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    MONDEPARS
    Inverno 26
    Foto: Ze Takahashi
    Todos Ler Review
    Foto: Ze Takahashi
    Por Carolina Vasone 27.maio.26

    Talvez nem todo mundo saiba, mas os primeiros figurinos que Xuxa usou (e que se tornaram depois icônicos, como as botas brancas) foi Alda Meneguel quem escolheu e costurou. Essa mulher, uma gaúcha com vivência cigana, que chegou a estudar num convento para ser freira, além de mãe de Xuxa, era avó de Sasha. “Sem saber, foi ela quem me inspirou a ser estilista”, me contou a estilista da Mondepars, no backstage do terceiro desfile da marca, nesta quarta (27.05). 

    Alda também gostava muito de alfaiataria, conta a criadora. E daí pode vir a explicação para a reverência com que Sasha trata a técnica de construção da roupa, e que repete nesta coleção, com o acabamento e a reflexão criativa sobre blazers, calças e camisas com a qualidade que poucas marcas brasileiras conseguem alcançar. É um rigor quase sem concessões, o que traz um tom quase solene ao inverno da marca. 

    Dentro de uma cartela de cores bem sóbria, com um bonito marrom profundo, um tom de fendi mais claro, preto e alguns momentos de um vermelho puxado para o bordô, as concessões aparecem em interpretações com uma intenção de humor e fluidez de um primeiro recorte da vida da avó (o segundo acontecerá na próxima coleção). 

    As referências como a vida no convento aparecem de forma sutil, seja nas capas curtas femininas, uma delas do segundo look do vestido curto marrom, em alusão aos hábitos religiosos. Olhe bem e verá que a capinha feita com acabamento de lapela de blazer fazendo as vezes de barra. E aí surge a brincadeira com reconstrução da alfaiataria (o detalhe de bolso de blazer saindo pela calça masculina é outra). As golas estilo padre de algumas camisas masculinas, uma delas com uma costura central e sem botões, são outros exemplos.  

    A lembrança do pai da avó, que brincava com ela de palhaço, surge numa encenação no começo do desfile e em calças levemente abauladas. “Tudo daquele jeito Mondepars”, comenta Sasha. Há uma vontade de humor que aparece no styling (de Pedro Sales) de gravatas amarradas como um jabô no pescoço ou mesmo entrando pela camisa, e de despojamento em amarrações como a do trench na cintura do look total fendi ou mesmo nas amarrações laterais. 

    A cenografia (de Ana Arietti) remete a essa delicadeza e a um desejo de fluidez na casa translúcida no centro da passarela e nas grandes cortinas leitosas. Mas o que marca a coleção é mesmo a estrutura de uma roupa que traz uma imponência ao ponto de trazer volumes que, embora criativos, também flertam com a alta-costura do passado, com paletós de quadril arredondado, anquinhas no vestido, grandes golas (o que também pode remeter ao universo do circo, citado pela estilista). 

    Uma moda que faz bonito em qualquer metrópole urbana do mundo, incluindo as brasileiras. Sem o despojamento que poderia ser bem-vindo, mas ainda não aconteceu, com exceção do último look, a primeira noiva da Mondepars, inteira de renda branca transparente. Quem sabe o que virá no quarto desfile? Ainda há muito tempo para Sasha e sua Mondepars. 

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