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Concurso cultural do Clube SPFW leva vencedor para semana de moda de NY

Por Flavia Brunetti, em colaboração para o FFW

Concurso cultural do Clube SPFW e do Stylesight leva vencedor a Nova York ©Reprodução

É convidado de qualquer desfile do São Paulo Fashion Week Inverno 2012? Então comece a fazer as malas porque, se você quiser, também pode ir para o Mercedes Benz Fashion Week, a semana de moda de Nova York.

Como?

Como localizar o código da promoção no verso do seu convite ©Gabriel Colombara/Agência Fotosite

No verso do seu convite há um código que pode ser registrado no site clubespfw.com.br para que responda à pergunta “Qual é o look ideal para uma viagem a Nova York?”. O autor da resposta mais criativa viajará à Big Apple com direito a passagem aérea, hospedagem no recém-inaugurado Hotel Americano, no famoso bairro Chelsea, visita ao headquarter do bureau de tendências Stylesight e dois convites para assistir a um desfile do Mercedes Benz Fashion Week.

Um dos espaços do Hotel Americano, em Nova York ©Reprodução

Esse concurso cultural é uma parceria do Clube SPFW e do Stylesight e vale apenas até terça-feira (24.01), último dia do SPFW Inverno 2012. Ou seja, não perca tempo! E boa sorte!

Concurso cultural do Clube SPFW leva vencedor para semana de moda de NY

Stylesight apresenta caminhos das próximas temporadas

Camila Toledo, diretora de tendências do Stylesight, apresenta os caminhos das próximas temporadas ©Juliana Knobel/FFW

Do terceiro dia de Rio-à-Porter, com apresentação de Camila Toledo, diretora de tendências do StyleSight, saiu o sol e saíram também as tendências que vão pautar a Primavera/Verão de 2012/2013. O site nova iorquino de tendências que hoje conta com 30 mil usuários espalhados pelo mundo (inclusive no Brasil, há quatro anos) funciona somente para assinantes e atua há mais de dez anos com publicações diárias.

A apresentação, intitulada “Runway Roadmap”, procura, como o próprio nome indica, mapear através das passarelas o que vai estar em alta na próxima estação de temperaturas quentes, estabelecendo um paralelo com o panorama cultural e o subconsciente coletivo da atualidade.

Camila Toledo fundamentou a sua apresentação com um olhar para a década que vivemos hoje, a primeira década dos anos 2000, e a oportunidade que essa situação dá à moda e às artes para se reinventarem. “Olhamos hoje para a metade do século passado, agradecendo e despedindo-nos das tendências e estilos que já foram atemporais”, sublinha a diretora. Ela divide as tendências em três partes (quatro, na verdade), utilizando a metáfora das fases do ciclo de vida de uma borboleta. Os grandes blocos de tendências dividem-se assim em “Terra Moderne”, simbolizado pela Lagarta, que vive na terra; “Paper + Ash”, a fase da semi-morte em que a lagarta se prepara para a sua transformação; e a fase “Fashlets”, em que a borboleta se mostra ao mundo com todo o seu esplendor.

A estes blocos, Camila acrescentou ainda o “Crystal Lab”, que representa o milagre da vida, a liberdade e a renovação.

De influências do passado a estampas e formas 3D, prepare-se para ficar indecisa.

Terra Moderne

Referências dos anos 50 são tendência apresentada pelo Stylesight ©Reprodução

Este bloco de tendências se caracteriza por uma arquitetura de formas e pelo reviver do passado, em que aspectos modernos são colocados em ambientes rústicos.

Na passarela, podemos ver silhuetas atemporais confeccionadas com tecidos e técnicas contemporâneos, como o jeans por exemplo, trabalhado de forma artesanal. Um estilo que Camila definiu como “Lady like moderno”.

É uma tendência que traz tudo o que vem da terra, daí estar ligada à fase da lagarta, e apresenta rusticidade nas cores e nos tecidos como o linho.

Cores: A cor da vez é o Terracota e cores que lembrem vegetais: verde, roxo, laranja, vermelho, em tons gastos, que podem ser combinados entre si.

Tecidos: Os tecidos são rugosos, brilhantes e revelam a trama. No algodão ou no linho, por exemplo, os fios são visíveis a olho nu, assumindo assim a influência rústica de que falamos há pouco. O tricô é muito usado com um trabalho assimétrico e artesanal.

Estampas: As estampas são gigantes e geométricas, chapadas no tecido, ou seja, sem sombra, e remetem a algo moderno e retrô ao mesmo tempo, ficando difícil de distinguir o passado do futuro. Este tipo de estamparia remete ao estilo 3D, cada vez mais usado na arte e na moda como representação do presente (que um dia já foi futuro).

Look: Anos 50. O corte é na cintura, quando ela não fica à mostra. As saias lápis chegam estampadas para poderem ser usadas durante o dia e as saias longas são combinadas com tops curtos que podem ser usados sozinhos ou com alguma peça transparente, para compensar o efeito da falta da mini. O substituto da saia é a calça cigarette, também referência dos anos 50.

Acessórios: Em uma palavra – retrô.

Paper+Ash

Ilustração de Kristen Stewart no novo filme de Branca de Neve  ©Alice XZ

A referência utilizada por Camila para este estilo foi o filme “Branca de Neve e o Caçador”, realizado por Rupert Sanders e protagonizado pela ex-vampira sensação Kristen Stewart e Charlize Theron, e onde a personagem doce criada por Walt Disney abandona as suas delicadezas, ingenuidades e fragilidades e veste a capa de guerreira.

Este bloco de tendências é dramático, melancólico e deprimido. Talvez o Brasil até sinta que não tem a ver com o momento que vive hoje mas, entre crises e quedas de governo, o resto do mundo identifica-se muito facilmente.

Cores: Os tons nude, claros e acinzentados viram protagonistas. O amarelo ressurge como substituto do laranja e do vermelho, e em quase todos os seus tons. Quase, porque dos pastéis ao amarelo limão, só não podemos usar o amarelo canário. O tie dye e o degradé estão de volta não com influência hippie, mas sim para criar, juntamente com o preto, um tom dramático, melancólico e elegante. O branco é usado como referência futurista, puro e luminoso, e serve como contraponto a todo o dramatismo, sendo até permitido (e bastante aconselhado) o look total.

Tecidos: Os tecidos são pesados e estruturados, combinados a tecidos mais leves como a seda e o chiffon, para criar um contraponto. As malhas são drapeadas com muito balanço, criadas com fios leves e finos, e os tricôs lembram teias de aranha, tão finos que são quase transparentes. O couro preto cortado a laser (sem tachas!) reforça o tom dramático (não roqueiro!).

