10ª edição da Semana de Moda e Cultura começa hoje em São Paulo; veja a programação

03/11/2013

por | Moda

©Divulgação

A partir desta segunda-feira (04.11), a Livraria Cultura promove, em São Paulo, a 10ª edição da Semana de Moda e Cultura. Com a curadoria de Dhora Costa, idealizadora do evento, a programação de 2013 inclui palestras com os estilistas Fause Haten e Walério Araújo e com João Braga, professor da Faculdade Santa Marcelina e da Fundação Armando Álvares Penteado.

Além das palestras, o evento realiza, pela primeira vez, workshops de moulage com Debora Carammaschi e Célia Fernandes, do Instituto Europeo di Design, e de automaquiagem com Victoria Ostafiuc. A programação inclui ainda bate-papos com, por exemplo, Afonso Luz sobre a Lei Rouanet, as exposições fotográficas “Modelagem e Moulage no Processo de Criação” e “Talento SENAC”, com trabalhos de estudantes de moda do SENAC, e até um desfile com criações de alunos da Universidade Belas Artes de São Paulo (Febasp).

As atividades da Semana de Moda e Cultura acontecem tanto na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, localizada na Avenida Paulista, quanto na do shopping Iguatemi, nos Jardins. A entrada do evento é gratuita, basta chegar ao local uma hora antes de cada bate-papo, palestra ou workshop, pois haverá distribuição de senhas. Confira a programação completa aqui.

Bichos, coleções e viagens encerram o Inverno 2014 da Casa de Criadores

17/10/2013

por | Moda

Looks do desfile de Walério Araújo, que encerrou o último dia da Casa de Criadores Inverno 2014 ©Yuri Pinheiro

A 34ª edição da Casa de Criadores, temporada Inverno 2014, terminou nesta quarta-feira (16.10) no Memorial da América Latina, em São Paulo. A última noite contou com os desfiles de Karin Feller, Juss, Fernando Cozendey e, claro, o sempre aguardado Walério Araújo.

Antecederam-lhes os seis desfiles dos finalistas do concurso BtoBe (Brazilians to Be), projeto que substituiu o Ponto Zero, criado em parceria com o Texbrasil. Entre eles, destaque para a Brado, que apresentou uma coleção inspirada no movimento urbano com malhas assimétricas em tons de cinza, e para Thiago Bernardo, que reproduziu as suas inspirações arquitetônicas em couros pretos, brancos e vermelhos com transparências e cortes desconstruídos. Karin Feller olhou para o universo do colecionismo e Walério Araújo nos contou sobre os seus próximos destinos de viagem.

Karin Feller

Looks da coleção de Inverno 2014 de Karin Feller ©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

Com uma coleção super usável, Karin se inspirou no esporte do colecionismo. “Todas as estampas são uma repetição de um elemento que forma uma textura”, conta ao FFW. Karin tem as suas preferidas, que mostra com força na coleção: gatos e borboletas. “Gatos são os bichos da vez. E quem tem um gato, tem sempre mais do que um, falo por experiência própria”, acrescenta rindo. Por cima de vestidos soltos, a designer coloca peças de tricô cinza e calçados poderosos. Nos tecidos, ela recorre a tapeçarias nos casacos e materiais reciclados para criação de peças confortáveis e muito desejáveis.

Juss

Looks da coleção de Inverno 2014 da Juss ©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

Em seu oitavo ano na Casa de Criadores, Juliana Souza mostrou a coleção Troca de Pele. “Do bicho e do ser humano”, conta ao FFW no backstage do evento. Para isso, a estilista revisitou estampas suas antigas e ainda usou padrões com um desenho de um esqueleto humano e, claro, muito animal print. “E da minha própria pele; estou há oito anos no evento e acho que é hora de trocar de pele. Eu já troquei uma vez, era publicitária e agora sou designer”, acrescenta. Em termos de materiais, Juss usa uma tapeçaria que parece bicho, camisetas bordadas à mão e tecidos que podem ser usados frente e verso.

Fernando Cozendey

Looks da coleção de Inverno 2014 de Fernando Cozendey ©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

A luz acende e na sala de desfile ouvimos a música da Pantera Cor-de-Rosa. E eis que a própria pantera sai dançando da boca de cena, com um look pink, justo, com recortes estratégicos e muito sensuais. Seguiram-se personagens como a mulher-gato, a Cruela de “101 Dálmatas”, leões com franjas que representavam a sua juba, e pumas, todos com chapéus com orelhinhas. Confeccionada exclusivamente com tecido elástico, a coleção, intitulada “Miau!”, arrancou até miadas da plateia, que se divertiu com o clima inusitado da apresentação.

Walério Araújo

Looks da coleção de Inverno 2014 de Walério Araújo ©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

Em vez de nos mostrar uma coleção inspirada em uma viagem que fez e o inspirou, Walério conta-nos sobre a viagem que ainda quer fazer. O desfile abre com as referências ao continente africano, com tecidos cor terra e estampas de bicho. Segue depois para a Grécia, momento em que usa bordados em forma de uvas e estamparia digital com imagens referentes à Grécia antiga. Sua viagem dos sonhos termina na Índia, com materiais dourados e coloridos.

