FFW Inspirações: Ricardo Athayde e sua “sucessora da PJ Harvey”
Ricardo Athayde ©Barbara Dutra
Designer, ilustrador, DJ, músico e até aprendiz de chef, Ricardo Athayde, baterista da banda Stop Play Moon, é o entrevistado da vez da nossa seção FFW Inspirações, que descobre o que tem feito a cabeça dos criativos do mundo da moda e das artes.
Confira a dica do Ricardo nas palavras do próprio… e inspire-se!
“Descobri há pouquíssimo tempo a Hindi Zahra, uma cantora marroquina que me lembrou a Amy Winehouse. Não pela personalidade nem pelo som — ela não é louca e não tem a pegada soul, e sim, uma sonoridade com ar marroquino. Mas o estilo dela é muito singular, e quando ouvi, senti o mesmo que muita gente sentiu quando escutou a Amy pela primeira vez e pensou: “Isso é algo especial”. Ela é a sucessora da PJ Harvey no meu iPod.
Hindi Zahra ©Reprodução
Ela é hiper contemporânea, e tem um estilo que conversa muito com o que eu faço, de misturar moda e música. Eu a descobri ouvindo uma rádio francesa que é muito legal, que eu escutava quando morava por lá; eles tocam de tudo, jazz, música brasileira, indiana, de tudo mesmo, desde que seja bom. A primeira música que eu ouvi dela foi a “Fascination”, que me conquistou logo de cara. Isso acontece com alguns artistas; às vezes você pega um CD do Radiohead que na primeira vez você não gosta muito, e só com o tempo vai assimilando. E às vezes você pega um Gnarls Barkley, que você se apaixona imediatamente.
Ouça a faixa “Fascination”:
Mas a minha preferida dela é “Beautiful Tango”. É uma coisa quase Feist, quase Cat Power, com essa sonoridade do violão que lembra o Beirut, só que mais cru. Os instrumentos são parecidos, mas o som é construído de uma forma diferente, simples, que não cansa como às vezes acontece com o Beirut. Ouvindo essa música eu vi que o repertório dela é maior, porque é bem distinta da “Fascination”, que tem uma pegada cigana, e comecei a entender a essência do disco.
Assista à performance ao vivo de “Beautiful Tango”:
Pra mim o que importa não é só a música, é o conjunto: o comportamento, a maneira como o artista se veste, como são as apresentações no palco. O que me aproxima de primeira é a sonoridade, mas daí eu escuto o álbum inteiro pra saber se há uma unidade; às vezes uma música é boa, mas o resto não tem nada a ver. Só depois de avaliar isso eu parto para a parte de pesquisar, descobrir a vida do artista. E vou procurar mais sobre a Hindi Zahra. O que chama a atenção nela não é a magnitude do pop, é a maneira como ela usa a voz. É muito especial”.
+ Saiba mais sobre Hindi Zahra no site oficial da cantora

Stop Play Moon tocando para Rosa Chá; banda lança primeiro disco em julho © Agência Fotosite