Yves Saint Laurent confirma Hedi Slimane como seu novo diretor criativo

07/03/2012

por | Moda

Hedi Slimane ©Daniel Desure/Reprodução

A Yves Saint Laurent e a PPR, grupo que detém a maison francesa, confirmaram na quarta-feira  (07.03) que Hedi Slimane vai assumir a direção criativa deixada por Stefano Pilati.

Slimane foi diretor da linha masculina da YSL de 1996 a 2000, e traçava uma aclamada trajetória à frente da Dior Homme quando, em 2007, decidiu deixar a grife – e mundo da moda — e se dedicar à fotografia. O francês se consagrou também na nova profissão, e desenvolveu um belíssimo portfolio, especialmente de retratos em preto e branco que já viraram até exposição (e recentemente, suas fotos de Frances Bean Cobain, filha de Kurt Cobain e Courtney Love, rodaram a internet). Quem não conhece o trabalho fotográfico de Slimane pode visitar seu site oficial.

O nome de Hedi Slimane foi o mais citado como provável substituição a Stefano Pilati desde a semana passada, quando foi anunciado que o italiano estaria saindo da YSL depois de quase oito anos como diretor criativo da marca. Seu último desfile à frente da grife aconteceu na terça-feira (06.03), e foi ovacionado ao final da apresentação; reveja as fotos aqui.

+ Raf Simons sai e estilista Jil Sander retorna ao comando de sua marca homônima

Pierre Bergé: “Yves Saint Laurent se aposentou e morreu na hora certa”

29/02/2012

por | Gente, Moda

Pierre Bergé fotografado pelo TheTalks.com ©Reprodução

A revista online The Talks publicou uma ótima entrevista com Pierre Bergé, em que o sócio e companheiro de longa data de Yves Saint Laurent (1936 – 2008) fala sobre a vida e o trabalho do estilista, que ele define como “artista” e como um dos designers de moda mais importantes do século 20 — “Chanel deu liberdade às mulheres; eu acho que Saint Laurent lhes deu poder”, ele afirma. A entrevista é extensa, mas vale a pena ler para ter um acesso muito particular a temas como a bem-sucedida dinâmica de trabalho Bergé-Laurent, a evolução da moda, e a genialidade e inquietude de Saint Laurent. Confira o texto traduzido na íntegra:

Sr. Bergé, é verdade que o senhor conheceu Yves Saint Laurent pela primeira vez no funeral de Christian Dior, em 1957?

Bem, você pode nos ver em uma foto que mostra os convidados de luto, mas na verdade eu o conheci no dia 3 de fevereiro de 1958, durante um jantar organizado por Marie-Louise Bousquet. Eu fui parabeniza-lo alguns dias depois que sua primeira coleção na Dior foi apresentada. Seis meses depois estávamos morando juntos.

E o que foi marcante para o senhor a respeito desse encontro?

Eu não sabia muito sobre moda na época. Eu era um amigo muito próximo de Christian e de alguns outros mestres da alta-costura como Balenciaga, mas para mim, moda não era arte. Aos meus olhos, era só algo para ganhar dinheiro. Mas na manhã desse primeiro desfile dele na Dior, entendi que uma coisa havia acontecido comigo. Percebi que eu era estúpido. Eu amei o que vi e simplesmente soube que Yves Saint Laurent seria um grande designer de moda.

Depois que Yves Saint Laurent foi demitido da Dior por causa do serviço militar na Argélia, o senhor fundou a grife homônima com ele e atuou como o CEO por mais de 40 anos, uma parceria muito longa e bem-sucedida.

Tínhamos um Muro de Berlim entre nós. Eu nunca interferi em seu design criativo por motivos comerciais, e ele nunca veio falar comigo sobre dinheiro. Nenhuma vez.

O dinheiro não era importante para Yves Saint Laurent?

Não. Porque ele confiava em mim e também, claro, porque ele sabia que tinha dinheiro. Mas ele nunca sabia quanto ele tinha. Nunca. Dinheiro para ele era uma coisa estranha.

Talvez esse tenha sido o motivo pelo qual vocês acabaram tendo uma incrível coleção de arte. Vocês podiam simplesmente comprar qualquer coisa que gostavam sem pensar duas vezes?

Bem, não era tão fácil, não no comecinho. Quando começamos nosso negócio, não tínhamos dinheiro, mas mais tarde o dinheiro não era tão valioso a ponto de não o gastarmos em arte. Tínhamos muito orgulho da coleção que criamos.

O senhor a vendeu no maior leilão privado da história por € 373.500.000 (pouco mais de 853 milhões de reais). Por que o senhor a vendeu se ela era tão importante para vocês dois?

Quando decidi vender a coleção depois que Yves morreu, não foi só uma decisão nostálgica, mas também uma decisão monetária. Mas o dinheiro não era para mim. Como você deve saber, nós temos uma fundação [a Fondation Pierre Bergé - Yves Saint Laurent] que precisa de dinheiro e uma grande parte dessa venda foi para a fundação. Eu sou envolvido com muitas, muitas empreitadas, como a luta contra a AIDS, o apoio a teatros, e muitas outras coisas. Decidi vender a coleção principalmente por essa razão – para ter dinheiro para esses fins.

[O "leilão do século", como o evento ficou conhecido, foi o ponto de partida para o documentário "L'Amour Fou" (2011), que durante o processo de produção acabou mudando o seu foco para um retrato intimista da relação entre Yves Saint Laurent e Pierre Bergé. Assista ao trailer]:

O senhor estava com ele no momento em que ele morreu?

Claro. Eu tinha decidido ir a Montreal por um fim de semana para visitar uma exibição quando recebi uma ligação do médico. Ele disse que era uma questão de talvez uma ou duas semanas. Antes e depois isso, fiquei sentado ao lado dele.

Ele tinha câncer no cérebro. Yves Saint Laurent sabia que a morte dele estava se aproximando?

