De olho: os highlights da maior conferência de moda sustentável do mundo

16/05/2012

por | Verde

Juliana Lopes, direto de Copenhague

©Juliana Lopes

Os pensamentos e planos em volta de uma grande ação exigem um grande evento. Por isso mesmo o Brasil, referência de recursos naturais abundantes – mas não inesgotáveis – vai hospedar o Rio + 20 em breve. Mas antes, para não perder o pé do que tem acontecido no mundo da moda sustentável, o FFW esteve presente no começo do mês na segunda edição do Copenhagen Fashion Summit. Conheça um pouco quem são e veja o que os palestrantes disseram para a plateia do incrível teatro (super high tech) Opera House.

Princesa Mary da Dinamarca

Super apoiadora de moda sustentável, a princesa da Dinamarca esteve presente nas duas edições do evento. O modo de ser e de se apresentar ao público é uma lição de elegância. Em vez de querer estardalhaços, a princesa sempre entra, discretamente, por algum cantinho que ninguém desconfia. Se estão todos focados na passarela para ver o desfile, ela chega pelo lado oposto. Bonita e bem vestida, lembra ligeiramente Kate Middleton.

A princesa fez um apelo às marcas de moda que protejam e preservem o planeta e os seres humanos. Pediu que as indústrias sejam transparentes, que informem o modo como trabalham e que sejam cuidadosas com o uso de substâncias químicas nocivas. “Information is needed” (“Informar é necessário”), resume o seu pensamento. E no final, um cutucão fashion: “Já ficou fora de moda ignorar esses valores”.

Anne Prahl, consultora sênior do WGSN

Representando o birô de tendências mais famoso do mundo, Anne Prahl frisou a importância de dois elementos basilares para uma moda melhor: informação e conexão. Ou seja, os produtos devem encontrar alternativas para informar de onde e como foram feitos. E o designer deve estar conectado ao consumidor, em um canal de informação onde o consumidor percebe o que está sendo criado e se aquilo respeita determinados valores. O que é mais interessante é que, no geral, se sente a questão de que é importante comprar melhor, mas menos.

Alguns valores que Anne Prahl citou como importantes para esse novo momento da moda: longevidade dos produtos, inovação e criatividade para criar novos tipos de mercado e reutilização de ideias, de matéria-prima, tendência. Enfim, aproveitar mais o que temos, olhar a mesma peça com outros olhos. Estudantes de design, fiquem de olho, a solução vem de vocês!

Helena Helmersson, diretora de Sustentabilidade da H&M

A H&M não se escondeu dessa discussão, apesar de existir um consenso geral de que as empresas de fast fashion abusam da natureza e dos seres humanos para fazer uma moda tão rápida. A presença de Helena é uma ótima oportunidade de continuarmos observando se alternativas estão sendo tomadas. Mas é ainda bem difícil enxergar o processo produtivo da H&M. Helena aconselhou os consumidores, apontando parcela de responsabilidade também a eles, a terem novas táticas de preservação das roupas, inclusive lavando menos. Porém, as roupas da H&M duram menos que as outras, ainda as lavemos menos. Ela também afirmou que a empresa é a maior utilizadora de algodão orgânico no mundo. Mas isso também pode causar impactos!

“As pessoas gostam de moda e eu não quero que elas se sintam culpadas por isso”, disse. “Estamos fazendo tudo o que podemos”. Ok, Helena, então se tivermos certeza da transparência das empresas podemos consumir com tranquilidade.

Kirsten Brodde, chefe das campanhas de “Detox” do Greenpeace International

O Greenpeace vem lançando essa campanha chamada “Detox”, ou seja, desintoxicar as indústrias. Principalmente as poluidoras da água. O discurso de Kirsten foi bem direto ao ponto. “A moda que estraga a água não é nada glamurosa”, falou, mostrando imagens de águas poluídas. Isso porque, em processos de lavagens de tecido, muitos resíduos destroem o ambiente. Sem contar a quantidade de água usada em processos como o denim, por exemplo, em que litros e litros são necessários. Kirsten pediu comprometimento político aos governantes. E disse que um dos objetivos do Greenpeace é transformar consumidores em ativistas. O consumidor ativista, entre outras coisas, simplesmente deixa de comprar as marcas nocivas.

Mas antes de finalizar, Kirsten acenou marcas que vêm demonstrando comprometimento em investigar a si próprias, como Puma, Gucci e Alexander McQueen.

Holly Dublin, assessora de Sustentabilidade do grupo de luxo PPR

O grupo PPR abrange várias marcas de luxo super conhecidas: Stella McCartney, Balenciaga, Yves Saint Laurent, Bottega Veneta e muitas outras. O grupo lançou um documento prometendo, em abril, atingir metas de sustentabilidade até 2016. Reduzir emissão de carbono, conduzir os métodos de trabalho, lançar coleções sem PVC, e não usar nenhum ouro ou diamante que cause impacto social ou ambiental nas comunidades produtoras. O discurso de Holly foi um dos mais cativantes. Ela disse que, se a moda tem a capacidade de influenciar lifestyle e inspirar os outros a seguir, então ela tem capacidade de espalhar esses valores nobres que precisam ser fortalecidos. Holly surpreendeu. Vamos ficar de olho nesse nome!

A conferência rendeu muitas novas ideias e revelou personagens interessantes. O FFW promete divulgar mais sobre o assunto nos próximos posts!

+ Veja mais fotos do Copenhagen Fashion Summit:

1-Copenhagen-Fashion-Summit
©Juliana Lopes

Pimp My Carroça

Grafiteiro cria projeto de inclusão social que deve chamar atenção no Rio + 20

27/04/2012

por | Verde

©Reprodução

Invisíveis e marginalizados, os catadores de materiais recicláveis desempenham um papel de extrema importância para que a vida do cidadão “comum” flua conforme o planejado – apressada e displicentemente, no caso dos que habitam cidades como São Paulo. Apesar do imenso valor de sua função, esses trabalhadores são, em geral, alvo de reclamações por parte de motoristas que não enxergam além de sua própria necessidade imediata ou até de suspeita e discriminação despropositadas. Perceber essa realidade não é difícil, já movimentar-se para “subverter” a ordem nem tanto, e é isso que propõe o “Pimp My Carroça”, projeto criado pelo grafiteiro Mundano que tem previsão para acontecer no início de junho, dias antes do “Rio+20” e da Virada Sustentável de São Paulo.

- Vídeo oficial do projeto “Pimp My Carroça”:  

A ideia do “Pimp My Carroça” é muito simples e brinca com o programa “Pimp My Ride”, veiculado na televisão americana: pintar as carroças utilizadas pelos catadores com desenhos e mensagens, além de equipá-las com itens de segurança como lanternas, retrovisores, faixas reflexivas, luvas e cordas e fornecer a esses trabalhadores, a partir do auxílio de voluntários, consultas médicas, odontológicas e até uma refeição durante o evento. Após a reforma do “veículo” e do próprio homem que o conduz, acontece a “Carroceata”, uma exposição itinerante que deve acontecer na Avenida Paulista e reunir dezenas de catadores e simpatizantes da iniciativa.

