Vivemos um novo momento da moda. Hoje, cada marca opera a partir de um modus operandi que a torna imediatamente reconhecível — algo que vai muito além das roupas. A Prada se reinventa a cada temporada, quase negando as propostas da coleção anterior. A Saint Laurent insiste na repetição de uma mesma silhueta até que ela se torne inconfundível. Na Celine de Michael Rider, essa marca começa a acontecer pela individualidade.
Desde que anunciou o primeiro desfile inteiramente masculino, a etiqueta francesa já figurava entre os ingressos mais disputados da temporada. Pupilo de Phoebe Philo e profundo conhecedor da casa, Rider chegou menos como um estreante e mais como alguém que entendia exatamente o lugar que a Celine deveria ocupar. Ao lado do stylist Brian Molloy, constrói uma imagem singular, na qual cada look parece carregar uma história própria, sempre apoiada em clássicos atemporais do guarda-roupa dos parisienses.
Em alguns momentos, a coleção remete aos anos 1960; em outros, aos 1970 ou 1980. Mas é justamente essa sobreposição de referências que confere modernidade e impede qualquer leitura nostálgica. Franjas, cinturas marcadas, calças ora secas, ora amplas, tops justos, decotes cavados, barras encurtadas, blazer amplos, texturas, movimento e controle. Eu poderia descrever peça por peça, mas a graça está justamente nas possibilidades que elas oferecem e nos contrapontos e possibilidades pelo styling. Poucos designers compreenderam tão bem que vestir também é construir uma personalidade. Sem dúvida, um dos grandes momentos do verão masculino 2027.