SP EcoEra

Evento de moda e design sustentável começa terça em SP; saiba como se inscrever

22/04/2013

por | Verde

Instalação da primeira edição do evento, em 2012 ©Divulgação

Nesta semana acontece mais uma edição do SP-EcoEra, que defende e estimula práticas sustentáveis na moda, arte, design, artesanato e gastronomia. O evento é uma realização da stylist Chiara Gadaleta e acontece nos dias 23, 24 e 25 de abril na Escola São Paulo.

A grande novidade desta edição é a realização de um desfile com marcas que atuam dentro deste cenário socioambiental, como Flavia Aranha (que mostra tingimento ecológico), Vert (marca francesa de tênis produzido com látex do Acre) e Gustavo Silvestre (que faz crochê alta-costura). “O SP-ECOERA quer mostrar que é possível fazer moda de qualidade, com estilo e conectada à sustentabilidade. Acreditamos que o consumidor está cada vez mais informado e exige transparência total das organizações nesse âmbito”, diz Chiara, que também está por trás do projeto Ser Sustentável Com Estilo.

Além de desfiles, workshops e bate-papos, o evento faz lançamentos e oferece comidinhas orgânicas. Vale a pena prestigiar! Interessados em participar do evento podem se cadastrar através do site Ser Sustentável Com Estilo. As inscrições são gratuitas e o SPEcoEra tem patrocínio do Sebrae.

Veja abaixo a programação da 2ª edição do SP-ECOERA:

23/04 (terça-feira)

11h – Desfiles (logo após as apresentações será servido brunch orgânico do Spa Lapinha)

Flavia Aranha (marca apresenta tingimento ecológico)

Vert (marca francesa de tênis produzido com látex do Acre)

Gustavo Silvestre (crochê alta costura)

Heliconia (sapatos de couro de peixe)

Pandora (linha de charms de madeira que são produzidos pela Rainforest Protection Initiative)

Será o Benedito (reaproveitamento de lona de caminhão)

Toca da Cathy (vintage store)

Vuelo (acessórios feitos com câmeras de pneu reaproveitadas)

24/04 (quarta-feira)

10h – Oficina Stencil

11h – Brunch de lançamento daVert seguido de degustação Gastronomia Viva pela chef e idealizadora do Festival Gastronômico Leila D

Workshops:

1)  Transformando Lixo em Arte

2)  Detox na Moda : aprenda e renovar seu look e aumentar sua auto estima

3) Costumizando roupas e acessórios vintage para deixa-los mais atuais

 25/04 (quinta-feira)

11h – Brunch de lançamento do site LIFT, de Marianne Brepohl

Mesas Redondas

1)  ”A Economia Criativa e o Meio Ambiente na Moda Contemporânea Brasileira”: bate papo sobre como a economia criativa, a moda e suas interfaces podem colaborar com o meio ambiente.

2) “A Arte Indígena e seu impacto na sociedade”: conversa sobre a arte indígena, suas especificidades e de como ela impacta nossa sociedade.

3) “A Redução do Impacto ambiental na Industria de Moda: Alternativas com Estilo”: Bate papo sobre alternativas e soluções que gerem menor impacto da indústria no dia a dia e no meio ambiente.

SERVIÇO
Data: 23, 24 e 25 de abril
Horário: das 10h às 18h30
Local: Escola São Paulo – Rua Augusta, 2.074, São Paulo
Inscrições: sersustentavelcomestilo.com.br

Tags:

Made in Brazil

Para produzir com couro brasileiro, Gucci lança linha verde em parceria com ONGs ambientais

12/03/2013

por | Verde

Franca Sozzani, Livia Firth, Diana Zanetto, Nathalie Walker e Mercedes Tallò, na apresentação da linha verde da Gucci ©Reprodução

Durante a semana de moda de Paris, a Gucci recebeu para um coquetel na Embaixada Brasileira para lançar uma linha de bolsas em parceria com o National Wildlife Federation e a Green Carpet Chalenge, projeto da italiana Livia Firth (mulher do ator Collin) e a jornalista britânica especialista em sustentabilidade Lucy Siegle. A ideia por trás da fundação é combinar glamour e ética nos eventos red carpet.

Em uma das salas, antes do coquetel com caipirinhas e brigadeiro, houve uma apresentação formal, com a presença de Diana Zanetto, Vice-Presidente Executiva da Gucci; Mercedes Talló, da Rain Forest Alliance, Nathalie Walker, da NWF, Franca Sozzani, editora da “Vogue” italiana, além de Livia e Lucy. Na primeira fila estavam Rossella Ravagli, diretora do Departamento de Responsabilidade Social e Sustentabilidade da Gucci, e François-Henri Pinault, CEO do grupo PPR, dono da Gucci.

A primeira surpresa foi aprender que o couro usado pela marca é brasileiro. Ele faz um longo e complexo percurso até chegar às oficinas da grife na Itália. Livia procurou a Gucci e seu projeto foi abraçado pela diretora de criação Frida Giannini. Para Diana Zanetto, a marca tem o dever de ter essa preocupação. “Os consumidores estão mudando e querem saber a história por trás de cada produto. Nós somos ‘made in Italy’, mas também somos ‘made in integrity’”, diz.

Então Gucci e o governo brasileiro fizeram uma associação no que se refere à moda sustentável e, segundo Lívia, “a parceria é uma referência para o mercado de moda hoje”.

François-Henri Pinault e Franca Sozzani no lançamento da Gucci na Embaixada Brasileira ©FFW

A parceria estabelece novos padrões de certificação ecológica ao garantir zero desmatamento e rastreabilidade desde a seleção do couro até o produto finalizado, pronto para ser comercializado. A marca trabalha com cinco ranchos na Amazônia, todos certificados pela Rainforest Alliance, que assegura a prática de justiça social e ambiental assim como um tratamento ético do gado. “É um projeto em que todos saem ganhando”, diz Nathalie Walker.

A última pesquisa da NWF mostra que os ranchos da Amazônia são responsáveis por mais de ¾ da extinção das florestas. Apesar de uma diminuição desta devastação em 2011 no Brasil, valores de agosto de 2012 (considerado o mês de maior desmatamento) recuaram, mostrando um aumento de 220% no último ano.

Quando foi a vez de Franca falar, ela fez um depoimento honesto e iniciou de forma irônica: “As pessoas devem olhar para mim e perguntar: ‘o que ela está fazendo aí? A moda não liga para essas coisas…’”.

Franca assumiu que não é uma pessoa ecológica, mas que pode fazer a sua parte na revista. “Mas a imprensa inteira tem que se unir no mesmo comprometimento”, diz. Ao FFW ela afirmou que a moda ainda está longe disso e a relação com os designers é difícil. “Nós sabemos como eles são, não querem ouvir ninguém, mas agora as pessoas podem ser convencidas com mais facilidade a testar outros materiais”.

Uma das bolsas da linha verde da Gucci, feitas em couro certificado ©FFW

Sim, o projeto é muito bom, mas a Gucci mostrou apenas três bolsas. Quando a marca vai passar a usar esse couro certificado como o padrão para todos os seus produtos? “Quando nós pudermos produzir todas as nossas peças nesse couro, nós faremos, mas por enquanto não há vacas suficientes para essa demanda”, diz Diana.

“Esse ainda é um padrão de ouro, pois não há ranchos suficientes para fornecer para todas as marcas”, diz Melanie ao FFW. “Mas é o começo de uma produção ideal e transparente”.

A linha, que tem zero impacto no desmatamento da floresta Amazônica, tem entre suas peças uma versão da bolsa Jackie, um dos ícones da história da marca. Cada bolsa contém um passaporte que descreve especificamente a cadeia de produção, desde o nascimento da vaca até o produto finalizado manualmente.