+ Veja como foi a primeira e a segunda noite da 34ª edição da Casa de Criadores

Casa de Criadores

24/04/2013

por | Moda

Looks das coleções de Primavera/Verão 2013/14 de Karin Feller, Danilo Costa, Walério Araújo e Arnaldo Ventura ©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

A Casa de Criadores de Verão 2014 começou nesta terça-feira (23.04) no Grand Metrópole, em São Paulo. Na primeira noite da 33ª edição do evento, desfilaram  Karin Feller, Arnaldo Ventura, Danilo Costa e Walério Araújo, mas também os jovens talentos do curso de moda do SENAC, que tem Alexandre Herchcovitch como diretor artístico.

Leia abaixo nossa reportagem sobre o primeiro dia de Casa de Criadores de Primavera/Verão 2013/14:

KARIN FELLER

Looks da coleção de Primavera/Verão 2013/14 de Karin Feller ©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

Karin Feller partiu das garrafinhas de areia colorida, que descobriu terem sido criadas em Maceió, capital de Alagoas. Valendo-se de referências locais, como conchas, redes de pesca e o Soldadinho-do-Araripe (Antilophia bokermanni), pássaro típico do Nordeste do Brasil, ela trouxe para a passarela uma coleção bastante estampada e colorida, com predomínio de tonalidades claras, como off-white, areia e azul piscina, e tecidos de aspecto natural.

Apesar de ter construído sua coleção com base no artesanato, na fauna e na vegetação regionais, Karin em momento algum caiu em clichês. Como ela pretendia, segundo comentou no backstage pouco antes do desfile, a coleção ficou bastante fresca, alegre e “marinha, mas sem cara de navy”.

ARNALDO VENTURA

Looks da coleção de Primavera/Verão 2013/14 de Arnaldo Ventura ©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

Bem mais sóbria do que seu Outono/Inverno 2013, o Verão 2014 de Arnaldo Ventura foi inspirado na cultura e estética indígenas, e foi chamada simplesmente de “Brasil”. Com uma cartela de cores clara, com predominância do branco, off-white, amarelo e verde musgo, as peças trouxeram bastante pele à mostra, o que foi conseguido através de muitos recortes e vazados, e formas próximas ao corpo, mas ainda assim elegantes.

Looks da coleção de Primavera/Verão 2013/14 de Arnaldo Ventura ©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

Os tecidos da coleção, em virtude da temática, foram escolhidos pelo aspecto natural, e até rústico: muito linho, crepe de malha, organza de seda, jacquard de lamê, e couro sintético. Em dois looks, posicionados na metade do desfile, Arnaldo apresentou vestidos com bonitas estampas espelhadas, que se destacaram em meio às demais produções “lisas”.

DANILO COSTA

Looks da coleção de Primavera/Verão 2013/14 de Danilo Costa ©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

Danilo Costa comentou no backstage, minutos antes de seu desfile, que comprou o álbum “My Head is an Animal”, da banda islandesa Of Monsters and Men, pela capa, mas ao ouvir as primeiras músicas viu que não se arrependeria. “Dirty Paws”, a bela primeira faixa do disco, foi então seu ponto de partida e, inspirado pela canção, que conta a história de uma libélula, ele criou estampas de insetos, flores e folhas. Tais estampas, utilizadas tanto de forma corrida quanto localizada, dominaram peças com distintas modelagens, bastante usáveis.

Looks da coleção de Primavera/Verão 2013/14 de Danilo Costa ©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

Além de muito branco e preto, a cartela de cores trouxe amarelo e azul em pastel e vermelho e rosa, esse último em sua variação mais coral; já dentre os tecidos utilizados na coleção, destacam-se a malha-prene e o sarjado tipo angra. Apesar dos detalhes técnicos, o mais legal do desfile foi que, por meio de suas roupas, Danilo “contou” a própria versão da fábula da libélula de “Dirty Paws”.

- Escute a música  “Dirty Paws”, da banda islandesa Of Monsters and Men:

WALÉRIO ARAÚJO

Primeiros looks da coleção de Primavera/Verão 2013/14 de Walério Araújo ©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

O universo das drag queens foi a inspiração de Walério Araújo, que, aliás, já se travestiu bastante em sua vida e até participou de um concurso de Miss Gay com o pseudônimo de Waléria Velásquez. O início do desfile, mais especificamente os cinco primeiro looks, foram bastante comerciais, mas a partir daí a apresentação seguiu performática, com modelos pintados dos pés à cabeça de laranja, adornos mirabolantes e bodies superajustados que, com certeza, as amigas Sabrina Sato Cláudia Leitte, clientes da marca, devem usar em breve.

Looks da coleção de Primavera/Verão 2013/14 de Walério Araújo ©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite

No backstage, Walério comentou que o desfile era, em parte, uma homenagem à drag queen Verokina, falecida em 2007, e à sua musa transformista Elke Maravilha. Ele também se valeu da figura mítica do dragão para criar algumas das peças da coleção, apresentada bem no dia de São Jorge, santo conhecido por ter matado um dragão.

