Mesmo após 20 anos de seu lançamento, o filme “O Diabo Veste Prada” continua sendo a bíblia cinematográfica para entusiastas da indústria fashion. Isso especialmente devido ao memorável monólogo sobre o azul cerúleo.
A cena, em que a implacável editora Miranda Priestly explica a origem da cor do suéter “barato” de sua assistente Andy Sachs, não foi apenas um golpe de roteiro. Porém, o resultado de uma imersão profunda na história da moda contemporânea. Recentemente, detalhes revelaram que a construção desse momento misturou realidade histórica e técnicas de atuação. Tudo isso para criar um dos instantes mais educativos e impactantes do cinema.
A construção do diálogo surgiu da necessidade de mostrar que Andy estava inserida em um ciclo econômico ditado por uma elite criativa. Entretanto, o “segredo” dessa cena reside em uma pesquisa rigorosa para encontrar uma cor que tivesse uma trajetória rastreável na indústria. Indo das passarelas até as lojas de departamento.
O termo “cerúleo” foi selecionado para soar técnico e sofisticado, sustentando o argumento de que a moda é uma ciência econômica. Aliás, na vida real, o tom baseou-se na influência de designers como Oscar de la Renta e Reed Krakoff, que realmente impulsionaram o azul para o centro das tendências globais no início dos anos 2000.

Papel de Meryl Streep
Meryl Streep teve um papel fundamental nesse segredo ao insistir que a fala fosse entregue com um tom de voz calmo e didático, em vez de gritos, para reforçar que Miranda estava dando uma aula de poder. Ademais, o objetivo era provar que um simples detalhe estético é o produto de bilhões de dólares e do esforço de milhares de profissionais.
Essa abordagem humanizou a complexidade do trabalho editorial e revelou como o consumo se molda pelas mãos de poucos. Hoje, a lição de Miranda Priestly se estrutura como o exemplo máximo de como o luxo dita as regras do cotidiano, segundo a Vogue Brasil.