Giulia Borges trabalhou bastante da última temporada para cá. Corte e costura vem mais afiados para expressar um imaginário elaborado e nada óbvio. A figura é de boneca, meninas brincando de vestir, amarrando mangas de casacos pra frente e pra trás, vestindo peças ao contrário, sem gola, como se inacabadas.
Há perversidade, entretanto, no olhar para a infância de Giulia Borges, e o styling sempre instigante de Pedro Sales desenha os looks com fitas pretas no cabelo amarradas sob o queixo, sandálias plataforma com meia soquete e legging de tule de bolinhas. Fofo? Só à primeira vista. Como a estampa de ursinho do convite e do tubinho, referência para a coleção.
Os melhores looks são em preto e branco, vestidos com ênfase na cintura e nos ombros, exagerados para o bem, divertindo-se nas proporções. Deu certo também o uso das barbatanas, dando um toque meio fetichista à coleção que valoriza o mix de materiais e de superfícies. Alongados macacões conferem ritmo ao desfile, que ganha novo respiro com a estonteante entrada do megacapuz em carneiro da mongólia _e vem aí a seqüência de alguns dos melhores momentos da coleção. As plaquetas de plástico e os picotes do final deram uma pesada, não é mesmo fácil lidar com esses materiais. De toda forma, este inverno coloca Giulia Borges como um dos nomes para acompanhar no Fashion Rio.
Styling: Pedro Sales
Beleza: Daniel Hernandez
Trilha sonora: Max Blum
Direção: Zee Nunes