De maneira alguma. Ele nunca soube. O médico me disse que não havia mais nada a ser feito e nós mutuamente decidimos que seria melhor para ele que ele não soubesse. Sabe, eu tenho a crença de que Yves não teria sido forte o suficiente para aceitar isso.

Como o senhor se sentiu quando ele não estava mais lá?

É tão difícil e quase impossível de descrever. Mas você também pode ter sentido isso em sua vida: é muito diferente se uma pessoa falece de repente, em um acidente ou AVC, ou após uma longa doença. Eu estava meio que esperando e isso me ajudou a estar preparado para essa grande perda.

O senhor se sente triste por não trabalhar mais com moda? Sente falta do aspecto do negócio desde que se aposentou com Yves Saint Laurent?

Não. Provavelmente porque a indústria da moda não é exatamente a mesma do passado. Eu não sou nostálgico – eu odeio nostalgia – mas estou feliz por não trabalhar nos negócios da moda hoje. Sinto muito te dizer isso, mas não é muito fácil trabalhar com revistas de moda agora.

Por quê?

Com Yves Saint Laurent, nós nunca falávamos de dinheiro, nunca relacionamos capas com publicidade, nunca conversávamos sobre isso. Nunca. Deixe-me dizer uma coisa: nós abrimos a Couture House em 1962, e em 1963 já estávamos em capas, com páginas internas inteiras. Você acha que isso é possível hoje? Mesmo com um novo Saint Laurent?

Será que Yves Saint Laurent odiaria a indústria da moda de hoje?

Claro! Yves se aposentou na hora certa e ele morreu na hora certa. Sinto muito te dizer isso, mas para mim é muito difícil entender o que aconteceu com os negócios da moda. É tudo uma questão de dinheiro e marketing. Nós nunca conversamos sobre talento – não é esse o ponto. Só falamos de vendas. Yves Saint Laurent teria odiado isso.

Qual o senhor diria que foi a maior conquista dele na moda? Especialmente nos anos 1960, Yves Saint Laurent e toda a empresa em torno dele realmente apontaram para uma nova direção.

Saint Laurent é, juntamente com Chanel, o designer de moda mais importante do século 20. Era uma época diferente de designers, uma época de grandes intelectuais. Eu já vi vestidos maravilhosos do Balenciaga e Christian Dior – mas a diferença entre aqueles designers de moda e Chanel e Saint Laurent é que eles permaneceram no campo estético. Saint Laurent e Chanel foram para o campo social – eles mudaram a vida de mulheres ao redor do mundo.

Por causa do que exatamente?

Chanel deu liberdade às mulheres; eu acho que Saint Laurent lhes deu poder. Podemos ver isso hoje, todos os dias.

Yves Saint Laurent e Pierre Bergé em dois momentos de sua longa parceria ©Reprodução

Todos o consideravam um gênio e ele se tornou cada vez mais intenso em sua maneira de trabalhar e viver. Por que o senhor acha que ele se viciou em drogas e álcool em meados dos anos 1970?

É muito difícil responder o que levou a esse vício. Mas tenho que admitir que Yves criou coleções maravilhosas usando drogas e álcool. Isso dificultou muito que ele parasse.

Ele estava sempre criando?

Sempre. Ele não prestava muita atenção em nada mais – ou ninguém mais. Marcel Proust explicou isso muito bem: ele disse que se você é um gênio, você está ocupado consigo mesmo – e é verdade. Voilà.

Yves Saint Laurent era frequentemente descrito como uma pessoa deprimida, e até em seu discurso de aposentadoria ele disse: “Eu passei por muitas angústias, muitos infernos; conheci o medo e uma solidão tremenda; os amigos enganadores que são os tranquilizantes e narcóticos; a prisão que pode ser a depressão e as clínicas de saúde mental”. Mas Yves Saint Laurent não foi uma pessoa que conquistou tudo? O que poderia faze-lo tão triste?

Acho que ele nasceu com depressão. E mais tarde ele sofreu com a fama porque percebeu que ela não lhe trouxe nada.

O senhor chamaria Yves Saint Laurent — aquele gênio admirado por tantos milhões — de uma pessoa trágica, no fim das contas?

Saint Laurent era um artista. E um artista sempre joga com sua realidade interna. Você tem que conhecer as regras do jogo — e eu conseguia lidar com isso muito bem. Tivemos muitos momentos felizes.

Quando ele era mais feliz?

Ele podia ser hilário entre amigos. Mas acho que ele ficava em seu estado mais feliz quando terminava uma coleção e recebia os aplausos e as ovações em pé. Depois disso a missão dele estava terminada. Era como um fogo de artifício — e então começava tudo de novo.

Para se inspirar: as cinco melhores belezas da Paris Fashion Week

06/10/2011

por | Beleza

ABRE©Reprodução

E a temporada de moda internacional acabou! Ufa, exclamam aqueles que trabalharam em ritmo alucinante durante tantos dias – e até noites. Mas antes mesmo de dar tchau de vez, selecionamos algumas das belezas mais belas, com o perdão do trocadilho, que desfilaram em Paris.

Inspire-se!

CHRISTIAN DIOR

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A maquiagem foi assinada por Pat McGrath, e o foco eram os lábios. “O look é sobre uma clássica, linda boca vermelha feita de um jeito moderno”, explicou a maquiadora, que usou três tons diferentes, que variava de modelo para modelo, e aplicava com os dedos. Os cabelos eram de Orlando Pita, que quis fazer algo simples, mas com uma ‘silhueta’ interessante. Para o efeito da franja, ele puxou para trás até fazer o efeito viradinho, colocou um grampo bem na curva, e encheu de spray.

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CHANEL

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Peter Philips, maquiador da Chanel, se inspirou no tema da coleção, que foi “fundo do mar”, para fazer algo que ele definiu como “muito limpo, puro, e fresco”. O principal da maquiagem são os olhos brilhantes, feitos com um mistura de duas sombras “Illusion D’Ombre”, Fantasme e Emerveille, e os “piercings” de pérola, que ora apareciam no rosto, ora nos cabelos.