Por meio do projeto, o grafiteiro Mundano espera chamar a atenção da sociedade e de entidades governamentais para essa classe tão marginalizada, que tem tanta experiência e faz tanto pela (tão em voga) sustentabilidade. O “Pimp My Carroça”, no entanto, não é financiado por nenhuma grande empresa e depende da doação de voluntários: até agora a iniciativa arrecadou R$ 19 mil, metade do valor mínimo previsto para a realização do evento. Todas as contas relativas às despesas que serão efetuadas estão disponíveis no site do “Pimp My Carroça”, que só terá local definido após o fechamento das contas no dia 10 de maio, mas que, de acordo com Mundano, será em lugar simbólico de São Paulo.

“Fico imaginando a “carroceata” com centenas de catadores sorridentes, com o tanque cheio de combustível, saúde em dia e com suas carroças totalmente pimpadas com itens de segurança e com arte de qualidade. Mas meu sonho mesmo é que o “Pimp My Carroça” seja um marco histórico que servirá para questionar e mudar o descaso da sociedade em relação aos catadores e o destino de incontáveis toneladas de materiais recicláveis que desperdiçamos diariamente”, escreveu o idealizar Mundano no site do projeto. Mais que “tunar” as carroças, a iniciativa pretende trazer dignidade e elevar a alto-estima dessa classe tão negligenciada, além de chamar a atenção de membros dos mais variados segmentos da sociedade, da imprensa a instituições particulares e, é claro, ao governo.

+ Assista a palestra do grafiteiro Mundano no TEDxVer-o-peso, evento realizado em agosto de 2011 no Pará:

 

Moda ética

Pequenas ações para grandes transformações

23/04/2012

por | Verde

©Reprodução

Recentemente a H&M anunciou uma postura mais ética no que diz respeito a produção de suas peças e ao respeito com seus funcionários. Se há algo do que as empresas não têm mais como fugir é desta preocupação. Aos poucos, cada vez mais marcas revelam planos para uma transformação verde ou ao menos lançam produtos chave pensando em como reduzir o impacto ambiental e capacitar comunidades carentes.

O jeans da linha Waterless, da Levi´s ©Reprodução

Foi o que fez a Levi´s, que lançou sua primeira waterless collection. A marca se uniu à Water.org (organização que leva água limpa a centenas de comunidades pelo mundo) para mostrar como a economia de água pode beneficiar cerca de um bilhão de pessoas que não tem acesso à água limpa para beber. “Reduzimos o consumo de água no processo final através da redução do número de ciclos na máquina de lavar e da remoção de água na lavagem com pedra (stone wash)”, diz Erik Joule, Vice-Presidente de Global Merchandising e Design da Levi´s. Os produtos estão à venda no Brasil.

A gente nunca se deu conta, mas uma calça jeans leva 42 litros de água em seu processo final. A marca conseguiu reduzir essa quantia em 96%, economizando 172 milhões de litros de água na produção de 13 milhões de pares de jeans. Outro impacto grande vem do processo de cultivo do algodão e dos hábitos do consumidor na lavanderia de casa. Nós aprendemos vários truques para minimizar esses estragos em uma visita que fizemos à tecelagem Santa Constância.

Outra empresa que também aposta em uma “coleção ética” é a britânica TX Max, outra do grupo da baratérrimas. A novidade é a linha One Mango Tree, que proporciona oportunidades remuneradas para comunidades em Uganda.

Mulheres que participam da produção das pelas da One Mango Tree, da gigante TX Max ©Reprodução

Bolsas, sacolas e aventais produzidos pelas mulheres de Gulu, ao norte de Uganda, custam de £3.99 a £7.99 (cerca de R$ 16 a R$ 32) e ainda traz uma delicadeza extra: cada item vem com a assinatura da mulher que o produziu. “Isso faz parte de uma iniciativa que visa melhorar a vida de comunidades desamparadas na África. Esperamos fazer a diferença na vida dessas pessoas ao mesmo tempo em que oferecemos aos nossos clientes esses produtos lindos e únicos”, diz Jo Murphy, Diretor Corporativo de Responsabilidade Social.

Voltando à H&M… A empresa sueca publicou o Conscious Actions Sustainability Report, que marca dez anos de sustentabilidade na H&M. Os dados mostram que eles estão em primeiro lugar no uso de algodão orgânico, também economizaram 300 milhões de litros de água na produção de jeans e doaram mais de dois milhões de peças para organizações de caridade. “Queremos que nossos clientes saibam que tudo o que eles compram na H&M foi criado, produzido e trabalhado com consideração pelas pessoas e pelo ambiente”, diz o CEO Karl-Johan Persson.

A empresa faz parte do Grupo H&M, que também inclui as grifes COS, Monki, Weekday e Cheap Monday e conta com 2.500 lojas e mais de 94 mil funcionários. Espera-se que essa atitude seja estendida a todas as marcas do grupo.

Recentemente também lançou uma linha eco-friendly de festa, chamada Exclusive Glamour Collection, feita com algodão orgânico e poliéster reciclado, que já foi usada por várias celebridades, como a atriz Michelle Williams.

Um dos centros de produção de energia eólica ©Reprodução

Saindo da moda, também descobrimos que a marca cult de brinquedos Lego também está se mexendo. A empresa que detém 75% da Lego está investindo US$ 530 milhões na compra de 1/3 de uma fazenda que produz energia à vento (eólica). A operação deve começar a funcionar a partir de 2015

Segundo a Lego, a terceira maior fabricante de brinquedos no mundo, essa ação deve gerar energia renovável para suprir suas necessidades, já que a fazenda vai produzir mais energia do que a empresa vai consumir.

+ A revolução da sustentabilidade na moda

O fast fashion e a batalha pela sustentabilidade: você acredita?

17/04/2012

por | Verde

Foto da campanha da coleção “Exclusive Conscious” da H&M ©Terry Richardson/Reprodução

Já falamos anteriormente sobre uma das maiores apostas da indústria de moda para produzir conscientemente: a parceria entre grandes conglomerados e pequenas marcas surgidas na última década com o intuito de propor alternativas sustentáveis à fabricação, bem como pensar a reutilização de matérias-primas inutilizadas. No entanto, é possível observar também um movimento interno de algumas empresas na busca de reestruturar seus moldes organizacionais para colocar-se à frente, na vanguarda das novas exigências do mercado. A H&M, segunda varejista que mais lucra no mundo, logo atrás da Zara (grupo Inditex), já tem mostrado há algum tempo sua intenção de estabelecer-se como pioneira do “eco-fashion”. Além de desenvolver, desde 2011, linhas especiais a base de materiais orgânicos, a rede sueca lançou no dia 12 de abril um relatório onde apresenta as “ações conscientes” tomadas no ano anterior e algumas das medidas planejadas para o futuro.

