RIO DE JANEIRO, 30 de maio de 2010
Por André Rodrigues (@randreh) Pouco mais de um ano e três meses e pela primeira vez depois da morte de seu fundador, David Azulay, a Blue Man retorna às passarelas do Calendário Oficial da Moda Brasileira. Escolhe como palco o Teatro Glaucio Gil, recém-reformado em ação conjunta com a própria marca. Convoca Ney Matogrosso e Yamandu Costa para uma performance intimista, ao vivo. E faz ferver nosso sangue latino. Não dá pra falar só da modelagem inteligente, na medida exata, com tudo lugar. Não dá pra ficar só no duelo esperto de esconde/revela/esconde mais/revela mais entre os maiôs fechadões e biquínis cavadões. Não dá pra citar apenas a leve referência boudoir em alguns acabamentos, que eleva essa moda praia a todo um outro nível de existência fashion. Não dá pra elencar somente a gama de estampas bem sacadas, que viajam dos florais de chita até os guepardos e azulejarias -- somos brasileiros, somos espanhóis, somos africanos, somos portugueses. A síntese da nossa miscigenação está ali presente em cada patchwork, numa amostra genial de como aliar conceito e execução sem perder o rebolado. O desfile perde força com a entrada dos meninos, todos em suas sunguinhas retangulares, nada inovadoras, com estampas degradê, apagadas. O modelo nude é divertido, mas quem vai usar? Existe, no entanto, uma forte sequência de bermudas que devem se dar muito bem nas lojas. O styling pisa na bola com sapatos desajeitados, caricaturais e deslocados na apresentação. David entendia mesmo é de mulher, e isso sua equipe, agora sob comando de Marta Reis, respeita. Quando retornam as meninas, elas vêm hispânicas, tipo valendo: inspiração escancarada no flamenco, com bordados pretos e florais intensos. A apresentação das roupas se encerra com uma mini sequência de estampas quadriculadas na cor laranja bem acesa. A apresentação do conceito, no entanto, não acaba. Não dá pra controlar o lápis e o bloquinho com Ney Matogrosso, força da natureza, dando tudo de si numa perfomance arrebatadora ao lado do mestre violonista Yamandu Costa. A carga emocional desse desfile já é, sem dúvidas, um dos picos mais altos de adrenalina desta edição do Fashion Rio.