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    Psica 2025 transforma Belém em palco vivo da cultura amazônica

    Somando 110 mil pessoas, reconhecimento como patrimônio cultural e forte impacto social, evento realiza a maior edição de sua história.

    Psica 2025 transforma Belém em palco vivo da cultura amazônica

    Somando 110 mil pessoas, reconhecimento como patrimônio cultural e forte impacto social, evento realiza a maior edição de sua história.

    POR Guilherme Rocha

    O Festival Psica 2025 foi muito além de uma programação musical: foi uma experiência imersiva na cultura amazônica. Realizado entre 12 e 14 de dezembro, em Belém, o festival fez a maior edição de sua história, reunindo 110 mil pessoas ao longo de três dias e consolidando-se como um dos maiores festivais independentes do Brasil e o principal da Amazônia.

    Reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial de Belém do Pará, o Psica mostra o Brasil a partir do Norte. Foram mais de 70 atrações nacionais e internacionais, espalhadas entre o centro histórico da Cidade Velha e o Estádio Mangueirão, criando uma travessia cultural que conectou passado, presente e futuro.

    Essa dimensão simbólica do festival é celebrada por seus diretores e fundadores, Jeft Dias e Gerson Junior, o reconhecimento como patrimônio cultural é também um reconhecimento humano e coletivo: “É um reconhecimento muito importante pro trabalho que a gente vem fazendo, um trabalho de respeito com todo mundo. Isso eleva a autoestima de quem está na equipe, de quem veste a camisa e se vê fazendo parte de um projeto que agora é patrimônio da cidade”, afirma Jeft. Segundo ele, conquistas como essa e o selo Empresa Amiga da Pessoa LGBT mostram que o caminho trilhado pelo Psica está dando resultado.

    O festival transforma a cidade em extensão de sua programação: a cultura vive nas ruas ocupadas por cortejos, nas aparelhagens montadas em praças, nas feiras criativas e gastronômicas. Essa escolha de olhar primeiro para o território e para quem sempre esteve nele é, segundo o diretor do festival Gerson Junior, uma das chaves do sucesso do festival. “Quando você se preocupa mais com as pessoas de fora do que com as pessoas daqui, você acaba entregando uma caricatura de festival”, explica. O Psica, ao contrário, decidiu focar em um público muito específico: jovens da periferia da Região Metropolitana de Belém, universitários, trabalhadores da cultura e da economia criativa. “A gente chama esse público de periférico alternativo. É uma galera enorme que ninguém estava olhando, e o Psica se posiciona exatamente aí.”

    Os números confirmam essa força. Além do público recorde, o Psica 2025 registrou crescimento de 25% na venda de ingressos em relação ao ano anterior, mobilizou cerca de 3 mil pessoas diretamente na produção e opera um modelo que gera aproximadamente 800 empregos diretos e 2 mil indiretos, consolidando-se como um dos maiores motores da economia criativa da Amazônia. A ocupação gratuita da Cidade Velha, na sexta-feira, reuniu cerca de 70 mil pessoas, segundo a Polícia Militar.

    Mesmo com esse foco local, o festival passou a atrair cada vez mais pessoas de outros territórios. Dados de edições anteriores indicam que entre 25% e 30% do público vem de fora do estado, especialmente de outros estados do Norte, mas também do Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. Para Gerson, esse movimento é consequência direta da autenticidade do que é entregue. “Quando a gente fortalece a nossa identidade, acaba chamando atenção de fora. O Brasil inteiro e o mundo começam a olhar pra cá.”

    No palco, isso se materializou em momentos já históricos: a homenagem emocionante a Dona Onete, que aos 86 anos apresentou o espetáculo inédito “Quatro Contas”; o show inesquecível de Wanderley Andrade, que cantou em cima de um banheiro químico no meio da multidão, simbolizando a irreverência e a força do brega paraense; e encontros improváveis entre gerações, estilos e territórios sonoros, do carimbó ao rap, do samba ao tecnobrega, do rock ao eletrônico.

    Pelo segundo ano consecutivo, eu, Guilherme Rocha, produtor de conteúdo, vivi intensamente o Festival e voltei, mais uma vez, profundamente emocionado. Para mim, o Psica não é apenas um evento, mas uma vivência transformadora. Volto ainda mais apaixonado pela cultura amazônica e pela proposta do festival. É impossível sair igual depois de mergulhar tão fundo na cultura e nas histórias que Belém conta nesses dias. O Psica 2025 provou que um festival pode crescer sem perder a alma, ser popular sem abrir mão da qualidade e, ainda assim, ocupar um lugar político sem deixar de ser festa. 

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