A H&M pretende, como afirmou no início de abril Lucy Siegle em sua coluna hospedada no jornal britânico “The Guardian”, posicionar-se como a solução ética no inconstante mercado da moda. No já mencionado relatório de “ações conscientes”, assinado por Helena Helmersson, que ocupa o subjetivo cargo de Chefe de Sustentabilidade, a varejista coloca-se da seguinte forma: “Nós somos uma das companhias de moda líderes no mundo, e com a liderança vem a responsabilidade. H&M é moda e sustentabilidade – não apenas uma coisa ou outra”. Alegando transparência, a marca elenca uma série de números conquistados ao longo de 2011, como “mais de 442 mil trabalhadores em Bangladesh foram instruídos sobre seus direitos desde 2008”, “H&M economizou 300 milhões de litros de água na produção de denim”, “100% das nossas sacolas plásticas são feitas de materiais recicláveis” ou ainda “Mais de 2.3 milhões de peças foram doadas a causas de caridade”. Ademais, até o momento, aproximadamente 7,6% de todo o algodão que a H&M utiliza é orgânico; a empresa espera que até 2020 seja 100%.

Fotos da campanha da coleção “Exclusive Conscious” da H&M ©Terry Richardson/Reprodução

As medidas tomadas pela H&M são bem-vindas, mas, como a própria Helmersson afirmou ao “The Guardian”, não há garantias de que tais ações evitem todos os impactos ambientais e reclamações trabalhistas: “Eu não acho que garantia seja a palavra correta. Muitas pessoas pedem garantias: ‘Você pode garantir as condições de trabalho?’, ‘Pode garantir zero de produtos químicos?’. Claro que não podemos quando somos uma companhia tão imensa operando em condições tão desafiadoras. O que eu posso dizer é que nós fazemos o melhor que podemos com muitos recursos e direção clara do que devemos fazer. Nós estamos trabalhando realmente muito duro”. Para tentar diminuir quaisquer riscos, a H&M investiu em cerca de 100 profissionais de CSR (sigla de Corporate Social Responsability, responsabilidade social corporativa, em português), dos quais 75 são auditores que fiscalizam regularmente as fábricas dos fornecedores da rede sueca, além de ter produzido uma série de vídeos a respeito da moda sustentável.

- Vídeo “H&M sobre moda sustentável”, produzido pela própria varejista sueca:

Em matéria de 27 de março, a correspondente do FFW em Milão, Juliana Lopes, escreveu sobre uma palestra de Rebecca Earley, diretora do Textile Futures Research Centre (Centro de Pesquisa de Futuros Têxteis), entidade ligada à Central Saint Martins de Londres. Nesta ocasião, Lopes adiantou que, em conversa informal, a britânica mencionou que um grupo da instituição já está trabalhando com a varejista sueca e que “a H&M quer mudar o jeito de trabalhar”. Lopes, como a maioria de nós, não acreditou inicialmente nas “boas intenções” da H&M, mas só o fato da gigante do fast fashion ter iniciado o debate e se posicionado a favor da busca de formas de produção mais conscientes é algo infinitamente positivo para uma indústria acostumada a produzir sem freios em busca do lucro.

Além da preocupação com a fiscalização das fornecedoras, a H&M – e qualquer outra marca que se proponha a produzir “sadiamente” – enfrentará um empecilho talvez ainda maior: a demanda frenética por novidades. Se há 15 anos eram desenvolvidas duas grandes coleções (Outono/Inverno e Primavera/Verão), hoje as varejistas colocam quase que semanalmente peças novas à disposição do consumidor. O próprio conceito de “fast fashion” parece incompatível com o respeito à sustentabilidade. Então como instituir praticamente e disseminar esse modelo ético para outras empresas? Esta é uma questão que ainda não tem uma resposta unânime, mas Helena Helmersson pareceu sincera ao afirmar que estão trabalhando para descobrir uma solução viável. Já Earley se estendeu um pouco mais ao falar da dificuldade com nossa correspondente: “Estamos fazendo pouco a pouco, criando algumas peças isoladamente nos novos moldes de produção menos impactantes para a natureza e as pessoas”.

Acreditar ou não acreditar é uma questão de escolha, seja ela fundamentada em fatos ou pura ingenuidade. No entanto, como já dito acima, é um alívio perceber a cada dia um novo posicionamento de empresas e consumidores.

Preocupação com moda sustentável já existia no século 18; saiba mais

11/04/2012

por | Moda, Verde

Desfile de Kdon by Kim Cathers na Vancouver Eco Fashion Week ©Reprodução

Consumo e sustentabilidade são dois temas que recentemente deram as mãos para nunca mais largar. Uma empresa que não se preocupa com a forma como produz ou um consumidor que não se preocupa com o que consome é muito “última temporada”. Uma coisa é certa: o eco-fashion veio para ficar. Se por um lado o consumidor demanda uma maior consciência das empresas, por outro, o mundo corporativo grita a plenos pulmões cada vez que realiza uma ação sustentável. Esta “tendência” permeia todas as áreas e na moda não é diferente.

Dois looks da coleção sustentável da H&M “Exclusive Conscious Glamour Collection” ©Reprodução

Até a gigante do fast-fashion H&M, cuja maior preocupação é vender para as massas a qualquer custo, tem agora essa preocupação e procura agregar sustentabilidade aos seus produtos. Em 2011, a sua coleção The Green Garden foi inspirada em paisagens e modos de vida verde: o algodão e o linho usados eram orgânicos e o tencel e o poliéster reciclados e recicláveis. Em 2012 repetiu o feito, mas desta vez com vestidos de festa, a Exclusive Conscious Glamour Collection (um desses vestidos foi inclusive usado por Michelle Williams nos prêmios Bafta). É fast-fashion? Sim, mas é ambientalmente consciente. Um vestido dessa linha sai em torno de 80 euros (cerca de R$ 200, o modelo amarelo) e 289 euros (cerca de R$ 500, o branco).

Michelle Williams de H&M nos prêmios Bafta ©Reprodução

A HonestBy, marca do ex-Hugo Boss Bruno Pieters, também apresenta essa proposta. Além de privilegiar a ética comercial – em cada compra você vê o que está pagando com cada centavo seu, desde o tecido até às horas da costureira – os tecidos são todos orgânicos e reciclados, respeitando assim as mudanças climáticas do meio ambiente.

Como estes exemplos, temos várias outras histórias recentes, mas se você acha que isso é uma mania atual, leia abaixo e entenda quando tudo começou.

A moda ecológica como a conhecemos hoje teve início nos loucos 60′s e no movimento ambientalista dos hippies. Mas os primórdios da moda sustentável se deram no início do século 18, quando os vestidos de seda feitos à mão eram alterados para dar uma nova utilidade ao tecido. Uma exposição montada no FIT (Fashion Institute of Tecnology) em Nova York, em 2010, reuniu algumas das peças confeccionadas desta forma consciente ao longo dos séculos, que usam desde práticas de reaproveitamento de tecidos com tingimentos novos a direitos dos trabalhadores e dos animais.