Estampas: Barras assimétricas mas sem acabamentos pontiagudos.

Look: Desconstruído, em camadas e muitas transparências. Calças volumosas e estruturadas que se confundem com saias e jaquetas desconstruídas com recortes que lembram origami.

Acessórios: Como estamos num clima de dramatismo, vamos ver muito trabalho com osso e pedraria.

Fashlets

Vitral de borboleta ©Reprodução

O terceiro bloco de tendências, simbolizado pela saída da borboleta do casulo, significa ressurgimento e força de viver e é representado pelo universo esportivo trazido para a vida urbana.

Se nas temporadas anteriores tivemos a influência do ballet com roupas suaves e com corpos esguios, nesta temporada passamos a olhar para outros esportes.

Cores: O laranja é utilizado como cor que significa fogo – muitas vezes aparece até em camadas e manchado. O turquesa saturado vai ser uma das cores fortes durante esta temporada, assim como o azul cobalto e o rosa chiclete.

Tecidos: Todas estas cores vão estar bem visíveis na textura Croco em couro de cores vibrantes e cortes a laser. Telas, tecidos perfurados e neoprene estampado lembram roupa de mergulho e de academia.

Estampas: Estampas coloridas e jovens. As estampas florais são sci-fi e desenvolvidas com técnicas digitais. A estampa espelho, lembrando a coleção Verão 2010 de McQueen, vai fazer sucesso.

Look: Os recortes são ergonômicos mostrando as formas do corpo. Não tenha medo de abusar dos conjuntinhos esportivos para sair à rua. A atenção vai estar nas costas, por isso invista nelas.

Acessórios: Tudo o que tenha zíper e muita cor vibrante ou transparência.

Crystal Lab

Cristais de quartzo ©Reprodução

Este bloco, já fora da metáfora da borboleta, é uma celebração da vida e do milagre que ela representa.

Na arquitetura traduz-se com construções em vidro, que mudam constantemente, tal e qual a consciência humana e a própria vida.

Assim, este conjunto de tendências representa leveza e renovação.

Cores: Todas desde que sejam femininas e suaves: verde-água, azul e rosa bebê. Os tecidos iridescentes são os responsáveis por colocar todas as cores no holofote.

Tecidos: Os tecidos são iridescentes, plastificados e metalizados. São desenvolvidos com alta tecnologia e a estética é forte. Apesar das cores suaves e delicadas, o traço é moderno e cheio de personalidade.

Estampas: As estampas são combinações florais em harmonia e ainda apliques de flores sobre tela, que novamente remetem ao tridimensional.

Look: Peças em tricô justo e leve, camisas transparentes com “cara de plástico” e vestidos de tecidos e silhuetas simples.

Acessórios: A volta dos cristais que representam feminilidade com traços e caimentos marcantes.

Stylesight apresenta caminhos das próximas temporadas

Stylesight: fique por dentro das próximas direções do mercado de luxo

Cerca de 40% da classe alta nos EUA e Europa prefere alugar uma ilha por um fim de semana ao invés de desfilar com um novo produto de ponta ©Reprodução

O mercado de luxo nunca deixará de estar em alta. Enquanto existir uma classe com poder aquisitivo para obter os mais finos e caros produtos disponíveis, não há crise econômica que possa deter o seu crescimento. Mas o que estes consumidores de luxo irão procurar nos próximos anos? O StyleSight.com publicou um relatório que indica o caminho que as empresas devem seguir.

No que diz respeito aos números, o Luxury Institute prevê um aumento de US$ 26,6 bilhões nas compras em 2012, sendo que os setores mais privilegiados serão os de viagem (18%), tecnologia (16%), automóveis (11%) e aviões particulares (12%). No entanto, o feijão com arroz não irá mais segurar toda essa clientela. As empresas precisarão mudar o seu comportamento e mais que isso: o propósito dos produtos.

Valores fundamentais

Aparentemente estamos em uma época de ressaca do boom tecnológico ocorrido dos anos 90 e 00, quando nos vimos atropelados por uma incessante manada de produtos efêmeros, quase que descartáveis pelo surgimento de seus novos modelos, seja na indústria automobilística, como na informática ou até mesmo na moda. A constante necessidade pela inovação às vezes ia em sentido contrário ao prático, útil e agradável. São esses os valores que o novo consumidor de luxo procura em seus produtos, ou se pudermos resumir em uma palavra, procuram um significado.

Volta às origens: o conhecimento sobre como uma peça foi feita dá o valor essencial para os produtos de luxo hoje em dia ©Reprodução

Não importa mais o que os produtos são capazes de fazer, mas sim as suas origens, tanto pela questão da atenção envolvida na criação, como ao fazer uma bolsa da Gucci, quanto pela questão social. De acordo com as pesquisa do StyleSight, 80% dos americanos dizem que provavelmente trocariam um produto por outro de mesmo preço e qualidade se a marca deste apoiar alguma causa social, sendo que 19% destes aceitariam até pagar mais caro por isso. Kavita Parmar, fundadora do projeto IOU, diz que “se uma pessoa vê o processo e as pessoas envolvidas, elas dão outro significado ao produto”. Em seu projeto, o consumidor consegue acompanhar todo o processo de criação artesanal da roupa, desde as mãos do tecelão até a chegada do produto em sua residência.

O futuro do luxo

Em um momento em que o marketing está completamente voltado para a internet e redes sociais, a indústria do luxo não poderia ficar de fora. Em 2010, o aumento das vendas online de artigos luxuosos foi de 20%, sendo que 91% dos consumidores querem ver suas marcas presentes na internet. Cerca de 80% das pessoas de classes abastadas usam a internet diariamente e 95% dos que possuem uma renda anual de mais de US$ 1 milhão fazem suas compras online.

Apesar de preferirem o contato pessoal com os vendedores, 95% da classe alta fazem suas compras online ©Reprodução

Um estudo sobre o mercado revelou que a publicidade em massa pela internet gera uma sensação de distanciamento entre as empresas e seus compradores. Temos aqui uma perda de uma intimidade com os vendedores. O que o novo consumidor procura é um contato pessoal que possa esclarecer suas dúvidas e não somente um twitter que publique mensagens impessoais.

Usando a tecnologia oferecida pelos tablets e smartphones, as marcas procuram disponibilizar online todas as informações possíveis sobre seus produtos, mas não só para o público pagante. Ao chegar em um loja em que um funcionário possui todas os detalhes de um produto, isso faz com que o comprador se sinta confiante, algo que não acontece geralmente com as marcas voltadas para as massas.

