Após demissões, Olivier Theyskens encontra seu lugar na moda

28/10/2011

por | Moda

Olivier Theyskens ©Reprodução

Olivier Theyskens, 34, nasceu em Bruxelas, na Bélgica, e é um desses atuais designers com muito para mostrar, mas pouco tino comercial. Não que ele não venda, mas o sucesso financeiro de suas criações veio depois de um longo caminho de duros aprendizados.

Longo mesmo, já que Olivier começou a desenhar e costurar roupas com seis anos de idade. “Enquanto os outros garotos sonhavam em ir para a lua ou se tornarem médicos, eu queria ser um estilista”, contou em uma entrevista à “Forbes”. Depois disso, o pequeno Olivier foi para a faculdade de moda, a “La Cambre School of Visual Arts” em Bruxelas, mas saiu antes de se formar, para abrir sua própria marca, em 1997.

E apenas um ano depois, os astros se alinharam em uma perfeita combinação e Madonna escolheu um vestido de Olivier para a cerimônia do Oscar, o suficiente para alçar o nome do até então novato ao status de ‘nome importante da moda’. Tudo ia bem, até que ocorreu o “11 de setembro de 2001”, Olivier começou a vender cerca de 40% menos, e ele acabou fechando a marca própria e se mudando para Paris. O caminho depois disso não foi fácil, e ele estampou manchetes de veículos especializados em moda diversas vezes. A essência era sempre a mesma: criação x vendas.

A primeira marca com a qual trabalhou após o fim da “Olivier Theyskens” foi a francesa Rochas, onde ficou de 2002 a 2006. Logo em sua primeira coleção, foi aclamado pela crítica, e recebeu os créditos por criar uma “silhueta completamente nova para a maison”, que era elegante e com influências francesas. A crítica amava cada vez mais o trabalho dele na marca, bem como as celebridades. No período que ele esteve à frente da direção criativa da marca, a Rochas ganhou fãs como Nicole Kidman, Jennifer Aniston, Kirsten Dunst, Kate Bosworth, Jennifer Lopez, Rachel Weisz e Sarah Jessica Parker.

Desfile Rochas Inverno 2005 ©Reprodução

As peças desejo feitas por Olivier eram costumeiramente chamadas de ‘demicouture’, devido ao altíssimo custo, o que as assemelhavam as peças de alta-costura. Alguns de seus vestidos chegavam a custar mais de US$ 20.000. Além disso, Olivier se recusava a fazer uma linha de acessórios para gerar receita para a marca, que conseguia custear sua moda-arte com cada vez mais dificuldade. Isso acontecia porque ele sempre teve uma visão purista da moda, como criação, e não como comércio, se negando a tomar atitudes que fossem ‘vender mais’, e fazia também com que não se importasse com publicidade. Tudo isso culminou com o anúncio em 2006 da Procter & Gamble (dona da Rochas) que a divisão de moda seria descontinuada, o que chocou muitos na indústria da moda. Após o anúncio, o “New York Times” fez uma matéria chamada “Há um lugar para Olivier Theyskens”, na qual um estilista que preferiu se manter anônimo declarou: “Tudo é sobre negócios agora, e a moda não deveria seguir os modelos econômicos normais – esse não é o ponto. O que aconteceu com investir na beleza?”.

Apesar de tudo isso, no mesmo ano o talento de Olivier foi reconhecido ao ganhar o “International Award” do CFDA – Council of Fashion Designers of America, e com o apoio da editora de moda da “Vogue” americana, se tornou diretor artístico da Nina Ricci, em 2007. Logo em sua primeira apresentação, notou-se um amadurecimento comercial em relação ao que fazia na Rochas, com um pouco mais de perspectiva de negócios. A crítica de moda do “Style”, Sarah Mower, escreveu que “Theyskens está sentindo com precisão o fato de que a moda precisa se direcionar a um nível mais jovem e mais casual de se vestir”. No entanto, ele foi substituído em 2009 por Peter Copping, que estava na Louis Vuitton.

Nina Ricci Inverno 2007 ©Reprodução

Quando fala de sua carreira, Olivier diz: “sempre gostei de preservar minha liberdade. Eu nunca fiquei preso realmente a algum lugar, e esse provavelmente é o porquê de eu sempre ficar me mudando. Gosto de evoluir”.