Confira algumas das imagens abaixo:

Da esquerda para a direita: vestido com brocado de seda de 1760 feito com tecidos de qualidade superior; vestido de 1840, feito com reaproveitamentos de seda do séc. 18; vestido de 1865 tingido para reaproveitamento de tecido ©Reprodução

Da esquerda para a direita: vestido de rayon, primeira fibra de tecido feita pelo homem usada em roupas de preço baixo, e vestido de seda de Madeleine Vionnet, a primeira estilista a oferecer férias pagas e pausas para café aos seus trabalhadores; capa feita de celofane, material composto por madeira, algodão ou cânhamo, e vestido de festa masculino feito de sobras de tecido do séc. 19 ©Reprodução

Vestido de seda de 1941 cuja etiqueta diz: “New York Creations”, confirmando a produção local, com respeito aos direitos dos trabalhadores. A partir de 1941, essa etiqueta começou a aparecer em várias roupas ©Reprodução

Da esquerda para a direita: terno de nylon de 1959, feito com técnicas que amassavam menos o tecido, tornando menos frequente a necessidade de lavagem, e terno em algodão feito com a parte interna de um xale paisley do séc. 18; vestido Betsey Johnson de 1971 com a etiqueta “Woolmark”, prova de que foi feito usando lã virgem, e saia feita à mão por mulheres da cooperativa Apache ©Reprodução

Blusa Martin Margiela, “o pai da reciclagem”, feita de lenços de seda e suéteres feitos de meias de lã ©Reprodução

Da esquerda para a direita: vestido dos anos 70 feito com reaproveitamento de tecido de 1920 e vestido Halston feito de ultrasuede, um tecido versátil, duradouro e lavável na máquina (embora não seja biodegradável), desenvolvido pelo estilista em 1971; casaco Oscar de la Renta de 1995, de pelo falso de leopardo e pele de carneiro da Mongólia e casaco de estampa de tigre, falso também, Dolce & Gabbana, de 1992 ©Reprodução

Produzir – e consumir – com consciência é possível

11/04/2012

por | Verde

Foto do editorial “Proud to Shop”, da “Harper’s Bazaar” de set/2009 ©Terry Richardson/Reprodução

Se há 20 anos a sustentabilidade não fazia parte da realidade do universo corporativo, a preocupação com as questões ambientais é hoje vital à boa imagem de uma empresa e pode até ser bastante lucrativa. Em matéria do “The Sustainable Business Blog”, hospedado no site do jornal britânico “The Guardian”, a consultora de marketing italiana Ilaria Pasquinelli propõe uma reflexão sobre o crescimento das pequenas companhias e como elas podem ser a saída para um futuro mais sustentável.

Para segmentos que, como a moda, exigem novidades constantes, as pequenas e médias empresas (PMEs, na abreviação em português) são fonte habitual de criatividade e inovação. Se o objetivo primordial de uma companhia nascente é estabilizar-se, crescer é algo imediatamente almejado. No entanto, por mais incomum que possa parecer, é cada dia mais frequente grandes empresas buscarem alguma forma de parceria com PMEs. Seth Godin, empresário e autor do livro “Small is the new Big”, aponta em sua obra o quão positivo pode ser essa aliança, já que o capital sobressalente de um negócio pode resultar em iniciativas bem sucedidas e lucrativas, além de econômicas – algo já até de praxe para companhias como Google, Facebook e Microsoft.

O desprendimento e a liberdade das PMEs são o que as tornam origem de iniciativas tão inovadoras, assim como a liderança de talentosos visionários que sobrepõem as dificuldades da escassez de recursos com medidas inventivas. A produção em menor escala, segundo Pasquinelli, é outro fator que, em um mercado tão instável e turbulento, possibilita flexibilidade e adaptação: a possibilidade de assumir riscos estimula o desenvolvimento de ideias e produtos, afinal todo “criador” deseja deixar sua marca de sucesso no porvir. Atentas justamente a esse panorama, grandes empresas cada vez mais têm se reorganizado e, calculadamente, entrado em parcerias ou contratos de terceirização com PMEs.

Os casos em que projetos modestos se convertem em êxitos financeiros e são vendidos por quantias extraordinárias também não são mais singulares: esta semana, por exemplo, o Facebook anunciou a compra do Instagram por US$ 1 bilhão (quase R$ 2 bilhões) e, em 2006, o Google tornou-se dono do YouTube ao dispor de US$ 1, 65 bilhões (R$ 3.02 bilhões). Mas a tendência, de acordo com Pasquinelli, é mesmo que as colaborações entre grandes empresas e PMEs se tornem cada vez mais comuns: em vez de tomar para si a responsabilidade, como acontece quando ocorre a compra, as companhias de alto vulto se aliam (com propósitos específicos) à PMEs superespecializadas que, em troca de fundos, desenvolvem ideias frescas, novas formas de utilização de objetos obsoletos, procedimentos mais sustentáveis ou, simplesmente, tecnologias alternativas que somem efetividade à produção responsável.

A busca por inovação e a necessidade de alternativas na cadeia produtiva da moda

Na indústria da moda, que especificamente requer criatividade e inovação com uma velocidade cada vez mais frenética, as boas ideias podem surgir de lugares inesperados – aí está uma das causas do investimento constante em pesquisa e novas tecnologias. Mesmo em épocas de crise, as grandes marcam não abdicam da busca pelo novo; é esse o diferencial que as torna pioneiras e lançadoras de tendências. Com a percepção e o conhecimento que se dispõe hoje do impacto ambiental causado pelas distintas empresas que englobam a cadeia de moda, surgiu também a necessidade de se adaptar e transformar o modelo produtivo estabelecido nas últimas décadas.

Para manter o consumo, mas atender às necessidades crescentes de medidas sustentáveis, a criatividade parece ser a única resposta. A Marks & Spencer, rede varejista inglesa, por exemplo, lançou mão de recursos extremamente simples (como a economia em eletricidade e combustível), mas que renderam, apenas em 2011, £ 70 milhões (R$ 203 milhões). O “Plano A”, como batizada a série de resoluções da M&S, é uma prova inequívoca de que iniciativas básicas e inventivas podem ser revertidas em lucro. A marca F&F, pertencente ao grupo britânico Tesco, se uniu a From Somewhere, também do Reino Unido, para criar peças com restos de tecidos que estavam inutilizados em depósitos das fábricas da primeira no Sri Lanka. Os seis modelos da primeira coleção da parceria foram um sucesso e venderam cerca de 1.500 itens, a colaboração já se repetiu em duas ocasiões.