Imagem da campanha para o “Eau de Parfum”, da Bottega Veneta ©Reprodução

Outro ponto importante é perceber as necessidades e desejos da nova geração. A primeira fragrância da Bottega Veneta, “Eau de Parfum”, teve um vídeo online como meio para atingir o público jovem. A Chanel também fez um vídeo online para a sua campanha no Outono 2011, assim como a Burberry, que é conhecida por sempre disponibilizar seus desfiles ao vivo na internet. Em outro exemplo, em 2009, a Ralph Lauren Rugby produziu um desfile exclusivamente online, em que os telespectadores podiam comprar as roupas em tempo real. Como resultado, as vendas da marca aumentaram em 34% naquela temporada.

Luxo atencioso e repensando o prestígio

Antes da crise, o mercado de luxo vinha com o logo “muito nunca será o suficiente” estampado nos preços, como em um subtítulo de algum filme do James Bond. Agora há uma nova consciência no ar, que diz que o “menos é mais”. Em vez de iates e roupas extravagantes, o novo consumidor prefere comprar algo que possa melhorar a sua vida pessoal. Novamente, algo com significado. Acabou-se a era da ostentação, assim como a compra como esporte. As pessoas irão repensar se realmente precisam de um produto antes de comprá-lo e chegarão à conclusão de que preferem passar um tempo de qualidade com os amigos e família, ou consigo mesmos através das artes.

Os hotéis e serviços de spa estão cada vez mais focando suas energias em procurar saber o que cada cliente deseja, em vez de supor os desejos do público geral. Com relação aos outros setores, Nicole Newman, diretora de desenvolvimento da Opera Nacional Inglesa, diz que está recebendo inúmeras propostas de empresas para a compra de convites especiais, com direito a visita aos camarins e um contato com os atores. Esse tipo de iniciativa, diz Newman, “permite às empresas criarem uma conexão emocional com seus clientes”.]

Parafuso de ouro 24 quilates da Droog – um exemplo do luxo invisível, contrapondo com antiga ostentação ©Reprodução

Exemplificando a cultura contra a ostentação, cerca de 68% dos consumidores dizem que não querem mais um número excessivo de detalhes em seus produtos, como é no caso da coleção Verão 2012 da Hermès, criada por Christophe Lemaire. Em contraste com o design mais energético de Jean-Paul Gaultier, a nova coleção da marca trouxe algo que é “rico e simples, algo que é fácil de colocar, fácil de usar e que remete a viagens”, de acordo com o estilista atual. Outro exemplo surge com o design de um prego feito de ouro 24 quilates da Droog, em que o luxo está justamente na funcionalidade e não na demonstração de riqueza. De acordo com Renny Ramakers, cofundador da marca, o luxo na verdade é o que está escasso, como a atenção, o silêncio, ar puro e um estilo de vida mais calmo. O executivo John Kwok gastou milhares de dólares em um tradicional casaco chinês da loja Shangai Tang, e explica que “você não consegue encontrar nada parecido nas lojas internacionais; não diz respeito ao preço, mas sim à disponibilidade”.

Tempo é precioso

De todos os produtos citados, há apenas um que o dinheiro não pode comprar: o tempo. O luxo moderno é na verdade sobre o quão bem você gasta o seu tempo, seja aprendendo uma nova língua, apreciando um artesanato ou passando um feriado com a família. Como Tom Ford cita em entrevista ao “Telegraph”, “a vida sem o Blackberry seria maravilhosa – eu compraria isso”.

Sem horário fixo para entrar ou sair, o Hotel Corinthia em Londres se destaca de outros até mais grandiosos ©Reprodução

O Hotel Corinthia em Londres adaptou sua escala de check-ins para proporcionar este conforto extra aos seus hóspedes. Não há mais horário fixo de entrada ou saída, tirando assim o stress de ser obrigado a sair em um determinado momento. No spa do mesmo estabelecimento, eles também oferecem tratamentos simultâneos. Desta forma, têm-se o equivalente de um relaxamento de quatro horas realizado em apenas duas.

Stylesight: fique por dentro das próximas direções do mercado de luxo

As tendências internacionais que estão, literalmente, nas vitrines

©Reprodução/FFW

Quando o assunto é tendência na moda, geralmente a primeira coisa que vem à cabeça é a roupa ou, no máximo, os acessórios — mas há outros elementos neste vasto universo criativo nos quais podem ser identificados movimentos convergentes. O Stylesight publicou recentemente um report que mostra várias “coincidências” em vitrines de lojas ao redor do mundo; veja os principais exemplos abaixo:

Technicolor

Da esquerda para a direita: Tara Jarmon (Paris), Donna Ida (Londres), Sonia Rykiel (Paris), Yves Saint Laurent (Londres)©Stylesight/Reprodução

Dança das cadeiras

Da esquerda para a direita: Hermès (Paris), Fendi (Los Angeles), Puma (Londres), Chanel (Paris) ©Stylesight/Reprodução

Caos organizado

Da esquerda para a direita: Bergdorf Goodman (Nova York), Alice & Olivia (Nova York), Etam (Paris), Forever 21 (Los Angeles)©Stylesight/Reprodução

Letreiros

Da esquerda para a direita: Bershka (Londres), Banana Republic (Nova York), Kate Spade (Nova York), Selfridges (Londres)©Stylesight/Reprodução

Zona industrial

Da esquerda para a direita: Hermès (Los Angeles), Hugo Boss (Los Angeles), Ralph Lauren (Nova York), Zara (Londres)©Stylesight/Reprodução

“The Everyman”

Ralph Lauren (Nova York), Printemps de l’Homme (Paris), Harrods (Londres), Le Bon Marche (Paris) ©Stylesight/Reprodução

As tendências internacionais que estão, literalmente, nas vitrines

Cosméticos do futuro: as invenções malucas que você ainda vai usar

Moodboard dos “cosméticos do futuro” do Stylesight ©Reprodução

Nanotecnologia, computação e biologia sintética são algumas das improváveis áreas de conhecimento que, em um futuro próximo, estarão totalmente integradas à pesquisa e desenvolvimento dos seus adorados cosméticos. Pelo menos é isso o que indica um report divulgado pelo bureau de pesquisa de tendências Stylesight, cujos destaques você confere abaixo:

Nanotopia

À esq., editorial de moda; à dir., projetos do NanoLift e Skin Paper ©Reprodução

De acordo com o report do Stylesight, a nanotecnologia “pode revolucionar os cosméticos subvertendo a nossa noção do que é natural”. Como? O site cita o projeto NanoLift, que propõe a possibilidade de um “photoshop físico” por meio da injeção de nano partículas magnéticas no rosto, que poderiam ser manipuladas de forma a fisicamente ajustar e mudar a face das pessoas. A nano tattoo, desenvolvida no Departamento de Ciências Farmacêuticas da Northeastern University, poderia ser injetada na pele para fornecer uma amostra instantânea do funcionamento interno do corpo. E uma outra pesquisa em andamento poderia resultar em nano colorantes capazes de mudar o futuro da coloração, prevenindo até que os cabelos fiquem grisalhos. O report cita ainda o Skin Paper desenvolvido por Vanessa Harden e Tommaso Lanza, que poderia ser utilizado para testar cosméticos em uma “pele nano”.

