No último sábado (25.07), a apresentadora deu início à série dos shows que marcam sua despedida dos palcos, fazendo uma grande retrospectiva de sua carreira e, claro, de seus figurinos. Em “Xuxa, o último voo da nave”, a rainha canta seus principais hits, resgata as paquitas e toda a estética que, por mais de 30 anos, acompanhou e influenciou a moda de várias gerações.
A FFW conversou por telefone com o figurinista e estilista Marcelo Cavalcante, que trabalha há décadas com a artista e assina a concepção dos figurinos do show com looks de Xuxa criados por Michelly X, Henrique Filho e Denis Linhares (ele fez a cartola listrada preto e branco) e com o das 13 Paquitas e de parte dos dançarinos por Jota Ferreira. “A gente está trabalhando nisso há uns seis meses. É um realmente vai, experimenta, prova, volta, aquela coisa toda […]. Em termos de total de figurinos, são mais de 200”, conta.
Com muitos bodies, volumes nos ombros vindos dos anos 1980 e capas com referências espaciais numa linha “futurista retrô”, além das laces que refazem seus penteados da época, das chuquinhas à franja e o rabo alto, o visual de Xuxa tem muito de nostálgico.
Os ombros marcados de maneira quase sempre geométrica, o desenho da cintura bem marcada e o body tipo armadura remetem à estética de Thierry Mugler, de uma mulher poderosa, algo que o figurinista cita e que tem tudo a ver com Xuxa nesse aspecto. Essa referência se repete e é atualizada, junto com a parte mais lúdica colorida, que se antes beirava o surrealismo ou o kitsch para muitos, hoje é totalmente camp.
Marcelo concorda, mas faz uma ressalva. “Ela sempre foi assim. Ela sempre nadou contra a correnteza, nunca foi uma pessoa que se vestia igual a todo mundo. Tipo, ah, está na moda isso, ela vai vestir. Então, ela sempre teve a estética dela, e a estética dela com a personalidade dela. Tanto é que todo mundo que olha uma roupa assim num desfile, fala: nossa, isso é a cara da Xuxa! Ela é reconhecível em outros estilos, sabe?”
Confira abaixo trechos desse papo e detalhes exclusivos sobre cada um dos looks usados por Xuxa no show.
Sobre as referências para criar os looks:
“A Xuxa tem um DNA forte Thierry Mugler dos anos 1980.”
“A pesquisa dos figurinos teve muita estética de IA e referências a mangá. A Xuxa tem uma coisa forte com mangá, dessa heroína japonesa.”
“A referência vem do universo dela. Você pode ver que tudo tem o DNA dela: é a bota, a ombreira. Ela usa também tudo muito acinturado. Como ela vem de uma nave, tem essa coisa futurista, como se fosse do outro mundo. E ela veio, né?”
Sobre as críticas do figurino ser muito sensual:
“A gente está falando de um revival, né? A Xuxa lá dos anos 1980. Não adianta colocar a Xuxa hoje de uma outra forma, que esses baixinhos [que são adultos hoje] não vão reconhecê-la. Não tem nada a ver com sensualidade, tem a ver com DNA daquela época.”
Sobre o envolvimento completo de Xuxa em todo processo:
“A Xuxa não é uma celebridade dondoca que aprova um desenho e a pessoa se vira para resolver. Ela é uma pessoa que acompanha cada detalhe, até a costura. Ela dá opinião: ‘não, essa costura não vai ficar boa, vai aparecer isso’. Quando ela está dirigindo artisticamente, ela participa muito.”
