de estampas africanistas, tribais, étnicas, geométricas explode aos olhos da plateia com uma cartela de cores arco-íris, gradiente, radiante, energizante. #GROWL!
Cenário: Muti Randolph Styling: Felipe Veloso Trilha sonora: Jonas Rocha Make up & hair: Max Weber