Eletrônicos

Demonstrações da tinta condutora de eletricidade e, no canto superior direito, a “sombra” de LED ©Reprodução

Uma das inovações citadas pelo Stylesight é o projeto-conceito da designer Lulin Ding, que criou uma sombra de LED que ilumina – literalmente – o canto dos olhos. É mencionado também o BARE Conductive, a primeira tinta condutora de eletricidade considerada segura para a pele. Esse tipo de tecnologia, de acordo com o report, “abre o caminho para hidratantes e maquiagens que utilizam a condutividade natural do corpo para criar cosméticos eletrônicos”. Outro destaque são os “eletrônicos epidermais” desenvolvidos na Universidade de Illinois: trata-se de uma espécie de tatuagem temporária que adere à pele por 24 horas, incialmente criada para monitorar atividades cerebrais e cardíacas, mas que também pode ser utilizada no campo dos cosméticos do futuro.

Fragrâncias

Moodboard com imagem de Jenny Tillotson e, à direita, do vídeo de apresentação do “Swallowable Parfum” ©Reprodução

O Stylesight cita o “Swallowable Parfum” de Lucy McRae e Sheref Mansy, da Universidade Harvard: um perfume digestivo em forma de cápsula que, depois de ingerido, libera moléculas da fragrância por meio da pele do usuário. O projeto “Scentient Beings”, de Jenny Tillotson, também é destacado por “inventar uma nova ciência de apresentação de aromas, focando na fragrância e no impacto que ela tem para a saúde e o bem-estar”.

“Body Atmospheres”

Imagens do trabalho de Nancy Tilbury ©Reprodução

O projeto “Digital Skins Body Atmospheres” de Nancy Tilbury é descrito pelo Stylesight como um “filme que explora o futuro dos cosméticos como uma experiência biológica, em quem partículas nano-eletrônicas criam formações líquidas em 3D e tecnologias engolíveis que pulsam luz através da pele”. Segundo o report, esse conceito poderia ser aplicado, por exemplo, em um “hidratante eletrodinâmico que cria uma superfície eletrônica na pele”, ou em um “esmalte dinâmico”.

Aperfeiçoamentos digitais

Imagens da designer Jenny Lee ©Reprodução

Para o Stylesight, a “Realidade Aumentada está diminuindo as barreiras entre o real e o que é gerado por computador potencializando o que vemos, sentimos, ouvimos e cheiramos”. Exemplo disso, segundo o bureau de tendências, é o ModiFace, fornecedor de tecnologias de transformações virtuais, que lançou um aplicativo de iPhone que é a primeira ferramenta virtual tipo “Antes e Depois” em Realidade Aumentada.

O corpo do futuro

Imagens criadas por Lucy McRae e Bart Hess ©Reprodução

De acordo com o Stylesight, avanços na tecnologia de protéticos e de materiais biologicamente produzidos estão resultando em novas possibilidades de criação de implantes. Pesquisadores da Universade Johns Hopkins são creditados como os criadores de um novo biomaterial que pode ser injetado sob a pele para ajudar a reconstruir estruturas humanas delicadas, como em partes do rosto. Também são citados os “Silk-Silicon Electronics”, que podem ser implantados em conformidade com os tecidos do corpo, e o trabalho do Instituto Fraunhofer, que desenvolveu a primeira pele artificial produzida em massa, que é “um passo à frente na engenharia de tecidos automatizados”.

Alimentamento (alimentação + medicamento)

Imagens do moodboard do Stylesight ©Reprodução

O Stylesight vislumbra que o casamento entre cosméticos e ingredientes farmacêuticos promete “mudar para sempre a maneira como olhamos para maquiagens e cosméticos”. Isso porque, aplicados no interior do corpo em vez da superfície, os comprimidos de cosméticos “afetam a função biológica da pele. A primeira pílula anti-rugas, do time de John Casey nos laboratórios da Unilever, no Reino Unido, consegue diminuir as rugas por dentro da pele, ativando os genes que melhoram o tom da pele”. Outro exemplo citado é a pílula de proteção solar que, dentro de cinco anos, poderia prevenir queimaduras solares, por meio da utilização de componentes protetores solares naturais que seriam sintetizados em forma de comprimidos de fácil digestão que protegem nossa pele e olhos dos raios UV.

Cosméticos do futuro: as invenções malucas que você ainda vai usar

Vai a Nova York? Veja o guia preparado pela Espaço Fashion

Style SightAna Roquette e Claudia Novis na sede do Stylesight, em Nova York ©Reprodução

Vencedora do prêmio Stylesight Rio-à-Porter, a Espaço Fashion ganhou uma viagem à Nova York à convite do bureau de tendências. A marca enviou duas representantes de sua equipe de estilo, Claudia Novis e Ana Roquette. Durante a viagem, elas participaram de seminários, feiras e visitaram a sede do SS. Lembrando: na última edição do Rio-à-Porter, a Espaço Fashion venceu o prêmio criado para estimular as marcas participantes, que foram avaliadas por seu visual merchandising, estratégia comercial, mix da coleção e plano de ativação no estande.

Viagem feita – e muito bem aproveitada -, Claudia e Ana contam tudo para o FFW, da chegada ao hotel aos passeios que fizeram por lá, com direito a um simpático guia de passeios bacanas.

“Fomos recepcionadas no lobby do nosso hotel pela Jamie Thomas, Trend Director, super simpática. De lá, fomos para a sede do StyleSight, na 25 West 39th Street. O escritório é um luxo! Conhecemos cada parte do processo de pesquisa, as equipes e instalações. Depois, participamos de um  treinamento com dicas de como utilizar o site. Partimos para um brunch no Brynt Park, um lugar super agradável. Um dia de sol com um excelente almoço na varanda. Voltamos ao escritório e fomos com a equipe para a feira Direction by Índigo. Estampas fantásticas para inspirações para o Fall/Winter 2012/13. Participamos também de uma palestra de Megatrends F/W 12, ministrada pela Jamie.

