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    Fouta Harissa: onde a Tunísia encontra o Brasil

    Fouta Harissa: onde a Tunísia encontra o Brasil

    POR Vinicius Alencar

    Existem produtos que não chegam ao Brasil… eles voltam. A fouta é um deles. Depois de conquistar praias, piscinas e malas de viagem mundo afora, a Fouta Harissa retoma oficialmente suas operações no país. À frente da marca estão duas amigas (Alia Mamoud e Lamia Hatira) que se conheceram na Tunísia pós-revolução, unidas por uma mesma crença: criar impacto social real enquanto mantêm vivo um dos ofícios mais antigos do Mediterrâneo.

    Em conversa com o FFW, Lamia, uma das fundadoras explica por que as foutas feitas à mão deixaram de ser apenas uma “canga mais bonita” para se tornar um símbolo de herança cultural, durabilidade e estilo – e revela os próximos planos para 2026, incluindo o sonho de uma cadeia produtiva 100% brasileira.

    A Fouta Harissa nasceu em 2018, certo? O que despertou essa vontade em você e na Alia?

    A Fouta Harissa nasceu oficialmente em 2018 no Brasil e, no ano seguinte, nos Estados Unidos. A ideia surgiu ainda em 2016, quando estendi minha fouta tunisiana na praia do Rio e minhas amigas ficaram encantadas, queriam saber de onde vinha e já imaginavam o quanto seria útil no Brasil. Comecei a vender informalmente até que o interesse cresceu tanto que liguei para a Alia, que vivia em Miami, e a convidei para empreender comigo essa ideia de produzir foutas tunisianas feitas à mão e distribuí-las pelo mundo.

    A Alia e eu nos conhecemos na Tunísia, logo após a revolução de 2011. Estávamos profundamente envolvidas com impacto social, sustentabilidade e empreendedorismo; e ali percebemos que trabalhávamos bem juntas e compartilhávamos o desejo de contribuir positivamente para a sociedade tunisiana. Quando o impulso de empreender veio, foi natural embarcarmos juntas.

    Como funciona o processo de produção? Quanto tempo leva para uma fouta ficar pronta?

    É um processo longo e totalmente manual. As etapas envolvem urdidura, tecelagem e acabamento. Usamos fios deadstock provenientes de fábricas de marcas de luxo que produzem na Tunísia, ou seja, trabalhamos apenas com excedentes de alta qualidade, o que determina as cores e texturas de cada coleção.

    Depois vem o urdimento, etapa que exige um conhecimento raro: os fios do urdume são organizados e tensionados no rolo do tear. Só então começa a preparação do tear, que envolve passar cada fio pelos orifícios de um pente, um trabalho minucioso e demorado.

    A tecelagem em si é feita com a lançadeira, que transporta o fio da trama entre os fios do urdume. Cada batida compacta o tecido recém-formado. Para uma fouta clássica de 2 metros, o tempo varia de 1 a 4 horas, dependendo do desenho. O processo termina com o acabamento das franjas, trançadas manualmente por mulheres artesãs, e a costura das etiquetas.

    Por que retornar agora ao mercado brasileiro?

    Mesmo focadas no mercado americano nos últimos seis anos, mantivemos uma ligação viva com o Brasil – trabalhamos com fotógrafos e criativos brasileiros e seguimos vendendo de maneira orgânica para pessoas próximas. Em 2020, tivemos de encerrar temporariamente a operação no país por causa da pandemia, mas sempre soubemos que voltaríamos. Esse momento finalmente chegou.

    Nosso grande sonho é ter uma cadeia produtiva completa em um único país, do plantio da fibra à venda final. Na Tunísia, isso não é possível porque a matéria-prima não existe lá. No Brasil, é, embora exija tempo e construção.

    Hoje, com meu português mais seguro, uma rede maior de contatos e mais experiência em gestão e branding, o retorno faz sentido. Além disso, conectar Tunísia e Brasil, duas culturas riquíssimas e solares, virou um dos pilares do nosso trabalho. E, pessoalmente, criar conteúdo e fazer marketing aqui é muito mais interessante do que nos EUA, considerando as histórias que queremos contar.

    Quais são as principais diferenças entre a fouta de algodão e a de linho?

    A fouta de linho é mais fina e transparente, e é tecida sobre uma urdidura de algodão para garantir maleabilidade. Por isso, funciona muito bem como acessório: saída de praia, xale ou peça de styling. O linho tem aquele ar naturalmente elegante, leve e respirável.

    Já a fouta de algodão tem mais corpo e maciez imediata. É a escolha de quem quer usar como toalha tradicional, inclusive para pele sensível. Historicamente, foram criadas para o hammam, o banho turco, e até hoje cumprem essa função. Em trilhas, acampamentos e viagens, o algodão se sai melhor. As duas fibras são resistentes e duráveis. A escolha depende mais do uso desejado e da preferência pessoal.

    Podemos dizer que a fouta é equivalente à canga?

    No uso, sim, mas a percepção é outra. A canga comum costuma ser feita de fibras sintéticas e produzida industrialmente. A fouta é sua versão artesanal, de alta qualidade, feita apenas com fibras naturais.

    A de linho mais fina chega a ter a leveza de uma canga brasileira. Já as opções mais pesadas são perfeitas como toalhas pós-surf ou para quem quer mais absorção. A variedade de pesos permite que cada pessoa encontre a fouta ideal: para vestir, estender na areia, usar na piscina ou até como manta.

    Vocês têm coleções? Como funciona o calendário?

    Fazemos duas coleções principais por ano: uma voltada para o verão e outra com tons mais invernais. Além delas, lançamos cápsulas e colaborações – incluindo peças para casa e modelos com fibras especiais e tamanhos variados. São itens pensados para durar, acompanhar viagens e fazer parte da rotina o ano inteiro.

    Por sermos uma marca jovem, também trabalhamos com coleções-teste, que nos ajudam a entender tanto o desejo do público quanto a viabilidade técnica para os artesãos. Um exemplo são os lenços de seda tecidos manualmente em Tunis, lançados no ano passado e hoje oferecidos como peças colecionáveis.

    Quais são os próximos passos? Desejos para 2026?

    Nosso maior objetivo para 2026 é expandir no Brasil. Queremos fortalecer o e-commerce, redes sociais e presença em eventos, além de entrar em algumas lojas e hotéis. O foco é criar uma comunidade e aproximar cada vez mais brasileiros da cultura tunisiana: suas técnicas, histórias e modos de viver. Também estamos testando possibilidades para realizar o sonho de uma cadeia produtiva 100% brasileira. Em breve, teremos novidades.

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