RIO DE JANEIRO, 28 de maio de 2010
Por Erika Palomino (@erikapalomino)
Sempre um dos momentos mais aguardados da estação, a Lenny fez um desfile com tons neutros que na passarela ficou... neutro. Também pelo fato de que muito da inovação vem da tecnologia têxtil, portanto invisível _beneficiamentos que apenas a consumidora poderá ter acesso: o couro que pode ir na água.
As mulheres do deserto de Lenny de alguma forma se ressentiam de energia, a trilha não ornou tanto, a luz empastelou. A edição de moda também não ajudou a contar uma história, e a cada vez em que entrávamos em um proposta vinha uma túnica, um vestido, um maiô amarelo com capuz, por algo fora do lugar que interrompia o raciocínio e a compreensão. É corretíssimo o caminho pela cartela natural, mas em termos formais não é a coleção mais surpreendente da estilista. Ou as boas ideias da coleção (como o maiô giletado em gota de Laís Ribeiro) se perderam num megamix enevoado _uma tempestade de areia, talvez. Nas lojas, certamente essa sensação vai se dissipar. E é possível dizer que o verão 2011 da marca vem ainda mais cool, mais jovial até. Ao contrário de outras marcas do segmento, Lenny não teve medo da tesoura, e cavou bem seus maiôs e estreitou as laterais dos biquínis _deixando bustos prontos para a volúpia (entre eles, o falso tomara-que-caia torcido de Carmelita e o listrado de Fabi Semprebom, e o que traz o novo modelo cortininha em preto, desfilado por Ju Imai, lindo, lindo). Desses, por exemplo, deu vontade de ver mais versões. Dá para entender a opção de limpar o look, mas com um tema de perfume africano, bem que o styling poderia ter sido um pouco mais trabalhado. Mais uma vez: quando o tempo esquentar, as consumidoras da marca vão ficar felizes e outras jovens fãs virão.