+ Veja abaixo looks dos desfiles de Primavera/Verão 2013/14 dos alunos do SENAC-SP:

Brado-Casa-de-Criadores-Verão-2014
©Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite
Looks da Brado, marca de Giselle Batista

Entre plumas e paetês: o universo de Walério Araújo por ele mesmo

06/07/2012

por | Gente

Walério Araújo em sua loja, no edifício Copan, em São Paulo ©Juliana Knobel/FFW

Walério Araújo é conhecido por seu trabalho irreverente e repleto de dramaticidade. Seja na Casa de Criadores ou nas peças que desenvolve para celebridades, o estilista pernambucano sempre adiciona um toque autoral em tudo o que faz. Entre plumas e paetês – e com muito bom humor –, Walério recebeu o FFW de coração aberto em seu apartamento no Copan, em São Paulo, para falar sobre sua carreira (do início até hoje), seus planos para o futuro, as colaborações com as famosas, a personalidade exuberante e suas inspirações. Confira abaixo a entrevista:

O início da carreira: da infância em Lajedo à mudança para São Paulo

Apesar da minha família ser extremamente leiga em relação à moda, já que não existiam faculdades ou cursos, minha irmã costurava para fora, até porque nessa época as meninas faziam enxoval. E eu sempre quis ser destaque no colégio; nas comemorações de 7 de setembro eu nunca queria sair de uniforme, queria usar fantasias de personagens da cultura popular ou do folclore. E sempre desenhei, desde pequeno: aos 13 ou 14 anos as vizinhas e amigas já pediam para que eu fizesse desenhos, porque eu desenhava na escola, mas elas confundiam achando que eu já podia fazer modelos [de roupas]. Eu adorava, porque sempre fui muito excêntrico.

Coleção de Primavera/Verão 2012 de Walério Araújo, inspirada na cultura pernambucana ©Divulgação

Sempre acompanhei moda, assistia aos desfiles que passavam na televisão aos sábados, gostava de ver revistas e adorava ver o Clodovil dando dicas para as pessoas que ligavam com dúvidas. Também me achavam parecido com [o estilista baiano] Ney Galvão, porque eu tinha um cabelo exatamente igual, batidinho do lado e topetão escovado. Aos 16 ou 17 anos, ouvi no rádio sobre um curso por correspondência; uma das apostilas [do curso] era desenho de moda, o que me incentivou mais ainda. Demorou um pouco, por causa da ida e vinda de correspondências, mas depois que terminei eu surtei com a ideia de vir para São Paulo e aproveitei que minha irmã já morava aqui. Fiquei um ano em São Paulo e nesse tempo fiz um curso de desenho de moda particular na ProModa, no Bom Retiro. Em paralelo, trabalhava com decorações de festas infantis. Com o dinheiro que ganhava comprava muitas coisas, principalmente roupas excêntricas que chocavam minha família. Por isso quando me perguntam se eu sempre fui assumidamente gay, digo que nunca precisei, visualmente eles já sabiam que eu era.

Sala da casa de Walério Araújo, no edifício Copan, em São Paulo ©Juliana Knobel/FFW

Quando eu retornei de São Paulo, tinha um amigo da família que estava procurando um estilista para trabalhar em Paulo Afonso [Bahia]. Aí a irmã dele me indicou e eles foram pedir autorização aos meus pais para que eu fosse trabalhar lá porque, mesmo já tendo 18 anos e fosse ter “casa, comida e roupa lavada”, seria a primeira vez que eu iria sair para morar sozinho. Foi aí que comecei a conhecer de verdade os tecidos e a lidar com a clientela, que era muito eclética. Fiquei um ano, mas voltei para Lajedo por causa da saudade da família e dos amigos.

Depois de um tempo fui para Salvador, fiquei mais um ano, voltei para Lajedo, onde fiquei mais uns meses, e retornei de vez para São Paulo, onde estou há mais ou menos 21 anos.

Início na Rua das Noivas e 25 de Março

Chegando a São Paulo, as coisas aconteceram de forma inesperada. Trabalhei por três meses em uma loja de roupas bem popular, e quase virei vitrinista. Nesse período, encontrei um amigo que trabalhou comigo em Salvador e que me arrumou um emprego na Rua das Noivas, onde trabalhei por mais três meses como estilista. Morava na oficina dessa loja, não tinha nada, nem rádio nem televisão. Pensei em voltar para Salvador porque lá tinha muitas facilidades, mas um conhecido me apresentou a uns amigos e a partir daí fui dividir um quitinete, localizado entre as ruas São João e Ipiranga. As coisas então melhoraram porque eles já faziam parte do meu universo, eram estilistas.