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YVES SAINT-LAURENT

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O make-up de Saint-Laurent, assinado por Pat McGrath, era bem dramático, com lábios vermelhos cintilantes, sobrancelhas descoloridas e olhos gráficos escuros, que foram feitos, inclusive, apenas com lápis de olho, nada de sombra. Sobre os lábios, Pat disse: “É uma boca de couture – jovem, mas ao mesmo tempo, rica e excêntrica”.

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VALENTINO

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“É um make-up muito romântico, bonito – realmente poético”, explicou Pat McGrath sobre a beleza do desfile de Valentino. Há iluminador no topo das bochechas, ossinho do nariz e no arco do cupido da boca. Nos olhos, Pat colocou sombra em pó rosa pálida e iluminador nude, com um pouco de cinza brilhante nos cantos. A menina dos olhos dessa beleza, no entanto, eram os cabelos, arrumados em um conjunto de três tranças folgadinhas feitas em torno da cabeça. Guido Palau, que fez o cabelo, comentou, “É muito leve e feminino”.

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LOUIS VUITTON

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Na Louis Vuitton o make-up era de “bonita”, com cílios postiços imensos e cara saudável. O cabelo, feito por Guido, consultor criativo da Redken, era um coque banana com um ‘twist’, que deixava alguns fios para fora. “Hoje é o ultimo dia de Fashion Week, e na Louis Vuitton estamos criando um coque fácil, com um toque meio punkizinho”, explicou o cabeleireiro. Algumas modelos usaram tiaras, deixando o look ainda mais fofo.

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Estilista da Lanvin, Alber Elbaz fala sobre pressão da indústria da moda

05/09/2011

por | Moda

alber_abreAlber Elbaz ©Reprodução

Um dos atuais criadores da moda mais interessantes de se ouvir as opiniões, e que ainda conserva um humor dos bons, é Alber Elbaz, diretor criativo da Lanvin, que recentemente deu uma entrevista ao site da revista “Vogue” UK, falando principalmente da pressão sobre os estilistas nos dias de hoje. O bom humor fica por conta da participação de Elbaz no vídeo-campanha da Lanvin, ao lado de Karen Elson e Raquel Zimmermann, que tem que ver até o final! Confira abaixo os melhores pontos da entrevista.

“Eu não entendo essa maratona da moda”, disse o designer à “Vogue” UK. “Hoje, espera-se que os estilistas produzam trabalhos maiores, melhores, mais rápidos e – nos dias de hoje – mais baratos. Um cantor pode sair depois que ele ou ela tenha feito dez grandes canções, um diretor pode terminar sua carreira uma vez que tenha feito cinco filmes incríveis, um escritor só precisa escrever três ótimos livros. Agora vamos dar uma olhada nos estilistas – eles produzem de seis a oito desfiles por ano, a maioria dos designers têm uma carreira de 20 anos, portanto, é preciso criar cerca de 250 coleções nesse tempo. Nem mesmo Danielle Steel poderia escrever 250 livros”, falou Elbaz.

O designer acrescentou: “Você começa a entender por que alguns estilistas fazem coisas estranhas, por que alguns estilistas falam com si mesmos, você tem que encontrar uma maneira de lidar com tudo isso”. Sobre as ferramentas que ele utiliza – ou utilizaria, faz graça: “Eu não uso drogas porque se eu fizesse, eu amaria isso – eu seria um drogado. E como eu sou judeu, provavelmente seria traficante também”.

alber_yslTrabalho de Elbaz na YSL na temporada de Inverno 2000 e Verão 2000 ©Reprodução

Alber Elbaz também falou sobre um período ruim em sua carreira, quando trabalhou como diretor criativa da Yves Saint Laurent, e foi demitido, em 2001, por Tom Ford, e quase deixou de vez o mundo da moda. “Na YSL eu me sentia como o genro, como se eu fosse parte da família, mas nem tanto. Quando fui demitido, me senti como a viúva. Foi doloroso e destruidor, mas não acabou comigo. Eu nunca fui Alber da Saint Laurent, assim como eu não sou Alber da Lanvin. Eu sou apenas o pequeno Alber. E eu sou bem pequeno”. O mundo tem muito a agradecer que ele não tenha desistido da moda, já que foi ele quem revitalizou a maison Lanvin, que estava praticamente entregue às traças.

Antes disso, no entanto, o estilista pensou em entrar na medicina: “Eu pensei em me tornar um médico. Eu sou hipocondríaco, por isso fazia sentido ir para a medicina – eu gosto de enfermeiras, gosto de comida de hospital, mas eu pensei ‘dez anos é muito tempo para treinar e me tornar um médico’. Eu simplesmente não via mais sentido na moda, mas me lembro de estar assistindo algo na televisão e uma mulher tinha perdido seu marido em um ataque terrorista. Eu pensei ‘o que essa mulher está vestindo não importa’, mas depois eu percebi que na verdade nosso trabalho como estilistas é fazer as mulheres sorrirem; levá-las chocolate sem calorias”.

alber_lanvinAlber Elbaz na Lanvin, nos três últimos desfiles da marca ©Reprodução

Hoje o estilista é detentor de inúmeros prêmios importantes de contribuição na moda, como Designer Internacional do Ano em 2005 pelo CFDA, mas o que ele mais se orgulha de ter feito na moda não tem a ver com premiação nenhuma. “Yves Saint Laurent deu às mulheres poder, Chanel as deu liberdade, então quando entrei na Lanvin, eu pensei ‘o que eu daria para as mulheres?’”, contou. “Um dia, eu recebi uma mensagem de texto de uma amiga de Nova York – ela estava em um táxi a caminho do tribunal para enfrentar seu ex-marido idiota, e ela me disse ‘Alber, eu estou usando um vestido Lanvin, e eu me sinto tão protegida’. Aquele foi o maior elogio que eu já recebi. Fazer com que um pedaço de 500 gramas de seda a fizesse se sentir protegida – aquilo me fez muito feliz, de fato”.

