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    Troca de papéis: Felipe Abe
    Troca de papéis: Felipe Abe
    POR Augusto Mariotti

    Por Felipe Abe, repórter por um dia

    Felipe Veloso no camarim da Triya ©Andreia Tavares, fotógrafa por um dia

    Visualizar a tarefa de um stylist é algo que para a maioria das pessoas pode parecer um tanto abstrato. Mas o super atarefado Felipe Veloso deixa claro que o trabalho é minucioso e totalmente focado: ele corre de um lado para o outro e praticamente coordena o backstage da Triya, fala com modelos, costureiras, assistentes e está em sintonia total com as estilistas.

    Dono de um visual ímpar e com uma bagagem de anos em formação de imagem de moda, Felipe contou em entrevista durante o Fashion Rio como se deu o começo de carreira e no que consiste o trabalho de um stylist

    Como começou sua carreira como stylist?

    Eu comecei a fazer produções de moda meio que ao acaso (risos). Sempre tive uma ligação muito forte com moda, sempre gostei de me vestir de modo diferente, me arrumar… Eu cursava faculdade de odontologia e trabalhava como modelo nas horas vagas e quando me formei fui trabalhar como cirurgião dentista da Marinha (eu era primeiro-tenente!). Me sobrou mais tempo para modelar e comecei a frequentar o mundo da moda, ia a festas, tinha amigos fotógrafos e todo mundo achava que eu já trabalhava com isso… Eu chegava mais cedo nos ensaios e provava roupas, me oferecia para montar looks e comecei a ajudar a produzir books de amigos. Um dia o Marcelo Borges me convidou para assinar um editorial de revista e, mesmo não sabendo muito bem como, aceitei. Lembro que produzi uma sala inteira de roupas (risos), mudava de ideia no meio do shooting, mas como eram meus amigos, o clima era ótimo. Meu segundo trabalho já foi uma capa da “Showbizz” com o Lulu Santos, e a partir daí é história.

    Como você conta uma história com uma coleção?

    É um afinamento e refinamento de ideias, e à medida que você conhece mais o  estilista, fica mais fácil de entender seu universo. De um modo geral eu gosto de chegar muito antes, pelo menos três meses antes da coleção, quando o artista está desenvolvendo e pensando no conceito, porque é legal dar ideias, sugerir artistas, dar um informativo visual… essa criação é conjunta e a história que contamos vem daí.

    Você acaba sendo um guru da marca…

    Eu sempre falo que o stylist é o olhar externo, brinco que é aquele amigo que ajuda a se arrumar quando você tem um casamento e não sabe o que vestir no seu guarda-roupa (risos). Quando um estilista cria sua coleção ele se expressa com um olhar adaptado ao que ele pensou, a coordenação de cores, o tecido que combina com outro, etc… E o olhar externo é aquele da pessoa que não tem compromisso com nada, com a parte comercial, e ela serve para sugerir, direcionar. Acho que essa renovação funciona tanto pra pessoa que está criando a roupa como pra quem faz o styling.

    Qual o trabalho que você mais gostou de fazer, te deu mais satisfação?

    Tenho uma relação direta com o que estou fazendo na hora, sou muito apaixonado pelo que estou fazendo no momento. Esse trabalho que estou fazendo com a Triya é muito especial para mim, cheguei num ponto da minha carreira que tenho uma relação muito madura com os meus clientes (como a Patricia Viera e a Triya com quem eu trabalho há anos, com o pessoal da assessoria…), então esse refinamento vem da maturidade dessa relação.

    Você ministra curso de styling, o que você acha importante passar para os alunos?

    É engraçado, nos meus cursos as pessoas sempre acham que vou chegar com regras e sou totalmente contra as regras. Sempre procuro ensinar a pessoa a pensar, ensina-la a exercitar sua cabeça não só com edição, mas também com sua vida. Nós aprendemos por associação: eu te mostro uma maçã, te digo o cheiro da maçã, o gosto da maçã, a cor da maçâ e um dia você vê um fusquinha e aquilo te lembra uma maçã! É essa relação cerebral associativa que gosto de ensinar às pessoas porque styling é isso, é uma capacidade de associar, de juntar coisas! Se a pessoa exercita isso em sua vida ela consegue olhar para uma comida, por exemplo, e criar um look, é esse meu objetivo quando ministro cursos.

    + Equipe do FFW troca de papéis por um dia; veja no que deu

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