
Você já baixou arquivos de música, filmes ou séries sem pagar? Já comprou algum CD ou DVD em camelôs? Já tirou xerox de um livro? Fez uma festa com música e não pagou à gravadora? Convidou amigos para assistir a filmes em casa? Então você é um pirata, mas não se desespere, pois não está sozinho, como aponta a Associação Cultural da Terceira Onda e o Partido Pirata da Espanha, que farão nos dia 20 e 21 de julho em Madri o “Primeiro Curso de Pirataria”. No blog Escuela de Pirateria, os criadores dizem ter escolhido o nome “escola” porque querem difundir informações sobre a questão da pirataria, que eles descrevem como sendo “um dos esforços mais interessantes e emocionantes que podem ser feitos nos tempos modernos para o desenvolvimento e promoção da cultura, educação e ciência”. Para participar do curso basta enviar um e-mail com nome e sobrenome. Nada mais. Por enquanto o curso é exclusivamente presencial, mas há, por parte dos grupos envolvidos, um desejo em criar uma versão online para que mais pessoas possam participar. Os tópicos abordados vão desde explicações sobre o que é pirataria, no que diz respeito à ética, legislação e direitos autorais, à censura, liberdade na internet e Creative Commons; e também da pirataria como movimento político e social. O que para o governo e entidades financeiras é considerado crime, para estas pessoas é um avanço para a cultura. Cópia de softwares, falsificação de produtos, direito de expressão, censura e liberdade de informação; enquanto os assuntos se misturam, o movimento da pirataria parece abranger a voz de uma geração.

No topo da lista de preocupações das empresas está a cópia de programas de computador. Em uma pesquisa da BSA (Business Software Alliance), estima-se que 57% dos usuários de PCs possuam programas piratas, o que equivale a US$ 63,4 bilhões em prejuízo para as empresas somente em 2011. De acordo com Robert Holleyman, CEO da BSA, “a pirataria de software persiste drenando a economia global, a inovação tecnológica e a criação de empregos”. Já para os usuários, o grande impedimento está no alto custo, o que gera uma elitização dos consumidores não só de softwares, mas como também de DVDs, CDs, roupas, perfumes, relógios, óculos e outros produtos da lista dos mais pirateados. Enquanto a falsificação ou cópia de qualquer produto é considerada crime na grande maioria dos países, alguns outros são menos rigorosos. No Canadá, por exemplo, é permitido fazer o download de músicas, contanto que seja para uso sem fins lucrativos.