Gaga, Formichetti, Vivanco, Kremer: o alto comando da Mugler em Paris

20/01/2011

por | Moda

A semana de moda masculina de Paris começou ontem já causando um bom barulho. Foi na tarde da última quarta-feira (19/01) que o mundo da moda acompanhou atento o retorno de uma das mais icônicas marcas dos anos 80 e 90, a Thierry Mugler _que a partir de agora passa a se chamar só Mugler.

Sob comando do super stylist Nichola Formichetti, a marca ressurge com força total, e prometendo um novo modelo de criação para o século 21.

mugler©firstVIEW

Com trilha exclusiva de Lady Gaga, que aproveitou a ocasião e amizade com Formichetti para lançar sua nova música (só que remixada para o desfile), a apresentação foi quase uma síntese de como se apresenta e se consome moda hoje em dia. Com um vídeo rolando ao fundo durante toda a apresentação (feito por Mariano Vivanco), modelos entravam vestindo ternos meticulosamente alterados _zíperes em lugares não-convencionais, cortes mais geométricos, proporções alteradas_ e truques de styling pensados para uma combinação perfeita entre projeção e realidade. Cabeças pintadas de preto com uma tinta viscosa, quase um vinil derretido, mangas de látex preto, coletes tipo armaduras 3-D e véus gelatinosos caindo sobre as cabeça de alguns modelos.

Um futurismo possível e nada assustador. Talvez um pouco diferente daquele superpoder que Thierry Mugler imprimia sobre as imagens que criava na passarela. Mas 10 anos depois (ele se aposentou em 2001) essa lógica talvez não faça mais sentido. O futurismo de Romain Kremer, estilista responsável pelo masculino da grife, sempre manteve raízes fincadas na realidade _ou no indivíduo que nela habita.

Nichola Formichett0 lançou mão de uma poderosa _e mais do que esperta_ conexão com a cultura pop. “Minha visão é de moda como arte e como show”, disse em entrevista. Da trilha sonora, assinada por sua amiga e cliente Lady Gaga, passando pela projeção e toda criação de imagem da coleção e desfile, tudo exalava cultura pop. Ainda que uma cultura pop maquiada de subversiva ou underground, mas com aquele poder de penetrar em nossas mentes e martelar como um hit de Gaga nas caixas de som.

Assim como Thierry Mugler, Formichetti não estudou moda, nem teve qualquer formação formal em design. Vale lembra que Mugler codirigiu (reza a lenda) e assinou todo o figurino do clipe de 1992 de “Too Funky” de George Michael. Mais recentemente foi ele também o responsável pelas roupas que Beyoncé usou em sua turnê de 2009.

Formichetti soma incríveis trabalhos nas revistas “Dazed & Confused”, “V” e “Vogue Homme Japan”, além de todo seu histórico com Lady Gaga, a qual conheceu em 2009 durante uma seção de fotos. Sob seu comando estão 2 incríveis estilistas: Romain Kremer no masculino e Sebastin Peigne _que estava há 10 anos na Balenciaga_ no feminino.

Como Suzy Menkes, editora de moda do “IHT’, escreveu: talvez seja uma nova fórmula de se fazer moda e reviver marcas adormecidas. Com diretores de criação com visões para muito além dos arquivos das marcas e dos cadernos de desenhos. “Uma moda sem fronteiras _é nova, sou eu, é jovem, é global, é digital”, justificou Formichetti.

+ Veja o desfile completo aqui.

Nicola Formichetti estreia hoje na Thierry Mugler com música inédita de Lady Gaga

19/01/2011

por | Moda

Nicola Formichetti não está contente em ser “apenas” stylist de Lady Gaga. Ele também quer fazer barulho _literalmente_ em torno de sua estréia como diretor criativo da Thierry Mugler, no desfile da coleção masculina que acontece nesta quarta-feira (27/01) em Paris. Para isso, Nicola contará com a participação de Lady Gaga como “diretora musical”. Trocando em miúdos, a cantora pop vai liberar uma música inédita do seu novo disco, “Born This Way”, lançado em maio deste ano, como trilha da apresentação.

NICHOLA_muglerPrévias da coleção de estreia de Formichetti na Mugler © Reprodução

O estilista criou grande expectativa em torno de sua coleção de estreia, chamada de “Anatomy of Change”: liberando fotos estratégicas de preview no twitter e em seu blog. Afinal, nem só de coleções secretas se faz barulho na moda.

Nicola chamou Maxime Buechi, diretor criativo da Sang Bleu, revista de tatuagens com olhar de moda, para criar o novo logo da marca e fazer a direção de arte das imagens de preview da coleção. O modelo que aparece nas imagens liberadas por Nicola, aliás, é Rick Genest _mais conhecido como Zombie Boy_, que tem tem o corpo inteiro tatuado (inclusive rosto) como um esqueleto.

