via @ErikaPalomino
A modelo inglesa Sophie Dahl, expoente do “plus size” na moda, no anúncio do perfume Opium by Yves Saint Laurent ©Divulgação
Duas notícias nesta semana trouxeram à tona um dos termos mais bizonhos da moda (na modesta opinião desta colunista): o plus size. A marca de lingerie Plié fazendo campanha com top “plus size”, e a Renner abrindo espaço para numeração “plus size”.
É o que pode se chamar de inclusão às avessas. Imagine-se chegando, devidamente gorda, no caso, numa loja qualquer e perguntando: “Oi, tem roupa plus size?”. Esquisito praticar o eufemismo. Ou seria mais um caso de um típico politicamente correto? Também não dá pra chegar em nenhum lugar perguntando: “Oi, tem roupa para gorda??”
Toda mulher sabe quando está “acima de seu peso ideal”. Não precisa (nem deveria) fazer pra amiga ou para com quem divide a cama a segunda pior pergunta do mundo: “Você acha que eu tô gorda?” (a primeira, a que nunca poderia ser feita é “você gosta de mim?”). E pra arriscar uma estatística louca, nove entre dez mulheres sempre gostariam de perder um pouco de peso, não?
Não inventaram, talvez, expressão melhor _mas nem sempre a moda se preocupa com isso. Já é muito bom, entretanto, que se pense nessa consumidora. Não se trata, aqui, de crítica às marcas acima citadas (e às outras que assim se posicionam). Muito pelo contrário. Mas discutindo um pouco a questão:
Estamos num período de mudanças (positivas e necessárias), em que alguns aspectos estão sendo levantados sobre os tópicos peso, auto-estima, padrões estéticos… Sobre aquela conversa de modelos magras demais, anorexia etc., tenho a dizer que as profissionais que aparecem em passarelas e revistas devem parecer e ser saudáveis. Assim é o ideal. Tenho dúvidas, porém, se colocar uma modelo “gorda” ou “plus size” num desfile entre modelos “magras” funciona para lembrarmos que deveríamos olhar as pessoas com mais tolerância e menos preconceito ou para lembrar os estilistas de adequar suas numerações a padrões mais próximos da realidade. Falaí: raramente dá pra saber que número devemos pedir para uma vendedora, parece que cada marca é um país diferente _meu truque é pedir logo dois tamanhos para experimentar, assim não fico frustrada em ter que voltar murcha para fora do provador dizendo que não a peça não entrou. ; )
Passando um pouco pela estética, há muita, muita cobrança por magreza, e não apenas no mundo da moda. Basta vermos uma celebridade que acaba de dar à luz e imediatamente passamos a acompanhar pelas revistas em quanto tempo ela “recuperou a forma antiga”. E a cantora, ou atriz, ou modelo, tem que sair literalmente correndo pela esteira e pela academia. Ou então: “Nossa, como fulana está bem, emagreceu…” Vai saber o que está por trás, se a pessoa está feliz, infeliz, se está sofrendo de amor, de saúde ou saudades… Preferimos achar que só o magro é bom. E por isso falar de plus size agora é tão importante. As mulheres querem o direito de serem normais. E, dentro do possível, felizes com elas mesmas _na hora de comprar roupa também!
Extensão de grade nas grifes é inclusivo. E que bom passou aquele tempo (os anos 90), em que o prêt-à-porter atendia somente até o 42. Na real, agora que todo mundo tem que vender, independente se o comprador é magro, gordo, careca, japonês, rico ou pobre, certa justiça e alguma democracia chegam, finalmente, à moda.
Beijos fofinhos,
Palô
PS: O tema está longe de ser esgotado. Até porque o verão _e a temporada de desfiles_ vem aí… : P
