Sabe aquele estilista conceitual que desfila em fashion week, é aplaudido de pé por quem entende de moda, mas não vende o que produz? Certamente, este não é João Pimenta. “Não tenho nenhuma peça guardada em acervo, Tudo o que fiz, por pior que fosse [ri], eu vendi. Está na rua”, me conta o estilista, quando pergunto se dá para ser conceitual e comercial ao mesmo tempo. “Claro que sim!”, exclama, num tom que parece trazer um conforto imediato para quem gosta ou produz um tipo de moda que não é para todo mundo. E saber disso talvez seja um dos segredos de seu sucesso.
João Pimenta tem 22 anos de carreira, uma única loja (desde maio, maior e em novo endereço, na rua Mateus Grou, em Pinheiros), um ecommerce e uma clientela fiel, da qual fazem parte artistas como Vera Holtz, mas também pessoas anônimas que admiram e se identificam com a alfaiataria do criador.
Depois do desfile de sua nova coleção, apresentada na manhã deste sábado (16.05) no Arquivo Histório Municipal, no Bom Retiro (SP) para uma platéia jornalistas, estilistas, stylists e clientes da marca, o designer conversou com a FFW e falou sobre como faz, há mais de 20 anos, para ser pequeno, independente, e ainda assim, bem-sucedido comercialmente.
João Pimenta tem 22 anos de carreira, uma única loja (desde maio, maior e em novo endereço, na rua Mateus Grou, em Pinheiros), um ecommerce e uma clientela fiel, da qual fazem parte artistas como Vera Holtz, mas também pessoas anônimas que admiram e se identificam com a alfaiataria do criador.
Desde o começo (assisti seu segundo desfile), sua moda é performática, joga com o feminino dentro do masculino (e não o contrário, como é mais comum) e com experimentações conceituais dentro da alfaiataria. Não é uma moda popular, e ele sabe disso. A estratégia, então, não é aumentar a produção ou os pontos de venda.
“Vivo da minha marca. E vivo eu e mais 10 pessoas da minha equipe. Antes, achava que se você não industrializasse sua produção, significava que você não iria crescer. Mas hoje, especialmente, percebo que é o contrário: não faço grades extensas, e meus clientes gostam disso e compram minha roupa por isso também.”
Apostar numa grade enxuta não significa ter pouca oferta de produto. O caminho é o oposto. “Desfilei metade do que produzi. Foram 53 looks e fiz 110. O desejo (da passarela) e a realidade (da venda em loja) não podem estar separados. A coleção já pode ser toda encontrada na loja.”
Esta coleção, aliás, representa, no olhar de João Pimenta, uma ruptura. Não de sua veia experimental, mas da prioridade de sua moda. Se antes as roupas serviam como o suporte para um discurso, agora, elas são o discurso em si. Os exercícios de peças femininas dentro da alfaiataria sempre existiram, mas agora de um jeito diferente. Primeiro, porque os modelos escolhidos são os que estão em alta no momento: o top cropped, o spencer, a saia-calça e o corset. Eles são desmembrados em versões que renderiam pelo menos três coleções, mas a intenção é mesmo essa.
“A gente cria muito tema, conta muita história. E as pessoas só querem roupas. E aí eu pensei: vou trabalhar meu lado estilístico, de design nessa coleção. Que é o de criar peça. Até aqui sempre amei a construção, os têxteis. Mas nunca parei para pensar que poderia projetar coisas: o que o mercado não tem. E o que está por vir?”