Na Thierry Mugler, Formichetti também vai supervisionar dois novos designers, Sébastien Peigné, que tem 10 anos de experiência na Balenciaga, e Romain Kremer, estilista experimental que tem marca própria, masculina, desde 2005. O stylist _que é filho de mãe japonesa e pai italiano_ já prestou consultoria para marcas como Alexander McQueen,Prada, D&G, Missoni, Adidas, Nike e  MAC.

Ele também é diretor de moda da Uniqlo, marca de fast fashion japonesa, além de diretor de moda da publicação Vogue Hommes Japan (o editorial em stop motion da edição #5 aconteceu sob sua batuta), onde supervisiona o processo de produção da primeira à última página. Vale lembrar Lady Gaga estampou a capa dessa mesma edição, vestida (ou travestida) de homem, como Jo Calderone. Será a cantora uma espécie de talismã da sorte de Nicola Formichetti?

UNIQLO_VOGUEEditorial em stop motion e campanha da Uniqlo: trabalhos de Nicola Formichetti © Reprodução

Conheça Romain Kremer, o estilista do masculino de Thierry Mugler

19/01/2011

por | Moda

Colaborou Romeu Silveira

Seu nome ainda não é muito conhecido no metiê fashion. Pelo menos dentre aqueles mais mainstream. Então, se você nunca ouviu falar de Romain Kremer, tudo bem, você não está de todo alienado. Acontece que agora, este estilista que há algumas temporadas vinha ganhando considerável notoriedade, promete ter seu trabalho catapultado a proporções que jamais imaginou neste dia 19 de janeiro, quando apresnta sua primeira coleção masculina para a marca Thierry Mügler.

Quando Nichola Formichetti _stylist e um dos primeiros a apostar no trabalho de Kremer_ assumiu a direção criativa da então dormente grife Thierry Mügler, parece natural que convidasse seu amigo e colaborador para assinar o estilo das coleção masculinas.

2005Imagens do desfile que conferiu o prêmio do festival de Hyères para Romain Kremer © Reprodução

O francês Romain Kremer foi revelado pelo festival de moda e fotografia de Hyères em 2005. Pouco comerciais, alheias às tendências e super autorais, suas coleções dificilmente passam pelo crivo das grandes publicações de moda. Logo no começo de sua carreira, foi Nichola Formichetti, na Dazed & Confused que o colocou na revista, em alguns dos editorias mais absurdos daquela época.

Foi daí também que surgiu a parceria entre Kremer e Robbie Spence, editor de moda masculina da Dazed, e hoje o responsável pela imagem dos desfiles da marca Romain Kremer.

Especializado em moda masculina, suas roupas futuristas questionam a sexualidade e exploram novas percepções do corpo humano. Apesar de parecerem visões muito futuristas, as criações de Kremer merecem destaque pelo papel indispensável que exercem na evolução do menswear.

Suas experimentações com volumes, materiais inusitados e proporções esquisitas têm ajudado a enfraquecer alguns paradigmas que teimam em assombrar o guarda-roupa do homem contemporâneo.

rk11Imagens do backstage de Romain Kremer, coleção verão 2010 © Reprodução

O seu verão 2011, por exemplo, apresentado durante a semana de moda masculina de Paris, trabalhou com coletes que vinham com detalhes que lembravam vestes à prova de bala, um sportswear de contornos futuristas e uma silhueta levemente estruturada. Calças afastadas do corpo, regatas, maxi óculos, camisetas, body suits e chapéus gigantes indicavam um verão leve e divertido que só pode existir numa praia do próximo século.

Um ano antes, para o verão 2010, Kremer usou materiais como lycra e materiais sintéticos pra desenvolver a coleção. Romain explicou que as máscaras que os modelos usaram servem para “explorar, mas ao mesmo tempo proteger, desse mundo poluído em que vivemos“.

romain-kremer-mykita-eyewearÓculos de Romain Kremer para Mykita © Reprodução

Não demorou muito também para que outras marcas percebessem o potencial criativo deste estilista. Assim, no primeiro semestre de 2010 Romain lançou uma parceria junto com a Mykita para desenvolver óculos. A primeira leva foi inspirada no cosmonauta soviético Yuri Gagarin (foto acima), o primeiro homem a viajar pelo espaço em 1961. O estilista disse, na época, que essa criação serve para “proteger o terceiro olho e o cerebro e reforçar a idéia de um novo tipo de homem, com toques de guerreiro sci-fi“. A peça custava a bagatela de 575 euros.

