Entre a imagem e a técnica de Vik Muniz, a estilista Fabiana Milazzo escolheu as duas. Inspirada em obras e séries do artista plástico, ela pensou em soluções possíveis não só para transportar o trabalho para as roupas mas também em formas de manter um pouco de suas intenções artísticas originais_ uma proposta bastante ambiciosa.
Um exemplo: para o vestido inspirado na série Handmade, em que Vik misturava papel rasgado com fotos de papel rasgado, ela reeditou o processo. Fez franjas de vidrilhos que reproduziam as obras do artista. Depois fotografou, estampou o tecido, bordando novamente por cima da imagem. No museu, a diversão era tentar descobrir o que era o material em si e o que era sua imagem. A designer quis replicar esse mesmo jogo.
Nas peças inspiradas em Lixo Extraordinário, que deu origem ao documentário homônimo, ela trabalhou técnicas de upcycling, divulgando seu projeto Renovarte, que lida com reaproveitamento de resíduos têxteis. Embora em linguagens diferentes, o tema permite esse ponto de ligação, abre uma possibilidade de conversa.
Interessante pensar nos novos desejos de Fabiana, que certamente não deixam na mão suas clientes mais interessadas em festa e brilho, mas a levam para um outro lugar. Inclusive, a colocam na posição de alguém interessada em educar, em ampliar horizontes, em apresentar ideias que talvez ainda não estejam na pauta de parte de suas consumidoras.
Esse movimento parece ter tocado o processo criativo de Fabiana de outras maneiras, o que aparece na coleção em peças mais contidas, quase minimalistas. Um macacão ocre reto e sequinho, com mangas amplas. Uma camisa off-white com bordados delicados.
É claro que os destaques são as super cores, é claro que os paetês continuam dando o tom. Afinal, são eles os hits dos figurinos de artistas como Iza, Sharon Stone e Claudia Raia, entre muitas outras. Mas, ao mesmo tempo, o desfile contempla outras clientes mais discretas, fãs da linha mais casual de Fabiana ou interessadas em uma dose de conceito fashionista. Na trilha, Tom Zé. Enquanto passava a fila final, rolou Tô, aquela música que diz “eu tô te explicando pra te confundir, eu tô te confundindo pra te esclarecer”. No fim das contas, é assim mesmo que a moda toca. (Vivian Whiteman)
Foto: Zé Takahashi / Ag. Fotosite
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