Duelo: YSL e Louboutin brigam pelo direito de usar solas vermelhas

14/07/2011

por | Moda

sapatos

À esquerda, o modelo da YSL e à direita, as já conhecidas solas vermelhas de Louboutin ©Reprodução

Os advogados da Yves Saint Laurent entraram com uma contestação legal contra a ação judicial movida por Christian Louboutin pelo uso de solas vermelhas em alguns modelos de sapato da YSL. O objetivo do sapateiro francês com a ação é proibir que a YSL venda os modelos com sola da cor que é marca registrada de Louboutin. Em 2008, o designer ganhou o direito de uso exclusivo do vermelho nas solas de sapatos.

De acordo com o processo, a YSL estaria copiando seu estilo produzindo sapatos com as famosas solas vermelhas de Louboutin. O documento afirma, ainda, que o designer patenteou as solas vermelhas há cerca de vinte anos. Além disso, diz que os sapatos da Yves Saint Laurent com solas vermelhas causariam confusão, erro e decepção para o público consumidor.

Já a YSL afirma que a Louboutin não pode confirmar que houve confusão por parte dos consumidores e os advogados ainda alegam que o sapateiro francês nunca deveria ter conseguido registrar a sola vermelha como marca registrada. “Não acreditamos que nenhum estilista deva ter o direito de monopolizar qualquer cor”, disse David Bernstein, um dos advogados da YSL, ao site “WWD”.

Do outro lado da mesa, os representantes de Louboutin pedem que a corte de Nova York impeça que a YSL venda os sapatos com o solado vermelho. “Não estamos dizendo que somos donos de qualquer tom de vermelho. Christian usa um tipo específico da cor, que é brilhante e envernizado. Nunca reclamamos do vermelho alaranjado ou do rosa, por exemplo”, disse o advogado Harley Lewin, que representa Christian Louboutin.

Em abril, a Louboutin também processou a marca brasileira de sapatos Carmen Steffens pelo uso de solas vermelhas em seus modelos.

Haider Ackermann, aposta firme em tempos de crise na moda

03/03/2011

por | Moda

haider-ackermannO estilista Haider Ackermann ©Reprodução / Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin

Você pode não estar familiarizado com o nome acima, mas se prestar atenção nas notícias de moda dos últimos meses, vai perceber que esse colombiano graduado na Antuérpia e residente em Paris está em rápida ascensão – uma espiral crescente de elogios e oportunidades que começou com… Karl Lagerfeld.

“Eu tenho um contrato para a vida, então tudo depende de para quem eu gostaria de entregar [o cargo]; no momento, eu diria Haider Ackermann”, Largerfeld declarou à “Numero” de novembro/2010 sobre quem poderia substituí-lo na Chanel em sua eventual aposentadoria. Quer mais? Na edição “The Discovery Issue” de janeiro/2011 da “V Magazine”, o kaiser da moda ainda o aponta como a nova estrela da indústria, afirmando: “Ele fez a minha coleção preferida da estação, e eu sempre dei muito apoio a bons designers. Eu não digo “jovens” designers – Haider não é um iniciante”.

E Lagerfeld não é o único a alimentar o hype em torno de Ackermann; em dezembro de 2010, em meio a rumores de que o cargo de Stefano Pilati estaria ameaçado por causa da queda de vendas na Yves Saint Laurent, o nome de Ackermann era o mais cotado para a provável substituição, ao lado de Hedi Slimane. E agora, junto com os boatos de que Ricardo Tisci irá substituir John Galliano na Dior, vem a aposta de que Ackermann é considerado o mais forte candidato para ocupar o lugar vazio na Givenchy.

Formado pela Fashion Academy of Fine Arts da Antuérpia, Bélgica (que também diplomou Dries Van Noten e Ann Demeulemeester), Ackermann criou sua marca homônima em 2001 e começou a apresentar suas coleções em Paris na temporada inverno 2002. Desde então, ele tem desenvolvido um estilo austero com muitas experimentações com couro e drapeados que conquistou fãs como a atriz Tilda Swinton. Sobre seu estilo e sua motivações, ele falou à revista “W” de janeiro/2010: “Todos nós estamos em busca de alguma coisa. A minha busca é pela beleza, e isso é muito importante hoje em dia. Meu pai trabalha para a Anistia Internacional, e é claro que nós precisamos de pessoas como ele, mas nós também precisamos de pessoas que estão buscando a beleza”.

Veja na galeria a evolução das coleções de Haider Ackermann na semana de moda de Paris:

#TrendingTopics: as camisas da vez e suas (des)construções

05/01/2011

por | Moda

Edição: Luigi Torre (@luigi_torre)

Com o eterno jogo do masculino no feminino como um dos principais rumos para o verão 2011 do Hemisfério Norte, a clássica camisa branca surge como peça chave da temporada. O mais legal porém, são suas variações, seja em tecidos molinhos e transparentes, ou em desconstruções de modelagem, decepando mangas, ampliando e deslocando colarinhos, ou simplesmente substituindo esses por grandes laços _afinal os anos 1970 estão com tudo, não é mesmo?

Corpo fechado: roupas “blindadas” estão na mira da moda

07/12/2010

por | Moda

protect me from what i want© Romeuuu / FFW

Para seu inverno 2011 apresentado na última edição da Casa de Criadores, Jadson Raniere construiu sua coleção em torno de noções de proteção. “Roupas-escudos feitas de náilon preto matelassado, onde os braços do modelo são aprisionados ao corpo por uma espécie de casaco tétrico _no tabuleiro de Jadson, o melhor ataque é uma boa defesa”, escreveu o editor André Rodrigues.

No mesmo evento, ainda que não totalmente focado no mesmo assunto, Arnaldo Ventura apresentou seu inverno inspirado na batalha de Tróia, tirando dali boa parte das referências militares de sua coleção. Como a proteção só nasce de uma ameaça iminente, o tema se fez presente.