A Gucci também fará uma doação de 50 mil euros para o National Wildlife Federation, fundo que visa promover o couro brasileiro livre de desmatamento. “É um grande passo para a indústria. São produtos verdadeiramente monitorados, o que transmite uma mensagem forte ao mercado de moda”, diz Livia.

Tags:

Detox

Espanhola Zara firma seu compromisso com moda livre de resíduos tóxicos

30/11/2012

por | Verde

Freja Beha Erichsen na campanha de Inverno 2012 da Zara ©Reprodução

A gigante espanhola Zara anunciou recentemente o seu compromisso com a sustentabilidade com a promessa de erradicar todos os resíduos de químicos prejudiciais ao meio ambiente ao longo de toda a sua cadeia de produção até 2020. O anúncio vem como uma resposta à pressão por parte do Greenpeace, após o lançamento do relatório “Toxic Threads: The Big Fashion Stitch-Up” (“Ameaças Tóxicas: Os grandes remendos da moda”) em Pequim no dia 20.11. “O Greenpeace dá as boas-vindas ao compromisso da Zara com uma moda livre de tóxicos”, diz o coordenador da campanha Detox, Martin Hojsik. “Se a maior varejista consegue, não há desculpa para outras marcas não limparem a sua cadeia de produção e fazerem moda sem poluição”, continua.

Como parte da mudança, a Zara vai fiscalizar e obrigar todos os seus fornecedores a pararem de dispensar os resíduos tóxicos nas comunidades circundantes. A empresa espanhola junta-se assim à Nike, Adidas, Puma, H&M, Marks&Spencer, C&A e à chinesa Li-Ning na missão de promover uma moda “limpa” – de resíduos e de culpa.

Biodegradável

Stella McCartney e Gucci abrem caminho para uma nova forma de produzir

19/10/2012

por | Verde

Sapato de Stella McCartney com sola biodegradável ©Reprodução

Se os moldes do conceito de sustentabilidade incentivam a redução, reutilização e reciclagem, a indústria da moda está em busca de maneiras de continuar lucrando, inclusive a partir da produção de itens “conscientes”. Gucci e Stella McCartney já introduziram no mercado calçados compostos, integralmente ou em parte, por materiais biodegradáveis, e a Puma já anunciou o desenvolvimento de uma linha de camisetas e tênis que podem ser enterrados e usados como fertilizantes.

De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), cada ser humano descarta em média 24,55 quilos em roupas por ano, ou seja, o desperdício total ultrapassa a casa das toneladas. “Todos estão começando a encarar a necessidade de reduzir o impacto da moda no meio ambiente. Biodegradabilidade é uma parte de uma agenda ainda mais ampla de gestão de resíduos”, comentou Alex McIntosh, do Centro de Sustentabilidade de Moda da London College of Fashion, ao “Los Angeles Times”.

No início da carreira de Stella McCartney, a aceitação a produtos de pele e couro falsos era ínfima; hoje, as peças da britânica se converteram em objetos de desejo e abriram caminho para que outras marcas produzam da mesma forma, inclusive redes varejistas. Os saltos de Stella com solas biodegradáveis começaram a ser vendidos em setembro e, apesar de não ser confeccionado integralmente em material “eco-friendly”, estabelece um precedente à causa, além de perpetuar a filosofia de que “fazer pouco de algo é muito melhor que não fazer muito de nada”.

Sandálias da Gucci com solas biodegradáveis ©Reprodução

À parte o já citado salto criado por Stella, parte de suas linhas de lingerie e óculos utiliza materiais recicláveis, como óleo de mamona (fruto da mamoneira, também chamado rícino) e açúcar. O óleo de mamona, por sua vez, começou a ser incorporado pela Gucci em 2011: a marca italiana já produziu este ano sapatilhas e tênis com bioplástico, assim como óculos escuros com molduras e detalhes confeccionados com derivados de plantas. Com têxteis, no entanto, a situação é um pouco mais complicada já que apenas peças 100% naturais se decompõem fácil e completamente.

O desenvolvimento de fios e tecidos envolve um processo extremamente complexo, que utiliza diversos derivados de petróleo. “Com têxteis, você tem híbridos monstruosos. [...] Ter elastano em algo faz a peça muito mais fácil de usar, mas se você o coloca em algodão é uma fibra com base de petróleo com uma fibra orgânica, então o algodão vai se decompor, mas o elastano, não. É uma situação difícil”, sintetizou Susanna Schick, dona da empresa de consultoria Sustainable Fashion L.A. Já para Lewis Perkins, vice-presidente da Cradle to Cradle Products Innovation Institute, de São Francisco, a solução é eliminar o conceito de desperdício do vocabulário e pensar em formas potenciais para que todo e qualquer material possa ser reempregado no futuro.

Hoje

Chiara Gadaleta organiza evento que discute a sustentabilidade com oficinas e debates

28/09/2012

por | Verde

Chiara Gadaleta, organizadora do SP.ECOERA, em lixão de São Paulo ©Divulgação

Vale marcar na agenda: sexta e sábado (28 e 29.09) acontece a primeira edição do SP.ECOERA, evento organizado pela stylist Chiara Gadaleta, que quer discutir novas conexões para a sustentabilidade criativa e maneiras diferentes de criar e consumir moda, arte e design.

São dois dias de exposições, oficinas, performances, conversas, exibição de vídeos e documentários, que irão ocupar a segunda unidade da Escola São Paulo. Entre os participantes estão os estilistas Dudu Bertholini e Adriana Barra; a arquiteta Carolina Maluhy; os fotógrafos Daniel Klajmic e Murillo Meirelles, e a analista de tendências Andrea Bisker, do WGSN.

As mesas redondas abordam temas como a ética na linguagem de moda online, com a participação de Julia Petit e da Blogueira Shame; a imagem de moda x inclusão de diferentes tipos de consumidor, com Camila Yahn (FFW), André Do Val (Chic), Renata Piza (“Elle”) e Nana Caetano (“Vogue”); e ainda o bate-papo sobre a influência da natureza no design contemporâneo.

Os workshops também são muito interessantes, com atividades que ensinam a transformar estoques antigos e descartes de marcas em lindas peças de roupa.

Além de abordar soluções para redução, reutilização e reciclagem de materiais, o encontro também fala sobre a importância dos ofícios manuais, a aproximação com a natureza e a importância do coletivo. E reafirmando o viés sustentável, toda a montagem do evento foi realizada com materiais 100% reciclados, orgânicos ou reaproveitados.

Há sete anos Chiara criou o movimento Ser Sustentável com Estilo, que enfatiza uma mudança na moda não apenas ambiental, mas também social, econômico e cultural. “Vamos mostrar para o público que ética e estética podem andar juntas. A arte é um grande agente de transformação a favor da criatividade e o consumo sustentável”.

SP ECOERA
Quando: 28 e 29 de setembro
Horário: 11h às 22h (sexta) e das 13h às 18h (sábado)
Local: Escola São Paulo Unidade 2 (rua Augusta, 2.074)
Inscrições: o evento é gratuito, basta enviar um email para specoera@gmail.com com nome, RG ou CPF, telefone, oficina que quer participar, para assim você garantir a sua vaga!