Da Rua das Noivas fui trabalhar na 25 de março, que, na época, tinha ótimos empregos, com salários razoáveis e onde era possível ganhar por fora fazendo roupas para clientes. Lá fiquei dois anos e meio, saí para participar do Mercado Mundo Mix, onde fiquei cinco anos. Queria criar minhas próprias roupas, ver as pessoas usando as minhas criações. Mas, voltando um pouco, quando eu morava com esses dois amigos eu surtei e decidi que queria ir no programa do Jô Soares. Um desses amigos estava virando travesti e o outro fazia shows como transformista, então eu me envolvi muito com esse universo, a minha ligação que dura até hoje não foi do nada. Também participei, fiz shows e participei de concursos como transformista, até Miss Gay. Sempre ganhava o prêmio de “Melhor vestido”; inclusive, quando ficavam sabendo que eu ia participar – como Waléria Velázquez –, corriam para comprar mais cristais e fazer mais bordados, porque eu ia para ganhar.

Elke Maravilha e Dercy Gonçalves, de Walério Araújo (a foto de Dercy foi usada como banner no stand no Mercado Mundo Mix) ©Reprodução

Em um dos júris desses concursos, conheci a Elke Maravilha, que me procurou para saber quem fazia as minhas roupas. Ela se tornou minha primeira cliente. Fiquei muito tempo com ela, até hoje somos superamigos. A Elke ajudou muito a divulgar. Em todos os programas e entrevistas, ela falava de mim; foi um desafio, mas também uma realização porque tinha liberdade total de fazer tudo o que eu queria. Exercitei muito essa coisa dos adereços, porque uma dica que ela me deu foi: “Quando você achar que o acessório está grande para uma mulher, você aumenta mais um pouco e é a minha medida”.

Através da Elke, fui conhecendo outras pessoas, como o Fernando Pires, que fazia os sapatos dela, e depois começou a fazer os sapatos para os meus desfiles. Ele fazia também os sapatos para a Joana Prado, a Feiticeira; então fiz muitos biquínis para ela quando ela começou a bombar e virar a mulher mais sexy do Brasil. Apesar de ser uma peça pequena, havia uma preocupação com as tendências, de fazer biquínis de cristal, metal e etc. E aí foi aumentando esse mailing de clientes. Conheci a Dercy Gonçalves, que inclusive era a garota-propaganda do meu banner no Mercado Mundo Mix.

Desfiles e celebridades

Quando eu estava no Mercado Mundo Mix, surgiu o Amni Hot Spot, que foi desenvolvido para dar suporte financeiro e profissional a novos estilistas. Foram vários estilistas: Fabia Bercsek, Samuel Cirnansck, Wilson Ranieri, Jefferson de Assis, Deoclys Bezerra, Emilene Galende e eu. Fiz cinco edições, mas como já tinha uma clientela e já ia a alguns programas, fui um dos primeiros a sair, junto com o Deoclys, para que outros estilistas pudessem entrar.

Logo após a saída do Amni Hot Spot, entrei na Casa de Criadores porque queria continuar desfilando. Já estou na minha 16ª edição, e nesse decorrer a clientela foi aumentando: conheci Claudia Leitte, Sabrina Sato e hoje também Maria Rita, Fafá de Belém e Preta Gil. Acabei de ser procurado pelo Ney Matogrosso porque fiz o figurino de Ana Cañas com direção dele.

As pessoas circulam entre si, nas festas, nos shows e eventos, por onde andam os stylists, maquiadores, etc. Fiz roupas para a Ana Maria Braga, porque, há uns 10 anos, ela decidiu cozinhar três dias fantasiada na semana de Carnaval. Foi o Plínio Peloso, chefe de maquiagem da equipe dela naquela época, que me conhecia das roupas para a Elke e me chamou para ir na Globo. É mais ou menos assim que acontece; quando comecei a trabalhar com a Cláudia Leitte, o Yan [Acioli] fazia o styling dela e já conhecia a Adriana Galisteu e a Sabrina Sato.

Claudia Leitte no Grammy Latino de 2010, Gaby Amarantos no 23º Prêmio de Música Brasileira, em 2012; e Sabrina Sato, todas com vestidos de Walério Araújo ©Reprodução

Quando a Cláudia foi fazer um dos primeiros Carnavais dela com o Yan, que já conhecia esse meu universo de plumas e paetês, ele sugeriu que eu criasse as roupas. Marcamos reuniões, fui para Salvador e virou uma parceria a partir daí. [...] Tanto que quando ela foi à cerimônia de premiação do Grammy Latino, fez questão que eu fizesse a roupa dela, mesmo com todas as propostas de vestidos que recebeu.

Desejo de entrar no line-up do SPFW

Abri minha loja aqui no edifício Copan há cinco ou seis anos. Moro no Copan há mais de 11 anos, no começo um dos quartos era oficina, onde recebia as clientes, mas queria privacidade. Até hoje as pessoas confundem, porque como sabem que eu moro no Copan, querem que eu abra a loja qualquer hora para produzir depois das 19h.

