Graça Ottoni soltou a mão, caprichou na tesoura, encurtando os comprimentos e não teve medo das proporções e da sobreposição, sem entretanto perder sua identidade e a coerência com sua consumidora. É um inverno poético, bem-mostrado num desfile ultracorreto e redondo (música, beleza, casting). As meninas estavam lindas, com coque no alto da cabeça, tudo limpo para deixar toda a atenção nas roupas _de pegada elegante sem imprimir careta por conta da boa edição das peças.
A apresentação abre com os vestidos em renda, com efeito sombra no de Vivi Orth, ou servindo de base para os casacos em matelassê, que Graça Ottoni trouxe de seus arquivos dos anos 80, como outros trabalhos presentes nesta coleção _as tiras rasgadas em organza e o patchwork aleatório. Os casacos casulo amarram a coleção e conferem certa dramaticidade aos looks.
Se o bordeaux amarronzado do início parece um pouco ingrato, logo ele vem quebrado pelo bege e pelos florais (cujo melhor momento, por sua vez, é o total look de casaco solto com bermuda).
Graça Ottoni trabalhou bem com os pesos dos materiais, e conseguiu bons resultados principalmente nos vestidos com casaco em verde, cinza e beges, com tricô e faixa na cintura dando uma modernizada.
A tentativa dos longos não dá lá muito certo, provando que é curta de fato a vocação deste inverno. A malha furada usada com o look em cinza, saia repuxadinha, casaco, é tão boa que poderia ter sido mais usada, e pode ser este a imagem-síntese deste bom momento de Graça Ottoni.
Direção executiva: Ruy Furtado
Styling: Giovanni Frasson
Beleza: Max Weber
Trilha: Zé Pedro