Modelos da parceria da F&F com a From Somewhere ©Reprodução

Outro ótimo exemplo é a parceria entre a Levi’s e a Reformation, pequena marca americana que dá novo propósito a roupas e aviamentos antigos: a Levi’s criou uma campanha onde propôs a seus clientes mais fiéis a revitalização das calças jeans 501, modelo icônico criado há mais de 100 anos. No lugar de jogar fora as peças e aumentar a quantidade já absurda que é jogada diariamente nos aterros, o consumidor terá, por US$ 200 (R$ 366), um par de jeans customizado a seu gosto. Há ainda a Worn Again, companhia britânica de “mínimo” porte que tem a máxima de reaproveitar todo e qualquer material têxtil. Desde 2005, ano em que foi idealizada por Cindy Rhoades, a Worn Again já empreendeu parcerias com empresas gigantes como a Virgin, Royal Mail e Eurostar transformando, a título de ilustração, jaquetas de couro em bolsas e carteiras.

É claro que, como a própria Pasquinelli afirma, nem toda pequena iniciativa é sinônimo de lucro fácil, tampouco de chamariz para grandes empresas. A mera vontade de mudar o ciclo destrutivo que dominava a moda, no entanto, é extremamente válida e fonte de esperança para o desenvolvimento de uma indústria mais sadia e sustentável. Os exemplos bem sucedidos acima, além de outros tantos que já existem no mercado, incentivam novos projetos e a mudanças na atitude do próprio consumidor. “Pequeno é o novo grande apenas quando a pessoa dirigindo o pequeno pensa grande”, Pasquinelli parafraseia Seth Godin no término de seu artigo, mas tal afirmação pode ser estendida também para simples pessoas físicas que como você e eu temos a escolha de optar pelo melhor para nós e para o ambiente que nos cerca.

Saiba quais marcas de moda e beleza estão entre as mais éticas do mundo

20/03/2012

por | Verde

O instituto The Ethisphere Institute publicou, pelo sexto ano consecutivo, sua lista anual das empresas mais éticas do mundo. Da lista final de 145 empresas, várias da indústria  de moda e beleza foram destacadas.

A premiação ocorreu no primeiro dia da conferência mundial sobre Ética nas Empresas (15.03), no Grand Hotel Hyatt, em Nova York, em um jantar de gala oferecido pelo instituto Ethisphere Institute com a presença de Madeleine Albright, ex-secretária de estado norte americana.

Entre as empresas premiadas, destacam-se, na categoria de varejo, a inglesa Marks and Spencer; na categoria de roupa, está a Gap Inc. e a Timberland, ambas norte-americanas, e a israelense Comme Il Faut. Em beleza e cosméticos as premiadas foram a francesa L’Oréal, a japonesa Shiseido Co. e a marca brasileira Natura.

A avaliação é feita através do preenchimento de um questionário por parte das empresas, que as torna elegíveis por um júri que conta com a diretoria do Instituto, professores da Harvard Business School e presidentes de empresas vencedoras e parceiras do instituto. Após o preenchimento do questionário, a verificação é feita com base em cinco categorias chave, todas elas relacionadas a ética no trabalho, procedimentos sustentáveis e responsáveis nos processos de execução, introdução de ideias inovadoras que estimulem o negócio e beneficiem o consumidor, e incentivos às empresas concorrentes em adotar os mesmos procedimentos. Qualquer empresa pode participar. Resta saber se seus métodos de trabalho a colocarão junto às demais selecionadas.

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Designer francês de adesivos artísticos e sustentáveis ganha mostra em SP

06/03/2012

por | Verde

Adesivo ecológico da Hu2 ©Divulgação

Na quinta-feira (08.03) começa na loja-conceito Choix, em São Paulo, uma exposição do designer francês Antoine Tesquier Tedeschi, criador da marca Hu2, especializada em adesivos de parede, com o diferencial do viés sustentável: além dos designs com mensagens ecológicas, a empresa utiliza vinil sem PVC, totalmente livre de cloro e plastificantes, biodegradável e 100% reciclável; até as embalagens são impressas em papel reciclado, com tinta vegetal.

Adesivo ecológico da Hu2 ©Divulgação

A Hu2 (de “Humanos, os dois tipos”, “um encontro de todas as inspirações, homens e mulheres”, segundo a explicação de Antoine) é atualmente distribuída em 16 países, mas teve uma origem bem despretensiosa: em uma banca de um mercado londrino, em 2007, quando seu criador tinha apenas 21 anos. “Para mim [a marca] é a oportunidade de expressar uma visão artística de ideias de design já existentes por meio de uma abordagem que mistura estética e funcionalidade”, ele explica.

Adesivo ecológico da Hu2 ©Divulgação

Para quem ficou curioso sobre a proposta da marca, a exposição fica em cartaz até o dia 31 de março.

Exposição do designer francês Antoine Tesquier Tedeschi @ Choix
De 8 a 31 de março de 2012
Abertura no dia 8, das 19h às 22h
Entrada Gratuita

Choix
Prof. Artur Ramos, 181
São Paulo – SP

Após uma década longe, polêmico Miguel Adrover volta à moda

15/02/2012

por | Gente, Moda, Verde

Miguel Adrover ©Reprodução

Em meio a alguns novos rostos inexpressivos que despontam a cada temporada, velhos – e saudosos – talentos cativam a atenção geral. Miguel Adrover, designer visionário que impactou o mercado de moda nova-iorquino durante o final dos anos 1990 até meados dos 2000, ressurgiu após quase uma década de ostracismo para apresentar-se novamente na NYFW.

Adrover, que nasceu em Maiorca, Espanha, em 1965, e mudou-se para Nova York em 1991, teve suas primeiras apresentações, em especial “Manaus-Chiapas-NYC” de 1999, muito festejadas pela crítica. No entanto, em virtude de problemas financeiros (o Pegasus Appareal Group, parceiro comercial e maior patrocinador da marca do espanhol, fechou as portas pouco depois dos ataques de 11 de setembro), dos “confrontos” com parte da opinião pública que considerava seu trabalho e suas opiniões ofensivas, e da má sorte de exibir uma coleção (“Utopia”, de 2001) inspirada no Oriente Médio apenas dois dias antes dos atentados ao World Trade Center, Adrover abandonou os Estados Unidos em 2005 para retornar a sua cidade natal.

Peças da Coleções “Manaus/Chiapas/NYC”, de 1999 e “Midtown”, de 2000, hoje no acervo do MET (Metropolitan Museum of Art) ©Reprodução

Looks da polêmica coleção “Utopia”, de Primavera/Verão 2002, e “TheSurrealReadWorld”, de Primavera/Verão 2003 ©Reprodução

Durante o período em que ficou sumido dos holofotes, Miguel passou a trabalhar como diretor criativo da Hessnatur, marca alemã especializada em produtos ecológicos, além de viajar por diversas localidades do mundo. A volta às passarelas de Nova York deu-se como uma surpresa a boa parte dos profissionais do mercado, mas a explicação do espanhol é pontual: “Eu deixei Nova York e minha marca em 2005 e estive aprendendo muito desde então. Tive a oportunidade de viajar para vários lugares do mundo, o que me inspirou bastante. Eu não podia mais segurar. E, também, acredito que há uma grande falta de criatividade na indústria, que está muito focada no lado comercial. Há um vazio lá fora, e eu tenho muito a dizer”, contou em recente entrevista ao “WWD“.