Alguns meses antes, durante a semana de moda de Paris, a estilista belga Ann Demeulemeester anunciou que foram as noções de proteção que deram o pontapé inicial no seu verão 2011 abstrato e gráfico. Rebobine uma temporada (para o inverno 2010) e temos Jeremy Scott para a Adidas Originals esbarrando sobre a mesma temática ao olhar para as armaduras medievais, Stefano Pilati, na Yves Saint Laurent, aliando todos esse conceitos com uma boa dosa de religião e espiritualidade.

Proteção está na moda e não é muito difícil entender o motivo: basta ligar a televisão, abrir um jornal ou acessar um site de notícias. Agressões com lâmpadas, verdadeiras guerras civis e assaltos violentos, só para citar alguns dos exemplos mais recentes _e próximos de nossa realidade.

Segundo o dicionário Houaiss, proteção diz respeito “àquilo que protege de um agente exterior; defesa”. Desde os primórdios da humanidade as vestes desempenham justamente esse papel: proteger do frio, do sol, da chuva, e outras ameaças com camuflagens e demais recursos. Fast forward para o século 21. As roupas continuam desempenhando esse papel + alguns outros de cunho morais e sociais.

Acontece que moda também é linguagem em constante diálogo com a sociedade e seus indivíduos em determinado período da História. E em tempos onde ameaças dizem respeito não só a questões de violência física, nada mais natural que nossas roupas passem a refletir algumas noções de proteção. Seja pela simples assimilação de fatores religiosos, seja pela construção de verdadeiras armaduras modernas.

colagem-proteçãoLooks da Comme des Garçons, Lanvin (masc.), John Galliano (masc.), Jean Paul Gaultier (masc.), Raf Simons e Yves Saint Laurent, tudo inverno 2010 © firstVIEW

Proteção _em suas mais diferentes formas_ foi tema recorrente para o inverno 2010 masculino. Referências militares, cinturões tipo corsets, botas pesadas e uma atenção extrema ao outerwear de peso (literalmente) falavam mais sobre força e vigor do que  sobre romance e poesia, como havia acontecido em temporadas passadas.

No feminino não foi diferente. Camadas e mais camadas de sobreposições mil falavam não só da proteção contra o frio, mas também de um certo isolamento corporal. Rei Kawakubo em sua Comme des Garçons, ao criar volumes acolchoados _quase como continuação de sua famosa coleção “Lumps & Bumps” de 1997_ esbarrou nas noções de conforto para falar justamente dessa temática de maneira extremamente cerebral. Stefano Pilati, na Yves Saint Laurent, por outro lado, usou uma série imagens religiosas _com modelos freiras cobertas por capas de plástico_ para falar de outras formas de proteção.

Nem tanto pelo lado físico da coisa, mas mais pelo emocional e sensorial, as roupas do século 21 parecem estar cada vez mais oferecendo um refúgio seguro para o ser humano, quase como verdadeiras barreiras à prova de balas.

FFW movie digest: 5 filmes do tipo tem-que-ver em dezembro!

03/12/2010

por | Cultura Pop

Dezembro é um mês muito esperado para os estúdios cinematográficos: a proximidade das festas, feriados e as férias escolares são propícios para lançar filmes esperados, ou adiados, ao longo do ano. Nesta sexta-feira (03/12), por exemplo, chegam às salas brasileiras “O Garoto De Liverpool”, sobre a vida de John lennon, e “A Rede Social“, sobre a criação do Facebook.

Com arrecadação de bilheteria garantida,  produções de quase todo gênero entram em cartaz _o FFW elegeu os 5 filmes + incríveis e te conta porque você tem que assistir!

Confira:

“ENTERRADO VIVO” (estreia 10/12)

Estrelado por Ryan Reynolds, o filme dirigido por Rodrigo Cortés é intenso no conteúdo e ousado na forma: o protagonista, preso em um caixão no meio do Iraque, aparece sozinho, em cena única, durante os 90 minutos do filme. Claustrofobia é pouco.

“O LOUCO AMOR DE YVES SAINT-LAURENT” (estreia 03/12)

Neste documentário, a vida íntima e profissional do estilista francês é narrada por Pierre Bergé _os 2 foram casados por 50 anos_ e dissecada através de depoimentos, imagens de arquivo, fotografias e reportagens. Dirigido por Pierre Thoretton, o filme é indispensável para entender a trajetória de um personagem tão melancólico em sua vida pessoal quanto foi crucial para a moda.

“TRON: O LEGADO” (estreia 17/12)

Sequência do filme nerd clássico de 1982, TRON retoma o visual retrô-futurista, as luzes azuladas, os personagens e a trama tecnológica. Tudo com trilha do Daft Punk. Produzido pela Disney. Em 3D. Já foi convencido?

“MACHETE” (estreia 10/12)

Depois de ter sua estreia adiada (de setembro para dezembro!), finalmente chega aos cinemas brasileiros o filme de Robert Rodriguez. Violentíssimo, “Machete” tem um enredo de vingança, é estrelado por Danny Trejo e tem participações de Lindsay Lohan (no papel de uma freira com sede de sangue) e Steven Seagal.

“O SAMBA QUE MORA EM MIM” (estreia 10/12)

Dirigido por Georgia Guerra-Peixe, o documentário parte de uma pesquisa pessoal e acaba subindo o Morro da Mangueira, com depoimentos de personagens importantes da comunidade, como Imbaca, Vó Lucíola, Mestre Taranta e DJ Glauber. Ganhou o prêmio do Júri na Mostra Internacional De Cinema de São Paulo de 2010.

+ Leia mais sobre cinema no FFW

Documentário de Yves Saint Laurent será relançado em 2011

25/11/2010

por | Moda

No Festival Internacional de Cinema de Toronto, em setembro passado, estreou o documentário “L’Amour Fou” (o amor louco, em tradução livre), de Pierre Thoretton, sobre a relação entre o costureiro fundador e seu companheiro de 50 anos, Pierre Bergé.

