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    Too Fast Fashion?
    Too Fast Fashion?
    POR Redação

    Num dos raros momentos de tempo livre durante a cobertura da semana de moda de Nova York, resolvi fazer uma visita a H&M mais próxima – quase em frente as tendas do Bryant Park, na esquina da rua 42 com a 5ª avenida. Afinal, é quase impossível ir para lá e não sentir um mínimo de tentação de entrar nessas lojas que parecem dominar toda esquina da cidade.

    Porém, como que uma punição fashion por ter me rendido as ofertas do fast fashion bem frente a sede de um dos eventos que compões a New Yoir Fashion Week, fui tomado por um misto de choque e depressão logo que entrei na loja.

    US-ECONOMY-H & M

    Uma sensação de maltrato e descaso completo com as roupas. Pilhas delas amontoadas nas prateleiras, tudo amassado, peças caindo dos cabides, coisas fora de ordem… Como que se aquilo fosse um supermercado fashion recém saqueado por pessoas desesperadas pela última tendência do momento.

    E sim, tudo que há de mais atual na moda agora estava lá, de modo simples, as vezes quase certinho demais. As principais tendências das passarelas do verão 2010 tudo mastigadinho para o consumidor e a preços bem acessíveis (não chega a ser barato, mas também não é caro). Até mesmo elementos que estão sendo desfilado, como as referências militares, aquele leve clima bohêmio meio 70’s, já era possível ser encontrado.

    Só que o modo como tudo aquilo é apresentado é bem diferente daquelas imagens que chegam para gente aqui nas campanhas e vídeos promocionais. Quando paramos para olhar melhor as roupas com mais calma, percebemos que qualidade, modelagem e acabamento, ficam muito aquém não só do que se tem por aceitável, como também por correto.

    A própria coleção especial de tricôs da Sonia Rykiel. Nas imagens das vitrines, vestidos curtinhos listrados, com leve pegada parisiense parecem perfeitos para o verão que parece longe. Mas quando visto na arara, trazem uma certa pobreza (e não no sentido monetário) no visual. Modelagem descuidada, material de qualidade duvidosa, fazem de toda aquela ação quase uma propaganda enganosa.

    A última vez que tinha entrado numa H&M foi em 2007 e o clima era completamente diferente. Tudo mais civilizado, roupas e loja mais apresentada e até uma certa adequação maior ao que (eu, pelo menos) entendo por aceitável no que diz respeito aos requisitos básicos para compra de qualquer peça de roupa. Aliás, tenho dois jeans de lá que são alguns dos que mais uso até hoje e continuam em perfeito estado.

    Mas agora o cenário é um pouco diferente. Não sei se por uma maior demanda, a marca se viu forçada a produzir mais e menos tempo – deixando de lado alguns cuidados básicos. Mas que a qualidade caiu muito isso não tem como questionar.

    Só de tocar a peça já era possível prever o estrago que a primeira lavagem iria causar. Provando um blazer, um dos botões caiu só do movimento na peça. Numa japona de lã, três maxi botões já se penduravam prestes a entrar em queda livre.

    2011/10/912_TopshopNY

    Tentei dar mais algumas chances para a rede de fast fashion em outros pontos da cidade, mas o resultado era sempre o mesmo. Nem mesmo a Topshop, rede britânica que chegou aos EUA há pouco mais de um ano, se salva. Apesar de melhor apresentada e roupas mais interessantemente trabalhadas, com tecidos de qualidade um pouco melhor, acabamento e modelagem deixam muito a desejar, pesando bastante no custo benefício da compra.

    A pergunta que ficou na minha cabeça depois de tudo isso, é que se com consumidores ficando cada vez mais conscientes (e talvez até exigentes) quanto a qualidade, bom acabamento e materiais empregados, não estaria chegando o momento das redes de fast fashion reverem seus conceitos.

    Não sou daqueles que acredita no fim desse mercado. Muito pelo contrário, vejo sua clientela crescendo cada vez mais. Só que não seria agora, depois de toda essa instabilidade pela qual a moda passou, um bom momento para pisar no freio (de produção em larguíssima escala e ultra-veloz) para atender melhor tais requisitos básicos para uma boa roupa. Ou será, então, que os consumidores dessas lojas não ligam de fato para isso?

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