RIO DE JANEIRO, 28 de maio de 2010 Por Luigi Torre (@aboutfashion)
Não precisava de release, nem de qualquer depoimento da estilista para entender o verão 2011 de Graça Ottoni. Ela pode até citar o filme “Casa de Areia”, o livro de Pierre Verger “O Mensageiro 1932 -62” como inspirações, mas só as roupas já bastavam. Talvez deixando-se levar pelo atual clima da moda global, foi a simplicidade do vestir norte e nordeste do Brasil que embala esta temporada. Aquela sofisticação simples vem agora trabalhada em tecidos e materiais que exalam brasilidades. Linhos e algodões de aspecto rústico dão leveza a saias longas, pantalonas amplas e camisas bem soltas, muitas vezes com acabamentos propositalmente incompletos. Do longo chemise branco que abre o desfile, até o look preto esvoaçante de Vivianne Orth que o fecha, uma elegância despretensiosa, quase que natural permeia toda coleção. Ainda mais quando esses tecidos vem combinados a outros mais nobres como sedas ou então peças paetizadas. Nos bons momentos de styling (aqueles que misturavam diferentes tonalidades de uma mesma cor ou então combinava texturas e opacidades diferentes) o efeito é ainda mais desejável , bem mais do quando faixas de tecidos criam volumes disformes atrapalhando a silhueta. O mesmo acontece quando Graça volta a trabalhar aquelas suas construções mais complexas. Em tecidos texturizados o resultado final é confuso e imensamente inferior àquele pureza de estilo que enriquece formas e tecidos da coleção. Ainda assim, o saldo é positivo. Adequando-se as principais vontades do momento de maneira nada óbvio, dá continuidade àquela renovação de repertório que iniciou na temporada passada, de forma ainda mais evidente e com produtos muito mais desejáveis. Direção Geral: Garça Ottoni Styling: Giovanni Frasson Diretor de desfile: Ruy Furtado Beleza: Max Webber Trilha: Zé Pedro