Diretor de moda da Rochas, que acaba de chegar ao Brasil, fala sobre plano de expansão no país

21/11/2013

por | Moda

Fachada da primeira loja da Rochas no Brasil, no shopping Higienópolis ©Divulgação

A primeira loja no Brasil da maison francesa Rochas fica em São Paulo e já está de portas abertas. O espaço, dedicado exclusivamente à moda masculina, está em funcionamento desde o início do mês no shopping Pátio Higienópolis. A unidade é uma franquia e faz parte do plano de expansão da grife na América Latina, que prevê cinco lojas nos próximos quatro anos no Brasil, além das oito que já existem na Argentina. Na segunda-feira (18.11), o diretor de moda da Rochas Paris, Stéphane Lemonnier, concedeu entrevista exclusiva ao FFW no coquetel de abertura oficial.

Lemonnier explicou que a marca criou um modelo de produção local para a América Latina. Parte da matéria-prima é importada (como as lãs frias italianas Loro Piana e Marzotto e o algodão Pima peruano), e a confecção é feita na Argentina, sob supervisão da grife, para que as peças sejam fiéis à coleção criada em Paris. “O savoir-faire Rochas pode ser transmitido. O consumidor vai encontrar uma roupa bem feita, totalmente no espírito da coleção, supervisionada, controlada e com protótipo da Rochas, mas que será efetivamente local”. O diretor explicou que esta foi a alternativa encontrada pela empresa para colocar no mercado produtos a um “preço razoável, o valor real do produto, e não um preço artificial inflado por taxas”. Quem for à loja em São Paulo encontrará ternos de lã fria por R$ 2 mil a R$ 3,4 mil. Um dos artigos mais caros é um paletó de cashmere com seda, que custa R$ 5.483.

O diretor de moda Stéphane Lemonnier no coquetel de abertura da Rochas em SP ©Paula Pirozzi/Divulgação

A linha masculina, apesar de não ser desfilada, existe desde 2008. Desenhada em Paris pelo estilista François Dunet, é a mesma vendida em quase 20 países, como França, Japão, Inglaterra, Bélgica e Espanha. “No Japão, o clima não é o mesmo da Inglaterra, então são feitas adaptações para cada mercado, como o tecido. O responsável pela butique conhece sua clientela e sabe o que vai vender melhor. No final, a coleção pode variar, mas só com pequenas alterações”, acrescentou Lemonnier.

A empresa também tem planos de trazer para o país sua linha feminina, que já foi vendida na Daslu. “Certamente viremos muito rapidamente com a coleção para mulheres”, disse o diretor. Além da estratégia de expansão no mercado nacional, Lemonnier comentou que a grife não deve ficar apenas no Brasil e na Argentina. “Estudamos outras possibilidades, mas não vamos ficar muito tempo só em dois países da América Latina”.

A maison foi fundada em 1925 por Marcel Rochas, que reinventou a silhueta da mulher, investindo em linhas femininas, em oposição à androginia das melindrosas da época. A grife ficou conhecida por reunir elegância, simplicidade e juventude, mas também pelas fragrâncias, inclusive dedicando-se durante um período apenas a elas. No início da década de 1990, a casa regressou ao universo da moda com coleções desenhadas pelo estilista irlandês Peter O’Brien, sucedido por Olivier Theyskens e, em seguida, Marco Zanini. Agora a linha feminina passa para a direção criativa de Alessandro Dell’Acqua, que apresentará sua primeira coleção em fevereiro de 2014.

Rochas Paris @ São Paulo
Shopping Pátio Higienópolis
Av. Higienópolis, 618, Piso Vilaboim
(11) 3661-5733
rochasweb.com.br

 Interior da primeira loja da Rochas no Brasil, no shopping Higienópolis ©Divulgação

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Marco Zanini é novo diretor criativo da Schiaparelli; conheça o plano do estilista para a marca

30/09/2013

por | Moda

Marco Zanini, anunciado como diretor criativo da Schiaparelli ©Reprodução

Marco Zanini, ex-Rochas, foi anunciado na manhã desta segunda-feira (30.09) como diretor criativo da Schiaparelli. A assessoria de imprensa da marca já adiantou, aliás, que a primeira coleção concebida pelo estilista italiano será apresentada em janeiro, durante a semana de alta-costura de Paris.

“Minha missão é fazer o nome da Schiaparelli repercutir tanto no presente quanto no futuro”, comentou Zanini, adicionando: “O link emocional com o projeto é muito forte para mim e reflete minha admiração pela personalidade inteligente e inovadora de Elsa Schiaparelli”. Ainda em conversa com a “Vogue” britânica, ele comentou que deseja reviver “a incrível estética” da marca.

De acordo com o “WWD”, Zanini será responsável pelo desenvolvimento das coleções de alta-costura, mas também de uma linha de prêt-à-porter de luxo, que está sendo chamada de “prêt-à-couture”. Desde meados de abril, a mídia já especulava sobre a contratação do estilista, que, por sinal, vem 16 meses após o anúncio de Diego Della Valle, CEO da Tod’s, de que queria “reviver” a Schiaparelli.

Em julho passado, a Schiaparelli apresentou uma coleção inédita – criada por Christian Lacroix – durante a semana de moda de alta-costura de Paris. As peças da respectiva coleção, no entanto, não foram colocadas à venda.

Zanini é nascido em Milão, e já trabalhou para Versace, Halston e Dolce & Gabbana. Após sua saída da direção criativa da Rochas, foi substituído por Alessandro Dell’Acqua.

Após demissões, Olivier Theyskens encontra seu lugar na moda

28/10/2011

por | Moda

Olivier Theyskens ©Reprodução

Olivier Theyskens, 34, nasceu em Bruxelas, na Bélgica, e é um desses atuais designers com muito para mostrar, mas pouco tino comercial. Não que ele não venda, mas o sucesso financeiro de suas criações veio depois de um longo caminho de duros aprendizados.

Longo mesmo, já que Olivier começou a desenhar e costurar roupas com seis anos de idade. “Enquanto os outros garotos sonhavam em ir para a lua ou se tornarem médicos, eu queria ser um estilista”, contou em uma entrevista à “Forbes”. Depois disso, o pequeno Olivier foi para a faculdade de moda, a “La Cambre School of Visual Arts” em Bruxelas, mas saiu antes de se formar, para abrir sua própria marca, em 1997.

E apenas um ano depois, os astros se alinharam em uma perfeita combinação e Madonna escolheu um vestido de Olivier para a cerimônia do Oscar, o suficiente para alçar o nome do até então novato ao status de ‘nome importante da moda’. Tudo ia bem, até que ocorreu o “11 de setembro de 2001”, Olivier começou a vender cerca de 40% menos, e ele acabou fechando a marca própria e se mudando para Paris. O caminho depois disso não foi fácil, e ele estampou manchetes de veículos especializados em moda diversas vezes. A essência era sempre a mesma: criação x vendas.

A primeira marca com a qual trabalhou após o fim da “Olivier Theyskens” foi a francesa Rochas, onde ficou de 2002 a 2006. Logo em sua primeira coleção, foi aclamado pela crítica, e recebeu os créditos por criar uma “silhueta completamente nova para a maison”, que era elegante e com influências francesas. A crítica amava cada vez mais o trabalho dele na marca, bem como as celebridades. No período que ele esteve à frente da direção criativa da marca, a Rochas ganhou fãs como Nicole Kidman, Jennifer Aniston, Kirsten Dunst, Kate Bosworth, Jennifer Lopez, Rachel Weisz e Sarah Jessica Parker.

Desfile Rochas Inverno 2005 ©Reprodução

As peças desejo feitas por Olivier eram costumeiramente chamadas de ‘demicouture’, devido ao altíssimo custo, o que as assemelhavam as peças de alta-costura. Alguns de seus vestidos chegavam a custar mais de US$ 20.000. Além disso, Olivier se recusava a fazer uma linha de acessórios para gerar receita para a marca, que conseguia custear sua moda-arte com cada vez mais dificuldade. Isso acontecia porque ele sempre teve uma visão purista da moda, como criação, e não como comércio, se negando a tomar atitudes que fossem ‘vender mais’, e fazia também com que não se importasse com publicidade. Tudo isso culminou com o anúncio em 2006 da Procter & Gamble (dona da Rochas) que a divisão de moda seria descontinuada, o que chocou muitos na indústria da moda. Após o anúncio, o “New York Times” fez uma matéria chamada “Há um lugar para Olivier Theyskens”, na qual um estilista que preferiu se manter anônimo declarou: “Tudo é sobre negócios agora, e a moda não deveria seguir os modelos econômicos normais – esse não é o ponto. O que aconteceu com investir na beleza?”.

Apesar de tudo isso, no mesmo ano o talento de Olivier foi reconhecido ao ganhar o “International Award” do CFDA – Council of Fashion Designers of America, e com o apoio da editora de moda da “Vogue” americana, se tornou diretor artístico da Nina Ricci, em 2007. Logo em sua primeira apresentação, notou-se um amadurecimento comercial em relação ao que fazia na Rochas, com um pouco mais de perspectiva de negócios. A crítica de moda do “Style”, Sarah Mower, escreveu que “Theyskens está sentindo com precisão o fato de que a moda precisa se direcionar a um nível mais jovem e mais casual de se vestir”. No entanto, ele foi substituído em 2009 por Peter Copping, que estava na Louis Vuitton.

Nina Ricci Inverno 2007 ©Reprodução

Quando fala de sua carreira, Olivier diz: “sempre gostei de preservar minha liberdade. Eu nunca fiquei preso realmente a algum lugar, e esse provavelmente é o porquê de eu sempre ficar me mudando. Gosto de evoluir”.

Parecia que não havia lugar para Olivier executar sua criatividade, até que na coleção do Verão 2011 da Theory, uma grife americana criada em 1997, o estilista belga foi convidado a fazer uma coleção cápsula para a marca. Deu tão certo que em agosto o nome dele foi anunciado como novo diretor criativo da Theory, além de manter um linha própria, chamada Theyskens’ Theory.

Mas tudo indica que tanto Olivier achou seu lugar, quanto a Theory achou seu poço de criatividade. Ou, nas palavras da “Forbes”, Rosen pode exercer o papel que Pierre Berger exerceu para os negócios de Yves Saint Laurent, cuidando da parte burocrática e relacionada aos negócios, enquanto ele foca na criação.

Theyskens’ Theory Inverno 2011 ©Reprodução

De qualquer maneira, chama a atenção que Olivier tenha ido para uma marca claramente comercial, ao invés de casas de moda mais, digamos, criativas. Terá ele sucumbido às pressões comerciais? Segundo ele, não. “É sobre fazer uma moda que seja mais acessível, mais comprável. Quando comecei na Ricci, eu fiz moda casual para garotas jovens muito cool, mas o preço a colocava no quarto andar da Bergdorf Goodman, ao lado de Carolina Herrera. Minhas garotas cool não podiam bancar isso. Quando saí da Ricci, tudo o que tinha a minha volta eram garotas usando lindos vestidos de seda da Zara e H&M e era isso que eu queria fazer; roupas que você pode comprar. Foi assim que me interessei pela Theory. Mas eu não acho que eu seja mais comercial. As mesmas pessoas que compravam minhas coleções anteriores são as que estão comprando Theyskens’ Theory”.

Ele ainda acrescenta, sobre criatividade versus business: “Há espaço para criatividade em todos os níveis. Mesmo durante a era de ouro da moda, você tinha casas de alta costura onde os designers não tinham dinheiro”. Sobre a alta costura, ponto máximo da criatividade que quase todos dizem estar com os dias contados, ele comenta: “Não acho que a couture irá acabar. Mas não deve ter pretensões de que irá conquistar o mundo. Não é algo que vai desaparecer porque tudo o que você precisa é de um tecido e uma agulha para começar a fazer”.

Theyskens’ Theory Verão 2012, o desfile mais recente ©Reprodução

E o que mudou do processo de criação de Olivier? Quase nada. “A única coisa que mudou é que eu estou usando todas as experiências que acumulei para guiar as pessoas que fazem o produto. Eu posso fazer 20 vestidos de gala se eu quiser, mas esse não é o ponto. Theyskens’ Theory tem uma conexão forte com a marca Olivier Theyskens. Trata-se de calças, jaquetas, camisas e alfaiataria. Posso trazer meus arquivos e você verá a continuidade”.

Quanto aos atuais ícones de estilo, como a primeira dama americana Michelle Obama, e a Duquesa de Cambridge Kate Middleton, Olivier tem algo a dizer: “Eu gosto de ver o que elas usam, mas não estou interessado. Não é natural. Se você é uma garota se vestindo de manhã pensando no mundo inteiro tendo um ponto de vista sobre o que você esta usando, isso tira o prazer de se vestir”.

FFWupdate: os destaques do pre-fall 2011

21/01/2011

por | Moda

Enquanto acompanhávamos as propostas das marcas do Fashion Rio para o inverno 2011, no Hemisfério Norte as grandes grifes aproveitaram a entressafra de temporadas de moda para apresentar sua coleções de pre-fall 2011.

CÉLINE

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No seu outono, ou pré-inverno 2011, Phoebe Philo deu continuidade ao trabalho com cores em estampas geométricas que introduziu no seu verão 2011. Continuam as modelagens simples, proporções práticas e imagem final bem limpa, porém toda essa estética minimalista que a estilista tomou para si agora ganha novos elementos. Daí brotam não só as estampas geométricas, como as de animal, os metalizados, as peles e os recortes e patchworks em tecidos de tonalidades e cores diferentes.

As calças também passam por mudanças. Se antes vinham retas e amplas, agora se aproximam do corpo em lindas cigarettes (adoramos aquelas com recortes coloridos). E os tricôs, volumosos ou mais folgados também ganham mais espaço e destaque na coleção. Os looks para a noite seguem o caminho da simplicidade e praticidade em looks pretos longos e confortáveis, tendo no macacão tomara-que-caia a síntese perfeita do trabalho de Philo para Céline: roupas simples, práticas, com silhueta limpa e descomplicada para mulheres reais e contemporâneas.

JIL SANDER

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As cores exerceram papel essencial no verão 2011 da marca e continua assim no pre-fall 2011. São elas que se destacam, ainda que em tonalidades mais neutras ou apagadas. Aparecem em blocos de cores ou em casacos feitos em intarsia _aquela técnica estamparia através de fios de cores diferentes. A simplicidade e estética minimalista são onipresentes, agora dando preferência a alfaiataria, na qual destacam-se os estudos sobre formas estruturadas, um pouco mais rígidas que àquelas do verão.

STELLA MCCARTNEY

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Tipo lá em casa. Foi assim que Stella McCartney apresentou seu pre-fall 2011, com as modelos circulando pelo evento, bebendo e comendo como qualquer convidado. E é nesse mesmo clima de conforto que a estilista desenvolve suas coleções. Sempre em formas amplas _algumas até oversized, como os lindos maxi-casacos_ fala de sua excepcional alfaiataria, agora com calças levemente ajustadas no tornozelo (tipo moletom, mesmo) e blazeres de corte simples; tricôs e cardigans com estampas geométricas, e delicados vestidos acinturados com transparências tipo renda.

GIVENCHY

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O marrom é o novo preto? Pelo menos foi isso que Riccardo Tisci disse em entrevista. Tudo para explicar a ausência completa da cor negra em seu pre-fall 2011. No seu lugar, investiu pesado no marrom, que tem como justificativa a inspiração em pescadores e caçadores da década de 70. Vem daí boa parte das formas e modelagens que dão volume e forma utilitária às ótimas jaquetas da coleção. Elas vêm num delicioso contraponto aos modelos mais delicados, como vestidos em tecidos leves, decorados com os já habituais babados de Tisci. Melhor ainda, quando as saias se alongam, esvoaçantes e transparentes, como no verão 2011.

ROCHAS

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Desde que assumiu a direção criativa da Rochas, Marco Zanini vem imprimindo um interessante estilo esquisitinho, ainda que pautado por uma constante sofisticação e qualidade sartorial. No pre-fall 2011 não é diferente. Olhando para o inverno nórdico, tira de lá um certo rigor, suavizado pelas proporções femininas, que parecem cair sobre o corpo, como uma elegância bem descomprometida. O melhor fica por conta das proporções das calças, super amplas e exageradas (no bom sentido). Em contraponto aos vestidos soltinhos, mais femininos, trazem uma imagem interessante com os casacos em tecido mais estruturados.

#PFW Verão 2011: as 10 belezas mais incríveis da temporada!

13/10/2010

por | Beleza

Passou rápido: a temporada de Verão 2011 encerrou-se com um desfile da Miu Miu na 4ª feira (06/10), em Paris. E a última parada no cenário internacional rendeu ótimas belezas, algumas adaptáveis e outras… só para apreciação mesmo, já que apenas profissionais do naipe de Guido Palau conseguiriam fazer.

ALEXANDER MCQUEEN

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Guido Palau impressionou com o penteado trançado, inspirado no paganismo e em artefatos de palha. A técnica, inclusive, foi a mesma: “comecei a tecer o cabelo como fazem com cestas de palha”, disse ao WWD. Vale notar que também havia ali alguns apliques! A beleza de Peter Philips deixou a atenção com os cabelos: pele perfeita e pontos de luz bastaram.

CHRISTIAN DIOR

Christian Dior Verão 2011 ©Firstview

Pat McGrath descreveu o make como uma “Betty Page tecnicolor”: a pele perfeita foi adornada com sobrancelhas marcadas, pálpebras e lábios bem acesos. Orlando Pita aproveitou a referência para criar um penteado parecido com o da pin-up, feito primariamente com perucas.

DRIES VAN NOTEN

Dries van Noten Verão 2011 ©Firstview

A beleza de Dries, idéia de Peter Philips, foi tremendamente simples: pele perfeita e com um toque de cor (verde limão!) abaixo das sobrancelhas. O cabelo de Paul Hanlon seguiu a mesma sacada: penteado para trás e de dupla textura, com spray nas raízes e levemente ondulado nas pontas.

JEAN PAUL GAULTIER

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Meio Joan Jett, meio Ziggy Stardust: essa foi a tarefa de Stéphane Marais e Guido Palau. Marais criou esfumados explosivos, tipo anos 1970, em turquesa, roxo e preto, enquanto Guido inspirou-se na integrante do The Runaways para picotar de maneira punk e colorida diversas perucas.

LOUIS VUITTON

Louis Vuitton Verão 2011 ©Firstview

Na China da Louis Vuitton, Guido Palau criou o que chamou de “chignon moderno”. Parte do cabelo espertamente dividido cobria um dos olhos e, enrolado em si mesmo, era preso na parte de trás, perto do pescoço. O make de Pat McGrath gritava anos 1970: tinha lábios vinho com gloss por cima e lindo um esfumado dourado e roxo.

NINA RICCI

Nina Ricci Verão 2011 ©Firstview

Mais um da dupla Pat & Guido. Ela apagou as sobrancelhas, marcou o blush, contornou os olhos com lápis preto e esfumou-os com rosa forte. Palau partiu o cabelo ao meio e fez um coque baixo, que cobria as orelhas e tinha fios soltos, descritos por ele como “Eduardiano e setentista”.

PEDRO LOURENÇO

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O cabelo de princesa-futurista-espacial tinha uma aparência bem molhada e era preso num nó bem no topo da cabeça, o que Guido Palau disse ajudar a alongar o pescoço e a silhueta. O make resumia-se a uma pele perfeita, sobrancelhas apagadas, um pouco de blush pêssego e sombra rosa, com gloss por cima, puxada num gatinho.

RICK OWENS

Rick Owens Verão 2011 ©Firstview

A maquiagem dark foi criada com precisão por Lucia Pieroni, que escolheu tons de base que combinavam com a coleção para fazer marcas na região das sobrancelhas. Já o cabelo, um chignon baixo e rígido, foi feito por Luigi Murenu, que acomodou no coque os pentes especiais desenhados pelo estilista. O resultado foi um bem conceitual, mas simples.

ROCHAS

Rochas Verão 2011 ©Firstview

Lucia Pieroni inspirou-se na aurora boreal para criar um belo esfumado azul, feito com lápis azul marinho e sombra azul e com um gatinho leve. Já Eugene Soleiman enrolou as madeixas das modelos em rolinhos laterais, e deixou alguns fios desarrumados. Para parecer ainda mais orgânico, Soleiman fez penteados um pouco diferentes em cada uma.

YVES SAINT LAURENT

Yves Saint Laurent Verão 2011 ©Firstview

Os lábios da Yves Saint Laurent, que consistiam num vinho profundo com um gloss transparante aplicado generosamente por cima, foram o destaque da maquiagem, que também teve sobrancelhas apagadas. Já Guido Palau inspirou-se mais uma vez na era Eduardiana para os cabelos: cheios de gel e partidos ao meio, eram enrolados em si mesmos lateralmente ao redor da cabeça.

EXTRA: JUNYA WATANABE

Junya Watanabe Verão 2011 ©Firstview

Ok, o desfile não envolveu nada de maquiagem, já que o rosto das modelos estava coberto por um tecido esbranquiçado, e o ápice relacionado à beleza foram as perucas super coloridas, mas a apresentação de Watanabe vem pra lembrar que nem só de sombra e batom é feito um bom visual: o efeito nas fotos ficou deslumbrante!

+ Veja as fotos de Paris Verão 2011

Caretice dos anos 1950 influencia a moda no próximo inverno

29/03/2010

por | Moda

O inverno 2010 coloca em jogo uma feminilidade mais adulta. Foco numa mulher crescida, dona do próprio nariz e segura de seu corpo – tipo o casting da Prada ou Louis Vuitton. Quadris acentuados, cintura marcada, seios evidentes. Pela primeira vez em muitos anos, a palavra “amadurecida” é usada na moda sem ter uma conotação necessariamente negativa.

feminilidadeLooks de Giambatista Valli, Giles, Prada, Louis Vuitton e Rochas: a nova mulher é madura © firstVIEW

Grifes como Dolce & Gabbana, Giles, Giambatista Valli e Rochas engrossam o coro: todas apostaram no visual ampulheta (super 1950s), casacos com cintura marcada e barra ampla, casaquetos de tweed em corte quadrado, vestidos com saias rodadas, calças de alfaiataria levemente secas, twinsets e tricôs ajustados ao corpo e, principalmente, saias godês – muitas saias godês!

As referências saem lá do final dos anos 1950 e começo dos 60. Antes de Mary Quant e André Courrèges revolucionarem o planeta moda com sua pegada ultrajovem e, também, antes do fast fashion dar seus primeiros sinais de vida. Também não podemos deixar de citar a influência do sucesso da série de TV americana “Mad Men”, de filmes como “Direito de Amar” e até da exposição sobre a musa da temporada, Grace Kelly, no Victoria & Albert Museum, em Londres.

mad menCena do seriado “Mad Men”: uma das maiores audiências nos EUA contribui para a disseminação da nova estética na moda © Divulgação

Como elementos principais, as peças de apelo clássico, atemporal, que favorecem as formas do corpo feminino e atestam a retomada de valores tradicionais. É como se a moda agora não se valesse mais das “tendencinhas”, e sim de roupas de verdade, que sintetizam o espírito da temporada: a busca pela praticidade, elegância e sofisticação.