RIO DE JANEIRO, 31 de maio de 2010
Por André Rodrigues (@randreh) Na temporada dos comebacks, os holofotes todos se voltam para um único nome: Maxime Perelmuter. Um dia antes de terminar o Fashion Rio Verão 2011, o estilista no comando da marca British Colony antecipa o grand finale, conjugando com fluência máxima o estilo carioquês numa remixagem do trio clássico + tropical + geométrico. Pow! Da inspiração clássica saem trench coats, calças de cintura alta e cós amplo, coletes tipo fraque e os simplesmente demais blazeres tomara-que-caia, dando origem a novas proporções e silhuetas que ficam ainda melhores quando trabalhadas em tecidos amassadinhos ou super leves. O bloco tropical traz ótimas estampas e listras, intercalando com o minimalismo geométrico, as assimetrias no corte, a dualidade entre o que parece perfeito e o que parece imperfeito, desconstruções, abaloados, sobreposições. O styling de Daniel Ueda operou às avessas, no bom sentido: em vez de carregar a coleção, ele a equilibrou, dando ainda mais relevância para a cartela de cores, por exemplo. Tons de coral, lilases super lavados, estampas tropicais, off-white, azul marinho, cáquis e turquesas pastel se coordenam de forma extraordinária, dando todo um novo significado para essas cores que muitas marcas querem usar agora. O balanço comercial vs. conceitual também dá samba: tudo parece feito para um editorial de moda. E tudo também parece feito para usar na vida real, ir à praia, dar um rolê no shopping, sair pra balada. No meio de tantas outras apresentações, esta merecia abrir -- ou encerrar -- a semana de moda. O recado dado é definitivo, diz tudo que esperamos ouvir quando uma temporada começa, ao mesmo tempo em que resume tudo o que queremos escrever quando ela termina.