Veja a programação abaixo:

28.09

12h: Coletiva de Imprensa

13h -15h: Brunch Orgânico realizado pelo Quintal dos Orgânico

15h: Bate papo sobre a influência da natureza no design contemporâneo com Waldick Jatobá, Hugo França, Olivia Yassudo e Carolina Maluhy

16h: Oficina Turbante – como montar looks com turbantes com Chiara Gadaleta e Katia Fridrich

17h: Demi Couture e o Novo Luxo – Bate-papo sobre a moda com qualidade x o descarte da indústria, com Andréa Bisker, Karlla Giroto e Cris Barros

18h: Performance Crochando o Seu Mundo – Sobras de malharia Lunelli viram arte nas mãos de Cris Bertolucci e Michelli Provensi

18h30: Oficina – Como usar acessórios artesanais em looks do dia a dia, com Gustavo Silvestre e Chiara Gadaleta

19h30: Moda pra Todos – um bate-papo sobre a imagem de moda x inclusão dos diferentes tipos de consumidores, com Nana Caetano (“Vogue”), Renata Piza (“Elle”), André Do Val (Chic) e Camila Yahn (FFW)

29.09

13h: Bate-papo sobre a ética na linguagem de moda online, com Julia Petit,  Priscila Rezende (Blogueira Shame), Liliane Ferarri e Cecilia Lima

14h: Oficina: Lixo é Fashion – Transformando estoques antigos e descarte de marcas em lindas peças

15h: Workshop A Cidade Sobre Duas Rodas – Um guia sobre como pedalar com segurança nas grandes cidades, por Carbono Zero Courier

17h: Performance Ata-me – A partir de trabalhos realizados em crowdsourcing, amarrações fashion com lenços e panos estampados, com Lucius Vilar

18h: Workshop Neutralize a sua emissão de carbono – Um manual de como podemos neutralizar a emissão de CO2 do nosso dia a dia e preservar o meio ambiente com Pedro Soares (IDESAM)

19h: A Criatividade a Favor das Grandes Cidades – Bate-papo sobre reciclagem criativa do lixo urbano a favor das grades metrópoles, com André Palhano (Virada Sustentável), Matthew Shirt (Planeta Sustentável), Deli Espindola (ONG Aldeia do Futuro) e Alberto Hiar (Cavalera)

Desejo

Nova marca faz óculos em madeira, unindo design e sustentabilidade

09/08/2012

por | Verde

©Reprodução

“Nature with other eyes” (natureza com outros olhos) é a assinatura da Leaf, marca de óculos escuros e produzidos em madeira, dos irmãos Juan e Alexandre Carri. Eles criaram a marca há um ano e queriam fazer esse link entre o design e o que a natureza oferece; olhar para o mundo “com outros olhos”.

 A marca foi criada para uso pessoal dos irmãos, mas acabou fazendo sucesso entre os amigos. As peças da Leaf são todas feitas à mão, as madeiras utilizadas são brasileiras e além de serem 100%  reaproveitadas, recebem um tratamento especial para tornar a peça resistente à umidade, sol e fungos.

As peças podem ser adquiridas no site de produtos autorais Airu, com entregas nacionais, ou direto no estúdio da marca em São Paulo, na Galeria Ouro Fino, e também na Likestore da Leaf no Facebook a partir de R$ 250, dependendo do modelo e da madeira com que são feitas. Como nem sempre é fácil comprar óculos pela internet, a marca dá o prazo de 30 dias para troca ou devolução.

Alguns dos modelos da marca ©Reprodução

Eco-Zara em SP

Recém-inaugurada, loja segue programa de redução de emissão de carbono

03/08/2012

por | Verde

Vista geral  Zara no shopping Jk Iguatemi ©Ricardo Toscani

A espanhola Zara abriu finalmente, nesta quinta-feira (02.08), as portas da sua loja no shopping JK Iguatemi, em São Paulo. Mas a espera valeu a pena, pois o ponto da marca no JK possui um modelo sustentável que ditará como serão as novas lojas no país, respeitando os padrões internacionais dos endereços em Nova York, Paris e Tóquio.

O conceito do espaço faz parte do novo programa do grupo Inditex, ao qual a Zara pertence, em que até 2015 as emissões de carbono serão reduzidas em até 10% — as lojas têm um papel importante nessa redução, desde os materiais com os quais são feitas até a gestão de energia e consumo de água. No novo endereço paulistano, o chão é de um granito especial feito de sobras, a iluminação é feita com luz de LED para uma maior poupança de energia e a água utilizada na loja é a mesma que alimenta o ar condicionado.

Quanto aos produtos que estão nas araras, a coleção de Verão 2013 está bem eclética, com um mix que vai dos básicos em tons pastel à estampa animal, passando pelo militar e cores neon. Veja abaixo algumas imagens do interior da loja:

©Ricardo Toscani

©Ricardo Toscani

©Ricardo Toscani

©Ricardo Toscani

©Ricardo Toscani

Economia Criativa

Expert britânico passa por São Paulo e fala sobre como usar a criatividade para crescer

02/07/2012

por | Verde

Por Luciane Gerodetti, em colaboração para o FFW

Michael Bedward ©Luciane Gerodetti

A Economia Criativa ganha asas mais poderosas e raízes cada vez mais profundas. Enquanto acontecia a Conferência Rio+20, que reuniu nomes mundiais desse setor, e na qual o Ministério da Cultura, via Secretaria da Economia Criativa, lançou suas diretrizes políticas e ações para 2011 a 2014, a Escola São Paulo recebeu o professor britânico Michael Bedward, do London College of Communication, expert em criatividade, consultor e facilitador de diversos cursos em empreendedorismo criativo ao redor do globo.

Desde o ano passado, quando a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, nomeou Claudia Leitão para assumir esse novo secretariado, o Brasil está correndo atrás para se atualizar globalmente nesse setor. A Economia Criativa foca na troca entre países de bens provenientes de suas tradições e culturas, onde design, inovação e sustentabilidade são condições essenciais. Sim, temos essa riqueza aos montes, mas ela carece ainda de estruturação, organização e estratégias adequadas.

Se por um lado a economia vem apostando cada vez mais suas fichas na força desse mercado, do qual Inglaterra e Austrália são pioneiros, por outro, a criatividade, desde sempre, tem o potencial de agregar valor e renovação em esferas muito mais íntimas e subjetivas do ser humano, o que por si só, já faz com que valha a pena ser cultivada.

Para Michael, a criatividade tem um impacto crucial na vida cotidiana e fica claro a importância que dá a ela quando afirma que  “para ser humano, você tem que ser criativo”. Entre sorrisos abertos, um inglês britanicamente pontuado, ponteiros do relógio mais ainda (seus cursos começam e terminam na hora exata, e os intervalos para o café são orientados por um cronômetro e um apito) e uma agenda bastante apertada, ele achou um tempo para algumas de nossas perguntas.

Alguns pontos ficaram bem delineados em suas abordagens: a necessidade de desenvolver produtos e serviços a partir do ponto de vista do consumidor; aprender a questionar o que já é determinado em busca de novas visões; e o uso do mind mapping, que consiste em escrever no centro da folha o ponto x, que pode ser um produto ou uma pergunta, por exemplo, e traçar ao redor vários outros círculos, dentro dos quais estima-se possíveis respostas, opções e variantes para o ponto central. E, claro, usar a paixão naquilo que faz.

Em função da tecnologia e todas as possibilidades do mundo virtual e redes sociais, a nova geração está desenvolvendo um novo tipo de mindset, um raciocínio não linear. Você acredita que esse movimento ajuda a aumentar a criatividade?

Um tipo de pensamento não linear é absolutamente essencial, principalmente para desenvolver ideias em novos produtos e serviços que satisfaçam as necessidades, vontades e desejos do consumidor. O cérebro trabalha de forma não linear quando seguimos não apenas uma linha de “A” a “Z”, mas quando os pensamentos irradiam em uma espécie de teia de aranha. É por essa razão que eu incentivo clientes e estudantes que trabalham comigo a usar  “mind maps” para gerar e desenvolver ideias.

Brasileiros são muito conhecidos como um povo caloroso e criativo. Você concorda? Como você percebe e avalia a criatividade no Brasil?

O Brasil é um país imensamente criativo, muito em função de sua diversidade; entretanto, para ser mais inovativo, ainda é necessário muita melhoria em questões empresariais para dar suporte ao crescimento e ao desenvolvimento de pequenas empresas.