No dia seguinte, foi o dia do evento principal. Toda a equipe do StyleSight estava presente, inclusive o presidente. Houve apresentações de Megatrends Fall/Winter 2012 e ainda Megatrends Spring/Summer 2013. Entre outras coisas, o que achamos muito interessante foi o roteiro indispensável para o próximo inverno, com sugestões de temas e influências da arte e da história da moda, além de shapes e cartelas de cores. Finalizamos com um coquetel de encerramento a base de deliciosos drinks e pâtisseries!”.

Confira abaixo os lugares por onde elas passaram:

Meatpacking_NewYork_2Área de Meatpacking ©Reprodução

Meat Packing District: É a região para onde foi o povo da moda. Em uma antiga área de frigoríficos, os designers aproveitaram os aluguéis baratos para transformar o bairro em novo point. Na mesma rua (14th Street) foram parar Stella McCartney, Matthew Williamson, DV Furstenberg, Miele, além da Jeffrey, multimarcas mais incrível da cidade. Fica bem pertinho do Pastis, que tem um brunch hypado, e também dos hotéis Gansevoort e Standart. Ah, e tem também o High Line, aquele jardim suspenso que é point de verão (é bem lindo, vale a pena caminhar uns 20 minutinhos por lá).

Madison Avenue: Reed Krakoff – é o mais novo nome em um time de veteranos. Em vôo solo, transformou seu nome no “hot ticket” do mercado em apenas três coleções, como a imprensa vem divulgando. Ele se tornou mais conhecido por suas bolsas com design clássico, elegante e despojado. A coleção está sofisticada e clean, com trabalhos em transparências e bordados. A loja na Madison vale a visita!

Lower East Side: Ludlow St. é a rua de barzinhos bem bacana pra ir à noite. É uma área bem eclética, onde se pode encontrar do mauricinho à artistas e roqueiros alternativos. Passeamos pelas ruas em volta da Tompkins Sq, St Marks Place, Av. A, Allen St. e Essex St.

new muNew Museum, com projeto do escritório de arquitetura Sanaa ©Reprodução

Na Bowery, tem o New Museum, um incubador de novas idéias, que é imperdível pela espetacular arquitetura dos japoneses Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, do escritório Sanaa. Vale a pena conferir também a loja do John Varvatos, que é onde ficava o famoso bar punk CBGB, um dos berços do movimento punk americano. O estilista preservou o ambiente, mantendo viva a memória do período.

New Museum – 235 Bowery (entre Stanton e Prince)

West Village


WestVillage-1O charme do West Village ©Reprodução

A região é uma delícia para andar, passear. Não é a toa que muitos atores de Hollywood e a modelo Gisele Bündchen têm apartamentos por lá. As ruas são lindas, o povo é descolado e bem vestido e têm várias lojinhas e cafés pequenos que são uma graça. Não deixe de ir às lojas do Marc Jacobs, como Marc by Marc, bookMarc e Little Marc, fica tudo muito próximo. Só a Marc Jacobs principal que é no Soho.

Galerias de arte do Chelsea: região rica e intelectualizada, é onde está a maioria das galerias da cidade e algumas lojas de moda conceitual, além de maisons de designers renomados. Não deixe de ir. São vários quarteirões, que vão da W18th St até a W28th, entre a 10th Av e a 11th Av. Tem muitos prédios só com galerias em todos os andares, as boas fotos são garantidas! E ainda tem uma livraria alternativa especializada em publicações de artistas e designers independentes, chamada Printed Matters, que é incrível!


Beacons-ClosetO megabrechó Beacon’s Closet, em Williamsburg, no Brooklyn ©Reprodução

Williamsburg: é para onde foi toda a galera jovem de Manhattan, que hoje tem um preço quase que impraticável. Alguns ainda vivem no Lower East Side (músicos, alternativos, skatistas, uma galera urbana), e a maior parte vive em Williamsburg, no Brooklyn. É bem pertinho de Manhattan, basta pegar o metro L e saltar na primeira estação (Bedford Av). Vale o passeio, o povo é bem interessante. É lá que tem o Beacon’s, um brechó gigante.

Beacon’s Closet – 88 th 11th St

Restaurantes

breslinEntrada do The Breslin ©Reprodução

The Breslin: restaurante indicado pela equipe do StyleSight, fica no Ace Hotel New York, numa esquina da Broadway, e é premiado com a 1ª estrela do Guia Michelin! Comemos um sanduíche de hambúrguer de carneiro com queijo feta e batatas londrinas espetacular!

16 West 29th St

Morimoto: um dos melhores restaurantes de culinária japonesa de Nova York, criado pelo Iron Chef  Masaharu Morimoto, e fica em uma área conhecida como “Chelsea Market Space”. O lugar vai além de maravilhosos sushis e sashimis e a arquitetura é moderna, com um lounge subterrâneo para drinks e aperitivos. As grandes atrações do menu são a tuna pizza,  o kobe beef carpaccio, o dry aged new york strip steak tempura vegetable e o morimoto sashimi with seven sauces.

88 10th Avenue (nos fundos do Chelsea Market, colado ao High Line)

Eataly: é um novo complexo gastronômico de Mario Batali, onde você encontra a Itália e suas especiarias, além de restaurantes ótimos. Com o slogan: “We cook what you eat, You eat what we cook!”, o complexo se destaca por pastas, prosciuttos e focaccias. Imperdível!

200 Fifth Avenue

Buddakan: é um restaurante localizado no Meatpacking District, freqüentado por jovens em busca de muito agito. A cozinha é a conhecida “asian fusion”, uma mistura da culinária asiática com temperos picantes. As sugestões do menu são o boneless spareribs, vegetable rice with coconut curry foam, black pepper beef, sweet and crispy jumbo shrimp e o sacha chicken. Vale a pena conferir, é um dos melhores restaurantes de NY.

75 9th Avenue

Style Sight

Vai a Nova York? Veja o guia preparado pela Espaço Fashion

Preview: veja o que vem por aí para o Outono-Inverno 2012/2013

palestra-stylesight-santaconstancia-tendencias-inverno-2012-2013As quatro “megatendências” do Outono-Inverno 2012/2013 ©Divulgação / Stylesight

Você pode até achar que ainda é muito cedo para falar sobre os elementos que guiarão a temporada de frio de 2012, mas a indústria da moda trabalha essas informações com cerca de dois anos de antecedência à chegada das coleções às lojas. “As meninas da área de desenvolvimento de estampas passam o tempo indo e voltando entre o que será feito daqui a dois anos e o que está sendo feito agora; é meio ‘De Volta para o Futuro’”, comenta Gabriella Pascolato Costa, diretora da tecelagem Santaconstancia, onde aconteceu a palestra sobre os caminhos da moda ministrada pelo bureau de tendências Stylesight.

