via @cotelgramps

Das Mesas Sabatinadas que rolaram ontem (17/09) no primeiro dia do Pense Moda, integrado ao MMI, alguns ruídos permanecem no ar. Entre aqueles que participaram ativamente das discussões sobre produção e execução da moda num panorama contemporâneo, se nota que a indústria deste setor encontra obstáculos que demandam que um novo olhar sobre este mercado seja construído.
O burburinho gerado deveu-se a pauta _complexa e inconclusiva_ que tocou a discussão sobre Criatividade versus Mainstream. A cada dia que passa, torna-se notável o diálogo estreito entre consumo de produtos de moda _objetos de vestuário, por exemplo_, e o surgimento de um novo olhar sobre esta indústria que tende a se distanciar da esfera apenas puramente mercantil, e apostar na inspiração e criatividade singulares. Duelo de titãs.
A indústria de moda, pensada de forma mais abrangente, enfrenta hoje a urgência de se repensar, uma vez que crescentemente proliferam-se lojas cujo investimento se centra no voraz consumo de tendências, o tal do “fast-fashion”. Criatividade, inteligência e singularidade parecem, neste cenário, ideais longínquos e quase de outrora. Como criatividade e maisntream, pólos aparentemente opostos, podem se unir?
“Uma calça preta, todas as lojas já tem, milhares de campanhas já as tornaram comerciais. O que pode fazer a distinção é o que não está na calça preta”, afirma Paulo Martinez, editor de moda da “MAG!” . E isto é o conceito e comportamentos que subsistem a produção de um editorial. “Vende-se uma ideia que pode ser vestida, não uma calça preta!”, complemente o editor.
Se do excesso de referências estéticas vive o consumidor global, se torna fundamental que editoriais de moda possam criar um enredo, uma história, cuja evidência não seja o consumo da peça, mas a história que com esta pode ser criada. Conciliando opostos, a equipe criativa da “MAG!” propõe que a roupa se transforme em figurino das histórias possíveis a serem compradas por aqueles que consomem moda.
Desse primeiro dia de intensa elaboração do Pense Moda, algo de um Manifesto por uma Moda Discursiva se apresenta para nós. Que da moda, faça-se história e mais do que criar imagens, que as roupas possam criar mundos possíveis e enredos singulares.
Agora podemos respirar mais aliviados.