Uma notícia caiu como uma bomba na indústria da moda. Na última terça (12.05), o governo derrubou a chamada “taxa das blusinhas”. Desde 2024, uma taxa federal de 20% passou a incidir sobre produtos internacionais abaixo de US$50. Isso servia para qualquer mercadoria, mas não à toa o apelido foi diretamente ligado ao vestuário. Isso porque o volume de compras de roupas em sites como Shein e Shopee é altíssimo, além, claro, de outros produtos.
Antes da medida, o Brasil chegava a receber mais de 18 milhões de encomendas internacionais por mês. Após a implementação do imposto, esse número caiu para cerca de 11 milhões. O principal impacto é nas grandes varejistas, como Renner, Riachuelo e C&A, ao ponto das ações das três terem caído na manhã seguinte do anúncio. Com preços mais acessíveis e grande volume de vendas, elas competem com as ultra fast fashion. Porém, em condições desiguais. Em conversas informais com maioria executivos, todos afirmaram ser impossível competir com os preços de roupas fabricadas na Ásia, sem custos operacionais e direitos trabalhistas como os brasileiros. “Essa discussão está longe de ser uma simples ‘taxa das blusinhas’. Na prática, é um incentivo chinês dentro do mercado brasileiro, enquanto a indústria nacional continua operando em clara desvantagem”, diz Andre Farber , CEO da Riachuelo.
No caso das marcas brasileiras médias e pequenas, o desafio também existe. Enquanto marketplaces asiáticos operam em escala global e produção extremamente acelerada, marcas nacionais menores lidam com custos altos de matéria-prima e tecnologia, carga tributária, fabricação local e folha de pagamento. “Essas marcas chegam aqui com preço muito barato, o que acaba gerando uma concorrência desleal para nós.”, diz a estilista Isa Silva.
Para os consumidores, pode parecer uma boa notícia, porém na prática, as compras internacionais abaixo de cinquenta dólares voltam a ficar mais baratas mas não sem taxas. O imposto que caiu é o federal, permanecendo ainda os impostos estaduais, o ICMS, que fica entre 17% e 20%, dependendo da região do país.
Dentro dessa discussão está uma pergunta que a moda brasileira vem tentando responder há anos: como competir com plataformas globais que operam em outra escala de preço, velocidade e volume? A resposta afeta não só gigantes do varejo, mas toda uma cadeia que vai da confecção às marcas independentes brasileiras.