Como os pais podem ajudar seus filhos a desenvolverem melhor sua criatividade?

Eu encorajo os pais a proporcionarem um ambiente que apóie as crianças a expressarem sua criatividade da forma que preferirem, seja pela arte, música, dança; e a ensinarem seus filhos as técnicas do “mind mapping”, que os habilita a desenvolverem ideias por meio de uma poderosa forma visual, o que dá a eles um instrumento muito útil a ser utilizado na vida.

É comum ouvir “Eu não sou criativo”. Você acredita que um adulto que não se percebe como alguém criativo pode mudar esse padrão?

Acredito fortemente que todas as pessoas são criativas; temos que tomar decisões criativas todos os dias: escolhemos que roupa vestir, suas combinações de cor, entretanto, o potencial criativo pode ser trabalhado e desenvolvido usando uma gama de instrumentos e técnicas criativas. Meus cursos visam aumentar o nível de criatividade e inovação através delas.

Você acredita que pessoas cujos empregos são considerados “não criativos” podem usar técnicas criativas para melhorar o trabalho?

Acho importante que pessoas nesse tipo de trabalho reconheçam o valor da criatividade, principalmente em áreas como Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, áreas em que, infelizmente, o Brasil está ficando para trás em relação ao resto do mundo. Minha ambição seria criar um curso com minhas técnicas visando ambos os setores, criativo e não criativo, para descobrir quais novas ideias e insights podem surgir da intersecção entre arte e ciência.

Na sua experiência, como você combina intuição com razão para produzir criativamente? São ambas importantes e necessárias?

O perfil do empreendedor mais criativo é altamente intuitivo, mas para muitas pessoas a intuição vem de uma experiência embasada na razão, de forma que, no meu ponto de vista, sem essa vivência racional, é difícil ser intuitivo, principalmente  quando precisa tomar decisões de trabalho.

Atualmente, o fast fashion é um mercado em expansão, baseado em copiar e multiplicar. Como você vê a criatividade nesse modelo de mercado? Ele pode ser uma ameaça?

Na minha visão, o fast fashion é mais sobre inovação que criatividade, isto é, ele satisfaz uma necessidade/vontade do consumidor, oferecendo algo que ele quer comprar, mas sem dar origem a algo novo.

Certa vez, ouvi que “Expressão é o oposto da depressão”. Você concorda que a criatividade pode ajudar a tratar depressão e melhorar a qualidade de vida emocional?

Acredito que a criatividade é a força de vida de cada ser humano e pode ser usada para combater tanto doenças mentais quanto físicas.

Trabalhando com criatividade por tantos anos, qual é a maior lição que ela trouxe para sua vida?

Criatividade tem sido absolutamente essencial em minha vida, e sinto imensa satisfação quando consigo expressá-la em todo seu potencial, principalmente no meu primeiro trabalho como produtor de rádio e televisão na BBC. Atualmente uso minha criatividade de formas diferentes, em meu trabalho acadêmico, de consultoria e facilitador de cursos em desenvolvimento de projetos criativos. Eu trabalho para ajudar outras pessoas a transformarem suas ideias em produtos e serviços inovadores que atendem diretamente a demanda de um consumidor.

+ Pra pensar: o que é Economia Criativa e como ela pode transformar o mundo?

Tohoku Cotton Project

Projeto japonês incentiva a plantação de algodão em zonas devastadas por tsunami

26/06/2012

por | Verde

Jeans da marca Lee fabricados com algodão do Tohoku Cotton Project ©Reprodução

No dia 11 de março de 2011, o Japão foi vítima de um dos maiores desastres naturais registrados na história da humanidade. A zona norte do país, utilizada para o plantio de arroz, foi devastada por um tsunami, que depositou tanto sal no solo que não só destruiu as plantações existentes como o tornou infértil para futuras plantações do cereal, deixando milhares de agricultores sem trabalho.

Felizmente para esses agricultores, o solo permitia a plantação de outras matérias-primas, como o algodão, o que levou um grupo de investidores japoneses a fundar, há um ano, o Tohoku Cotton Project, um projeto que não só devolve o trabalho aos agricultores japoneses das áreas devastadas, – como, por exemplo, da área de Tohoku -, como também incentiva a produção nacional de algodão, que até então, segundo o Instituto Têxtil Japonês, era 80% importado. O projeto tomou forma quando Naomasa Ochi, chairman de uma das maiores fábricas de meias do país, a Tabio, reuniu um grupo de empresários da indústria têxtil, incluindo o presidente no Japão da marca de jeans Lee, Hidekazu Hosokawa. De acordo com o “WWD”, hoje a Lee do Japão desenvolve todos os seus jeans com o algodão produzido na área, misturado com algodão importado pois a produção ainda não é suficiente; mas segundo o seu presidente, “o objetivo é produzir peças exclusivamente com o algodão oriundo do projeto”, disse ao site.

Produtos da Tohoku Cotton Project à venda no site da marca e em algumas lojas de varejo no Japão: camiseta polo por R$ 212 e calça jeans por R$ 400 ©Reprodução

A primeira leva de produtos fabricados com o algodão de Tohoku e produzidos pela Lee já está à venda no site criado pelo projeto e inclui calças jeans, shorts, camisetas polo, lenços e toalhas, alguns deles apresentados em um desfile durante a semana de moda de Tóquio em parceria com outras marcas. O grande objetivo é que a área de Tohoku e outras áreas devastadas possam ser revitalizadas e que cada vez mais marcas japonesas vejam o Tohoku Cotton Project como um fornecedor de algodão importante para o seu país.

Beleza natural

Conheça a designer que virou expert em sabonetes e óleos artesanais

22/06/2012

por | Verde

Sachi em sua casa, em entrevista ao FFW ©Juliana Knobel/FFW

A designer Sachimi Garcia dos Santos, 42, faz sabonetes, óleos corporais e óleos aromatizantes artesanalmente, em sua casa. Hoje, o que a deixa mais feliz são os agradecimentos e elogios que recebe por e-mail de amigos e de pessoas que utilizam os seus produtos. Cansada da vida de designer e com vontade de trabalhar com as mãos, foi em uma viagem ao Japão, terra de seus pais, onde descobriu os sabonetes artesanais.

Autodidata em aromaterapia, ela está hoje por trás da marca de cosméticos naturais Sachi, onde faz sabonetes e óleos com produtos 100% naturais, sem nenhuma fragrância artificial, na cozinha de sua casa. A marca ainda é pequena e só vende através do site, mas Sachi pretende faze-la crescer, aumentando a produção e criando novos produtos.

Descobrimos Sachi na internet, em uma pesquisa de produtos naturais, e fomos até sua casa para descobrir como tudo começou.

Os sabonetes feitos artesanalmente, vendidos a R$ 15 cada um ©Juliana Knobel/FFW

Quem era a Sachi antes de começar a fazer produtos naturais?

Eu sou designer e trabalhava como diretora de arte e designer gráfica. Trabalhei com moda muitos anos, fazia catálogos e campanhas publicitárias para confecções. E teve uma hora que eu senti necessidade de fazer algo com as mãos e como já gostava de cozinhar, comecei a estudar gastronomia no Senac. Depois disso, aconteceram várias coisas, mudei de trabalho e fui para o Japão. Nessa última vez, fiquei três meses e comprei dois livros sobre como fazer sabonete artesanal.

Por curiosidade?

Eu sempre gostei de sabonetes e de cosméticos em geral. E também tem outra coisa, nessa época, eu mudei bastante a minha alimentação. Parei de comer carne, comecei a comer comida orgânica e a prestar atenção naquilo que eu estava ingerindo e nas coisas que estava passando na minha pele, que eu achava que tinha muitos elementos químicos. Por isso comecei a me interessar por produtos naturais e quando vi esses livros, resolvi comprar e começar a fazer.