Confirmou: Formichetti assume o comando criativo da Thierry Mugler

13/09/2010

por | Moda

20090603_formechetti_560x375Nicola Formichetti: stylist que começou no circuito alternativo de publicações de moda ganhou o mundo ao se associar com a cantora Lady Gaga ©Reprodução

Os boatos em torno da grife de Thierry Mugler não param de ser ventilados. Depois de se especular que o inglês Gareth Pugh seria o novo diretor criativo da marca, agora a bola da vez é o stylist nipo-italiano Nicola Formichetti _conhecido por seus trabalhos na “Dazed & Confused”, “V”, “Vogue Hommes Japan” e, principalmente, com Lady Gaga.

Diz que os rumores são verdadeiros (é possível um rumor ser verdadeiro?): segundo nota publicada na quinta-feira (09/09) no “WWD”, Formichetti estaria quase assinando seu contrato com a grife.

UPDATE: na manhã desta segunda-feira (13/09), Formichetti anunciou oficialmente no seu blog que ele será o diretor criativo da maison Thierry Mugler.

+ Blog do Formichetti: nicolaformichetti.blogspot.com

+ Perfil no Twitter: @formichetti

CEO quer que o novo perfume de Thierry Mugler seja o “Angel do século 21″

04/08/2010

por | Beleza

“É a primeira vez que a Thierry Mugler faz um lançamento mundial de uma fragrância”, disse Joël Palix, CEO do Grupo Clarins, detentor da marca francesa criadora do lançamento Womanity. O empresário veio ao Brasil especialmente para apresentar o novo perfume, uma mistura de caviar e figo, extraído de uma nova maneira molecular.

O nome é uma mistura de 3 termos _Woman + Community + Humanity (mulher, comunidade e humanidade, respectivamente)_ que representam bem o conceito que a grife espera passar. “Espero que Womanity se torne um segredo compartilhado pelas mulheres”, disse Palix, que revelou que a esperança da marca é que o perfume se torne “o Angel do século 21″.

Acompanhando a essência veio um site interativo, o Womanity.com, lançado em 8 de março de 2010 em diversas línguas. O endereço já conta com 1,5 milhões de visitantes únicos (100 mil no Brasil) e cerca de 6000 mulheres cadastradas.

thierry-mugler-womanityWomanity em perfume (R$ 245 por 50 mL), body milk (R$ 194) e shower gel (R$ 181) ©Divulgação

A idéia, que veio do próprio Mugler, é que o portal se torne uma fonte de criatividade para a criação de outros produtos e também para filantropia: ele escolherá algumas causas e projetos culturais postados para presentear com doações.

Como costumam ser os perfumes da Thierry Mugler, Womanity é interessante mas não é fácil: é preciso um tempo para se acostumar com a inusitada mistura de doce e salgado, que muda de intensidade na pele. Por isso, Palix é precavido quando fala em números: “é fácil prever as primeiras vendas. Mede-se a confiança e fidelidade dos consumidores e tem-se um número próximo, para mais ou para menos. Mas nunca se sabe cedo como será [a performance futura].”

Apesar de tanto a campanha quanto a garrafa de Womanity (ambas criadas por Mugler) terem um apelo maior para mulheres jovens, a marca quer atingir o público feminino “de todas as idades e de todas as partes”. “Um perfume é uma escolha pessoal, e um bom produto é duradouro”, aposta Palix.

Womanity chega ao mercado brasileiro em agosto. O SAC é 0800 704 3440.

O novo perfume de Thierry Mugler + 3 lançamentos da marca no Brasil

07/05/2010

por | Beleza

Thierry Mugler sabe das coisas quando se trata de perfumes. Afinal, uma das fragrâncias mais reconhecidas do planeta é da marca: apesar de ter sido lançado em 1992, o Angel continua um bestseller mundo afora. O novo lançamento da marca, intitulado Womanity, é o primeiro desde 2005, quando foi lançado Alien.

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Em entrevista ao “WWD”, o presidente da Clarins Fragrance Group, dona da Thierry Mugler Parfums, disse que a marca quer “reinventar o molde da indústria de fragrâncias mais uma vez” – e arrecadar milhões de dólares por ano no processo, como faz anualmente o Angel (cerca de US$ 264 milhões) e o Alien (US$ 158 milhões).

O cheiro de Womanity foi pensado por Mugler como um contraste entre doce e apimentado, e feito através de um novo processo de extração molecular. Os ingredientes são inusitados: figos, caviar e amadeirados da própria figueira.

Womanity também é ecofriendly: o uso de papelão foi diminuído ao máximo e o frasco permite refil.