Jorge Greenberg, diretor de marketing do bureau, foi quem fez a apresentação do que ele chamou de “megatendências”: quatro grandes direcionamentos subdivididos em quatro segmentos menores, todos eles repletos de referências ao mundo da moda, design, arquitetura e música. Mas no geral, qual a principal característica do Inverno 2012/2013? O olhar exclusivamente voltado para o futuro. “Estamos sempre pensando no que já aconteceu para prever o que haverá de ‘novo’; nas últimas estações vimos a força dos anos 1940, 1980, 1970. Já nesta temporada, vamos olhar pra frente e deixar o vintage um pouco de lado”, ele afirmou.

Veja os 10 princípios resumidos das megatendências do Stylesight, que deverão guiar o Outono-Inverno 2012/2013:

1 – “Go tonal”: afastando-se daquele visual Gucci da mistura de várias cores vibrantes, o próximo inverno tem no máximo duas famílias de cores por look. Esse princípio é derivado do olhar para o Oriente e da busca por equilíbrio, e faz referência às vestimentas usadas em rituais de meditação e nas roupas de cor única dos monges tibetanos.

1-palestra-stylesight-santaconstancia-tendencias-inverno-2012-2013Uma das imagens de referência mostradas durante a palestra do Stylesight: o vermelho como símbolo da paixão humana capaz de promover transformações ©Nick Knight

2 – “Red is the new black”: a frase, dita por Rei Kawakubo nos anos 1980, volta com tudo para o Outono-Inverno 2012/2013. O preto e o branco viram cores de suporte e abram espaço para o vermelho, que ganha novas possibilidades de uso, como nas listras vermelhas e brancas como alternativa ao clássico preto e branco; ou no vermelho + branco + azul, mas de uma forma mais sofisticada, fugindo do náutico.

3 – “Out of the blue”: a indústria do denim se afasta das onipresentes variações de azul e investe em cores como o verde e o cinza.

4 – “Artisan finishes”: o acabamento artesanal e único é valorizado. Sci-fi tribal — a tecnologia de ponta é utilizada para representar a simplicidade da natureza.

5 – “Super size me”: o Outono-Inverno 2012/2013 pede a exploração de possibilidades de materiais, texturas e proporções – os tamanhos serão maximizados, como nos tricôs pelo menos dois números maiores que o normal.

2-palestra-stylesight-santaconstancia-tendencias-inverno-2012-2013Camisetas feitas de folhas, obra de Dave Rittinger, uma das imagens de referência usadas na palestra do Stylesight ©Dave Rittinger

6 – “Wild Animals”: o olhar se volta para a natureza e na busca pelo nosso lado selvagem. Em vez de Nova York, as referências surgem das florestas, o que resulta na fascinação pelos animais e suas peles, pelos e penas.

7 – “Subtractive cuts”: a busca por novas perspectivas e modos de pensar. O retrô é completamente abandonado e abre espaço para uma realidade genuinamente original.

8 – “Elevated sportswear”: o sportswear ganha sofisticação e invade a cultura urbana.

9 – “Get transparent”: a transparência, usualmente reservada à vestimenta feminina, chega ao menswear e até à arquitetura.

10 – “Go digital”: novas tecnologias viabilizam a criação de formas nunca antes imaginadas. O “artesanato” é renovado na era digital, com precisão e proporções exatas, como em pregas milimetricamente calculadas.

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Preview: veja o que vem por aí para o Outono-Inverno 2012/2013

Diretora do Stylesight fala sobre inovação, Brasil e os rumos do Verão 2012

capa-tendencias-stylesightO que vem por aí? Diretora de tendências do Stylesight responde ©Guy Bourdin

Na manhã de segunda-feira, 30 de maio, o Rio-à-Porter deu início a seu ciclo de palestras, com a “Inovação para o Design”, do site de tendências Stylesight. A convidade era ninguém menos que Jamie Thomas, diretora de tendências do site, que veio ao Brasil pela segunda vez, e se mostrou entusiasmada pelo evento, especialmente pela junção de Fashion Rio + Rio-à-porter.

Jamie contou que o Stylesight surgiu porque Frank Bober, o criador do site, designer e fabricante, sentia muita falta de um instrumento que agregasse análise de tendências e comportamento, e guiasse o produtor. Seguindo a máxima de “quer uma coisa bem-feita, faça você mesmo”, Frank foi e fez, criando o Stylesight em 2003.

Ela também deixou claro que é necessário que se trabalhe de maneira conjunta a tecnologia e o design, e só assim as empresas conseguem inovar. “Hoje todo mundo é crítico de moda. Além dos editores, também temos os blogueiros e os vloggers, e qualquer pessoa, quando vai a algum lugar ou vê alguma coisa, coloca em seu perfil ou em uma rede social o que achou daquilo, se gostou ou não. As marcas precisam estar atentas a isso!”, comentou Jamie.

Mas o que todo mundo queria mesmo saber era: quais serão as “macro-tendências” para o verão 2012 (sim, lá no futuro)? Jamie deu a resposta: Analogue, Soul, Manifesto e Rebels.

Analogue: Linhas simples e clean, com paleta de cores com bastante azul Klein, verde musgo e o laranja da Hermès (“que é muito chique!” acrescentou Jamie). Produtos que pareçam naturais e tangíveis aos consumidores, e a busca pelo essencial.

rodartePeças da Rodarte, citadas por Jamie como referência da macro-tendências Soul ©Reprodução

Soul: Uma mistura de África, com artesanato e uma ideia bastante forte de “feito com as próprias mãos”, como tricô. “Sim, queremos tecnologia, mas é legal ter algo para tocar e sentir, que só o artesanal proporciona”, explicou Jamie. As cores que guiam a macro-tendência são cáqui e verde oliva, com uma explosão safira, turquesa, amarelo, que são cores que remetem à tribos africanas. “Aqui o que vale é usar diferentes combinações e ser diferente”, disse a diretora.

Manifesto: É a tendência que trás os anos 70, Yves Saint-Laurent, Guy Bourdin e o Studio 54. A paleta de cores é bastante feminina, com cores fortes, e muito preto e dourado nos acessórios. Aqui, o sexy e o feminino são protagonistas, e a silhueta da mulher é trabalhada de várias formas.

guy©Guy Bourdin

Rebeldes: Aqui os rebeldes são um pouco diferentes do que se imagina. No caso, as imagens são Lady Gaga, Katy Perry e Nicki Minaj, que “rejeitam a sociedade”. O artista Scott Campbell, que fez intervenções nas notas de dólares, com imagens de caveiras, também influencia esse movimento. Na paleta de cores, predominam os tons metálicos. “É o gótico e o dramático, mas sem ser assustador”, explicou Jamie.