Eu me tornei destaque na Casa de Criadores por causa da quantidade de artistas que eu sempre levo, qualquer organização de evento gosta disso porque dá mais mídia. Mas eu tenho intenção de entrar no line-up do SPFW o mais rápido possível; sou oportunista no melhor sentido, como qualquer outra pessoa, se é para melhor: por que não? Só não quero ser uma propaganda enganosa, porque sou muito pequeno. Tem gente que acha que eu tenho uma superequipe ou superoficina, mas não, sou eu e mais duas costureiras, que são as mesmas de quase 20 anos atrás. Quando é algo específico, com matéria-prima diferenciada, lógico que eu corro atrás de quem faça; só que, em geral, somos apenas nós. Eu quero me estruturar, fazer coisas novas, então quero ir para o SPFW.

Looks da coleção de Primavera/Verão 2011 de Walério Araújo na Casa de Criadores ©Divulgação

Clientes anônimas: quem é a mulher que procura uma peça Walério Araújo

Tenho feito muitas noivas e debutantes. Geralmente me procuram para fazer roupas de festa, até roupas de balada, talvez por influência do que faço para a Sabrina [Sato] ou por eu ser conhecido como uma figura da noite. É bem eclético, eu teria que ter uma oficina muito grande: tem cliente que busca camiseta, jeans, body. Cada cliente é uma mão de obra.

Influência das raízes nordestinas e inspirações

Sempre quando me perguntam o que trouxe do Nordeste, acho que é a paciência porque adoro bordado e todos esses trabalhos manuais que eu chamo de “preso”, que te mantém duas semanas em uma mesma roupa. Já estou ficando cansado, mas preguiça, nunca. Quando comecei, a tendência era ir para o lado regionalista ou para o “japonismo”, mas eu gosto mesmo é da noite, do brilho e do ousado.

Altar religioso que fica na sala da casa de Walério ©Juliana Knobel/FFW

Quanto a inspirações, eu sou bem eclético. Acho que música é lugar; adoro dançar, mas quando estou em casa às vezes gosto de acender um incenso com música indiana, Erykah Badu ou Sade Adu. Em Lajedo, na adolescência, ficava dando piruetas ao som de A-HA, Pet Shop Boys e Madonna. Adoro sertanejo para chorar, gosto de algumas músicas de Joelma [banda Calypso]; agora estou curtindo minha amiga e cliente Gaby Amarantos. Adoro Maria Rita, Ana Cañas, enfim, gosto de tudo; é uma loucura!

+ Veja também as entrevistas do FFW com:

+ Abaixo mais imagens da loja e da casa de Walério Araújo, ambas localizadas no edifício Copan, em São Paulo:

Walério Araújo-12
©Juliana Knobel/FFW
A fachada da loja de Walério Araújo no edifício Copan, em São Paulo

Primeiro dia da Casa de Criadores traz diversidade de ideias e referências

13/12/2011

por | Moda

Walério Araújo e seus longos multicoloridos ©Agência Fotosite

Começou segunda-feira (12.12) a 30ª edição da Casa de Criadores. O evento, que agora acontece no recém-inaugurado Cine Joia, na Liberdade, foi aberto pelos jovens estilistas do Projeto LAB, braço da CdC que permite a novos talentos da moda exibir minicoleções de dez peças.

Projeto LAB

O carioca Fernando Cozendey estreou com uma coleção interessante e uma cartela de cores clássica e eficaz: preto e branco. As peças, de formas ajustadas e com muitas franjas, foram desenvolvidas em sua maioria com cirrê (ou laqueamento, técnica empregada para deixar os tecidos com aspecto lustroso e brilhante) e apresentavam estampas de esqueletos de animais e de elementos do guarda-roupa masculino, criando um verdadeiro “trompe-l’oeil”.

Coleção de Fernando Cozendey ©Agência Fotosite

Luiz Leite, vencedor da primeira edição do Fashion Mob, foi o segundo a entrar na “passarela” do Cine Joia – que, na realidade, era um palco – mostrando uma coleção masculina extremamente invernal e monocromática (off-white). Gorros, trench coats, calças e casacos: o homem de Leite chega preparado para temperaturas siberianas.

Coleção de Luiz Leite ©Agência Fotosite

A última representante do Projeto LAB a desfilar foi Gabriela Sakate. A jovem estilista trouxe uma coleção enxuta de formas elegantes e cores básicas, quebradas por tons metálicos de cobre e roxo.

Coleção de Gabriela Sakate ©Agência Fotosite

Alê Brito

Após um pequeno curta-metragem criado especialmente para a abertura de sua coleção, o estilista foi mais uma vez fiel ao seu estilo rock n’ roll. Ao som de Hole e The Runaways, a coleção mostrou uma variedade de jaquetas e calças de couro, além de tecidos metalizados. Impossível não lembrar as peças de Christophe Decarnin para a Balmain…

Looks de Alê Brito na Casa de Criadores ©Agência Fotosite

Juss

A estilista Juliana Souza, publicitária e diretora de arte, ganhou gosto pela moda masculina no período em que foi assistente de João Pimenta. Com muita alfaiataria, tecidos acetinados e uma cartela de cores vasta, a Juss agradou ao público masculino com uma coleção extremamente usável.

