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    Coven
    Inverno 2010 RTW
    Todos Ler Review
    Por Augusto Mariotti 10.jan.09

    Existem muitas coisas em comum entre o trabalho fashion de Liliane Queiroz, estilista, e o pintor multifacetado Francisco de Goya, cujas gravuras serviram de ponto de partida para a coleção de inverno 2010 da Coven. Uma rápida análise e o óbvio salta aos olhos: o savoir faire da coisa toda. Goya compunha suas gravuras com a obsessão que só os gênios são capazes de exercer, criando quadros traço a traço, com cada rabisco meticulosamente posicionado para não sufocar o anterior, nem impedir o próximo. Da mesma forma, Liliane tricota e borda com precisão sobrehumana, criando looks inteiros a partir deste trabalho artesanal, transformando em alfaiataria e dando leveza ao pesado material.

    A excelência das roupas da Coven é tamanha que só o olhar muito atento, tato e o mexe-remexe com a roupa é que revelam as delicadíssimas tramas tricotadas de maneira compulsiva e, portanto, genial. Partindo da série "Os Desastres da Guerra" do pintor (que serviu de inspiração para uma mostra circense dos irmãos Chaplin), Liliane se apropria do tema e o reinterpreta num caminho bifurcado: de um lado, que foi o começo do desfile, os looks militares, que marcham passarela adentro com um esquadrão de camuflados, aplicações de dourados, paetês de aço inoxidável, maxicanutilhos no formato de cartuchos de fuzil e cores baixas. Preto, verde-caçador e marrons dominam o fronte. As generais deste exército são ultra femininas, com roupas feitas de moulage, um ombro só (Viviane Orth se deu bem, veja o look dela na galeria), generosos decotes em "V".

    O primeiro intervalo vem com Ana Claudia Michels. Com seu caminhar seco, que relembra a marcha de um soldado, a top model entra no desfile a bordo de um micro vestido de mangas compridas, total black, com maxifranjas que anunciam: respeitável público, o circo chegou! Mais franjas, leggings com padronagens gráficas e camuflagens azuladas nos levam ao próximo break: a entrada de três vestidos de moulage, feitos em patchwork de tricôs, com aplicações que configuram verdadeiras armaduras na parte dos ombros. A quantidade de informações é excessiva, mas a estilista faz tudo parecer uma coisa única, indissociável. Impressionante.

    E quando a plateia pensa que Liliane chegou ao ápice da coleção (poderia terminar ali sem problemas), ela sobe vários degraus e fecha o desfile com uma sequência explosiva de quatro looks totalmente inspirados no universo circense, cheios de estampas que não são estampas – e sim diferentes tramas de tricôs, bordados, aplicações.

    O catártico look de Daiane Conterato (o último do desfile) coloca a Coven na disputa pelo pódio de melhor desfile desta temporada.

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