Em sua nova coleção (Outono/Inverno 2012/13), chamada “Out Of My Mind”, Adrover reafirma seu espírito contestador: quase todos os 45 looks apresentados no Teatro Latea na noite do último sábado (11.02) eram customizações de peças do guarda-roupa do próprio designer, itens coletados por ele em suas viagens ou reaproveitados da Hessnatur. O espanhol não comprou um único pano ou utilizou qualquer máquina de costura, tudo foi unido à mão por ele e quatro assistentes. O hábito de transformar elementos de outras marcas também foi mantido: se, no começo dos anos 2000, Adrover exibiu uma série de trench coats da Burberry ao avesso, agora ele converteu lençóis Ralph Lauren em elementos integrantes de vestidos e saias.

Inverno 2012/13 de  Miguel Adrover: lençóis, bandeiras, uniformes de beisebol e até boias na passarela ©Reprodução

A proposta por trás desta reutilização de matérias-primas, segundo Adrover contou à “Another Magazine”, é mostrar como belas roupas podem nascer sobrepondo às velhas convenções. A ideia acometeu o espanhol após uma viagem ao Egito e a Cuba. Durante a vivência que experimentou nesses locais, Adrover diz ter percebido o quão pouco é necessário para ser feliz e produzir algo realmente genuíno: “Eu não quero aderir a um sistema que produz coisas não autênticas, onde qualquer um pode ter qualquer coisa, em qualquer lugar e a qualquer tempo. Eu quero me re-entusiasmar, achar um modo de me expressar novamente que seja significativo e sustentável e respeite as mudanças que eu vejo acontecendo no mundo”.

Ética comercial na moda? Esta nova marca acredita ser possível

01/02/2012

por | Moda, Verde

Campanha da HonestBy por Bruno Pieters ©Alex Salinas/Reprodução

Imagine uma grife completamente justa e honesta. Imagine que você pode comprar qualquer peça e saber exatamente pelo que está pagando. Quanto custou o tecido, de onde ele vem, quem o costurou, qual foi o preço das linhas, das agulhas, das horas de design da peça… Enfim, imagine que você pode saber exatamente o valor de cada centavo seu.

Agora pare de imaginar e acesse o site HonestBy, do ex-diretor criativo da Hugo Boss, o belga Bruno Pieters. Ele apresentou a sua última coleção à frente da Hugo Boss na temporada Primavera/Verão 2010 em Paris, para depois se retirar para viajar pelo mundo durante um ano, e encontrar o que realmente o fazia feliz. Na Índia, o designer não encontrou a felicidade, mas encontrou um caminho: “Seja a mudança que você quer ver no mundo” foi a frase de Gandhi que o inspirou a criar um comércio de moda que procura ser totalmente justo e transparente.

Video de apresentação HonestBy:

A criação de Pieters, lançada dia 30 de janeiro de 2012, não é atraente apenas por ter um site esteticamente agradável e com um conceito inovador (logo na página principal, por exemplo, o usuário pode escolher a cor do background!), como também porque abre um precedente na indústria da moda.

Ao navegar pelo site, que apresenta a mais recente coleção de Bruno, de inspiração marcadamente minimalista, experimente clicar em um dos itens e ver a descrição abaixo. Lá, irá encontrar todas as informações sobre a peça, desde o tempo que o designer demorou a concebê-la até ao nome da costureira que costurou o botão. Outra novidade do site  é que a escolha da roupa pode ser feita por filtros como Vegan, onde se escolhem peças com tecidos livres de produtos animais, Skin Friendly (“amigo da pele”), com certificado de tecido antialérgico, Recycled, cujas peças são elaboradas com tecidos reciclados, e ainda European, com certificado que garante a confeção 100% europeia. 

Dois looks da coleção de Pieters: casaco jeans orgânico e calça de algodão  e casaco de algodão satinado ©Alex Salinas/Reprodução

E não é só. A marca destina 20% dos seus lucros a uma ONG, e trabalha com coleções limitadas —  a atual é composta por 56 peças para homens e mulheres. Além disso, daqui a três meses já começam as colaborações com outros designers (que ainda estão sendo mantidos em segredo) dispostos a se envolverem com a causa.

Ao longo dos anos, a discussão sobre o preço a pagar por uma peça tem pautado as mesas redondas de vários debates sobre moda. Do preço dos materiais utilizados até o preço intangível de uma criação, são as grifes que decidem quanto querem cobrar. O design atemporal, a escassez de matéria-prima, a exclusividade, a força da marca, a garantia de qualidade e tantas outras questões sempre servem para precificar uma peça — mas para muitas pessoas, sempre fica a desconfiança de que se está pagando mais do que o preço “real”. No entanto, se por um lado as marcas decidem quanto vão cobrar, por outro, os consumidores também decidem se estão dispostos a pagar esse valor. Tudo é muito subjetivo e passível de discussão. A HonestBy vem de certa forma desconstruir essa ideia e, quem sabe, fazer um convite para que outras marcas façam o mesmo. Bruno Pieters, inclusive, oferece  em seu site consultoria a outras marcas de moda que queiram seguir esse caminho.

Bruno Pieters e a próxima designer ainda não revelada (alguém consegue adivinhar quem é?) ©Reprodução

Sustentável e totalmente transparente em relação ao seu trabalho, porque, como afirma o designer, “eu também sou consumidor”, o grande objetivo de Pieters é criar moda adequada ao mundo em que vivemos hoje: reconhecendo a crise mundial e o cuidado com que as pessoas gastam o seu dinheiro, respeitando os animais, as mudanças climáticas e do meio ambiente e, acima de tudo, ensinando o ser humano a ser mais consciente consigo mesmo.

Conheça aqui o HonestBy — que, sim, faz entregas para o Brasil!

Sustentabilidade: moda e cuidados com o meio ambiente se encontram na Bienal

22/01/2012

por | Verde

Por Flavia Brunetti, em colaboração para o FFW

Se o SPFW fosse uma cor, poderia ser verde. Evento Carbon Free* desde 2007, após neutralizar a emissão de gás carbônico plantando 5 mil árvores de 90 espécies em nove cidades do interior de São Paulo, é extremamente preocupado em não causar nenhum impacto por onde passa.

Cestos de coleta seletiva de lixo ©Juliana Knobel

“Desde 2006 os releases são digitais, a impressão de papel dentro da Bienal é mínima e os fornecedores e parceiros são instruídos a utilizarem lâmpadas que gastam pouca energia”, diz Graça Cabral, Diretora de Parcerias Estratégicas da Luminosidade. Também todo o papel-cartão da decoração da Bienal, feita pelo Estúdio Árvore, é reciclado. O lixo, obviamente, é reciclado e nos geradores de energia é usado biodiesel, ou seja, sua queima não contribue para o aumento das emissões de CO2 na atmosfera.

