
Hayley Phelan, editora do site “Fashionista”, veio ao Brasil a convite da Associação Brasileira de Estilistas (ABEST) para conferir o SPFW Inverno 2012. Pela primeira vez no país, a americana de apenas 24 anos falou ao FFW sobre suas percepções da moda nacional, as semelhanças e diferenças com o mercado americano e como se tornou editora tão jovem.
O que você está achando do SPFW e dos designers brasileiros?
Estou adorando tudo. Estou muito impressionada com os designers brasileiros, todos têm coisas únicas para oferecer e todos os desfiles que assisti tem sido tão diferentes… Tem sido uma ótima experiência para mim. É interessante ver as diferenças e semelhanças.
Quais marcas/estilistas você acredita ter mais potencial?
Alexandre Herchcovitch, Osklen, Gloria Coelho, Maria Bonita e Reinaldo e Pedro Lourenço são muito bons. Gostei também da Huis Clos, Ellus, Juliana Jabour e Animale. Acho que esses designers que mencionei têm potencial para mostrar suas coleções em qualquer lugar, é um desafio para qualquer estilista dar o salto de desfilar em outros países, mas acho que esses definitivamente poderiam fazê-lo.
Existem similaridades entre a moda no Brasil e nos Estados Unidos?
Sim, existem muitas similaridades. Os desfiles são muito semelhantes, mas em Nova York há mais pessoas e o espaço físico é maior. Quanto às roupas, é difícil comparar… O negócio é que em Nova York as marcas que desfilam já estão mais estabelecidas no mercado e existem há mais tempo, enquanto aqui vejo muitas marcas mais novas. Vocês ainda estão na “infância” — não exatamente na “infância”, mas no começo. Sinto tudo muito fresco, as pessoas estão entusiasmadas, já em Nova York os desfiles são mais produzidos e as equipes são maiores. Não sei, é difícil comparar.
Dos estilistas que você conheceu e assistiu até agora, sente que existe algo particular do Brasil ou o design é mais internacional?
Acho que alguns designers têm uma “brasilidade”, enquanto outros poderiam vestir pessoas de qualquer parte. Quero dizer, a maioria dos designers qualquer um poderia usar, mas existem alguns com um toque mais brasileiro. É a mesma coisa com os estilistas americanos, alguns são “muito americanos”, outros têm uma pegada mais internacional.
Na edição passada do SPFW, o “Fashionista” fez um post chamado “Os 10 Looks mais ridículos do SPFW”. Logo depois, no entanto, vocês mudaram o nome para “Os 10 Looks mais extravagantes do SPFW”. Porque a modificação? [Veja a matéria aqui; o título original pode ser visto no endereço do link]
Acho que foi uma questão de tradução. Nós normalmente fazemos esses posts, mas a intenção é ser engraçado e não insultante. Fazemos o mesmo com várias semanas de moda, porque o Fashionista ama moda, mas também gosta de se divertir com ela. E acho que as pessoas aqui no Brasil se ofenderam com a palavra “ridiculous” e, como não queríamos ofender ninguém, preferimos mudar.
Você é muito nova. Como virou editora com anos 24 anos?
Eu fiz faculdade em Nova York e no meu segundo ano comecei a estagiar na revista “Nylon” e depois no “Fashionista”. Depois continuei me mantendo em contato com eles, que me ensinaram tanto, mas quando me formei eles não estavam contratando. Então fui trabalhar em outros lugares como editora-assistente, como na “Teen Vogue”, e depois voltei para o “Fashionista” como editora de moda.