Looks da marca Juss na Casa de Criadores ©Agência Fotosite

Ronaldo Silvestre

Com looks masculinos e femininos, Ronaldo Silvestre apresentou uma coleção extensa com roupas que envolviam os modelos como gaiolas ou camisas de força. Muitas tachas e amarrações deram vida a uma série/conjunto de produções pesadas, apesar da cartela de cores trabalhar com tonalidades leves, como o amarelo canário e o branco.

Looks de Ronaldo Silvestre ©Agência Fotosite

Mark Greiner

O estilista cearense apresentou uma coleção que lembra o espírito dos desfiles de Alexander McQueen, com elementos lúdicos e ousados. Com a participação do cantor andrógino Daniel Peixoto (ex-Montage), o desfile teve como temáticas o hipismo e a Idade Média. A gama de tecidos e a cartela de cores foi a mais rica da noite: brocados, lúrex, tule, veludo, tecidos acetinados e muito preto e dourado.

Looks de Mark Greiner ©Agência Fotosite

Walério Araújo

A grande expectativa (e surpresa) da Casa de Criadores parece ficar sempre com o pernambucano Walério Araújo. Com styling de Paulo Martinez e trilha sonora ao vivo, a coleção foi toda composta por vestidos longos. Os primeiros 12 looks foram todos pretos e cinzas e, quando a plateia já esperava apenas um desfile sóbrio, Walério soltou uma enxurrada de cores: roxo, laranja, verde limão, pink e amarelo em vestidos de tule.

Na primeira etapa do desfile, a dos looks escuros, os vestidos eram mais ajustados ao corpo e usáveis em quaisquer ocasiões formais, comerciais mesmo. Já os longos super coloridos são a representação da personalidade do estilista: exuberantes, ousados e muito extrovertidos. A plateia presente no Cine Joia aplaudiu de pé e Walério, claro, sambou e mandou beijos como o verdadeiro showman que é.

Walério Araújo ©Agência Fotosite

Walério Araújo ©Agência Fotosite

Multimarcas faz projeto que mistura design, moda e fotografia

07/06/2011

por | Moda

207428_10150151816147192_739832191_6492737_4003858_nO estilista Walério Araújo prepara coleção para a CYCO5 ©Divulgação

A multimarca CYCO5, que vende marcas como Totem, Cantão, Redley, Foxton, entre outras, apresenta nesta terça-feira (07.06) a primeira edição do projeto Designers5, com lançamento de uma coleção exclusiva do estilista Walério Araújo e uma exposição de fotos do produtor Carlos Pazetto.

O espaço foi inaugurado no final de 2010 e tem como conceito trabalhar a moda, o design, a fotografia e a arte em um só local. O projeto Design5 é uma série de apresentações do trabalho de artistas, fotógrafos, designers e estilistas e, nessa primeira edição, conta com cenografia da AB Design, marca recém-criada pelas irmãs Alessandra Abdala Perpetuo e Seide Abdala, que escolheram móveis, objetos, quadros e peças de decoração para compor esse cenário.

Quem abre o projeto é Carlos Pazetto. O produtor de eventos mostra seu lado fotógrafo na CYCO5, em uma galeria de sete fotos pessoais inéditas e exclusivas para o Design5. Pela primeira vez Pazetto expõe e coloca suas fotos à venda — serão 10 unidades de cada fotografia. Cada exemplar, de 50 x 70 cm deve custar, em média, R$ 2.500.

pazetto_divulgacao Uma das fotos de Pazetto ©Carlos Pazetto/Divulgação

Já a participação de Walério Araújo fica por conta de peças exclusivas que o estilista preparou para a CYCO5. São Bolsas, bonés, vestidos, luvas, camisetas e outras peças assinadas por Walério, que vão de R$ 140 a R$ 580.

Projeto Design5 na CYCO5

07.06 das 19h às 00h
R. Dr. Melo Alves, 496 , Jardins, São Paulo – SP
(11) 3081-1612

Casa de Criadores Inverno 2011: as 5 belezas + legais!

02/12/2010

por | Beleza

Colaborou Sarah Lee

Se depender das belezas apresentadas nos 3 dias da 28ª Edição da Casa de Criadores, no inverno as mulheres vão usar muito batom vermelho, bem vibrante, gloss _costume um tanto abandonado pelos make-up artists, mas não pelas brasileiras_ olho marcado com muito preto, marrom, ou só delineador, e cabelo preso nas mais diversas variações: trança, coque, rabo de cavalo baixo ou com textura molhada.

Elegemos as belezas + marcantes _e legais_ e revelamos como elas foram feitas. Confira na galeria!

Começa hoje! O que esperar da 28ª edição da Casa de Criadores

26/11/2010

por | Moda

Começa hoje (29/11) a temporada de moda inverno 2011 no Brasil, com desfiles da 28ª edição da Casa de Criadores no Centro de Convenções do Shopping Frei Caneca nos dias 29, 30 e 01.

O FFW adianta o que esperar das apresentações!