Movimentação no bar da cerveja Miller ©Juliana Knobel

Móvel de madeira reciclada do bar da cerveja Miller ©Juliana Knobel

Móvel de madeira reciclada do bar da cerveja Miller ©Juliana Knobel

Outra atitude corriqueira, mas que nessa edição ganhou destaque por ter sido agregado ao design, é o uso de madeira reciclada. No piso térreo, o bar da cerveja Miller recebeu móveis que foram replicados de desenhos de um dos mais conceituados designers italianos do final do século 20, Enzo Mari, e foram produzidos por uma oficina de moradores do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.

O copo de água que circula pela Bienal ©Juliana Knobel

Outro fato inédito é a Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – doar copinhos de água que são distribuídos nos backstages dos desfiles e na sala de imprensa, para divulgar o projeto do governo estadual de despoluição do rio Tietê e incentivar o uso consciente da água.

Carvão usado na exposição “Universo Criativo – Projeto Brasil 02” ©Juliana Knobel

Quem visitar a exposição “Universo Criativo – Projeto Brasil 02”, na Bienal, vai notar que na base dos andaimes há montes de carvão. Tudo de madeira com certificado de reflorestamento. “Após o evento esse carvão voltará para a empresa de onde compramos para ser reutilizado”, nos contou Renê Serra, Coordenador de Produção do SPFW.

Atitudes conscientes nunca saem de moda.

*O Carbon Free é um certificado dado pela Ong Iniciativa Verde, com metodologia reconhecida pelas Organizações das Nações Unidas (ONU). O selo comprova a responsabilidade socioambiental de empresas, eventos, instituições públicas e pessoas comuns. Todo o consumo de energia, de recursos naturais e emissão de gás carbônico é calculado e assinado um compromisso para compensar a poluição.

Consultora de moda Chiara Gadaleta lança canal virtual sobre sustentabilidade

11/01/2012

por | Verde

A consultora de moda Chiara Gadaleta ©Divulgação

Dentro do seu projeto “Ser Sustentável Com Estilo”, que busca estimular ações de desenvolvimento sustentável, a consultora de moda Chiara Gadaleta lançou na segunda-feira (09.01) o canal virtual WebTV SSE, que vai compartilhar em vídeo histórias de “gente que faz”. Nas palavras da própria:

“Com conteúdo exclusivo e foco em histórias transformadoras, pretendemos levar informações sobre um lifestyle mais conectado com a nossa época. Serão episódios semanais. Os inéditos irão ao ar todas as terças-feiras às 22h30. Já temos quase todos gravados e abordamos assuntos como, além de moda, claro, beleza, auto estima, design sustentável, alimentação e modo de vida. O foco sempre é mostrar outra maneira de ver as coisas, de pensar e consequentemente de agir, uma forma mais consciente e nova. E sempre mostrar através de exemplos lindos, afinal nós só acreditamos em transformação aliada a beleza. Por isso chamo a “A Nova Era da Moda”, além de fazer sonhar e deixar as pessoas lindas, a moda pode ser agente de transformação e inspirar as pessoas”, ela contou ao FFW.

O primeiro episódio mostra a história da Sachi, marca brasileira super legal de cosméticos artesanais naturais; assista abaixo:

Sobre a programação do WebTV SSE, Chiara complementa: “Logo após essa primeira temporada teremos personalidades mostrando dicas de como “ser mais sustentável e com muito estilo”, além de tutoriais de reciclagem, customização, upcycling e reaproveitamento. Serão conselhos bem simples para tornar nosso dia a dia mais saudável, consciente e lindo!”. Para quem quiser acompanhar o projeto, é só ficar ligado no sersustentavelcomestilo.com.br.

Exclusivo: Sergio Rodrigues fala sobre homenagem no Fashion Rio

03/01/2012

por | Gente, Verde

O arquiteto e designer carioca Sergio Rodrigues ©Reprodução

Um desfile não é apenas um desfile. Hoje em dia, um evento lançador de coleções tem também que agregar conteúdo, informar e ensinar o público. Trazer novas leituras ou um aprofundamento sobre assuntos da atualidade ou ainda reviver momentos, relembrar artistas cuja relevância faz valer a pena olhar para trás.

Esta edição do Fashion Rio é uma mistura de tudo isso. Além dos 24 desfiles, o evento terá três exposições que falam de passado e futuro, mas mostra que, às vezes, o tempo não tem nenhum grande efeito sobre a obra. Os três projetos que serão apresentados são atemporais e de grande valor, independente de sua época.

Com cenografia de Mari Stockler, antiga colaboradora da casa, o Fashion Rio fala de fotografia & tecnologia, com uma exposição interativa de Instagram; fala de design e música brasileira, com uma mostra de mais de 60 capas de disco do acervo de Charles Gavin, que traz de volta à luz o trabalho do designer Cesar Villela, autor de muitas capas de vinis clássicos da nossa música, realizadas há mais de 50 anos. E também fala de arquitetura e mais design, com uma retrospectiva do arquiteto carioca Sergio Rodrigues, exponente do melhor que há no design brasileiro.

Poltrona Mole (1957): estrutura de madeira maciça, com travessas que permitem a passagem de cintas de couro na qual se apoia o almofadão único do assento, do encosto e dos braços ©Reprodução

Quem ainda não é familiar seu trabalho, basta dar um Google na poltrona ou no sofá “Mole”, linha criada nos anos 50 e que tornou-se o cartão de visita de Rodrigues. Como disse Millor, em um simpático texto sobre a poltrona Mole (leia abaixo), ela é a Sharon Stone das poltronas. Mas sua carreira foi construída em cima da criação de outras centenas de peças bonitas, confortáveis e construídas com materiais naturais e artesanato brasileiro. Não, não é nem um pouco barato, e mesmo assim, tente encomendar uma na loja Dpot, na Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo. Seis meses para entregar. Os móveis de Sergio Rodrigues ainda estão entre os mais desejados para quem quer flertar com o design. “Apesar de a economia ser um dos quesitos principais para um bom design, algumas peças ultrapassam os valores considerados ideais, pois valorizam outras qualidades. Acredito que o preço dos meus móveis em geral é justo, considerando que valores como a matéria-prima e o artesanato alteram o preço final”, explica, em uma conversa por telefone com o FFW.

Pelo olhar de Mari Stockler, Rodrigues ainda é um “menino curioso”. “O Sérgio mudou a maneira de sentar do brasileiro. Ele é sempre novo, jamais ficou com as ideias engessadas”, diz.

Poltrona Oscar Niemeyer (1956): madeira maciça e assento e encosto de palha natural ©Reprodução

Emocionado com a homenagem, Sergio diz que o design brasileiro está em uma ótima fase. “Entramos em uma época de alta criatividade. Nossos designers estão ótimos, basta ler as revistas de design nacionais e internacionais. Eles também estão abrindo cada vez mais espaço para o comércio especializado e também nos museus”. Quando questionado sobre como ele se sentia resgatando sua própria obra, ele respondeu: “Não precisei mergulhar muito profundo, porque minhas criações sempre estiveram ao meu lado, bem perto de mim”.