Quanto tempo demorou até começar a fabricar mesmo?

Assim que voltei para o Brasil, já fui procurar ingredientes. E deu certo. O que eu fiz virou sabonete mesmo! (risos) Acho que ajudou o processo de fabricação ser muito parecido com o da culinária. Eu uso muito azeite de oliva e até os utensílios parecem muito com os que se usam para cozinhar. Então eu me identifiquei imediatamente. Comecei fazendo as receitas que vinham nos livros e logo comecei a criar as minhas próprias e a fazer experimentos. Dei para os amigos provarem e foi um sucesso, todo mundo gostou. E eu também gostei muito, tanto de fazer quanto de usar os meus produtos.

Sachi embalando os seus produtos ©Juliana Knobel/FFW

E quando o sabonete virou um negócio?

Quando comecei a estudar aromaterapia e a pesquisar mais sobre os óleos amazônicos. Tem muitos ingredientes brasileiros interessantes para a cosmética. Após seis meses eu resolvi que ia começar a vender e montei o site.  O blog eu já tinha, porque eu montei no dia em que fiz o primeiro sabonete, para contar a história.

Os ingredientes são fáceis de encontrar?

São relativamente fáceis de achar. Estes óleos amazônicos vêm do Pará, e é de um fornecedor local que envia pelo correio. Esse por exemplo (apontando para um dos sabonetes), tem canela em pó, que você compra no supermercado mesmo.

E como os produtos são divididos?

Eu não divido por tipo de pele. Mas todos os meus sabonetes são mais hidratantes do que os sabonetes comuns. Muito mais, porque eles são feitos de uma maneira que mantém a glicerina, um ingrediente que nos sabonetes industrializados é aproveitado para a fabricação de produtos mais caros. É a glicerina que dá essa hidratação. Os óleos essenciais eu também deixo em excesso para ficar realmente um sabonete muito hidratante. Eu, por exemplo, lavo o meu cabelo com o sabonete; este (apontando para um dos sabonetes) tem 72% de óleo de castanha do Pará.

Os óleos corporais e faciais (R$ 31) ©Juliana Knobel/FFW

Mas tem uns melhores para peles secas, outros para peles oleosas…

Sim, para a pele seca tem um com mel, que é super hidratante, e para a pele oleosa tem um que chama Sabonete de Sal Rosa do Himalaia, que é feito com sal mesmo. Esse sal dá uma limpeza e faz uma espécie de desintoxicação. Tem outro também muito bom para a pele oleosa que é todo preto, feito com carvão de bambu. O carvão de bambu é em pó muito fininho e absorve a oleosidade.

Tem alguma dermatologista que trabalha com você?

Não. Eu estudei. Sou autodidata nesse campo, mas estudei muito, comprei muitos livros e aprendi bastante.

Como passou para a fabricação dos óleos?

Comecei estudando aromaterapia e eles falam muito sobre o tratamento da pele, e eu achei fantástico e fui me interessando, porque eu também questionava aqueles produtos que eu comprava, de marca, caríssimos. Tenho óleos corporais e faciais. O óleo facial é de tratamento. Tem óleo para pele oleosa, o que pode parecer estranho. Mas funcionam. Tenho um a base de óleo de jojoba que não é bem um óleo, é uma resina da árvore. E a textura dele é muito parecida com a do sebo que a gente produz, e acaba sendo muito absorvido pela pele.

Pensa em lançar outros produtos?

Eu já fiz várias experiências, mas ainda não coloquei para vender. Já fiz creme labial, perfume sólido. Eu gostaria de me aventurar nos cremes porque nem todo mundo gosta de usar óleo no corpo. Mas os cremes são mais difíceis de fazer artesanalmente, porque precisa de conservantes. Existem conservantes naturais, mas são caríssimos e acho que precisava fazer uma pesquisa maior para começar a produzir.

Manteiga de Murumuru, uma planta amazônica derretida e misturada com óleo de abacate e óleos essenciais. É muito bom para amaciar a pele dos cotovelos, dos pés e dos joelhos ©Juliana Knobel/FFW

Quais tratamentos você indica?

O tratamento para o rosto que eu proponho é a lavagem com um sabonete que não seja muito agressivo, depois tonificação da pele com um produto sem álcool. O que eu uso é água de flor de laranjeira. Água de rosas é boa para pele seca. Tonificar é corrigir a pele. Ao lavar você abre um pouco os poros e a tonificação serve para restaurar o equilíbrio, fechar os poros. Depois eu indico hidratação com um óleo essencial.

O que exatamente são os óleos essenciais?

Óleos essenciais são essências extraídas de plantas aromáticas e há milhares deles. Tem óleo de limão, de alecrim, de cipreste, que eu junto aos meus produtos. Eles têm propriedades benéficas para a sua pele, mas também para a sua saúde e para as emoções. É como se fosse um hidratante, mas que dura muitos meses, porque a quantidade que você vai usar na pele é mínima.

Qual o seu planejamento para o futuro? 

Quero aumentar a produção e contratar mais pessoas. O que eu tenho é muito pouco, mas estamos crescendo muito. Comecei a ter retorno para pagar o investimento que estava fazendo na marca. Hoje eu faço um lote de sabonete e tenho que deixar em maturação por quatro semanas. O que acontece é que, se você entrar agora no site, só vai ver uns quatro tipos e se entrar daqui a um mês talvez tenha mais ou só um. Para os clientes é chato, eu queria ter sempre todos os produtos disponíveis, mas ainda não consigo que seja assim. Quando coloco para venda esgota muito rápido, sendo que cada sabonete leva um mês pra produzir. Com os óleos e os aromatizantes de ambiente, por exemplo, eu já não tenho esse problema porque faço de acordo com as encomendas. Então o próximo passo é aumentar a produção.

Qual é o investimento para começar uma produção artesanal, como a sua?

Investimento inicial eu não sei, sou muito desorganizada com isso. Eu fui comprando e fui fazendo! (risos) Mas precisa de muito tempo. E tem outra coisa. Eu sou designer, então eu mesma criei as etiquetas, faço as embalagens, tiro as fotos, escrevo o blog… Investimento financeiro pode não ser muito, mas em tempo é total, uma dedicação muito grande.

+ Conheça outros casos de sucesso:

Jovens empreendedores: As camisetas rock’n'roll da Simpathy;

Jovens empreendedores: O sucesso por trás do Instamission;

Jovens empreendedores: Os lenços estampados da Scarf Me.

sachi_001
©Juliana Knobel/FFW

Pra pensar

O que é Economia Criativa e como ela pode transformar o mundo?

16/06/2012

por | Verde

 Por Laura Artigas, em colaboração para o FFW

Modelos no camarim de Ronaldo Fraga, que nesta coleção, trabalhou com uma Cooperativa do Pará ©Sergio Caddah/Ag. Fotosite

A temporada Verão 2012/2013 do São Paulo Fashion Week acontece em meio ao Rio + 20. Enquanto líderes políticos e a sociedade civil discutem os rumos do meio ambiente e fazem um balanço do que foi feito em relação à saúde do planeta desde a Eco 92, a semana de moda paulistana propõe a discussão da economia criativa. Afinal, o que é essa tal economia criativa? Qual sua relação com o meio ambiente? Por que ela é tão importante para o desenvolvimento do país?

O estilista Ronaldo Fraga acumula experiência no assunto e alerta enfaticamente: “Não se trata de um trabalho assistencialista. Envolve a transformação do olhar da comunidade, a capacitação profissional, e a apropriação da técnica e da matéria prima”, resume. Em seu desfile para o Verão 2013 ele trouxe o resultado da economia criativa. Os acessórios vistos na passarela foram feitos com sementes de árvores nativas da Amazônia e com restos de madeira de lei, confeccionados por meio da técnica de marchetaria e desenvolvidos em parceria com a Cooperativa de Bijóias de Tucumã no Pará.

