Em meio ao caos não seria o sonho a única possibilidade? Os travesseiros de Simone Rocha sugerem que sim. O seu verão 2026, desfilado hoje em Londres, é esse lembrete em que o etéreo se funde com o material, sem sabermos ao certo até onde vai cada um.
Os casacos de plástico protegem matelassês acetinados, sedas encorpadas, laços e até paetês — assim como flores protegidas em uma estufa. Nos volumes desproporcionais e na silhueta deformada notamos um jogo de esconder e insinuar.
Simone sempre nos faz pensar em outras possibilidades e termos leituras próprias do seu trabalho. O que fica claro é sempre a poesia e certo romance, mesmo que não seja romântico propriamente.
Seu trabalho não se anula, mas vai evoluindo e adicionando outras e novas camadas. Alegorias botânicas e roupas que questionam a sua essência funcional, nada é apenas sobre vestir.