A gigante da fast fashion Shein voltou ao centro de uma polêmica internacional. Desta vez, a empresa foi acusada de plagiar cerca de 20 designs da marca indígena Indigenous Nations Apparel Company (INAC). A grife pertence a Michelle Cameron, integrante da Peguis First Nation, em Winnipeg.
Segundo a empresária, a plataforma copiou estampas e modelos originais da marca. Além disso, a Shein teria usado imagens próprias para vender produtos semelhantes em seu site. A denúncia ganhou força depois que a INAC encontrou os itens disponíveis na plataforma em 21 de maio, de acordo com a WWD.
No dia seguinte, a empresa entrou em contato com a Shein por e-mail. Entretanto, recebeu apenas um link para registrar oficialmente a reclamação. Depois disso, a maior parte dos produtos saiu do ar em 26 de maio. Até o momento, porém, a Shein ainda não comentou publicamente o caso.
Marca indígena aponta prejuízo financeiro e cultural
Michelle Cameron afirmou que o problema vai muito além das perdas financeiras. Segundo ela, a situação também envolve respeito cultural e reconhecimento do trabalho indígena. Além disso, a fundadora destacou que produtos mais baratos acabam prejudicando pequenos negócios e criadores independentes. Atualmente, a INAC vende camisetas entre US$ 20 e US$ 30. Já os moletons custam entre US$ 40 e US$ 50. Enquanto isso, a Shein oferecia peças parecidas pela metade do preço. Por isso, Cameron acredita que a concorrência se torna ainda mais desigual para marcas menores.
Designs indígenas viram centro da discussão
Um dos modelos apontados como cópia foi a camisa da coleção Red Day Dress. A peça surgiu para conscientizar sobre mulheres, meninas e pessoas Two-Spirit indígenas desaparecidas ou assassinadas. Dessa forma, a coleção carrega um forte significado cultural e social.
Para Cameron, o uso indevido desses símbolos representa apropriação cultural. Além disso, ela acredita que casos como esse enfraquecem marcas indígenas e apagam o verdadeiro significado das peças. Agora, a INAC avalia possíveis medidas legais contra a Shein. Ao mesmo tempo, a empresa busca apoio de artistas e marcas que também relatam práticas semelhantes dentro da indústria da moda rápida.