Na ocasião também foi lançado o Prêmio Stylesight / Rio-à-Porter, que recompensa os cinco melhores expositores do evento, levando em conta Visual Merchandising, Ativação de Marca, Coleção, Plano de Negócios e Experiência do Visitante. O júri é formado por Jorge Grimberg, diretor de Marketing do Stylesight, Camila Toledo, diretora de tendências do Stylesight BR, e Jamie Thomas. Os prêmios são generosos: o primeiro colocado ganha uma viagem para Nova York com acompanhante e uma visita ao escritório do portal de tendências na cidade e seis meses de assinatura do site, e os quatro demais também ganham assinatura. Além dos “Top 5 Expositores”, também haverá menção honrosa para Nova Marca, Inovação e Pólo de Moda.

jamie-thomasJamie Thomas, diretora de tendências do Stylesight ©Divulgação

O FFW conversou com Jamie Thomas para entender como o Brasil se posiciona no “negócio de tendências”; confira:

Qual a importância dos países emergentes, especialmente o Brasil, nesse processo de inovação no design?

É importante porque quando você cria tendências, você pensa global, e é importante ver o que está acontecendo aqui. Pensamos como isso nos influencia, e como se comunicam, e em toda a sua cultura. Tudo isso influencia muito no processo de inovação global.

Por que vir ao Brasil neste momento?

Achei uma ideia fantástica juntar Fashion Rio e Rio-a-Porter. Você refresca a mente, pois vê o desfile e depois vê no show-room o produto final. É bom para a criatividade, é bom para fazer dinheiro. O que é ótimo, porque é necessário movimentar a economia.

Por que criar o prêmio? Por que ele é importante para a moda brasileira?

É um instinto natural ser competitivo e querer ser o melhor. Como Alexander McQueen, que sempre queria superar seu último desfile. Portanto quando se cria um prêmio como esse, o instinto natural de vencer faz com que haja inovação, que se criem novas tecnologias, sempre melhores que as últimas.

E quais são as dicas para uma marca funcionar no mercado?

Tudo tem que ter continuidade com a identidade da marca. O logo tem que conversar com a papelaria, que conversa com o consumidor e o universo da marca. E embora as estações mudem, e as coleções tenham outros temas, a identidade da marca tem que estar presente. Os novos designers, por exemplo, muitas vezes não fazem isso, e criam coleções seguidas que não tem nada a ver uma com a outra, e isso deixa o consumidor confuso.

No Brasil, moda é especialmente influenciada pela televisão. Vocês levam isso em consideração?

Sim! Porque levamos em conta cultura, celebridades, etc, para interpretar o que as garotas estão usando. E o que aparece na televisão vai para a rua, e a moda de rua é muito importante para saber o que está acontecendo. O que mais importa é a cultura!

Diretora do Stylesight fala sobre inovação, Brasil e os rumos do Verão 2012

Negócio da previsão de tendências cresce e Brasil ganha destaque

tendencias-montagemDescobrir tendências é tendência ©Reprodução

Em uma era na qual as mídias sociais ganham cada vez mais força e as pessoas – e empresas – estão hiperconectadas, a previsão de tendências tem se tornado um negócio muito importante. Além disso, esse poder de prever o que vai ser o interesse do consumidor antes mesmo dele saber disso está virando um negócio grande e altamente competitivo.

A avaliação inicial foi da editora de mídia digital do jornal britânico The Telegraph, Emma Barnett, e confirmada por caçadores de tendências que atuam no Brasil. A diretora do WGSN para a América Latina Andrea Bisker explica que prever tendências é “entender onde estamos e para onde vamos, isso é um exercício diário e contínuo”.

De acordo com Andrea, as empresas precisam a cada dia tomar decisões mais assertivas “e com a quantidade de informações disponíveis no mercado, a pesquisa e a antecipação de tendências é fundamental”, defende.

O WGSN foi o precursor na onda dos bureaux de tendências e surgiu em 1997, iniciado pelos irmãos britânicos Julian e Marc Worth. A dupla inglesa foi esperta, levou logo o serviço para a internet e com as atualizações diárias começou a cobrar assinaturas anuais que não saíam por menos de 16 mil libras. O negócio deu tão certo que, em 2005, a criação dos irmãos Worth despertou o interesse da Emap, empresa multiplataforma que atua com negócios em várias áreas, de moda a saúde. A transação rendeu 140 milhões de libras aos criadores do WGSN.

Em 2003, um novo contador de tendências apareceu no mercado, desta vez, com sede em Nova York. O Stylesight também tem sede aqui no Brasil e Camila Toledo, diretora de tendências do portal por essas bandas, também acredita que trabalhar com previsões é imprescindível. “O mercado está cada vez mais exigente, perdas e riscos devem ser minimizados ao extremo, e as previsões de tendências são cada vez mais importantes. Não só o mercado da moda, mas agências de publicidade e empresas de tecnologia já entendem a importância de olhar mais pra frente”, avalia.

Aqui no Brasil, a BOX1824 é outra empresa que faz o serviço de mostrar o que vai pegar logo, logo. A BOX1824 nasceu há sete anos, “pela necessidade de um olhar fresco e jovem pelo mercado. E com um gostinho especial pelo futuro”, conta Lucas Liedke, diretor da área de tendências da agência.

Na opinião de Lucas, o mercado da previsão de tendências se desenvolveu rapidamente nos últimos anos, e vem se abrindo cada vez mais, para novas finalidades e metodologias de pesquisas.

cacadores-tendenciasCamila Toledo, Lucas Liedke e Andrea Bisker contam que a previsão de tendências cresce no Brasil ©Divulgação

O negócio das tendências no Brasil

Para Lucas, no Brasil, a questão das tendências ainda é muito ligada à moda. “Os significados caminham juntos de um jeito forte, o que é ótimo, mas podemos ir além. É preocupante quando se cai em um discurso com muito deslumbre e pouca análise. No entanto, as coisas estão evoluindo e o mercado como um todo está ficando mais maduro para discutir e problematizar essa questão”, acredita.

Segundo o diretor de tendências da BOX1824, a diferença hoje entre uma marca puramente brasileira e uma puramente global é muito sutil. “É preciso cada vez mais entrar em sintonia com o que acontece lá fora e destrinchar o que acontece de mais bacana aqui dentro. As pessoas estão cada vez mais informadas e exigentes e esperam que o mercado se atualize com rapidez”, diz ele.

Andrea Bisker, do WGSN, acredita que o Brasil está cada vez mais nos holofotes, sendo o “país da vez”. “É necessário que se entenda o brasileiro, os costumes e hábitos. Todos os olhos estão voltados para cá e cada vez mais nosso país tem sido motivo de estudo para nosso escritório lá fora, com cada vez mais conteúdo sendo gerado aqui”, define Andrea.

Para Camila Toledo, do Stylesight, o Brasil é uma potência bem maior que a América Latina e é também mais desenvolvido em termos de moda. “A absorção de novas tendências ainda é mais rápida por aqui. O Brasil é um lançador de tendência em jeans, biquínis, estamparia… Nós geramos mais volume em tendências que outros países da América Latina”, comenta.

A previsão de tendências tem se tornado um grande negócio, que mistura ferramentas editoriais com tecnologia. Mas na análise da editora Emma Barnett, do The Telegraph, a batalha está traçada e o vencedor será o serviço de previsões que conseguir manter a inovação com desenvolvimento de tecnologia e oferecer informações e ferramentas indispensáveis aos seus clientes.

Por aqui, marcas como Volkswagen, Fiat, Unilever, C&A, Renner, Marisa, Farm, Animale, Le Lis Blanc, Cris Barros, Grendene, Converse, Reserva, entre outras já apostam em serviços como os prestados pelo WGSN, Stylesight e BOX1824. Por enquanto, todas parecem ter espaço para fazer suas próprias previsões.

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Negócio da previsão de tendências cresce e Brasil ganha destaque

“Estamos entrando num período modernista”, diz analista

Assim como as artes, literatura e música, a moda também passa por diferentes movimentos estilísticos. Do Clássico ao Barroco e Rococó, do Surrealismo ao Futurismo. Segundo a analista de tendências globais do site Stylesight, Sharon Graubard, “estamos entrando num período Modernista”.

Nem tanto pelas formas abstratas que artistas desse movimento gostavam de explorar, mas sim pela extrema atenção ao trabalho com forma e materiais. “Para os Modernistas, o que importa no o conjunto final é a essência do material, a o trabalho de formas pura que explora toda qualidade da matéira”, explica Sharon. “E para o inverno 2010, os tecidos são os elementos mais importantes”.

As texturas – e suas diversas coordenações – são essenciais para dar um toque extra às roupas simples de formas básicas que se mostram como um dos principais rumos desta estação. “Queremos roupas de verdade, não mais aquele básico chato de antes, mas um novo ‘supe básico’”, comentou Sharon em entrevista ao FFW. “Roupas como as que Phoebe Philo mostrou na Celine no verão 2010, ou como Marc Jacobs apresentou em seu inverno 2010”.

Phililp Lim, estilista jovem com faro apurado para o que suas consumidoras desejam, foi outro que sentiu essa necessidade de uma moda mais pé no chão, mas nem por isso menos interessante. Sua coleção apresentada na última quarta-feira (17/02) aqui em Nova York foi uma das mais bem sucedidas da sua carreira, dessa vez trazendo um estudo de materiais responsáveis por enriquecer as peças de cortes e modelagens simples.

3.1-philip-lim-inverno-20103.1 Philip Lim inverno 2010 © FirstView

Buscando inspiração no fim dos anos 1970, quando a Era disco começava a se fundir com o punk, Lim encontrou terreno fértil para trabalhar de maneira sutil a tendência boêmia que também tem sido recorrente.

Casacos impactantes em couro, forrados com lã ou com aplicações de peles (outro elemento recorrente) vêm sobrepostos aos vestidos túnicas leves e blusas transparentes numa excelente coordenação de tecidos de pesos e opacidades diferentes. Calças são um caso à parte. Com cintura alta, corte reto ou levemente evasê, elas são objetos de desejo indispensáveis junto aos casacos de aspecto pesado responsáveis por transformar a menina delicada de antes numa mulher sofisticada com roupas modernas, simples, que transmitem extrema segurança e força.

Nos estúdios Milk, no Meatpacking District, a música começou a tocar bem alto: “I can be a freak every day of the week”. Era o desfile de Jeremy Scott que, depois de algumas temporadas se apresentando em Paris, voltou a seu pais de origem. E enquanto o novo single da cantora Estelle (devidamente sentada na primeira fila do desfile) tinha tudo a ver com o universo da marca, o que se viu na passarela foi quase que o oposto.

jeremy-scott-inverno-2010Jeremy Scott inverno 2010 ©FristView

Se Scott quer ser um freak (aberração, em português) todos os dias da semana, então seu inverno 2010 é mais normal do que se espera. As estampas bem humoradas e as extravagâncias – aqui em fivelas de cinto em forma de corps femininos do tamanho das modelos – estavam todas lá, mas de forma amenizada. As roupas, às vezes decoradas com aplicações de joias, vinham prontas para o consumidor final, como os vestidos de tricô soltinhos, os justos de couro e as jaquetas esportivas.

A mensagem – eque resume a temporada de modo geral – veio no meio do desfile: uma camiseta alongada, de mangas amplas onde se lia a palavra “style” de um braço ao outro, atestando que o inverno 2010 não fala sobre moda, mas sobre estilo.

Na apresentação da grife Proenza Schouler, Jack McCollough e Lazaro Hernandez parecem ter voltado às suas origens para resgatar alguns de seus elementos mais essenciais e misturá-los com a atitude ingenuamente sexy que se tornou característica da marca nas últimas coleções.

Dessa forma, com calças ultra justas de cintura alta, voltam os blazeres e jaquetas que lembram uniformes escolares, às vezes com leve toque militar. Adornados por peles levíssimas (que chegam a ter movimento), eles ganham ar maduro, de mulher sofisticada, mas que não perdeu seu espírito jovem.

proenza-schouler-inverno-2010Proenza Schouler inverno 2010 © FirstView

Vestidos curtinhos, com leggings e meias calças atribuem o mesmo efeito, substituindo as peles por um interessante trabalho de jacquard, ou então ganhando ares mais descontraídos quando combinados aos pulôveres de tricô simples. Interessante também o trabalho de estampas de grafite, mais bem resolvido quando apresentado em boas coordenações de cores, como os brancos com azuis. O resultado final pode não ser tão inventivo ou cativante como o da última coleção da dupla, mas essa retomada do passado e o investimento em peças simples com detalhes especiais faz sentido para o atual momento da moda.

“Estamos entrando num período modernista”, diz analista