Ronaldo Fraga é destaque da mostra “Designs of the Year” inaugurada em Londres

26/03/2014

por | Moda

Modelo da coleção “Carne Seca”, de Ronaldo Fraga, que estará exposto no Design Museum de Londres ©Divulgação

Ronaldo Fraga é um dos sete estilistas do mundo todo escolhidos pelo Design Museum de Londres para participar da exposição “Designs of the Year”, que reúne os trabalhos mais inovadores e originais apresentados nos últimos 12 meses. Esta é a segunda vez que o brasileiro é selecionado para a mostra. A peça que será exposta faz parte da coleção “Carne Seca”, que teve a caatinga como fonte de inspiração e foi desfilada na última temporada do São Paulo Fashion Week (Inverno 2014).

O trabalho de Ronaldo Fraga estará ao lado de outros seis estilistas, como o primeiro desfile prêt-à-porter de Raf Simons para a Dior (Primavera/Verão 2013), que resgatava o passado da marca e misturava com elementos modernos. Também estarão lá a coleção Primavera/Verão 2014 da Prada, desenhada por Miuccia Prada, que juntou com muito sucesso desenhos de pop-art com detalhes esportivos e shapes estruturados em uma coleção forte e colorida, e a performance do desfile da mesma temporada de Rick Owens.

Este é o sétimo ano da exposição “Designs of the Year”, que apresenta o melhor do mundo não só em moda, mas também em arquitetura, mundo digital, móveis, design gráfico, de produto e de transportes. No total, serão expostos os trabalhos de cem profissionais, desde estrelas do design internacional até start ups financiadas por crowd-funding e projetos de estudantes. A mostra vai de 26 de março a 25 de agosto.

Designs of the Year 2014 @ Design Museum
De 26 de março a 25 de agosto de 2014
Shad Thames, 8
Londres
desingmuseum.org

Rick Owens agita cena londrina com loja pop-up e noite fervida (para poucos)

04/09/2013

por | Moda

Uma loja temporária da DRKSHDW que Rick Owens abriu em Nova York ©Reprodução

Rick Owens deve agitar a cena noturna de Londres em breve. O estilista americano já organiza uma noite esporádica em Paris, a Spotlight Club, que deve chegar em breve à capital britânica. “Vou fazer uma versão londrina do Spotlight, que eu faço de vez em quando em Paris”, disse ao site da “Vogue” britânica. “Nada chique, apenas uma festa com os amigos. Eu estava sentindo falta de um lugar mais dark em Paris, por isso comecei a fazer a minha própria noite”.

Londres parece estar no foco do designer, cujo desfile é sempre um dos mais aguardados na semana de moda de Paris. Mas ele aproveita a vibração jovem da cidade para trabalhar sua segunda linha, a DRKSHDW (dark shadow), que será vendida em uma loja pop-up na Redchurch Street, East London, área para onde se deslocaram artistas e estilistas independentes, criando uma nova comunidade criativa. A loja fica aberta de 4 de setembro a 13 de outubro e segue os moldes da loja temporária que abriu em Nova York (que funciona até 26 de outubro na Wooster Street, 70).

Assim, levando sua linha mais pop para uma área onde o consumo de luxo não é forte, ele divulga seu nome para um público que nem sabe que há uma loja completa do estilista em Mayfair, bairro nobre de Londres. “Foi uma forma divertida de tratar da DRKSHDW de uma maneira independente. Mas não leve isso muito a sério, é um pequeno espaço de 200 metros quadrados”, ele disse ao “The Independent”. Não importa o tamanho, as peças da marca são tão bem feitas e desejadas quanto as da sua linha principal.

Colaboração

13/06/2013

por | Moda

O estilista Rick Owens e seu já clássico mega tênis ©Reprodução

Rick Owens sempre foi apaixonado por tênis. Ele é sempre visto com seus modelos enormes que vende através da marca que leva seu nome. Agora, chegando aos seus 50 anos, ele resolveu motivar seu hábito de correr e precisa do calçado certo para isso. “Preciso fazer algo pelo meu coração e meus pulmões, então comecei a correr”, disse o designer ao site especializado WWD.  Então, Owens pensou: “Com quais sapatos eu vou correr? Não tenho como fazer isso usando meu tênis gigante de basquete. Eu pareceria um dinossauro correndo pelas Tulherias”.