Tem uma frase famosa do designer que é uma boa maneira de entender sua linha de pensamento criativo: “O móvel não é só a figura, a peça, não é só o material de que esta peça é composta, e sim alguma coisa que tem dentro dela. É o espírito da peça. É o espírito brasileiro. É o móvel brasileiro”.

Poltrona Lia (1962): estrutura de madeira maciça com assento e encosto de couro ©Reprodução

Leia abaixo texto de Millor Fernandes sobre a poltrona Mole:

Que sei eu de arquitetura?
Bem, vai ver, tudo. Sei de morar, sei de dormir, sei de sentar. De morar sei que devo estar sempre de frente para o mar, olhando para a montanha, e, no Rio, clima tropical, de cara pro nascente. De dormir. Só durmo com os pés da cama voltados para a porta principal de onde pode penetrar o Mal. Embora em minha vida só tenha penetrado o Bem, depois de premir o leve tímpano do seio, que leva direto ao coração. E de sentar, aprendi sentando em areia (de Ipanema), sentado em banco (de Liceu), e evitando sentar em cadeira de Bauhaus (Gropius mereceu terminar a vida com aquela chata da Alma Mahier). Ainda de sentar. Eu tinha concluído que, como a bunda não vai se modificar no próximo milênio, os arquitetos de móveis tinham que criar a partir dela (ou delas, se considerarmos a duplicidade dessa singularidade anatômica). Foi aí que o talento estético de Sergio Rodrigues veio ao encontro do meu bom senso e exigência de conforto e, inesperadamente, empurrou embaixo de mim a já citada Poltrona Mole. Onde não me sentei. Deitei e rolei. Que artefato meus amigos! Uns dizem qué é slouchingly casual, outros que antecipou a Bossa Nova, Sergio Augusto afirma que é um móvel em que a pessoa se repoltreia, e Odilon Ribeiro Coutinho que “tem o dengo e a moleza libertina da senzala”. Sei lá. Pra mim, essencialmente couro, foi natural curtição. Anatômica, convidativa, insinuante. Atração fatal. Sharon Stone. É prazer sem igual sentar-deitar numa e ficar olhando em frente, uma outra da Bauhaus. Melhor, uma outra Mole.”

L’Oréal investe no Brasil com Centro de Inovação e foco em energias renováveis

03/01/2012

por | Verde

 Escritórios da L’Oréal em Libremont, na Bélgica, onde está situada a sua fábrica 100% livre de emissões de carbono ©Reprodução

A L’Oréal, gigante francesa de cosméticos e produtos de beleza, anunciou recentemente a abertura de um centro de pesquisa e inovação na Ilha do Bom Jesus, no Rio de Janeiro.

A Ilha do Bom Jesus corresponde hoje à área do Centro de Tecnologia, da Faculdade de Letras da UFRJ, e servirá de palco a vários centros de pesquisa que queiram apostar em energias renováveis para o seu funcionamento.

A L’Oréal  é uma das marcas pioneiras na utilização de energias renováveis na Europa, sendo a primeira a construir uma fábrica totalmente sustentavél em Libremont, na Bélgica, em parceria com produtores locais de bio-energia, com o objetivo de cumprir a meta de reduzir as suas emissões mundiais de CO2 em 50% até 2015.

A marca, presente há mais de 50 anos no Brasil, conta já com um centro de desenvolvimento que funciona desde 2008 e que servirá de motor de arranque para este novo gigante de desenvolvimento e inovação, que terá como objetivo acelerar o crescimento e desenvolvimento de novos produtos feitos especialmente para o mercado brasileiro que serão depois comercializados na Europa.

Cada vez mais, grandes marcas apostam não só na abertura de lojas e comercialização de seus produtos no Brasil, como também na produção em território nacional.

São as exigências de um mercado que consome cada vez mais, melhor e de uma forma mais ecológica.

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Vá de bike: sustentabilidade fashion invade as ruas de SP

19/12/2011

por | Verde

A bicicleta como complemento fashion @Reprodução

Se há cerca de um ano alguém falasse, em São Paulo, que ia de bike para o trabalho, seria considerado louco.  Pelo menos nas grandes metrópoles brasileiras, as bicicletas não eram consideradas um meio de transporte.

Mas nos dias de hoje, alguma coisa mudou. De repente, vemos no meio do trânsito executivos de terno e gravata e meninas descoladas, que pedalam  para o trabalho. A que se deve esta mudança?

A fase Eco-Friendly que recentemente dominou o mundo foi uma das razões principais. Mas não foi a única. Os governos dos estados, em um acesso de sustentabilidade, criaram ciclovias para que as pessoas pudessem apreciar a cidade onde vivem de outra forma: ao ar livre.

A moda pegou e, em São Paulo, o passeio de domingo passou a ser feito na faixa marcada em vermelho e limitada por cones. Aos poucos, os domingos estendiam-se até segunda, depois até terça, até que chegaram a todos os dias da semana. A certa altura havia nas ruas um número significativo de pessoas movimentando-se de bicicleta, e os motoristas tiveram que se habituar a elas. Ainda estamos longe do ideal no que se diz respeito a respeito e espaço para os ciclistas.

Sites como o euvoudebike criam fóruns de discussão e espaços para compartilhamento de experiências e permitem calcular a melhor rota colocando o ponto de partida e o ponto de chegada. Um GPS para os pedais, portanto.

Andar de bike foi se tornando menos perigoso, mais atrativo, mais fácil e principalmente mais fashion. Porque as próprias bicicletas também mudaram de visual e adaptaram-se às exigências de quem vive numa cidade cosmopolita como São Paulo.

A Velorbis, marca dinamarquesa estilo vintage que chegou recentemente ao Brasil, aposta na estética e no conforto que as bicicletas de cidade necessitam para criar “peças que apoiem o estilo de vida urbano das pessoas modernas”. Em Copenhagen, capital do país, onde, em 2002, o número de bicicletas ultrapassou o número de carros, a Velorbis criou um serviço para várias marcas, entre elas a Tiffany&Co., a fim de servirem como meio de transporte no trajeto casa-trabalho.

Em paralelo, a Velorbis criou também uma linha de acessórios, com bolsas em couro e cestinhos de bicicleta, e tem marcado presença nas últimas semanas de moda dinamarquesas. Saiba mais aqui!

À venda na TAG&JUICE, na Vila Madalena (SP), e representadas no Rio de Janeiro pela LIMIDAC COMPANY (21.3281 0607 e 21.9555 9725) , custam entre os R$ 3.800 e os R$ 5.800.

É o preço da sustentabilidade aliada ao melhor estilo.

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©Velorbis
Velorbis for Tiffany&Co.