Parecia que não havia lugar para Olivier executar sua criatividade, até que na coleção do Verão 2011 da Theory, uma grife americana criada em 1997, o estilista belga foi convidado a fazer uma coleção cápsula para a marca. Deu tão certo que em agosto o nome dele foi anunciado como novo diretor criativo da Theory, além de manter um linha própria, chamada Theyskens’ Theory.

Mas tudo indica que tanto Olivier achou seu lugar, quanto a Theory achou seu poço de criatividade. Ou, nas palavras da “Forbes”, Rosen pode exercer o papel que Pierre Berger exerceu para os negócios de Yves Saint Laurent, cuidando da parte burocrática e relacionada aos negócios, enquanto ele foca na criação.

Theyskens’ Theory Inverno 2011 ©Reprodução

De qualquer maneira, chama a atenção que Olivier tenha ido para uma marca claramente comercial, ao invés de casas de moda mais, digamos, criativas. Terá ele sucumbido às pressões comerciais? Segundo ele, não. “É sobre fazer uma moda que seja mais acessível, mais comprável. Quando comecei na Ricci, eu fiz moda casual para garotas jovens muito cool, mas o preço a colocava no quarto andar da Bergdorf Goodman, ao lado de Carolina Herrera. Minhas garotas cool não podiam bancar isso. Quando saí da Ricci, tudo o que tinha a minha volta eram garotas usando lindos vestidos de seda da Zara e H&M e era isso que eu queria fazer; roupas que você pode comprar. Foi assim que me interessei pela Theory. Mas eu não acho que eu seja mais comercial. As mesmas pessoas que compravam minhas coleções anteriores são as que estão comprando Theyskens’ Theory”.

Ele ainda acrescenta, sobre criatividade versus business: “Há espaço para criatividade em todos os níveis. Mesmo durante a era de ouro da moda, você tinha casas de alta costura onde os designers não tinham dinheiro”. Sobre a alta costura, ponto máximo da criatividade que quase todos dizem estar com os dias contados, ele comenta: “Não acho que a couture irá acabar. Mas não deve ter pretensões de que irá conquistar o mundo. Não é algo que vai desaparecer porque tudo o que você precisa é de um tecido e uma agulha para começar a fazer”.

Theyskens’ Theory Verão 2012, o desfile mais recente ©Reprodução

E o que mudou do processo de criação de Olivier? Quase nada. “A única coisa que mudou é que eu estou usando todas as experiências que acumulei para guiar as pessoas que fazem o produto. Eu posso fazer 20 vestidos de gala se eu quiser, mas esse não é o ponto. Theyskens’ Theory tem uma conexão forte com a marca Olivier Theyskens. Trata-se de calças, jaquetas, camisas e alfaiataria. Posso trazer meus arquivos e você verá a continuidade”.

Quanto aos atuais ícones de estilo, como a primeira dama americana Michelle Obama, e a Duquesa de Cambridge Kate Middleton, Olivier tem algo a dizer: “Eu gosto de ver o que elas usam, mas não estou interessado. Não é natural. Se você é uma garota se vestindo de manhã pensando no mundo inteiro tendo um ponto de vista sobre o que você esta usando, isso tira o prazer de se vestir”.

Enfant terrible e incompreendido: Theyskens retorna aos holofotes

15/09/2010

por | Moda

theyskensEle está de volta. Só que agora com roupas mais possíveis, mais próximas da realidade. Depois de um período sabático (após ter deixado a direção criativa da Nina Ricci), o estilista belga Olivier Theyskens orquestrou nesta última terça-feira (13/09) seu retorno para o circuito mainstream da moda internacional.

“Theyskens’ Theory” na verdade é o nome de uma coleção especial que o estilista criou para marca Theory. Na prática, isso significou traduzir todo seu arsenal gótico-romântico-belga para um o estilo urbano e possível. Ele trouxe de volta sua expertise em cortes e proporções capazes de dramatizar e sensualizar um simples blazer. Com ombros marcados, encolhidos e levemente projetados para frente, as jaquetas vinham combinadas _quando não com simples sutiãs_ aos tops desestruturados em cortes assimétricos, vestidos soltos e calças que variavam entre as mais sequinhas e ótimas versões de pernas amplas.

Os preços podem não ser tão baratos como os habituais da Theory, mas jaquetas custando cerca de US$ 600, casacos por US$ 200 e tops por US$ 90, ainda podem ser considerados acessíveis. Ainda mais quando seus tecidos são importados da Itália e França e seus acabamentos supervisionados por ninguém menos que Theyskens em pessoa.

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