Quando Pierpaolo Piccioli assumiu a direção criativa da Balenciaga no ano passado, já se sabia que, provavelmente, esta seria uma era diferente da cunhada por Demna nos últimos anos. Natural, afinal, ambos não poderiam ser mais diferentes, embora tenham, em comum – arrisco a dizer, assim como o espanhol Cristóbal, fundador da marca – o espírito radical na moda.
Enquanto o radicalismo do georgiano tem a ver com o confronto, por meio da provocação do que é belo e rico, dos valores de classe, luxo e exclusividade que forjaram a moda, o italiano parte dos códigos clássicos da beleza para, suavemente, subvertê-la. A própria nacionalidade de ambos, um no centro, outro na periferia excluída da tradição da moda, ajuda a compreender essas abordagens. E parece que a de Pierpaolo também está fazendo sucesso, como sugere o texto de hoje do Business of Fashion.
O estilista parece adotar a política do “morde e assopra” de maneira elegante: não ousa negar a importância de Demna na maison e inclusive o homenageia juntamente com Cristóbal em seu desfile de estreia. Mas agora, na coleção pre-fall 2026, o tom muda um pouco, o que inclui uma certa provocação. “Não há nada pior do que tentar ser cool”, diz. E é difícil não associar essa frase ao legado de seu antecessor.
Na prática, a coleção mantém os pilares de sucesso comercial da Balenciaga com conexão com o sportswear e o streetwear, incluindo uma nova linha de techwear (tendência máxima, de roupas tecnológicas), as primeiras peças masculinas, além de duas colaborações estratégicas: a dos sapatos, com Manolo Blahnik, e a de varsity jackets e bolsas inspiradas no basquete, com a NBA. Ícones de dois mundos que se encontram. Uma ótima jogada, Pierpaolo.
Veja os looks no carrossel: