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    Sharon Jones revira os baús da Motown com novo disco
    Sharon Jones revira os baús da Motown com novo disco
    POR Redação

    Desde a infância, Sharon Jones fez parte de coros gospel na Georgia, EUA. Trabalhou como segurança de presídio e guardadora de carros, e só depois de adulta conseguiu assinar um contrato com um pequeno selo musical – que lhe era negado até então por ser “muito feia” ou “muito velha”.

    Hoje, depois de quatro discos lançados, é atribuído a ela o revival recente do estilo musical da Motown, além de ser musa (não declarada) de Amy Winehouse e cantoras pop como Duffy e VV Brown.

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    “I Learnead the Hard Way” tem uma grande diferença estilística em relação aos seus antecessores: a presença de backing vocals. Não que a vocalista precise deles: seu alcance e afinação vocais são espetaculares, e as cantoras de apoio servem de mera decoração. Em “The Game Gets Old”, os Dap Kings (super afinados) apontam para o soul com metais, que orientam toda a primeira parte do disco.

    Sem muito fôlego, entra o single “I Learned The Hard Way”,  e então “Better Things To Do” e “Give It Back”. Após a instrumental “The Reason”, Sharon e os Kings começam a mostrar a que vieram com “Window Shopping”, canção sobre uma mulher traída em pensamento.

    Gravado com instrumentos analógicos e cassetes, o som é extremamente fiel aos registros da Motown, gravadora dos Jackson Five, Supremes e  carro-chefe da popularização da música negra nos anos 60 – a semelhança entre Sharon Jones & The Dap Kings e o quarteto Gladys Knight & the Pips é inegável.

    Sharon mostra toda a sua voz em “She Ain’t A Child No More” (que poderia ser trilha de um filme do James Bond na fase Sean Connery) e na jazzy “I Still Be True”. A faixa “Whitout A Heart” é um hino aos brothers e sisters, enquanto “If You Call” retoma a temática da mulher abandonada, indispensável no gênero.

    No quesito emoção, ela perde tanto para suas influências quanto para as influenciadas. Sua voz de alcance raro não passa perto do sofrimento latente de Nina Simone, da solidão de Billie Holiday ou da energia de Tina Turner. Mas nada que atrapalhe a audição ou tire o posto de Sharon Jones como ícone de uma música que, se depender dela e dos Dap Kings, continuará viva por muito tempo.

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    + Site oficial: sharonjonesandthedapkings.com

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