Dentro da família real britânica, regras e tradições ditam desde os comportamentos até o guarda-roupa. Entre esses protocolos ocultos, o uso do preto é tradicionalmente reservado para momentos de luto, sendo evitado no cotidiano em favor de tons vibrantes, que ajudam os membros da realeza a serem vistos facilmente pelo público.
No entanto, a Princesa Diana desafiou essa convenção ao longo de sua vida. Assim, transformou a cor proibida em uma afirmação visual de sua independência, especialmente após se separar do Príncipe Charles em 1992 (união que terminou oficialmente em divórcio em 1996).
A estilista Dame Zandra Rhodes relembrou à revista Hello! que, no início, as restrições reais barravam os desejos de moda de Lady Di. “Ela era muito tímida”, contou Rhodes, explicando que a então princesa visitava sua loja em Mayfair e se interessava por peças pretas. Para respeitar as normas da Coroa, a grife confeccionava os modelos no tamanho de Diana, mas em tecidos de outras cores.

Os looks pretos de Lady Di
Ainda assim, o flerte com o tom proibido começou cedo. Isso porque, em março de 1981, logo após o anúncio do noivado e antes do casamento em julho, Diana ignorou a regra não escrita e usou um vestido preto assinado por David e Elizabeth Emanuel em seu primeiro compromisso público oficial, um concerto beneficente.
A verdadeira virada estética aconteceu quando ela se libertou dos laços institucionais. O designer Jacques Azagury, que vestiu Diana em suas produções mais audaciosas no fim da vida, revelou no podcast “A Right Royal Podcast” que a princesa passou a usar preto “sempre que queria” pós-separação. Além do icônico “Vestido da Vingança” de junho de 1994, Azagury relembrou os bastidores de um marcante visual de novembro de 1995. Naquela mesma noite, ia ao ar sua polêmica entrevista ao programa Panorama, da BBC. Ciente do impacto, Diana o chamou ao palácio em busca de um look avassalador para comparecer a um evento beneficente contra o câncer na mesma data.
“Levei três vestidos para ela, todos pretos, porque eu a adorava de preto”, revelou Azagury, pontuando que, a partir de meados dos anos 1990, ela usou a cor o máximo possível. Esse mesmo modelo de Azagury cruzou o Atlântico e foi usado por Diana em um evento com Henry Kissinger, em Nova York.
“No dia seguinte, todos os jornais traziam fotos de Henry Kissinger olhando para o decote dela. Nós demos boas risadas com isso”, divertiu-se o estilista. Quase três décadas após sua trágica morte em Paris, em 31 de agosto de 1997, a força fashion e a presença de Diana continuam inabaláveis.