WALÉRIO ARAÚJO

WALeRIO-ARAuJO© Divulgação

O estilista, que abre os trabalhos da CdC, fará uma homenagem aos amigos e parentes que perdeu, numa releitura do luto. O conceito de renascimento e a representação das várias formas de despedida dos mortos praticadas ao redor do mundo vão permear a coleção, que trará muito da estética de moda dos anos 90.

R. ROSNER

RODRIGO-ROSNER_C01© Divulgação

Uma versão atualizada de Lady Chatterley (protagonista do romance erótico escrito em 1928 e proibido de circular até meados dos anos 60) estará nas passarelas de R.Rosner, que contará com roupas esvoaçantes, bordados e transparências. E nada de minimalismos.

DANILO COSTA

DANILO-COSTA© Divulgação

O universo de uma criança e seus amigos imaginários _e fantasias e brincadeiras_ inspirou Danilo Costa nesta coleção. O filme “Onde Vivem os Monstros”, de Spike Jonze _adaptação do clássico da literatura norte-americana, de 1963, escrito e ilustrado por Maurice Sendak_ foi o ponto de partida da coleção, e afirma o caráter lúdico e sentimental das criações de Danilo. “Meu inverno é uma grande brincadeira, com direito a animais como ursos, corujas e unicórnios. Surgem daí minhas duas principais estampas _geleiras e iglus_, e também o trabalho com pelos artificiais”, definiu o estilista.

GERALDO COUTO

GERALDO-COUTO© Divulgação

A Espanha sob as lentes do cineasta Pedro Almodóvar, com suas dançarinas de flamenco, fazem parte das referencias para a coleção inverno 2011 de Geraldo Couto. Pode-se esperar comprimentos curtos, vestidos de silhueta ajustada, e os tons de vermelho, preto e prata bastantes presentes. O estilista vai trabalhar com shantung, seda, tule e renda, além de telas de acrílico com aspecto brilhante.

SUMEMO

A marca que tem streetwear no sangue levará à passarela looks femininos mais elaborados do que as usuais camisetas, jeans e moletons. Quem assina as peças da coleção de inverno da SUMEMO é a dupla Igi Ayedum e Marcelo Salgado, e o styling é de Dudu Bertholini, da Neon, e David Pollack, da D’Arouche.

JACINTO (Lab)

JACINTO© Divulgação

Marca estreante, a Jacinto, dos estilistas Douglas Pranto e Glaucio Paiva, mostrará um inverno focado na androginia, com mistura de masculino e feminino, e leve e pesado. Com predominância do preto e tecidos naturais, como seda e algodão, a marca foca na alfaiataria e camisaria, com estruturas rígidas, porém com transparências, para denunciar as curvas femininas.

JUSS (Projeto Lab)

JUSS© Divulgação

Propondo mix de estampas e texturas, Juliana Souza (a Juss) buscou inspiração nos quadrinhos e na música. Como referências centrais, o personagem Starwatcher, do francês Jean Giraud (também conhecido como Moebius), e as músicas Hunter e Wanderlust, da cantora islandesa Björk, cujas letras falam de um caçador e um viajante em busca do novo. Fazem parte da coleção tecidos com influência indígena e peças práticas, idealizadas para os tais caçadores e viajantes.

GABRIELA SAKATE (Projeto Lab)

Em seu segundo desfile na Casa de Criadores, Gabriela faz uma colagem de transparências, para explorar pesos e tramas. Tudo em silhuetas bem minimalistas e tecidos estruturados, em cores neutras como preto, bege e off – white.

LUIZ LEITE (Projeto Lab)

O estilista que tem apelo sustentável traz coleção inspirada nos lavradores _idéia que surgiu quando ele observava o plantio do algodão. Assim, pode-se esperar uma coleção que retrata o homem do campo e todas as suas referências, como luvas, chapéus e sobreposições. A alfaiataria representada por Luiz Leite foi feita por alfaiates do interior de São Paulo, que têm como público os próprios trabalhadores rurais.

CYNTHIA HAYASHI (Projeto Lab)

CYNTHIA-HAYASHI© Divulgação

Com inspiração nos sonhos, sejam os que temos dormindo ou acordados _e nas dúvidas, fragilidades e associações, nem sempre lógicas, trazidas por eles, Cynthia aposta em tecidos transparentes e opacos. Além disso, a estilista vai trabalhar com peças intercambiáveis, cujas partes unidas por zíperes podem ser utilizadas em outros looks, em referência à construção e desconstrução de fatos e mensagens que acontecem enquanto dormimos.

ALE BRITO

ALE-BRITO© Divulgação

Outro estreante no line-up da Casa de Criadores, Ale Brito, estilista, DJ e club kid, já trabalhou com a marca As Gêmeas durante quatro anos, e agora, em sua coleção individual, traz o punk rock como principal influência. Couro, vermelho, azul, preto e branco estarão presentes na passarela, tanto para homens, quanto para mulheres.