Para ajudar na divulgação do perfume, que tem a população feminina em geral como alvo, foi criado o site Womanity.com, e há planos para concursos online que premiarão a vencedora com um estágio ao lado de Mugler.

A fragrância começa a ser vendida online em junho e, no Brasil, tem chegada prevista para setembro.

Mas há outras novidades em solo nacional: novas versões de Alien, Angel e A*Man já estão à venda no país; veja na galeria.

Thierry Mugler
SAC: 0800 704 3440
+ www.thierrymugler.com

Beyoncé atesta sua realeza pop com mega show em São Paulo

08/02/2010

por | Cultura Pop

Beyoncé tem uma trajetória singular na música pop: aos 28 anos, a cantora mistura os passos de Tina Turner e Diana Ross numa só carreira. Ex-vocalista de um trio r&b, as Destiny’s Child, ela se destacou (com ajuda do pai, seu empresário) deixando as duas companheiras no passado. Essa é a parte Diana Ross da história. Em sua outra metade, Beyoncé incorpora uma Tina Turner up-to-date que tira do marido, o mega rapper Jay-Z, boa parte do seu repertório musical. Qualquer semelhança com Tina e Ike é mera coincidência, já que, diferente de Turner, quem paga as contas em casa é Beyoncé.

Depois de ganhar 6 prêmios no último Grammy com o disco “I am… Sasha Fierce”, a cantora veio ao Brasil para uma turnê de cinco shows em Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Clipboard01Beyoncé no estádio do Morumbi, em São Paulo: “Esse é provavelmente o maior show da minha carreira”, disse a cantora © Marcos Hermes

O portal FFW cobriu a apresentação no Estádio do Morumbi, em SP, no último sábado (06/02). Beyoncé subiu ao palco pontualmente às 22h envolta numa nuvem de gelo seco, vestindo meias nude e usando maiô de brilhantes em degradê (amarelos, laranjas, acobreados e dourados) de Thierry Mugler – o estilista francês que assina o figurino de todo o show. Acompanhada de duas dançarinas, a banda “Suga Mamas” e o trio “The Mamas”, ela abriu o set com o megahit “Crazy In Love”, faixa que a projetou como estrela solitária em 2003.

A plateia, histérica seguiu em polvorosa com “Naughty Girl”, outro hit do disco “Dangerously In Love”. Rebolando, deitada no chão, pulando e batendo loucamente a peruca, Beyoncé estava visivelmente extasiada. “Esse é provavelmente o maior show da minha carreira”, confessou. “Eu não sabia que tinha tantos fãs no Brasil. Muito obrigado por me receberem”.

A energia do início aos poucos evapora dando lugar a um tracklist mais ameno, por muitos considerado cafona: ela privilegia as canções românticas e baladas dos seus três discos solo, como “Broken Hearted Girl” e “If I Were A Boy”. Os figurinos também se arriscam demais, e em alguns momentos nem mesmo a licença para abravanar de Mugler sustenta. Entre os pontos baixos, vale citar a segunda pele de leopardo com colete preto cravejado de cristais e o maiô branco com capa esvoaçante. O overkitsch é quando Beyoncé aparece vestida de noiva para cantar “Ave Maria”.

Mais próxima do final, a apresentação reganha fôlego com outro hit, “Baby Boy”. Novamente emocionada, Beyoncé quebra o protocolo e canta, a capella, sem errar uma única nota, a poderosa balada “Listen”, do filme “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho”. Depois de uma engraçada interação com o público, ela canta “Say My Name”, das Destiny’s Child, e faz mais uma troca de roupa.

O clímax vem quando o telão passa a exibir vídeos de anônimos e celebridades como Barack Obama e Justin Timberlake fazendo a dança de “Single Ladies” , videoclipe que conta mais de 6.917.679 exibições no You Tube e cerca de 187.000 imitações caseiras. De maiô preto brilhante, Beyoncé volta ao palco e põe o estádio abaixo com o hit, evocando de vez Tina Turner com extremo sucesso. O bis ainda guardava a radiofônica “Halo”, música que rendeu um Grammy de Melhor Performance Vocal Pop Feminina à cantora. Mas a esse ponto o jogo já estava ganho.

Enquanto o mundo procurava em Britneys e Aguileras a ambição loura de Madonna, Beyoncé correu pelas beiradas, trabalhou mais do que todos no showbusiness, e hoje assume no mundo pop um posto (merecido) que só pode ter uma definição: o de realeza.

Beyoncé ainda se apresenta nesta segunda-feira (08/02) no Rio de Janeiro; e na próxima quarta-feira (10/02) em Salvador, Bahia.

Site oficial: beyonceonline.com