Feito após a morte de YSL, o documentário é baseado em 9 horas de entrevista com Bergé (feitas durante a preparação para o que ficou conhecido como “o leilão do século”, a venda da imensa coleção de arte particular do duo), além de outras com Loulou de la Falaise e Betty Catroux, ambas amigas e musas do estilista, e vídeos de acervo que incluem YSL com Mick Jagger e Andy Warhol. Assuntos espinhosos, como o vício do estilista em drogas e álcool, não foram evitados.

O filme esteve na programação da 33ª Mostra de Cinema de São Paulo, mas poucos conseguiram assistir, então é uma ótima notícia que a produtora IFC Films tenha adquirido seus direitos e vá distribuí-lo em 2011.

Afinal, documentário de moda está provando ser um nicho de público fiel: nos últimos anos foram lançados títulos como “The September Issue”, “Lagerfeld Confidential”, “Valentino: The Last Emperor”, “Marc Jacobs & Louis Vuitton”, “Tire Minha Foto”. Há ainda um sobre a lendária diretoria criativa Polly Mellen em desenvolvimento.

O FFW fica na torcida para o Brasil ser incluído na lista da IFC. Assista ao trailer com legendas em inglês:

Sr. Ford volta a debater o “timing” da moda com preview de sua coleção secreta

17/11/2010

por | Moda

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O feriado de 15 de novembro terminou _pelo menos para os fashionistas_ com a notícia de que a coleção feminina de Tom Ford havia finalmente sido revelada. Desfilada à portas fechadas durante a semana de moda de Nova York, a apresentação foi um dos mais comentadas, nem tanto pelas roupas que apenas 100 pessoas puderam ver bem de perto, mas sim pelo fato de Ford ter exigido a ausência de câmeras de foto ou vídeo, com exceção de Terry Richardson, que foi contratado especificamente para registrar o momento.

O furo veio via “Vogue” (a americana, claro), que publicou em seu site entrevista + ensaio com o estilista clicado por Steven Meisel, onde pode-se ver pela primeira vez _nitidamente_ as roupas que compõem seu verão 2011. Na matéria, Ford, que pede para ser chamado de agora em diante de Sr. Ford, reacende o debate sobre o timing da moda com depoimentos tipo: “Eu não entendo porque todos precisam ver tudo online um dia após o desfile. Eu não acho que sirva o consumidor, que é o principal foco do negócio”.

Sr. Ford ainda reclamou da relação maluca _lançada por ele próprio nos anos áureos da Gucci nos anos 1990_ que a moda mantém com celebridades. Vestindo-as para quase todo e qualquer evento apenas como mídia para uma coleção recém-desfilada e que demoraria ainda 6 meses para estar disponível para o consumidor.

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O estilista agora vem mais focado no negócio como um todo. Sem disponibilizar dos recursos infinitos de um grupo como a PPR (detentor da Gucci e outras marcas de luxo, como YSL, Balenciaga e Bottega Veneta), Sr. Tom investe em privacidade e exclusividade. “É sobre individualidade. Roupas reais, mulheres reais. Eu quero que seja um lugar em que a mulher saiba que poderá ir quando quiser uma ótima jaqueta _não uma jaqueta cara e falsa, mas algo que tenha valor intrínseco. Eu não acho que a moda tenha que mudar a cada 5 minutos. Eu gostaria que essas fossem roupas para se usar ao longo do tempo _ durante 10, 20 anos_, roupas que a mulher possa passar para sua filha”.

Sobre a coleção extremamente luxuosa e sofisticada, Ford explica que tem mais a ver com seu trabalho na Yves Saint Laurent, do que o glamour extra-sexual que imprimiu na Gucci. Da vibe YSL brota o clima 70s _atual paixão de Ford_ completo com estampas animais, muito brilho, e as calças amplas e blusas de seda decotadas que se tornaram sinônimo de seu estilo. Sua recente obsessão pela beleza pura dos objetos confere às peças algo  único em termos de acabamentos manuais, quase como se fossem itens de alta-costura.

Enxuta, para manter a exclusividade, a coleção será vendida apenas nas suas 16 lojas masculinas espalhadas pelo mundo. Isso até a próxima temporada, para a qual já está em negociação com grandes lojas de departamento. Sobre o desfile fechado, Ford diz que não haverá mais. O lançamento de seu verão 2011 foi um evento único, já que as coleções futuras poderão ser vistas apenas por hora marcada em seu showroom que fica em Londres. Ah, e somente por compradores e editores de moda selecionados _nada de repórteres ou blogueiros. Por enquanto.

+ vogue.com

+ Erika Palomino fala sobre o desfile fechado de Tom Ford

DIRETO DE PARIS: Stella McCartney, Ungaro, Yves Saint Laurent e +!

05/10/2010

por | Moda

>> É interessante como algumas roupas podem parecer completamente apáticas na foto, e ao vivo fazem você querer esfregá-las todinhas pelo seu corpo. Com essa atual onda pró-minimalismo, então, isso é ainda mais comum. Virtualmente, as roupas da Céline podem parecer nada além de linhas puras e uma enorme limpeza no design. Porém, ao vivo, a perfeição de execução e acabamento, aliado ao mais puro conceito de simplicidade, funcionam quase como um calmante visual.

Simples. Elegante. Sofisticado. Luxuoso sem querer assim parecer. Era essa a sensação ao entrar na loja com decoração bruta, como se estivesse em reforma, com tubulações de ar e tijolos aparentes. Isso e a vontade de apertar e acariciar toda e qualquer peça texturizada exposta quase como uma obra de arte.

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>> Aconteceu hoje no famoso prédio de paredes cinza da Avenue Montaigne, o press day da Dior. Trata-se de um grande showroom onde a imprensa pode conferir de perto as roupas da mais recente coleção desfilada na última sexta-feira (01/10) aqui em Paris. Tipo um backstage pós-desfile _só que com comidinhas e bebidas.