Para Ronaldo, Economia Criativa = Cultura (sementes e mão de obra das artesãs do Pará) + Economia (os produtos produzidos pelas mulheres são produtos passíveis de comercialização em lojas) +  tecnologia/inovação (o conhecimento de Ronaldo Fraga resignifica a matéria prima e a técnica e injeta valor agregado) + sustentabilidade (usar a matéria prima da Amazônia de modo consciente, e reciclar material que seria descartado). “É a nossa única saída. A indústria está migrando para a Ásia. É urgente. E a China já está investindo pesado em escolas de design”, adverte.

Voltando um pouco no tempo, o Reino Unido foi um dos primeiros países que entendeu o potencial da economia criativa para o seu desenvolvimento e criou um plano de ação. Em 1997 o então primeiro ministro britânico Tony Blair convocou representantes do governo de diversos setores e, sob o slogan “Creative Britain”, foram adotadas medidas que estimulavam iniciativas criativas e inovadoras capazes de gerar renda, emprego e ramificar para outras atividades como prestação de serviços.

Cestas criadas por artesãos de Várzea Queimada, no Piauí, em parceria com o projeto A Gente Transforma ©Felipe Abe / FFW

Graça Cabral, diretora da Luminosidade, explica por que o São Paulo Fashion Week é considerado um exemplo de economia criativa. “O SPFW transformou a cadeia produtiva da moda e movimenta a economia da cidade, seja por meio de turismo, de eventos, e dos negócios fechados em função de sua existência. A moda é o carro chefe da economia criativa no Brasil”, constata. No caso, trata-se de uma equação mais complexa que envolve vários elementos, e cujos resultados não são tão explícitos quanto uma venda direta ao consumidor. E é aí que mora a dificuldade.

“Ainda há uma lacuna na educação do país. Os criativos acham que não precisam entender de gestão, e os que entendem de negócios costumam não valorizam o trabalho criativo. É preciso uma mudança de comportamento nas duas direções para haver resultados a longo prazo”, explica Graça.

A Economia Criativa já é uma realidade, ainda que os próprios empreendedores não se reconheçam como tal, por puro desconhecimento do conceito. Entre as micro e pequenas empresas auxiliadas pelo SEBRAE, estão incubadoras da economia criativa. Para Juliana Borges, coordenadora da carteira de moda da instituição, o Brasil tem uma vocação natural para a integração do saber popular com a moda, a exemplo da experiência de Ronaldo Fraga. “Tempos que entender as necessidades do consumidor de moda atingido pelo SPFW. E, no caso específico das empresas que envolvem artesanato, tirar o ranço folclórico dos produtos”. Entre as principais dificuldades para o desenvolvimento estão obtenção de crédito, acesso a matéria prima em menor quantidade e questões relativas a marketing, como criação e posicionamento da empresa como marca.

O empresário Nelson Alvarenga, fundador da Ellus, é um dos que apostou na Economia Criativa, sem saber, e teve êxito. Ele conta que o nome da grife deriva da palavra “elo”, da ideia do trabalho em conjunto e da união entre os jovens. “Começamos fazendo camisetas em uma escola abandonada no Rio de Janeiro. Havia um sentimento comum de querer quebrar regras e paradigmas”, relembra.  Já marca de sucesso, a grife criou o projeto Ellus 2nd Floor para abraçar novos estilistas.

Alguns acessórios usados no desfile de Ronaldo Fraga ©Juliana Knobel / FFW

A editora de moda Erika Palomino acredita que há um caminho muito longo para ser percorrido. “Ainda não entendemos o potencial da Economia Criativa. Há muitas possibilidades. Entre tantos esforços, é preciso formação para pequenos empresários”, ensina.

Do outro lado, o do cliente, a história não é diferente. “O consumidor não se dá conta do poder da Economia Criativa, e ainda não tem noção do conceito. Ainda há muita informalidade neste mercado”, explica a editora de moda e apresentadora do GNT Fashion Lilian Pacce.

O São Paulo Fashion Week plantou a semente e quer germinar de forma efetiva a Economia Criativa no imaginário do mundo da moda, e do país. Daqui pra frente, vale queimar uns neurônios pensando em soluções criativas, inovadoras, capazes de gerar renda direta ou indireta, além de experiências de consumo interessantes e sustentáveis. Aí mora o futuro.

+ Marcelo Rosenbaum explica o projeto social “A Gente Transforma”, que inspira esta edição do SPFW

+ “Se o luxo vem da Europa, o novo luxo vem do Brasil”, diz Oskar Metsavaht

+ Conheça o projeto Traces, iniciativa Brasil + Itália que mapeia a cadeia produtiva sustentável da moda

+ “Vão sobreviver as marcas que tiverem alma”, diz Ronaldo Fraga ao FFW

Projeto Traces

Conheça a iniciativa Brasil + Itália que mapeia a cadeia produtiva sustentável da moda

15/06/2012

por | Verde

Por Laura Artigas, em colaboração para o FFW

Oskar Metsavaht durante mesa redonda no SPFW Verão 2012/2013 ©Agência Fotosite

“Comprar muito não é contemporâneo”. “O luxo do Brasil é o novo luxo”. “A maioria das grandes marcas perdeu sua essência e sua história querendo vender muito”. “O governo precisa criar incentivos para iniciativas sustentáveis”. Com estas afirmações enfáticas, Oskar Metsavaht, diretor de criação da Osklen, arrancou aplausos dos jornalistas e dos convidados que compareceram à apresentação do Projeto Traces, na manhã da quinta-feira (14.06), quarto dia de São Paulo Fashion Week Verão 2012/2013.

A iniciativa criativa e sustentável também foi abraçada pelo evento em sua 33ª edição. Além de Oskar (ele também acumula o cargo de presidente do Instituto-e), compunham a mesa de debates Conrado Clini, ministro do Meio Ambiente da Itália; Rafael Cervone, diretor do Programa TexBrasil, da ABIT; e Martina Hauser, coordenadora do projeto Traces no Ministério do Meio Ambiente da Itália. Paulo Borges, diretor criativo do SPFW, mediou a conversa. Imagens do projeto recebem os visitantes que entram no prédio da Bienal.

A cooperação entre o Instituto-e, dirigido por Metsavaht, e o Ministério do Meio Ambiente da Itália surgiu de uma camiseta. Martina veio passar o ano novo no Brasil e se deparou com um modelo de algodão orgânico da Osklen no hotel Fasano, onde estava hospedada. “Perguntei ao atendente do lugar onde poderia encontrar aquela marca. E fui ao shopping visitar a loja”, relembra. De volta à Itália, contatou o Consulado Brasileiro. E começaram as conversas.

Os italianos elegeram seis peças produzidas pela Osklen para rastrear a cadeia produtiva, medir a emissão de carbono e o impacto social. Os resultados estarão descritos em uma etiqueta anexada às peças. “O objetivo principal do projeto Traces não é proteger o meio ambiente. Trata-se de uma metodologia para mapear e garantir a qualidade da cadeia produtiva e um alerta para o consumidor”, explica o ministro do Meio Ambiente da Itália, Conrado Clini.