No início deste ano, Owens entrou em contato com a Adidas, que já o havia procurado para uma colaboração. O estilista acabou desenhando uma linha de calçados específicos para corrida, com seis estilos femininos e seis masculinos. Há uma diversidade de cores, mas dentro da estética Rick Owens: preto, branco, cinza, pérola e cor de osso; um pingo de amarelo aparece em alguns dos modelos femininos. Entre os materiais, ele optou por trabalhar com camurça, couro, nylon e sarja. “Pessoalmente sou fã de Rick e percebi que sua visão é totalmente diferente de qualquer coisa que a Adidas já fez”, diz Dirk Schönberger, Diretor Criativo da divisão Sport Style, da Adidas. “Essa parceria dá à nossa marca a oportunidade de explorar um novo look, criando produtos com uma perspectiva única no design e na tecnologia”, completa.

Os modelos ainda não foram divulgados e serão revelados na ocasião do desfile masculino de Rick Owens em Paris, em 27 de junho. A coleção chega às lojas do estilista e multimarcas selecionadas somente em dezembro e devem custar entre US$ 400  e US$ 500 (cerca de R$ 800 e R$ 1.000). “Queria que eles fossem tecnicamente muito bons e que as pessoas pudessem de fato correr com eles”, conta o designer sobre seu empenho na produção dos tênis.

Outras parcerias de Rick Owens incluem uma coleção de roupas, tênis e joias para a Chrome Hearts e uma linha de mochilas e bolsas para a Eastpak. “Não sou muito bom em colaborações. Sou muito impaciente e totalmente orientado pelos detalhes. Eu não tento provocar ninguém, mas sempre acaba virando uma confusão”, diz. “Mas a Adidas é uma marca clássica e me lembra do hip-hop dos anos 1980. Eles têm uma coisa autêntica old school que me atrai”. Veja aqui os tênis da marca Rick Owens que estão disponíveis para venda.

+ Todas as fotos da coleção de Inverno 2013 de Rick Owens

Para ver e ouvir: o impacto das trilhas no sucesso de um desfile

20/03/2012

por | Cultura Pop

Momento final do desfile de Inverno 2012 de Rick Owens ©Reprodução

Música e moda são eternos namorados, não é novidade. Quantos ícones da música não renderam toneladas de inspiração para designers e revistas (Mick Jagger, Madonna, Cat Power, Amy Winehouse, Bowie, etc)? Ou quantos artistas não ficaram famosos após serem “adotados” por pessoas influentes da moda (Lana Del Rey, Florence Welsh, The Kills, Lady Gaga, Pete Doherty…)?

A trilha de desfile é união perfeita desses dois universos e pode fazer maravilhas para a apresentação de uma coleção. O contrário também acontece. É muito difícil você não se deixar levar por uma música. E quando isso acontece, você acaba vendo o desfile pelo filtro do que aquela canção provoca em você. Emoção, lembranças, diversão, saudade, beleza… Por isso é uma escolha tão importante e fundamental, porque ela ajuda no impacto que a marca quer causar com aquela coleção.

A trilha que marcou essa temporada foi, sem dúvida nenhuma, a de Rick Owens, que usou a música “Ima Read”, de Zebra Katz, para deixar a atmosfera de seu desfile ainda mais climática, estranha e misteriosa. Quase ninguém havia ouvido falar nesse artista até então, mas todos saíram da apresentação com o refrão da faixa na cabeça e, em poucos minutos, Zebra Katz já era um dos assuntos mais comentados nos twitters da moda. O site Fashionista fez uma reportagem engraçada, contando que “Ima Read” “é a música tocada no carro da ‘Bazaar’; o pessoal da ‘V Magazine’ sabe a letra inteira de cabeça e Tommy Ton disse que foi a melhor trilha de todos os tempos”. “Foi o ápice de como essa música poderia ter sido usada”, contou Zebra Katz ao “New York Times”.

Nova sensação: Ojay Morgan aka Zebra Katz ©Reprodução

O que significa Ima Read? “Reading” é um termo antigo usado pelas pessoas que praticam voguing (lembra da músida da Madonna?), que significa um insulto verbal sobre algo que não fica muito claro para os ouvintes comuns. Um bom “reader” pode dilacerar você com apenas uma frase, como Zebra faz em parceria com a rapper Njena Reddd Foxxx, causando sensações não muito agradáveis em quem ouve a música de primeira. A letra soa ainda mais forte com um som minimalista e repetitivo. Segundo o “NYT”, “Ima Read” foi gravada como um statement da cultura negra e também como um tributo ao documentário “Paris is Burning” (filmado no final dos anos 80, mostra a cultura de baile das comunidades negra, gay e transgender de Nova York, além de explorar temas como o racismo, a homofobia e a pobreza), mas, segundo o próprio cantor, “é preciso estudar e pesquisar para entender o que eu digo”. De qualquer forma, nada poderia cair tão bem no desfile igualmente forte e atmosférico de Rick Owens.

Leia alguns trechos abaixo:

Ima read that bitch

Ima school that bitch

I´m gonna take that bitch to college

I´m gonna give that bitch some knowledge

I´mma chop that bitch

I´mma slice that bitch

I don´t like that bitch

I´mma fight that bitch

I don´t like that bitch

Desfile Rick Owens Inverno 2012 em Paris:

Não foi a primeira vez que uma música ganhou vida após ser executada em uma passarela famosa. A irresistível versão que o Scissor Sisters fez para “Comfortably Numb”, do Pink Floyd, estourou após ter entrado na trilha da Balenciaga, na Primavera 2003. Foi também quando vimos uma das melhores misturas de luxo com o sportswear, especialmente o surfe, em uma passarela de Paris, certamente um dos pontos altos na carreira de Nicolas Ghesquière. O cover animado, leve e bonito, feito por uma banda até então desconhecida, casou perfeitamente com a coleção igualmente fresca da Balenciaga. A partir daí, a música invadiu as pistas, os iPods e as casas de show, e uma nova banda da cena underground de Nova York levou frescor ao esquema mainstream.

Os looks de neoprene da coleção de Primavera 2003 da Balenciaga ©Reprodução

Outro projeto que também foi “lançado” pela moda foi a dupla belga Vive la Fête, que tocou ao vivo no desfile de Outono 2002 da Chanel após Karl Lagerfeld ter se declarado fã número um da banda. O designer também já deu bastante espaço para as Chicks on Speed e Cat Power. Nos três exemplos vemos pessoas com um visual que tem bastante apelo para o público da moda. Mais uma vez, o astral de vanguarda do duo e sua música sexy tinham tudo a ver com a Chanel.

Desfile Chanel Inverno 2002 com apresentação de Vive la Fête:

Quem está por trás das trilhas da Balenciaga e da Chanel é o DJ e produtor francês Michel Gaubert, também o curador dos CDs da Colette, que sempre foram muito aguardados por conta das novidades que traziam em termos de música. Ele também já assinou trilhas para Rodarte, Fendi, Gucci, YSL, Jil Sander, entre muitos outros, e é uma espécie de padrinho de novos artistas e bandas.

Um DJ ou uma banda que entenda a alma da marca é peça fundamental para que um desfile seja bem sucedido. Uma música toca a alma com muito mais facilidade do que uma roupa. E quando essa janela é aberta, nós também podemos enxergar a roupa sob esse filtro da beleza e da emoção.

N.R: para escrever o texto, ouvi “Ima Read” umas cinco vezes e desde então, o refrão “ima read ima read ima read” fica batendo sozinho na minha cabeça…

Rick Owens, sua esposa Michele Lamy, e a arte de ver beleza nas imperfeições

02/02/2012

por | Gente

Rick Owens ©Danielle Levitt/Reprodução

O site da “AnOther Magazine” lançou recentemente o vídeo abaixo, filmado pela fotógrafa californiana Danielle Levitt, que mostra como “funciona” a vida de Rick Owens e sua esposa Michele Lamy, “os monstros elegantes” (carinhosamente chamados assim pelo “The New Yorker”), onde se pode ver o cuidado e a parceria na construção do que é hoje um império milionário.


O designer californiano Rick Owens nasceu e cresceu em um ambiente rural e católico, mas a única coisa que ele se lembra dessa época é “de ser envolvido em histórias da Bíblia sobre pessoas arrastando seus longos robes em templos empoeirados”. Hoje, Rick vive e trabalha no centro de Paris, em uma mansão na Place du Palais-Bourbon, com a sua mulher, musa inspiradora e sócia, Michele Lamy.

A sua relação com Lamy começou há mais de 20 anos, desde a época em que ele trabalhava desenhando estampas na fábrica que ela tinha em Los Angeles. No final dos anos 90, depois que Rick largou as drogas e o álcool, foi Michele quem o salvou, relembra o próprio.

Michele, francesa e quase com o dobro da idade de Rick, é ex-frequentadora da noite underground de Los Angeles e antiga proprietária do Les Deux Café, um restaurante com inspiração nos antigos cabarets. Lamy é caracterizada pelos seus dedos tatuados e pintados de preto e pelo seu estilo glunge (como o define Rick) de glamour misturado com grunge. Em 2008, Owens descreveu para o “The New Yorker” a sua musa como uma “esfinge inspiradora que age de acordo com os seus instintos”. Até hoje, Michele e Rick têm uma vida em comum estável e unida e têm traçado juntos o seu caminho na moda . O seu e o de talentos como Gareth Pugh, que, no início da sua carreira, teve o casal como mecenas tendo inclusive produzido algumas de suas peças na fábrica que Owens e Lamy tinham em Milão.

Bancos de madeira de demolição da coleção de mobiliário de Rick Owens ©Reprodução

O casal Rick Owens e Michele Lamy construiu o seu império vendo beleza na imperfeição das coisas, aspecto que se percebe nas suas coleções desconstruídas e assimétricas e até na sua forma de ver a vida.

Rick desenha sob o seu nome desde 1994, vendendo diretamente em algumas lojas as suas elegantes peças assimétricas, mas foi só em 2002, quando foi premiado com o prémio “Novo Talento da CFDA” (Council of Fashion Designers of America – conselho dos designers americanos) que o nome Rick Owens passou de grife cultuada do cenário underground anti-fashion, como Rick a descrevia, usada por Madonna e Courtney Love, para marca de passarelas internacionais.

Michele Lamy fotografada por Steven Meisel para a “Vogue” francesa ©Steven Meisel/Reprodução

Hoje, com lojas espalhadas pelo mundo e uma linha de mobiliário que recheia a sua casa e que estará no museu Chesa Planta, na Suíça, em uma exposição intitulada “Magic Mountain” (“Montanha Mágica”), Rick Owens continua a desenvolver as suas peças inspirado em Michele Lamy e com a ajuda da mesma. Segundo o designer, é ela quem se responsabiliza por toda a produção, interagindo com os artesãos na procura de matérias primas originais e diferenciadas.

Michel Lamy e Rick Owens são hoje referências em estilo, moda e vida. A sua visível paixão um pelo outro e o seu estilo de vida parisiense underground levam-nos a crer que ainda podemos esperar muito do casal.

Acessórios brutais subvertem o sofisticado verão masculino

30/07/2010

por | Moda

lanvin_01Lanvin verão 2011: tribal agressivo em contraste com a alfaiataria fina ©Reprodução

É verdade que a busca por um novo terno tomou conta dos desfiles masculinos de Milão e Paris nesta temporada. Porém, por trás dessa busca sartorial por uma nova elegância havia um certo clima sombrio. Os acessórios do verão 2011 são os responsáveis por injetar frescor nas coleções: marcantes e essencialmente masculinos, aparecem como importante contraponto.

lanvin_02Lanvin verão 2011 ©Reprodução

Grandes. Brutos. Tribais. Industriais. Perversos. É como se os acessórios tivessem sido conquistados em expedições a culturas esquecidas do continente africano, com colares, pulseiras e correntes altamente agressivos. Carregados sobre o peito ou bem à mostra nos braços, esses adornos evocam poder.

Foi assim que Lucas Ossendrijver _na Lanvin_ deu força ao homem da marca. Se, por um lado, as roupas traziam leveza e delicadeza, placas metálicas e correntes pesadas envolviam os pescoços dos modelos, num ótimo contraponto.

gaultier-owens-givenchyJean Paul Gaultier, Rick Ownes e Givenchy verão 2011 © firstVIEW

Vivienne Westwood adornou seus looks com pingentes de (réplicas) dentes de animais, correntes e elementos tribais. Rick Owens e seus braceletes tipo “Mad Max”. A Givenchy com gargantilhas de ossos e a Burberry investindo em tachas e espinhos, assim como fez a Emporio Armani. Esse duelo de opostos _entre as roupas sofisticadas e os acessórios brutais_ vai dominar o visual dos homens no próximo verão.

Sobre como Raf Simons e Lanvin sintetizaram a temporada masculina

30/06/2010

por | Moda

Na semana de moda masculina de Paris (que terminou no dia 27/06) a alfaiataria esteve no centro das atenções. Estilistas dos mais variados pareciam obcecados por encontrar um “novo terno” para o homem contemporâneo. Um uniforme masculino mais “iPad” ou “Twitter”, menos “486” ou “Startac”.

Alteraram proporções, inverteram silhuetas, ampliaram as partes de baixo, ajustaram as de cima, substituíram costuras por zíperes, esconderam botões, eliminaram golas, deceparam mangas e injetaram um pouco mais de criatividade do que aquilo que vimos em Milão.

masculinosYves Saint Laurent, Rick Owes, Kris Van Assche e Dior Homme verão 2011 ©firstVIEW

Stefano Pilati na Yves Saint Laurent eliminou as laterais das jaquetas, transformou calças em bermudas-saias com corte em “A”, e experimentou ao máximo nas proporções. Rick Owens alongou seus blazeres e arrancou as mangas num misto de androginia com religiosidade. Kris Van Assche deu extrema leveza a sua alfaiataria de volumes assimétricos na Dior Homme e a fundiu extraordinariamente com o sportswear numa das melhores coleções de sua própria marca.

Dries Van Noten misturou mods + skinheads e encurtou as barras de suas calças. Paul Helbers fez uma viagem étnico-cultural incorporando diversos elementos (de forma super inteligente) numa de suas melhores coleções para Louis Vuitton. E Riccardo Tisci, na Givenchy, uniu o blazer a calça, agora com gancho baixo, sobre camisa rendada em forma de estampa animal.

Mas o problema da alfaiataria, ou melhor, do terno, vai muito além dessas miudezas de modelagem, silhueta e proporção. Não diz respeito apenas à escassez de empregos, incerteza econômica, tão pouco à flexibilização dos dress-codes dos ambientes de trabalho. O real problema que assombra o tradicional costume masculino é sua atual falta de relevância sóciocultural.

Há muito tempo se foi a época em que a combinação calça + camisa + paletó vinha acompanhada de valores como respeito, prestígio, status social. Em tempos de hiperindividualidade, esse uniforme contemporâneo (em seus moldes convencionais), já não faz tanto sentido na vida das pessoas. São poucos aqueles (e principalmente da geração Y) que encontram nos ternos alguma real conexão com suas vidas.

O que parece faltar na moda masculina, então, é justamente acompanhar essa evolução desenfreada, ultraveloz e experimental que já faz parte das vidas de seus consumidores.

raf-simons-verao-2011Raf Simons verão 2011 © firstVIEW

É por isso que o verão 2011 de Raf Simons parece tão mais convincente. Há 15 anos no ramo, o estilista belga fez valer seu mérito como um dos designers de moda masculina mais vanguardistas do momento (foi ele que lá nos anos 90 introduziu o primeiro terno skinny, bem antes que Hedi Slimane fosse creditado, indevidamente, pela façanha).

Numa coleção repleta de ícones de sua carreira, Simons trabalhou a mesma silhueta alongada que deu o tom da temporada, porém com um impressionante equilíbrio entre precisão e emoção. Amplas calças que cobriam os pés vinham combinadas com suas famosas jaquetas/túnicas sem mangas mais ajustadas ao corpo. Nas costas, aplicou pesados zíperes industriais sobre faixas de cores intensas. A imagem final é menos formal e mais experimental, e nem por isso distante dos consumidores. Como dizia uma das estampas de suas camisetas,  foi uma coleção para falar de realismo (“realness”).

lanvin-verao-2011Lanvin verão 2011 © firstVIEW

Lucas Ossendrijver, sob a tutela do diretor criativo Alber Elbaz, parece também ter capturado o atual clima da moda masculina. Sua mais recente coleção para Lanvin falava justamente da urgência, ação e mobilidade que nos rodeia. Agora a silhueta parecia ansiosamente ajustada ao corpo, barras e acabamentos incompletos sugeriam uma constante pressa, ao mesmo tempo em que roupas ultratexturizadas (vide os ternos em bordados de pequenos recortes de seda) falavam de uma certa intimidade e necessidade de toque.

Algo de esportivo nas blusas enroladas nos ombros ou na cintura, nas calças levemente ajustadas nos tornozelos, nos blazeres abraçando o tronco e nas bermudas de tricô que simulavam aquelas de ciclistas, vinham agora não só falando de uma alfaiataria ou elegância despojada, mas também da agilidade e funcionalidade acentuada dos dias de hoje.

+ Veja as fotos das coleções completas que desfilaram o masculino em Paris Verão 2011.

Fique por dentro da primeira edição da ‘Industrie’

10/05/2010

por | Moda

Lembra quando o FFW mostrou a capa da primeira edição da “Industrie” com a Anna Wintour? Então, agora que a revista já está à venda a gente mostra um preview do conteúdo da publicação, que é focada em quem faz a roda da indústria da moda girar.

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Pra começar, vamos desvendar quem está por trás da revista: a dupla Erik Torstensson e Jens Grede, cofundadores da agência Saturday, que cuida da direção de arte da revista “LOVE”, de Katie Grand, que é editora de moda convidada da “Industrie”.

A vontade de criar uma revista assim começou porque Erik não se contentava com as entrevistas dadas por profissionais da moda até então, e por isso resolveu tocar o projeto que é inédito por ser uma publicação destinada exclusivamente para a indústria.  ”Nós estamos cansados de revistas com 10 editoriais de moda fotografados por desconhecidos e publicados apenas pelo prazer de ter editoriais de moda, sem nenhum ponto de vista”, desabafa Erik, em entrevista para o Business of Fashion.

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A primeira matéria da edição (que tem 196 páginas) é uma conversa dos editores junto com o blogueiro Tommy Ton, do Jak & Jil, sobre como os editores de moda estão virando assunto fora do metier. Uma curiosidade: a foto de Anna Wintour que estampa a capa da revista é do Getty Images, ao contrário do que muita gente pensava, de que teria sido um superfotógrafo que a clicou.

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Além da conversa sobre as editoras-celebridades, a revista ainda mostra como ficar em forma junto com Rick Owens na academia (acima) e também uma entrevista com a criadora do Net A Porter, Natalie Massenet.

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Mas a “Industrie” não se resume apenas a matérias com gente que trabalha atrás das câmeras, ela ainda conta com um editorial fotografado por Patrick Demarchelier e estrelando as modelos Daria Werbowy e Lara Stone, as duas nuas. Vários sites estão comentando que a “Industrie” pode ser considerada um yearbook do mundo da moda, onde todo mundo aparece perfilado e bem fotografado.

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Menos skinny, mais conforto: moda masculina aposta em calças largas

25/03/2010

por | Moda

A alfaiataria masculina clássica tem uma posição de destaque no inverno 2010. Enquanto as grifes de Milão resgataram a tradição do vestir masculino, em Paris as transgressões deram o tom da temporada.

calças-inverno-2010Looks da 2nd Floor, Yves Saint Laurent, Gianfranco Ferré, Alexandre Herchcovitch e Prada inverno 2010: a nova modelagem das calças masculinas ajuda a equilibrar a silhueta © firsView e Agência Fotosite

As calças largas que remetem aos anos 1940 ressurgem neste inverno com drapeados, pregas e volumes desestruturados. Tipo as calças do personagem de Leonardo DiCaprio no filme “Ilha do Medo”, só que fazendo contraponto aos blazeres retos e jaquetas mais ajustadas ao corpo.

