RIO DE JANEIRO, 28 de maio de 2010
Por André Rodrigues (@randreh)
Um dia chega a tecnologia. Missão impossível falar do verão 2011 da Redley sem esbarrar na cartilha de inovações têxteis adotada pela equipe de criação com a partida do diretor de criação Jurgen Oeltjenbruns. Com a super top model Carol Trentini no abre-alas, o verão da marca vem menos direcionado, mas muito mais bem executado no caso delas: o bloco dos tecidos não-sintéticos, como algodões e sedas, é simplesmente muito bom.
No caso dos meninos, a ideia é vender, vender, lucrar, lucrar. Tirando um ou outro estudo de tecido emborrachado/empapelado/amassado, a ideia é essa aí. No caso das meninas, o objetivo é voar, voar, subir, subir. Ir por onde for. Nota máxima para a ousadia, que só não foi equivalente na cartela de cores repleta de tons pastel. Uma estampa digitalizada surge na metade do desfile e divide o espaço com um amarelo limão chochinho, que logo sai de cena para dar lugar a uma combinação muito chic de uva com azul acetinado pastel em formas geométricas, meio triangulares, meio trapezoidais.
Elementos esportivos ganham relevância nos detalhes, como nós, dobraduras, faixas e também no beneficiamento dos tecidos como os náilons de densidades variadas, transparências, brilhos envernizados, ausência de costuras – as roupas foram confeccionadas usando uma técnica avançada de selagem.
Ao final da apresentação, a cartela de cores se conflita um pouco, tenta mixar amarelo limão apagado com azul royal saturado e não dá muito certo, principalmente quando isso aparece nos coletes de rede de pesca que são, no mínimo, difíceis de digerir. Um diretor criativo a menos igual a muitas coisas, nem todas positivas. A personalidade da marca se diluiu de leve, e desta ruptura brota uma nova era feminina: no desfile, os holofotes pela primeira vez se voltaram para elas, e não para eles.