Veja o exemplo:

Mochila da Osklen exposta na entrada da Bienal ©Felipe Abe/FFW

Detalhe da etiqueta com mapeamento da emissão de carbono e impacto social (clique para ampliar a imagem) ©Felipe Abe/FFW

O investimento no Brasil não é aleatório. “Os BRICs representam a diversidade. E o Brasil é fundamental pelas riquezas ambientais”, constata Clini. “Hoje em dia estamos acostumados a produtos de baixa qualidade, cujo processo produtivo não é garantido no âmbito social”, continua. “Os produtos mapeados pelo Traces não podem ser produzidos em larga escala porque não têm demanda”, completa Metsavaht. Rafael Cervone, da ABIT, revelou que apesar das adversidades, os números comprovam que a indústria têxtil brasileira anda se preocupando com o meio ambiente. “Há um interesse da indústria em tecidos sustentáveis. Já há estudos da USP e da UNICAMP para desenvolver fibras a partir do bagaço da cana”, avisa o executivo. “Hoje o país está voltado para o consumo porque houve uma diminuição da pobreza. Precisamos correr atrás de preços mais baixos para tornar a sustentabilidade acessível”, observa.

“Nós estamos em um momento de transição, temos que mudar o jogo do nosso lado, sem virar ‘eco chato’. É um trabalho muito árduo”, desabafa o diretor da Osklen, declarando que seu objetivo como designer é mudar o conceito do luxo, e torna-lo algo mais simples e antenado com as mudanças do planeta. “Estamos vivendo na era industrial há duzentos anos. O Brasil tem a chance de já começar sustentável”, comenta o designer. “Temos que dar o exemplo. O mundo está esperando o Brasil”, finalizou Paulo Borges.

***

Em tempo: No próximo sábado, durante a Rio+20, acontece a entrega do primeiro Prêmio-e, parceria do Instituto-e e da UNESCO. O evento visa celebrar pessoas e projetos que fizeram a diferença para o planeta nos últimos 20 anos (desde a ECO 92).

“Se o luxo vem da Europa, o novo luxo vem do Brasil”, diz Oskar Metsavaht

15/06/2012

por | Verde

Por Flavia Brunetti, em colaboração para o FFW

Oskar ao final do desfile da Osklen ©Marcelo Garnesh / Fotosite

Hoje em dia falar sobre sustentabilidade virou moda. Mas, na moda, o que significa uma marca ser realmente sustentável? Ao comprarmos produtos que levantam essa bandeira, como saber se realmente os impactos causados ao meio ambiente estão sendo neutralizados? Para essas e outras respostas, o FFW conversou com um dos percursores desse movimento na moda no Brasil: Oskar Metsavaht, dono da Osklen, fundador/presidente do Instituto-e – organização não-governamental focada em promover os princípios do desenvolvimento humano sustentável –, voz ativa na UNESCO, cônsul honorário da República da Estônia (de onde vem sua família) no Rio de Janeiro e, também, maior garoto propaganda do Brazilian lifestyle.

Com espírito empreendedor, ele mandou camisetas para serem dadas aos hóspedes do Hotel Fasano, no Rio de Janeiro, para divulgar ainda mais seu trabalho. Teve a sorte do brinde ir para nas mãos de Martina Hauser, especialista em análise de pegada de carbono do Ministério do Meio Ambiente, Terra e Mar (IMELS) da Itália, que moveu mundos até chegar ao estilista e apoiar suas ideias, criando uma parceria entre os dois países. Assim foi criado o projeto “Traces”, uma forma inovadora de cálculo da pegada de carbono e seus impactos socioambientais na indústria da moda.

Após o desfile da Osklen, Oskar falou ao FFW sobre seus projetos sustentáveis, sua visão da moda global e a posição privilegiada do Brasil no mundo.

Como nasceu o seu interesse por moda sustentável e como você desenvolve isso na prática?

Na verdade eu percebi que havia um “gap”. Sustentabilidade antigamente era o que era feito por comunidades carentes e se comprava para ajudar, por caridade. Esqueceram de qualificar o design. Faltava uma gestão desse processo. E é isso que eu tento fazer: qualificar a mão de obra, promover o Brasil como uma referência em desenvolvimento sustentável. Compramos o trabalho dessas comunidades, damos condições para que esse trabalho tenha continuidade, para que não cause impactos ao meio ambiente e elevamos a capacidade de percepção do consumidor para o que realmente é luxo, o “novo luxo”. Chique mesmo é usar produtos sustentáveis.

Por que tão poucos estilistas usam materiais sustentáveis?

Acho que porque não é fácil A produção é muito limitada, não é uma coisa em larga escala e que atende a pedidos de pronta entrega. Por exemplo, a pele de um peixe de pirarucu às vezes não dá nem pra fazer uma bolsa. Há muito desperdício ainda. É um processo que dá trabalho, pois tem que se qualificar a mão de obra. E é caro.

Mas o Instituto-e poderia assessorar essas marcas, não?

Claro! O Instituto-e está lá para todos! Não é só para a Osklen. A Vicunha está lá agora desenvolvendo um jeans sustentável. Se uma marca investisse 1% em um viés sustentável, ela poderia estar ajudando 100% de uma ONG. No ano seguinte, poderia ser 2%, que representaria 200% para alguém. Nem que demorasse 100 anos para ela ser totalmente sustentável. Não é ser eco-chato. É planejamento, iniciar pequenos projetos, mudar aos poucos, mas mudar. Não entendo por que não há maior adesão.

Você disse que a moda na Europa passou de “Nob” para “Snob”. O que significa isso?

Analise comigo: por que a Louis Vuitton tem sucesso há anos? Porque ela sempre fez tudo à mão, preocupada com os detalhes, em entregar algo bem feito ao seu cliente, com qualidade. Isso é um ato nobre. Certas marcas de luxo na Europa se perderam nesse processo. Elas deixaram de ser elegantes para fazer branding. Hoje em dia as empresas instigam o consumo “por ter a marca”, porque é bacana ter aquilo, não pelo que aquilo significaria para o cliente. Por isso eu digo: se o luxo vem da Europa, o novo luxo vem do Brasil.

Então isso é uma mudança de comportamento, certo? Hoje em dia vivemos no mundo das “it-girls”, “it-bags”…

Mais ou menos. Se acharmos que o luxo e o cool é toda estação ter a “it bag”… O que eu estou falando aqui é uma linha de raciocínio, claro que há exceções nas marcas europeias de luxo. E não há nada de mal comprar essas bolsas caríssimas, se aquilo significar algo para você e se a marca for preocupada em entregar qualidade. Mas, acredite, não há nada mais contemporâneo do que você ver uma mulher com um produto em que o design é respeitado, a qualidade impecável, a estética universal e ainda o produto ser sustentável.

Por isso que você disse que “comprar mais por menos” na China é algo datado e que a onda agora é o “Brazilian Soul”?

Produzir na China, em enormes quantidades, é pra fast fashion. É para as marcas que não têm o cuidado com a produção de algo sustentável. Se o foco é sustentabilidade, esquece a China! American Dream? Quem hoje em dia quer aquela coisa do “I’m the Champion?”, “Eu sou o gostosão do mundo”, aquele stress e obsessão por vencer a todo custo. Hoje em dia está muito mais “in” ser cool, relax, na sua, feliz, saudável. Por isso o Brasil é sedutor. Nós somos assim. O gringo não vem aqui pra visitar galerias, como nós fazemos lá fora. Eles vêm pra andar de chinelo, usar a fitinha do Senhor do Bonfim, tomar água de coco na orla.

E já que estamos falando de Brasil e nosso momento privilegiado no mercado, como será a sua participação no Rio +20?

Na verdade, minha participação já começou essa semana. Foi uma reunião técnica junto à ONU, no Rio de Janeiro, com representantes de algumas cidades do mundo para o projeto “Oceans”, sobre a poluição dos oceanos e praias. E sábado, dia 16/06, entregaremos o “Prêmio-e”, quando reconheceremos iniciativas para o desenvolvimento socioambiental nos últimos 20 anos, em seis categorias, que nós chamamos os 6 “Es”: Earth, Energy, Economy, Education, Environment e Empowerment.

