Ziggy Stardust faz 40 anos hoje: como David Bowie mudou o mundo

06/06/2012

por | Cultura Pop

©Romeu Silveira

Em 6 de junho de 1972, com o lançamento do álbum conceitual “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”, David Bowie conquistou o que poucos artistas conseguiram ao longo da história: criar canções e uma estética que revolucionaram o mundo e, 40 anos depois, continuam influenciando universos culturais tão abrangentes quanto a música e a moda.

Apesar de que até 1971 já tivesse lançado quatro discos bem-sucedidos, foi com o personagem “Ziggy Stardust” que David Bowie, nome artístico de David Robert Jones, atingiu o cerne da cultura jovem e desafiou as barreiras da sexualidade ao fabricar para si uma imagem cheia de androginia, que veio a se tornar símbolo da geração glam rock. “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” traz a história de um alienígena, encarnado pelo cantor inglês, que vem à Terra com o intuito de passar uma mensagem de esperança nos últimos cinco anos de existência do planeta, que iria acabar devido à falta de recursos naturais.

Ziggy Stardust ©Reprodução

Ziggy Stardust é a epítome da caricatura do rock star: promíscuo, egocêntrico, usuário de drogas e portador da paz. Acompanhado de Mick Ronson, Trevor Bolder e Mick Woodmansey, que constituíam as “Spiders from Mars”, David Bowie deu vida a verdadeiros espetáculos teatrais em seus concertos, tão impactantes e exaustivos que segundo o cantor converteu-se em uma necessidade íntima dissociar a persona de Ziggy de sua própria: em um curtíssimo período de tempo, o alter ego alcançou uma fama tão gigantesca que levou David Bowie a um vicioso ciclo de questionamentos.

A última performance de David Bowie como Ziggy Stardust aconteceu em três de julho de 1973 em Londres (e foi documentada em um filme de D.A. Pennebaker), no entanto, a figura do extraterrestre messiânico é até hoje referência: só nos últimos meses, as edições francesa e alemã da “Vogue” trouxeram em suas páginas (e, no caso da primeira, também na capa) Kate Moss e Daphne Guinness com perucas vermelhas e maquiagens poderosas em clara homenagem à personagem, isto sem contar as matérias em revistas especializadas em música, como a “Rolling Stone”, que estampou Bowie, ou melhor, Ziggy, em sua capa de fevereiro.

As onze canções presentes em “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” também se propagaram no tempo: a quantidade de covers de músicas como “Suffragette City”, “Starman” e “Moonage Daydream” é incontável. Nomes como Mr. Big, Alice In Chains, Boy George, Duran Duran, Red Hot Chilli Peppers e Guns n’ Roses já regravaram temas do álbum, além das versões nacionais na voz de Seu Jorge. No cinema, a herança do glam rock de David Bowie inspirou o filme britânico “Velvet Goldmine” (que, aliás, é o nome de uma música do cantor escrita na “era Ziggy Stardust”, mas só lançada em 1975).

Ziggy Stardust revisitado: Kate Moss e Daphne Guinness na pele do extraterrestre ©Reprodução

Capa da “Rolling Stone” de fevereiro de 2012 e Karolina Kurkova como Ziggy Stardust em editorial da “Viva! Moda” ©Reprodução

O “fim” de Ziggy Stardust em 1973 não é, porém, sinônimo do término de sua “carreira” como trendsetter: no mesmo ano, David Bowie lançou “Aladdin Sane” – o raio no rosto do cantor virou outro ícone da cultura ocidental, copiado por músicos e editores de moda – e, em 1976, “Station to Station”, onde Bowie deu vida ao Thin White Duke, nova persona inspirada no papel protagonizado pelo inglês no filme “The Man Who Fell to Earth”. Entre alter egos esquizofrênicos e 23 discos geniais, 40 anos são pouco para definir a extensão dessa obra e de como David Bowie mudou o mundo com glitter, e muita poesia.

Capa do álbum “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” ©Reprodução

Como parte das comemorações de 40 anos do álbum “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”, David Bowie foi homenageado com uma placa na Heddon Street, em Londres, local onde o músico posou para a foto da capa do referido disco. A rua, que hoje faz parte de uma zona livre de automóveis, é ocupada por bares e restaurantes. A placa foi instalada no final do mês de março pelo órgão que administra os bens da Coroa Britânica (“The Crown Estate”) e é parte de uma série de homenagens prestadas a personagens ficcionais de relevância na cultura contemporânea do Reino Unido, como o detetive Sherlock Holmes, a arqueóloga Lara Croft e o próprio Ziggy Stardust.