Nos manequins e araras a coleção exatamente como desfilada imprimiu ainda mais comercial. Sem a iluminação, música e toda aquela emoção da apresentação, são roupas prontas para a vida real. Aliás, uma vida real à beira-mar. Sempre bem colorido, o mais interessante foi poder ver de perto os tingimentos _em seda ou em crochê, quase como uma versão simplificada daqueles utilizados no inverno 2010 de alta-costura em julho deste ano_, e o trabalho artesanal de tiras de tecidos entrelaçados.

Cacharel Spring 2011 Ready-to-Wear>> Afastada das passarelas desde 2003, a Cacharel marcou seu retorno para a semana de moda parisiense na última temporada (inverno 2010), atraindo uma considerável atenção de imprensa e compradores. De lá para cá, a marca expandiu com extrema rapidez sua presença em lojas de departamemto ao inaugurar novos pontos de venda ao redor do mundo _só nos EUA foram 50.

O sucesso não é à toa. Agora sob o comando do estilista francês Cédric Charlier a marca dá início a uma nova fase _mais contemporânea e jovial, ainda que mantendo sua essência. Assim, o verão 2011 vem todo trabalhado em cima das cores. Dos neutros aos ácidos são elas que dão força a coleção, toda trabalhada em algodão e seda.

As formas são simples, quase geométricas, com algumas sobreposições interessantes _principalmente quando aparecem os tricôs_, sempre em silhuetas afastadas do corpo. A camisaria é um elemento importante, aparecendo desde sua versão clássica (ou de smoking) e longos chemises com micro pregas no centro, até desconstruções mais elaboradas as transformando em micro coletes.

E os florais que se associam tão facilmente com a marca, agora ficam abstratos. Olhando para o trabalho de pintura de Kim Gordon, Charlier pensou em estampas quase como uma explosão de tintas, mas cujas formas se assemelhavam à flores.

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>> “Girls who are boys, who like boy to be girls, who do boys like they’re girls, who do girls like they’re boys…” E assim, ao som de Blur, Stella McCartney falou exatamente sobre um dos principais rumos do verão 2011: o incansável jogo do masculino no feminino que encontrou na atual vontade minimalista e em algum resquício dos anos 80 a desculpa perfeita para se fazer mais uma vez presente.

E aí falou das calças de cintura alta, das camisas _aqui totalmente abotoadas_, das tão em alta camisetas-túnicas de mangas, das pantalonas e das sobreposições. Todos elementos que a estilista há tempos chama de “seus”, bem antes de toda essa onda pró-minimalista. Mais interessantes são seus vestidos longos de manga inflada, com torso ajustado e saias longas com plissados assimétricos e as estampas de limões e laranjas que aparecem no último bloco do desfile. Mais do mesmo? Pelo menos foi divertio.

Chlo�>> O problema do minimalismo é que, na verdade, ele é chato. Fazer algo dentro desta estética sem cair na mesmice não é tarefa fácil. Tanto que apenas uma estação após ter se tornado a nova coqueluche fashion, a tendência já começa a dar sinais de desgaste. A antropofagia reciclável da moda tomou proporções tão extremas que os habituais 6 meses já são suficientes para fazer do novo, velho?

Se a gente tomar como exemplo o verão 2011 da Chloé a resposta pode ser: sim. Quer dizer, pode ser: talvez. Para não dizer que não houve nenhuma mudança, Hannah MacGibbon deixou o sportswear da coleção passada de lado para dar contornos mais elegantes para esta atual. Fato que, aliás, acabou eliminando sua jovialidade.

Se antes havia uma clara distinção entre a mulher Chloé e a Céline, agora essas duas praticamente se confundem. O desenho purista, as linhas e cortes simples, falam de uma maturidade um tanto austera demais para marca.

Vestidos de saia no meio da perna vinham, então, na mais perfeita execução. Corte preciso, linhas puras e uma cartela de cores neutras que só reforçou a sensação de sofisticação limpa da coleção. Tecidos encorpados nas partes de cima delineavam ainda mais firmemente as formas clássicas da coleção. Roupas lindas, mas um tanto herméticas demais. Onde antes havia algo de diversão e bem estar jovem, agora há caretice.

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>> Tudo bem que era um dos desfiles mais aguardados, mas ninguém imaginou que a estréia de Giles Deacon na direção criativa da Ungaro fosse causar tamanho alvoroço. Fãs (da marca ou do estilista?) se aglomeravam na entrada do desfile impedindo que alguns importantes nomes da indústria conseguissem passar para o lado de dentro.

E numa passarela coberta de grama (artificial?) com carros antigos repletos de flores, Deacon levou a Ungaro de volta… bem, de volta para a França. Roupas extremamente femininas, que incluíam vestidos envelopes, saias drapeadas, blusas transparentes, lenços, calças cigarretes, laços, rendas, lingeries à mostra e todo aquele je ne sais quoi que fazem das mulheres parisienses particularmente sexy estavam ali na passarela. Havia também algo de lúdico na apresentação. No caminhar das modelos, nas poses… Um pouco daquele humor irreverente do novo estilista.

Jovial como nunca, sofisticada, bem humorada e provocativa, a coleção de verão 2011 sob comando de Giles Deacon, parece estar finalmente colocando a Ungaro no caminho certo.

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>> Será que podemos dizer que a alta dose de glamour e todo clima 1970s presentes no desfile da Yves Saint Laurent seriam uma adequação de Stefano Pilati as vontades do momento? Ou seriam o caminho inverso? Afinal de contas, o grande Yves Saint Laurent em si é referência máxima para esta temporada.

Seja lá qual for a resposta, o que importa mesmo é que Pilati apresentou uma das melhores interpretações da década. Uma versão obscura, com batons mate bem escuros, cabelos presos e sensualidade latente no ar. Calças de cintura bem marcada (e alta) vinham combinadas com blusas-colete frente única ou bons macacões de silhueta seca, saias estreitas faziam par com blusas volumosas ou camisas de manga ampla,vestidos transparentes no melhor estilo 70s, e acessórios felpudos imprimiam ainda mais sensualidade e glamour.

