Desde que Matthieu Blazy assumiu a direção criativa da Chanel, começamos a ver mais e mais homens usando as roupas da marca. De Harry Styles a Jacob Elordi, passando por Asap Rock (que estrela campanha da marca) e Pedro Pascal no Oscar, as produções dos artistas incorporam as peças da coleção feminina ao estilo de cada um.
A maison já garantiu que não tem qualquer intenção de lançar uma linha masculina, o que faz todo sentido. Se, nos anos 1920, Coco Chanel foi revolucionária por questionar, já naquela époica, o gênero da roupa, dando liberdade e autonomia as mulheres. Entre outras coisas, incorporou a calça (até então privilégio dos homens), materiais e itens do guarda-roupa masculino ao feminino, nos anos 2020, parece ter chegado o momento da segunda fase do projeto: as roupas das mulheres agora migram para os looks dos homens.
O movimento é mais evidente entre as celebridades, mas não se restringe a elas. No Tik Tok não são poucos os vídeos de homens descrevendo sua “primeira compra Chanel”. Bolsas e jaquetas de tweed entram em produções mescladas a peças de streetwear, com hoodies e jeans oversized.
O design de muitas peças de Blazy, como blazers oversized, jaquetas desestruturadas e camisas podem favorecer o ajuste a corpos variados. Outras, mais ajustadas, requerem uma outra relação do homem com a roupa e, consequentemente, com o próprio corpo. Mas talvez seja justamente essa a brincadeira: a de perceber, como diria a música de Pepeu Gomes, que o lado feminino (na moda), não fere o lado masculino. O mundo parece que está começando a perceber isso.