O que é Economia Criativa e como ela pode transformar o mundo?

Design de raiz

Marcelo Rosenbaum fala de projeto social linkado a esta edição do SPFW

09/06/2012

por | Verde

Os designers Pedro Ferreira, Marcelo Rosenbaum e Rita João coordenam a equipe de artesãs que trabalham com a palha. Na foto, imagem do produto “Bogoió de Argolas”. Pedro Ferreira e Rita João são portugueses, do escritório Pedrita, e vieram a convite de Rosenbaum participar do projeto “A Gente Transforma” ©Tatiana Cardeal

Marcelo Rosenbaum terá participação mais que especial na edição Verão 2012/2013 do SPFW, trazendo, a convite de Paulo Borges, o conceito de seu projeto “A Gente Transforma” para o Pavilhão da Bienal. O AGT, que trabalha para promover o desenvolvimento local de comunidades tradicionais do interior do Brasil por meio do design, terá sua história contada em palestra no dia 13 de junho e na exposição idealizada pelo designer para a semana de moda.

Abaixo, Rosenbaum fala ao FFW sobre o projeto e seu envolvimento com o SPFW Verão 21012/2013:

O ponto de partida para a parceria com o SPFW: “A ideia central é expor o conteúdo do projeto “A Gente Transforma” pelo evento. Fiquei muito surpreso e muito feliz quando o Paulo Borges me disse que não esperava de mim que eu fizesse cenografia, e sim, que eu pudesse contar o projeto e expor o seu conteúdo dentro do espaço do evento. Com esse briefing iniciamos o projeto, pensando em contar uma história, o que deve resultar em uma exposição que não tem a pretensão de decorar o prédio da Bienal, mas de trazer para o público um pouco dessa experiência tão rica que o “A Gente Transforma” tem proporcionado, um olhar inclusivo e contemporâneo para o Brasil”.

Aneis da coleção "Toca da Borracha" em imagem do projeto que será exibida no SPFW ©Tatiana Cardeal

Temas e inspirações: “O “A Gente Transforma” é um projeto que usa o design para expor a alma brasileira. Tem como principal objetivo inserir o artesanato no mercado brasileiro e internacional de decoração e envolve diretamente comunidades tradicionais do interior do Brasil. O resultado é a criação de coleções exclusivas, esteticamente avançadas e que valorizam o design de raiz. É empreendedor e ao mesmo tempo gera impacto social, econômico e ambiental em suas áreas de atuação, tendo como plataforma principal o design sustentável. Em 2012, o AGT aconteceu no povoado de Várzea Queimada, no município de Jaicós (PI). É uma das regiões com menor IDH do Brasil. O AGT uniu antigos conhecimentos a modernas técnicas de design”.

Números: “Para criar o projeto “A Gente Transforma”, estamos trabalhando desde 2009. No projeto dessa edição do SPFW estamos trabalhando há mais ou menos um mês. O “AGT” tem uma equipe de 47 pessoas e impacta diretamente uma comunidade de mais ou menos 900 pessoas em Várzea Queimada, no Piauí”.

Os maiores desafios: “O grande desafio é otimizar a oportunidade que o SPFW nos dá para mostrar o projeto em sua totalidade e importância. Acredito em novos modelos para o desenvolvimento do país, de uma forma leve e consistente. O “A Gente Transforma” traz um olhar novo para o design, porque tem como objetivo o desenvolvimento local, a partir da forma como se relaciona com a comunidade e com o mundo, conectando o local com o global. Traz Várzea Queimada para o SPFW, com sua história impressa em produtos de design de raiz feitos pela comunidade e para a comunidade, levando geração de renda e empoderamento a partir da vocação genuína dessa comunidade que é o artesanato. Até aqui, a grande dificuldade foi conseguir realizar o “A Gente Transforma” sem patrocinador, contando somente com os apoios locais. Foram as parcerias estratégicas com o Sebrae local, Governo do Piauí e Prefeitura de Jaicós que nos ajudaram a viabilizar a logística da primeira etapa do projeto. A nossa grande missão agora é atrair parceiros da iniciativa privada para a continuidade do projeto, que prevê a expansão para outras áreas geográficas do Brasil, sempre com foco no desenvolvimento local a partir do design sustentável. O SPFW tem um papel muito importante no futuro deste projeto”.

O destino do material após o término do evento: “A exposição do projeto será itinerante, pretendemos expor em um museu em São Paulo e em outros lugares do Brasil e do mundo”.

Imagem do projeto que será exposta no SPFW Verão 2012/2013 ©Tatiana Cardeal

+ Tudo sobre o SPFW Verão 2012/2013

Oliver Stone + PETA

Diretor se une à organização contra uso cruel de animais em treinamentos do exército

04/06/2012

por | Verde

Oliver Stone em vídeo para a PETA ©Reprodução

“Salvador – O Martírio de um Povo”, “Platoon”, “Nascido em 4 de Julho”, “Heaven & Earth” e “Assassinos por Natureza” têm mais em comum do que apenas a direção de Oliver Stone. Ao longo destes mais de 40 anos de carreira, a violência e a abundância de sangue tornaram-se elementos indispensáveis à obra do americano, reflexo da experiência como soldado na Guerra do Vietnã (1955-1975). A brutalidade explícita presente nos filmes de Stone, no entanto, é utilizada com o propósito de expor à sociedade sua natureza mais hedionda, finalidade que em inúmeros momentos transpõe às telas, convertendo-se em ações reais na vida do diretor. No dia 31 de maio, a PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) divulgou um vídeo, narrado por Stone, em que uma espécie de treinamento de trauma, em que cabras são mutiladas e ridicularizadas, sem anestesia ou compaixão, é executado por membros da Guarda Costeira do exército dos Estados Unidos.

- Assista abaixo ao vídeo de Oliver Stone para a PETA (ATENÇÃO: imagens fortes!):

A organização é conhecida por suas impactantes iniciativas, bem como pela colaboração frequente de nomes respeitados da indústria do entretenimento e da moda. Em fevereiro deste ano, a estilista Stella McCartney foi responsável pela narração de um vídeo que expunha a crueldade contra animais e o malefício que o mercado do couro causa ao meio ambiente. Já no caso da gravação atual, Stone relata, com base em sua experiência militar – e humana –, como a crueldade adotada pelo exército americano é desnecessária. De acordo com o diretor, a cada ano são mortos cruelmente cerca de 10 mil animais em treinamentos de trauma que não se assemelham em nada às condições reais de um campo de batalha e, desse modo, não ajudam no crescimento técnico dos soldados.

No vídeo narrado por Stone, aparentemente gravado sem o conhecimento dos integrantes da Guarda Costeira, os soldados e seus instrutores são mostrados arrancando membros e órgãos de cabras vivas e, enquanto os animais chutam e gemem (sinal da falta de anestesia), tais membros proferem comentários jocosos sobre a mutilação. Segundo regulamentações militares dos Estados Unidos, quando houver outros métodos que não sejam a utilização arcaica dos animais, aqueles devem ser usados – e já o são em diversos centros de treinamento. Uma medida simples, assumida por 22 dos 28 países da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), mas que pode poupar milhares de vidas.

Por meio do choque das imagens e da percepção da inutilidade de treinamentos em que a crueldade supera a eficácia prática, Oliver Stone e a PETA propõem que os americanos ajam frente ao Departamento de Defesa e da Segurança Nacional para requerer a substituição dos animais por métodos que se adequem à dita evolução do século 21. No Brasil, a legislação que diz respeito à proteção aos animais e à punição a quem os maltrata é considerada branda. No entanto, independentemente da rigidez da regulação pátria, o principal problema é a sua aplicação e fiscalização. É indispensável, além de vontade política, a atenção severa da população.

+ Saiba mais no site da PETA