O mais interessante, contudo, é como Pilati conseguiu fazer tudo parecer autêntico e atual. Aplicando recortes geométricos em suas peças _como as fendas arrematadas por pequenos bolsos nas saias evasês_ o estilista fala de uma certa contemporaneidade discreta, balanceando bem passado e presente.

Yves Saint Laurent: novo documentário, novo Manifesto

13/09/2010

por | Moda

O esperado YSL Manifesto de Inverno 2010 _uma espécie de panfleto com fotos da campanha_ traz a top Daria Werbowy pelas lentes de Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin e será distribuído em 14 de setembro, em Nova York.

As outras cidades (Paris, Londres, Milão, Tóquio, Hong Kong e Beirut) só receberão o Manifesto no fim da semana, no dia 18. Das mais de 500 mil cópias, só as primeiras 2.000 em cada cidade serão acompanhadas por uma bolsa especial criada pelo diretor criativo Stefano Pilati e Wendy Lam.

Abaixo, uma prévia do Manifesto online que também será divulgado em 14/9.

Mas não é só de panfletagem que vive a marca YSL. No Festival Internacional de Cinema de Toronto, estreou o documentário “L’Amour Fou” (o amor louco, em tradução livre), de Pierre Thoretton, sobre a relação entre o costureiro fundador e seu companheiro de 50 anos, Pierre Bergé.

Feito após a morte de YSL, o documentário é baseado em 9 horas de entrevista com Bergé (feitas durante a preparação para o que ficou conhecido como “o leilão do século”), além de outras com Loulou de la Falaise e Betty Catroux, ambas amigas e musas do estilista, e vídeos de acervo que incluem YSL com Mick Jagger e Andy Warhol. Assuntos espinhosos, como o vício de YSL em em drogas e álcool, não foram evitados.

O trailer disponível é em francês, mas mesmo quem não entende o idioma apreciará as imagens. Será que estreia por aqui?

De volta para o futuro: anos 1960 ressurgem no verão 2011

29/07/2010

por | Moda

cardin.slide2_Looks 1960s de Pierre Cardin ©Reprodução

O foco no corte, na forma e nas superfícies texturizadas deste verão 2011 recolocou os anos 1960 no centro das atenções. Para entender melhor o movimento, é preciso embarcar numa breve viagem no túnel do tempo: pegando carona na Guerra Fria _que teve como efeito colateral a Corrida Espacial_ estilistas como André Courrèges, Paco Rabanne e Pierre Cardin romperam paradigmas, viajaram para o espaço sideral, imaginaram como seria o homem do século 21 e, com isso tudo, revolucionaram a moda.

O mestre Yves Saint Laurent afirmou na época: “A moda nunca mais será a mesma depois de André Courrèges”. E de fato não foi. Aliás, depois de Courrèges e principalmente de Pierre Cardin que, em 1959, escandalizou a indústria ao introduzir a primeira coleção de prêt-à-porter. A ousadia resultou na sua expulsão da Chambre syndicale de la haute couture, mas abriu os caminhos para a moda como a conhecemos hoje.

Os vestidos 1960s de corte quadradão, caimento afastado do corpo, com todo tipo de recortes circulares e mangas orbitais sobre os braços eram ícones não só da Space Age, como também da explosão da cultura jovem. Capacetes aviadores, minissaias, meias-calças coloridas e a inovação dos tecidos sintéticos expressavam o fascínio pela vida no espaço e por todas as possibilidades que as novas tecnologias prometiam para vida na Terra.

pierre cardin2Looks de Pierre Cardin ©Reprodução

Roupas em forma de protesto. Emancipação feminina que vinha traduzida no corte prático e nos tecidos funcionais, possibilitando as mulheres irem trabalhar, almoçar, jantar, dirigir, cuidar da casa e tudo mais que fosse necessário. Liberdade _de movimento, de ideais, de sexualidade (foi nos anos 60 que a moda unissex também começou a ganhar força).

Quarenta anos depois, o século 21 chegou e continuamos em busca do futuro. A ironia é olhar para trás, para os anos 60, em busca do amanhã: afinal os mesmos conceitos de liberdade de movimento, conforto e praticidade continuam em voga. Menos futurismo e mais funcionalidade. É assim que os anos 60 reaparecem _reinterpretados_ nesta temporada.

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60sDa esquerda para a direita, de cima para baixo: Reinaldo Lourenço, Priscilla Darolt, Alexandre Herchcovitch, Forum e Gloria Coelho verão 2011 ©Agência Fotosite

Traduzido nas formas aerodinâmicas de Reinaldo Lourenço, na aparente simplicidade expressionista das cores de Alexandre Herchcovitch ou na exploração têxtil de Priscilla Darolt. Cortes simples, formas retas e pureza de design que remetem às criações de Courrèges, Cardin e Rabanne.

Criações étnicas de YSL serão expostas pela primeira vez na África

21/07/2010

por | Moda

A cultura africana sempre exerceu grande fascínio sobre os estilistas parisienses. Porém, talvez tenha sido Yves Saint Laurent quem mais se identificou _e se apaixonou_ por tudo aquilo que encontrou em Marrocos desde que visitou a capital pela primeira vez em 1966.

yves-saint-laurent-marrakechYves Saint Laurent no jardim de sua mansão em Marrakech ©Reprodução

Segundo noticiou o WWD, a Fondation Pierre Bergé Yves Saint Laurent vai realizar pela primeira vez uma exposição em Marrakech. Serão 44 criações de Saint Laurent, incluindo a famosa coleção safári e outras vestes mais típicas, que ficarão em exposição entre 27 de novembro e 18 de março de 2011, em local ainda não divulgado.

veruschka-yves-saint-laurent-ss-1968A modelo Veruschka em editorial de moda usando look da coleção verão 1968 de Yves Saint Laurent que foi inspirada na África ©Reprodução

+ Fondation Pierre Bergé Yves Saint Laurent: fondation-pb-ysl.net