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    João Pimenta
    Verão 2011 RTW
    Todos Ler Review
    Por Augusto Mariotti 13.jun.10

    SÃO PAULO, 13 de junho de 2010 Por Luigi Torre (@luigi_torre)

    Em sua estreia no SPFW João Pimenta tirou lágrimas dos convidados. Ovacionado, colocou na passarela uma de suas coleções mais maduras. Olhando para chegada da família Real portuguesa ao Brasil, misturou surfe com barroco, com erotismo S&M, e sai na contramão do minimalismo, seguindo seu próprio caminho. João nunca foi de colocar roupas comerciais na passarela – não de modo óbvio, pelo menos. Quando o fez, temporadas atrás ainda na Casa de Criadores, o que se viu foi um conceito suavizado por uma necessidade de mais produtos (e não deu muito certo). Seus consumidores gostam mesmo dessa androginia que sempre permeia seu trabalho, das modelagens transformadas e de tudo mais que foge dos padrões convencionais. Sendo assim, não podemos analisar seu desfile sob um ponto de vista puramente comercial – e sim como uma plataforma onde sua imagem e conceito ganham vida. Macacões do surfwear aparecem estruturados em tapeçaria; bermudas surfistas vêm amplas, em tafetá preto; camisas se juntam aos shorts em macaquinhos híbridos de underwear com sportswear; calças inflam os quadris com pregas; blazeres se encurtam, se acinturam, ganham laços, aberturas eróticas nas costas ou extensões que lembram cintas-ligas. Rendas ampliam golas, suavizam mangas, falam de um homem delicado (quase feminino) e extremamente sensual. Abotoamentos metalizados em modelos pretos – aquelas espécies de corsets, às vezes com recortes geométricos – aumentam o grau fetichista, sem nunca pesar demais, nem sobrepor o tema principal. Leve, erótico, andrógino. João Pimenta fala de Brasil sob sua própria ótica. Fala do dualismo entre o pudor português e sensualidade brasileira. Fala do feminino versus o masculino; fala de passado, de presente e de futuro. Altera modelagens e proporções, sem medo de errar. E não erra mesmo. Se carrega demais algumas referências históricas é porque assim acha necessário. São elementos importantes para contar sua versão daquela história essencialmente brasileira. Estilo: João Pimenta Produção e direção: José Netho Beleza: Ricardo dos Anjos Trilha: Kbeça
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