JADSON RANIERE

Soldados, guerreiros e gladiadores estarão na passarela de Jadson Raniere. O estilista vai usar nylon e couro para fazer peças rígidas e estruturadas, com cartela de cores enxuta, com preto, off white, tons de ferrugem e bronze, revelando a forte influencia da indumentária bélica na coleção.

GUSTAVO SILVESTRE

Gustavo Silvestre reflete preocupação ambiental e seu interesse pela miscigenação cultural brasileira em sua coleção do inverno 201. O estilista constrói roupas com materiais reciclados, desmonta calças jeans (em parceria com a marca sustentável “Será o Benedito?”) e cria silhuetas femininas com volumes diferenciados. As apostas de cores são o rosa, vinho e ocre, e muitos bordados. Uma linha de bijuterias, chamada Ananaíra, também será lançada no desfile com a mesma proposta.

KARIN FELLER

KARIN-FELLER_02© Divulgação

Com a coleção “Wake Up Call”, Karin Feller retrata a fauna e flora noturnas, como corujas, lobos e damas-da-noite. A escolha dos tecidos combina materiais fluidos com estruturados, neutros com coloridos e bastante verde militar.

WEIDER SILVEIRO

As memórias nordestinas do estilista são a base da coleção de inverno 2011 de Weider Silveiro. A inspiração vem de Raimundo Jacó, figura bondosa, inteligente e corajosa que, após despertar admiração e inveja como vaqueiro, acabou sendo assassinado em meio à caatinga e velado apenas por seu cão. As referências aparecem por meio de casacos e vestidos feitos em tecidos como tricoline, voil, couro sintético e malha de lã. As cordas, elementos indispensáveis à atuação do vaqueiro, e arabescos também estão presentes.

oNONO

onono© Divulgação

O projeto comandado por Ad Ferrera, que participa pela 4a vez da Casa de Criadores, apresenta sua coleção na passarela pela primeira vez _em edições anteriores, o projeto promoveu instalações e eventos em paralelo ao calendário de desfiles. Intitulada Axé, a coleção reúne uma miscelânea de cores e estampas em peças urbanas e unissex. O tema é “um exercício criativo de observação, apropriação e deformação de estéticas e linguagens consideradas típicas brasileiras, retratadas de maneira pop”, contou o estilista. Os destaques são o jeanswear revisitados e peças-estampa (roupas com modelagem no formato da estampa).

DER METROPOL

O estilista Mario Francisco, nome por trás da Der Metropol, encerra a programação da 28ª Casa de Criadores com coleção inspirada na animação japonesa “A viagem de Chihiro”. A marca pretende reforçar o caráter pop de suas criações por meio de materiais ultra coloridos e não têxteis. O japonismo dos anos 90 e as transparências em preto também estarão presentes.

As marcas Rober Dognani e Arnaldo Ventura não enviaram informações de suas coleções até o fechamento desta matéria.

CdC inverno 2010: Walério Araújo

24/11/2009

por | Moda

Quando Walério Araújo anunciou que o tema de seu inverno 2010 seria o conto de fadas “O Mágico de Oz” (mesmo tema explorado pela Maria Bonita Extra no Fashion Rio Verão 2010), já sabíamos que não seria uma interpretação literal. “Tomei muito cuidado pra não deixar minha coleção virar figurino”, explicou ao site SPFW momentos antes do seu desfile começar no Museu da Língua Portuguesa, no centro de São Paulo.

Do coração do Homem de Lata saem recortes em tule e chapas metálicas, ou então aplicações no vestido vermelho de saia armada e também na forma do decote nas costas de um vestido roxo, contornado por pedras vermelhas. Do Leão brotam franjas que adornam blusas e vestidos, escorregando pelo comprimento de barras e mangas em referência ao Espantalho. E, claro, de Dorothy vem o sapato de rubi (aqui um modelo Anabela de Fernando Pires decorado com purpurina vermelha e amarração de cadarços pretos) e a estampa pied-de-poule, que dá um ar mais clássico e sofisticado para o xadrez vichy do vestido romântico usado pela protagonista da história.

1Os personagens de “O Mágico de Oz” na visão de Walério Araújo: Dorothy, Leão, Homem de Lata e Espantalho ©Agência Fotosite

O impressionante é ver como o tema, que já é muito forte, foi superado pela identidade de Walério: sensual e fetichista, mas sem lugar para vulgaridades. O romantismo de Dorothy é visto “como uma vontade de seduzir e conquistar um parceiro”, conta o estilista. “A minha Dorothy é uma dominadora”, brinca.

Ajustando formas ao corpo e trabalhando de forma muito inteligente com transparências – das sedas aos crochês – e decotes, Walério insinua sua sexualidade sofisticada, adulta e nada óbvia. No final, faltou a apoteose, o elemento “show” do “fashion”. Mas a explicação é clara: nesta temporada, toda a grandiosidade do estilista está nas roupas, mais reais do que nunca.

As quase duas horas de atraso – por conta de problemas com cabelos e make-up – valeram a espera para esta que foi uma das melhores e mais bem executadas coleções da carreira profissional de Walério.