No desfile da Yves Saint Laurent, Stefano Pilati montou um belo contraste entre a modelagem soltinha das calças em tecidos leves com jaquetas encorpadas e mais enrijecidas. Jean Paul Gaultier foi buscar no sportswear o apelo contemporâneo para a sua tradicional alfaiataria, e Kris Van Assche tomou esse mesmo caminho.

Também tem os modelos de calças menos amplas, porém alongadas: uma opção interessante. Prada, Gianfranco Ferré e Lanvin alongaram as barras de suas calças produzindo aquele afeito “embolado” na região do tornozelo. A modelagem “cenoura” também volta com bastante relevância e apelo comercial. Ótima para compor looks como aqueles mostrados nas coleções da Dior Homme, Rick Owens e Vivienne Westwood.

Essas pequenas alterações podem parecer irrelevantes, mas não se engane: são os detalhes que ajudam a contar uma história!

+ Visite nosso acervo de Desfiles para ver as coleções completas

Vivienne Westwood agora na parede da sua casa

28/12/2009

por | Moda

papel de parede vivienne westwoodQuem diria que Vivienne Westwood – a estilista considerada “mãe da estética punk” e uma das criadoras mais ousadas da atualidade – iria se render às parcerias com empresas de design e decoração? Recentemente, Westwood fechou contrato com a Cole&Son (uma gigante do segmento no Reino Unido) para uma coleção de papéis de parede baseados em estampas de seus desfiles mais emblemáticos.

Ao todo, são três estampas retiradas de coleções antigas da estilista, como a icônica “Pirate Collection” (Inverno 1981, foto ao lado) ou, mais recentemente, a “I Am Expensive” (Verão 2007). O preço médio é de aproximadamente US$ 90 (aproximadamente R$ 156) para um rolo padrão (cerca de 5 m). Modelos mais elaborados, como uma estampa trompe l’oeil que simula o tartan envelhecido (o famoso xadrez britânico), já ficam ao redor dos US$300 (aproximadamente R$ 520/ 5 metros).

Parcerias entre moda e décor não são exatamente uma novidade. Vários estilistas já colaboraram com empresas de decoração e design, ampliando seu universo criativo para além das roupas.  Só aqui no Brasil, tivemos Alexandre Herchcovitch que já fez jogo de cama e cozinha; Adriana Barra com móveis;  Rita Wainer com seus abajures; e André Lima para a Micasa. Entre as internacionais, Diesel, Giorgio Armani, Kenzo, Missoni, Versace, Rick Owens e Paul Smith são algumas das marcas que diversificam sua variedade de produtos para outras searas que não o vestuário.

O assunto, contudo, gera polêmica entre estilistas e profissionais da área. Em 2008, durante uma palestra do Fashion Marketing (evento organizado pela consultora de estilo Gloria Kalil), Tufi Duek chegou a afirmar que o papel de um estilista não é só criar, mas também manter-se antenado com tudo o que acontece à sua volta. “Eu sempre fui um estilista do comércio”, afirmou ressaltando que o estilista deve se focar totalmente na elaboração de suas roupas para atender as demandas de seus consumidores. Em sua visão, quando um estilista começa a trabalhar em outras áreas,  esse foco no consumidor acaba sendo desviado e prejudica a identidade da marca.

Já para a diretora do Studio Berçot, Marie Rucki, o trabalho de um estilista se mostra realmente completo quando este consegue transbordar a sua identidade estética e universo criativo para outras áreas. Caso, por exemplo, de Christian Lacroix. O estilista, amante do barroco e rococó, já fez decoração de banheiro, de quarto de hotel, assentos de trem e até uniformes de aeromoças – sem perder a sua identidade. Hedi Slimane, quando migrou de diretor criativo da Dior Homme para fotografia, é outro bom exemplo. Toda a sua estética andrógina, rocker e cheia de emoção que marcava suas criações de moda podem agora ser identificadas em imagens retratos cheios de poesia.

Veja mais modelos de papéis de parede criados por Vivienne Westwood: cole-and-son.com

Fotos © Divulgação